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terça-feira, 8 de abril de 2008

Falta de Jeito Trágica

Eduardo VII e o Presidente Loubet, aquando do entendimento entre os seus Países

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A 8 de Abril de 1904 assinava-se entre Londres e Paris um realinhamento das alianças europeias que precipitaria a Primeira Guerra Mundial, com o inerente fim de um Mundo e o desastre de que ainda estamos a pagar as favas. A culpa foi inteirinha de Guilherme II, o qual, obcecado por ser maior do que Bismarck e tudo fazer ao contrário dele, depois de ter alienado a Aliança Russa da Liga dos Três Imperadores, resolveu hostilizar ao mesmo tempo a Inglaterra, planeando uma frota que rivalizasse com a Britânica, e a França, arvorando-se em protector da independência marroquina, contendento com as aspirações gaulesas ao protectorado. Assim, reforçava a tendência natural do Rei Inglês que tão bem se sentia em Paris, desperdiçando a vontade de entendimento com a Alemanha de Joseph Chamberlain e malbaratando a animosidade francesa contra a Albion, expressa pouco antes no entusiasmo popular de apoio aos Boers. A mania de dar nas vistas e levar o Império Alemão para terrenos que não eram os seus revelou-se um desastre: mandando canhoeiras para o Mahgreb, sem nada ter para a troca, permitiu a aproximação daqueles que o tinham. A França, com o oportunismo patriótico de Delcassé, prescindiu de reivindicações no Sudão, em troca da mão livre que o Governo de Sua Majestade lhe concedesse no território marroquino. Breve o caso seria agravado, com Vítor Emanuel III a ascender ao trono Italiano, cheio de vontade de se afastar da Áustria tradicionalmente inimiga do Piemonte e com vontade de fazer permutas semelhantes, interesses sudaneses pelo reconhecimento da exclusividade na Tripolitânia. Aos desertos territoriais abrangidos correspondeu o deserto de bom senso do Prussiano imprudente. A Europa deve-lhe o declínio e o Seu País desgraças maiores.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Melhor do Que Lawrence!

Aniversário da Conferência de Algeciras que concedeu o agreement europeu à integração de Marrocos nas esferas de influência de França e Espanha. No caso francês a reivindicação só se tornara possível graças à acção singularíssima de um dos maiores agentes secretos da História, Charles de Foucauld, antes de se tornar agente assumido de Deus. Numa altura em que não havia quaisquer dados cartográficos sobre o relevo, as passagens e os poços da terra marroquina, ele, geógrafo de mérito, como valoroso militar que se revelara, de bússula, cronómetro e, ocasionalmente, sextante escondidos, disfarçado de Judeu numa época em que eram estes os desprezados e os Cristãos os temidos, fez, debaixo de privações, riscos e agressões todo o reconhecimento do território, permitindo mais tarde aos militares uma progressão que surpreendeu tudo e todos.
Depois da conquista pregou e praticou o ganho do coração dos vencidos pela caridade, reconciliando-os assim com os vencedores, prática que levaria ao extremo depois de professar e de se aperceber de que uma ocupação só poderia ser frutífera com a evangelização, partilhando a pobreza saaariana dos Tuaregues, ao Sul dos estabelecimentos gálicos da orla argelina, ganhando reputação de santidade a que até o martírio daria consistência.
Se ainda houvesse Homens assim...

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Britannia Rules The Waves

O Sr. Lopez, Presidente da Câmara de uma pequena cidade do Norte do Chile, foi preso por, automobilizado, ter causado perturbação no cenário das filmagens do novíssimo episódio da saga de James Bond. Como nada que diga respeito ao 007 me é indiferente, cá venho botar faladura sobre o tópico.
Em princípio, os motivos alegados são compreensíveis: nenhuma autoridade regional gostaria de ver forças de elite do Poder Central protegendo trabalhadores estrangeiros, presumivelmente contra os naturais, o que dá uma imagem de incompetência da polícia local e de selvajaria dos residentes. Além de que não é confortável para quem quer que seja ser usado para representar um país estrangeiro contra o qual subsiste alguma hostilidade, caso da Bolívia, em que decorre a intriga do filme e a quem foi tomada a zona, noutros tempos, retirando-lhe o acesso ao mar.
Simplesmente, o político protestatário deve ignorar um pormenor histórico. A Rainha Victoria, vendo certo Primeiro Ministro seu preocupadíssimo com a questão boliviana, perguntou se não se podia resolver o assunto da forma habitual, enviando umas canhoeiras para as paragens conturbadas. Teve o estadista de explicar que a Bolívia era um país interior, ao que a Soberana, fazendo uma cruz no mapa, retorquiu:
A Bolívia não tem mar? Então a Bolívia não existe!
Ora, se para os Ingleses a existência do território do script passa pelo acesso ao Oceano, não se pode estranhar que elejam a única zona marítima que pertenceu àquela Nação...

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Dia das Verdades

Penso naquelas peculiares formas de usurpação, em que os arrivistas fingem recusar a coroa que extorquiram à Legitimidade, ficando-lhe com os poderes e com as mordomias. Júlio César violentando a vaidade para não concitar a hostilidade dos Patrícios, mero adiamento do seu fim trágico; Cromwell recusando sentar-se no trono que, literalmente, decapitara, mas guardando o tratamento da Alteza e a hereditariedade da Transmissão...E voam os meus pensamentos para o 1 de Abril de 1641, em que desse imenso Brasil cujos Leitores quero, nesta hora, homenagear, surgiu uma notável recusa de pactuar com uma traição ao Soberano, alicerçada pioneiramente no ódio anti-jesuítico que, noutras latitudes e datações, viria a provocar tantos males. Amador Bueno, nesse dia memorável, vendo-Lhe oferecidas as insígnias da Realeza Brasileira, recusou-as e, ali mesmo, se proclamou leal vassalo de El-Rei D. João IV.
Para que sirva de esperança - como um Exemplo individual pode domar um movimento de desagregação!
Assim seja.

domingo, 16 de março de 2008

Potência E Impotência da Estética

D´Annunzio por Gaetano Martinez

Em 16 de Março de 1924 Mussolini ordenou a ocupação militar de Fiúme, no que fícou como vitória final da Política sobre a Estética. Até aí o jogo estava indeciso. É costume alguma vista curta crítica tentar fazer de Hitler & C.ª o predomínio do Estético sobre o Poder, coisa que veementemente contesto. Os dirigentes do Nacional-Socialismo não possuíam credenciais para encarnar essa aspiração e a própria concepção racial era uma abdicação de aferição do Belo, na medida em que passava um cheque em branco a todo o bicho careta e atitude que fosse "ariano", prescindindo da coincidência do Ideal no concreto, o que a Estética não consente. Tais dislates analíticos permanecem hipnotizados pelos desfiles neo-pagãos à luz dos archotes.
No caso do irredentismo italiano de Fiúme o caso era diverso: D´Annunzio tinha background estilístico e posições assumidas na (e com) Arte para poder sonhar a submissão, sempre perigosa, acrescento, de uma acção militar a um credo de esteta. Pegando num exército privado de seguidores foi o que fez e impôs um cânone, mais tarde, importado pelo Fascismo, que o idolatrou mas a que recusou sancionamento total. Foi uma ocupação e regência sem mais sofisticação institucional do que a vontade do Comandante, sujeita aos seus versos empolgantes da «Canzione del Carnaro», evocativa de um raid naval sabotador da Grande Guerra conduzido por Constanzio Ciano. Dessa experiência internacional de uma ocupação por uma guarda particular, ficaria o conflito com o próprio governo italiano que forçaria à rendição.
Do feito épico restariam o termo Duce, lá reinventado e os olalás dos versos desse informal mas omnipresente hino. O maior fracasso da vivência única nem foi a derrota das armas, que, por atraente no sacrifício, poderia enquadrar-se bem nos seus pressupostos motivadores. Foi-o, isso sim, a necessidade de recorrer à Nacionalidade como legitimação, conceito essencialmente político, em vez de se assumir como o que, de facto, tinha sido - a vontade de o indivíduo fazer triunfar o seu inconformismo perante a recusa do prémio devido ao sacrfício dos seus, no final desse conflito em que os vencedores tinham obsessivamente tratado a Itália como menoríssimo parceiro.
Quando os Fascistas emendaram a mão era já um mundo estranho que prevalecia, o das burocracias militares, partidárias e diplomáticas que o entusiasmo daquele punhado de revivalistas do Romantismo tinha alimentado a ilusão de vencer.

sábado, 15 de março de 2008

Meses, Palpites & Entretenimento

Havendo sido suscitada a reserva de uma época do ano para certas práticas populares ao menos preservadas pela etnografia, encontrei esta resposta num Lunário antigo que possuo, o qual nos diz quais as acções favorecidas no mês que atravessamos e alerta para os efeitos psíquicos que a busca de outras actuações e previsões comporta. Fica pois respondida e advertida a Ana, quanto às ansiedades que, por brincadeira, simulou.
Lunário? Sim, ou Almanaque, ou Reportório (até que o Teatro e o Cançonetismo açambarcaram o vocábulo), ou Camião - quando inexistiam auto-estradas -, ou Folhinha, antes de Garrett, ou Prognóstico, quando não era reservado ao final do jogo, ou Diário em acepção prévia da do eufenismo obrigatório a que a evolução semântica de gazeta obrigou, ou Endimião, como Sarrabal, ambos a merecerem inclusão num index de palavras odiosas.
Já em tempos confessei a minha dívida para com a anémica progenitura destes expoentes da leitura generalizada que nos restou. Hoje dei para reflectir sobre a possibilidade de comparar alguns blogues multifacetados a esses repositórios antigos, quer pela estrutura diarística, quer pelas efemérides, curiosidades, personagens, poesias e incidências sérias que veiculam. Um brilhante Colega nosso de outro Continente, Pip Wilson, não hesitou mesmo em avocar a designação, forjando o riquíssimo neologismo Blogmanak.
Manuel Viegas Guerreiro e João David Pinto Correia parecem eleger, entre muitas explicações aventadas, como origem do termo, a teoria expressa por Antenor Nascentes: do árabe almanakh, lugar onde a gente manda ajoelhar os camelos. Quer dizer, em que se encontra descanso da rotina. E sentar-se o bloguista em frente do computador será assim tão diferente do repouso encontrado pelos quadrúpedes carregadores de duas bossas, afinal, em certo sentido, seus congéneres?

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Espadim Desdenhado

A 13 de Março de 1634 teve lugar a primeira sessão da Academia Francesa, precursora de todas as instituições do género e, a partir daí, a mais invectivada mas desejada distinção, por tudo o que saiba, bem ou mal, rabiscar um papel. Quando o critério nem é a qualidade da escrita, ou qualquer outra arte, a orientação consagrada foi de admitir os beaux esprits.
Todas as Academias do Mundo passaram então a ser zurzidas, em nome do anquilosamento e secagem da criatividade, atribuídas com um pedantismo tão evidente como o do fardão à oficialidade, nas Artes & Letras. Mas em breve passou também a ser um truque de muitos que secretamente desejavam a eleiçãozita, confiados em que o masoquismo dos titulares os escolhesse para a confraria. A displicência de Montherlant, dizendo por escrito que não se importaria de ser eleito, no que valeu como a solicitação obrigatória da admissão... o «Marinetti Académico», de Almada...
Um deles e não dos menores, foi Alexis Piron, epigramista émulo de Voltaire, libertino tornado devoto que escrevera na juventude uma frase pouco simpática para a assembleia em que agora queria entrar. Tendo o condutor da votação posto o problema de que, muito embora todos o achassem merecedor, haveria a considerar o óbice da frase desrespeitosa, seguir-se-ia o parecer de Fontenelle:
Ah, se ele a escreveu, é preciso repreendê-lo. Mas se não o fez, não é preciso admiti-lo. O que faz da vontade de domesticação uma imparcialidade, ou vice-versa.
Luís XV acharia melhor substituir-lhe a cadeira por uma pensão, lembrando-se de quão licenciosa se mostrara uma célebre «Ode a Príapo» do Autor», o qual assim se viu traído pelo respectivo instrumento. A pena, claro. Entrou em seu lugar Buffon, que nos ensinou que o estilo é o homem. E de quem ainda se fala bastante mais do que do preterido.

segunda-feira, 10 de março de 2008

TrriimTrriim Trriim Trriim

Não era só Sherlock Holmes que era acolitado por um Watson célebre. Alexander Graham Bell também estava nessa situação e a primeira conversa telefónica da História, registada como tendo ocorrido em 10 de Março de 1876, começou uma longa série de controvérsias, pela extensão do desejo do patrão, conforme seja lembrado pelo próprio, ou pelo ajudante. Apesar de Portugal sempre ter estado na vanguarda destes estimulantes de loquacidade, havendo sido o segundo País europeu a possuir um sistema de bataria central, tal como hoje segue na dianteira do recurso aos telemóveis.
Nunca gostei destes bichos. Na adolescência fazia-me impressão a gente da minha idade que se vingava em conversas intermináveis e sem assunto com o Ente Imaginadamente Amado, por assim dizer, prescindindo da vertente física sem razão aparente. Reconhecendo-lhe a utilidade para marcar encontros, detestava a aptidão a substituí-los, pelo que nunca me deixei empolgar pela conversa de que era instrumento que aproximasse as pessoas. Igualmente noutras formas de convívio a presença parecia-me essencial, descortinando no aparelhómetro apenas um excitador de desmarcações ou de substituição das normais praxes de memória e delicadeza para com o nosso (mais) Próximo.
Já estão a ver a repugnância que me suscitou a inovação dos telefones celulares, com uma sobrecarga de conversa inútil e de facilidades desculpantes, de atrasos ou combinações abortadas, por exemplo. Perguntar-me-ão se o mesmo não sucede com a INTERNET. E eu digo NÃO! Porque nesta há a filtragem pelo que de nobre arte tem a escrita. E porque não obriga à disponibilidade a tempo iteiro dessas portáteis grilhetas que são muito mais o tubarão devorador, de dentes aguçados, do que a cabina pintada. Não gosto de andar pela trela. Dizem-me sempre que quando não quiser atender posso desligar; como nunca quero, dispenso-me da aquisição. E assim considero ter comemorado condignamente a efeméride.
Há coisas fantásticas, não há?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Proteccionismo Com Frustrações

Como todos os sites cronológicos davam como acontecimento marcante deste dia do mês o fim do Protectorado Britânico sobre o Egipto, decidi-me a abrir este livro de memórias de um diplomata francês que presenciou a coisa in loco, dando-nos um relato capaz de trazer à terra os cantores da epopeia. A agitação independentista devida aos acólitos de Saad Pacha tinha tornado completamente ingovernável a terra dos Faraós, pelo que Londres, em vez de mandar tropas para o atoleiro, enviou Lord Milner, um alto funcionário, à frente de uma comissão de inquérito. Diz o Autor que todos os inquiridos se recusaram a responder, o que não atrapalhou o inquiridor, o qual produziu um relatório extenso, poemenorizado e documentado(!) sobre a situação, vindo a estar na base da tal declaração de 28/2/1922 do Alto-Comissário, Lord Allemby, em que a Coroa reconhecia a independência e soberania egípcias, reservando-se discricionaridade em quatro pontos:
-a segurança das comunicações dentro do Império
-a defesa do Egipto contra uma agressão estrangeira
-a protecção dos interesses estrangeiros e das minorias
-a questão do Sudão.
G´andas Ingleses! Isto é que é "independência" e "soberania"! Nos outros, claro. Bora reformular a concepção de Protectorado? Não admira que o representane Máximo tenha telegrafado para a Mulher: Returning victorious

Mas, como extra, apanhei uma história muito mais interessante. O Egipto dava equivalência de estatuto diplomático aos Comissários da Dívida estrangeiros (esta também é linda). A Albion costumava nomear ou gente em fim de carreira ou personalidades algo excêntricas para o cargo. Assim, na época, achava-se defendida nessa vertente por um gentleman já não muito novo, sempre metido em calças apertadíssimas e colarinhos inenarráveis, que falava de todos os temas com uma extensão de conhecimentos tal que deixava os interlocutores algo incomodados, ao ponto de se deitarem com afinco a estudar um campo que lhe pensavam estranho, para o colocarem na defensiva. Calhou a ser a música chinesa e Mr. Farnhall, posto sem aviso prévio perante a discussão da matéria, saiu-se com o brilhantismo de sempre, embora emitindo um ponto de vista contrário a um dos artigos consultados pelos provocadores, o da Enciclopédia Britânica. Vendo nisso a única frecha por onde o poderiam pôr em dificuldade, fizeram-lhe notar a discrepância.
Resposta: É perfeitamente exacto. Fui eu próprio que redigi esse artigo, mas devo reconhecer que me enganei. Preparo uma redacção diferente para a próxima edição.
Ou o melão que sabe bem ver em todos os despeitados pelas qualidades alheias. Coisa feia a inveja, né?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O (Maxim)Bombo da Festa

Um dia cansativo, terminado por triste notícia, a da morte de Mike Plowden, que me foi dada na Federação Portuguesa de Basquetebol, aonde me deslocara em serviço. Mais um (ex-)atleta que cai para o lado, sem razão aparente, pese um antecedente cardíaco registado. Naturalizado português, amava, de facto, este País, o qual na equipa em que ele pontificou, com Lisboa, Jean Jacques & C.ª, teve, pela primeira vez, um clube a discutir internacionalmente os jogos, quando altura e peso pareciam condenar-nos, na modalidade.
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Pálido consolo, encontrei uma fotografia que há muito procurava, para postar. O Amigo Bic Laranja tem homenageado os autocarros de dois andares da Carris, como aqui e num delicioso postal em que falava da inclinação que eles podiam atingir. Sinto pena de que se tenha abdicado de um veículo que podia levar mais passageiros, precisamente quando há mais gente a querer viajar neste transporte público. Claro que seria um alvo mais dramático num atentado, mas que Diabo, não estamos no Iraque, ou, sequer, em Londres. Desconfio é de que rareiem os condutores com perícia para conduzir estas enormes massas. Assim, honro-lhes a memória com o retrato de um antepassado, o primeiro com um par de pisos que fez carreira regular. O Amigo Bic diz que, na Sua mocidade, lhes achava cara de calhambeque. E esta, heim?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Justiça!

Já uma vez falei da grande injustiça que a memória histórica, ou antes, a falta dela, fez ao enorme Cabo de Guerra e glorioso evadido que em idade avançada morreu na batalha de Pavia que hoje se comemora. A história é conhecida, embora controvertida, pois não se chega a acordo dobre ter sido uma calinada dos soldados ao comporem canção de homenagem ao notável Marechal de la Palisse, ou adulteração de copista das palavras de Francisco I, confundido com o valor de s que o f também tinha, ao tempo.
Fosse como fosse, Rei e peões se irmanavam no reconhecimento que o epigramismo oportunista de La Monnoye fez perder de vista. O que justifica plenamente o desagravo de Dumas Pai, quando, a este respeito, disse que a ingratidão não era um privilégio dos Reis, no caso foi-o da posteridade.


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O Chefe e o Sangue

Dia em que se comemora o início de um sangrento feito de guerra, a Batalha de Verdun. A defesa vitoriosa coube a Pétain, incensado pelo feito, como mais tarde, pela política da memória e gratidão curtas, seria infamado. E, no entanto, os seus principios militares estavam em consonância com a condução de Estadista. Poupar vidas, poupar vidas. Foi ele que inverteu a tendência criminosa dos generais da Grande Guerra, de fazerem da Infantaria a carne de canhão barata. Os seus dois princípios intangíveis, o da superioridade do poder de fogo sobre o movimento e o do respeito sagrado pelo sangue dos subordinados, explicitar-se-iam na máxima a Artilharia conquista, a Infantaria ocupa.
Mas seria falácia reduzi-lo, como alguns querem, a um administrador prudente, como Wallenstein fora no Século XVII, A sua marcha à frente das unidades que comandava, na ocupação da crista de Saint-Bon, atravessando um campo fustigado pelos disparos dos obuses inimigos, documentada em baixo, honram-no tanto como o comando que tomou na praça que o celebrizou. E quando, na vergonha que se vangloriou de ser julgamento, Isorni lhe propôs uma declaração em que dissesse ter pautado a chefia do Estado pela mesma forma que o levara a defender Verdun, riscou o título supremo da sua glória, colocando em lugar dele "a defender a França", para que os louros pessoais não influíssem.
Os Homens não são todos feitos da mesma massa, por muito que se tente impingir o contrário.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sempre Franquista!

Há muitas e boas razões para gostar de Franco: o Caudilho Francisco que livrou a Espanha dos assassínios arbitrários, da perseguição religiosa e da escravatura aos Soviéticos, o movimento verdadeiramente regenerador do Presidente do Ministério João, o qual tentou dar uns princípios de governação a um Portugal já então feito em cacos pela partidite e... a Farmácia de Belém onde nasceu o Sport Lisboa, a edição Princeps do Glorioso SLB. Como tenciono ir almoçar hoje a essa bela Terra, quis sossegar os meus Leitores, não pretendo mudar a filiação clubística para o Belenenses, apenas honrar as origens. E regozijar-me de que ao local estejam ligadas a minha cor favorita, no invólucro dos auxiliares da vida que esse reputadíssimo boticário facultava, como a do encarnado do meu coração, no seu conteúdo. O Encarnado e Branco, note-se, antes da crise das camisolas com as duas cores diluídas uma na outra e bem diferente do Vermelho e Dourado Comunista ou do Vermelho e Negro do Diabo e dos Anarquistas...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Impossível Faz-se

Foi em 17 de Fevereiro de 1939 que o grande Ferdinand Porsche apresentou publicamente o modelo do ano anterior, igual ao que mais tarde mereceria o nome de Carocha, ou, como se diz no Brasil, Fusca, em virtude da fonética de Wolk. Querem hoje alguns detractores que a nomenclatura Wolkswagen tenha sido originada dois ou três anos antes, num modelo de outro importante criador, Ganz, perseguido pela origem racial. O certo porém, é que se formos tentar determinar o nascimento oficial da palavra, tê-lo-emos na célebre entrevista do Outono de 1933, no Hotel Kaiserhof entre Hitler, o creditado desenhador e Werlin, na qual o Führer teria ordenado a concepção de um carro não muito complicado, mas com um bom motor e gastando aproximadamente 7,5 l aos 100 Km, capaz de manter uma certa velocidade nas auto-estradas a construir, mas de manutenção económica, com peças substituíveis facilmente e por baixo preço, uma espécie de Wolkswagen, com refrigeração por ar, já que nem todos poderiam pagar a uma garagem. E que não custasse mais de mil marcos.
O Poder ordenou, o cérebro respondeu. Porsche, que detestava política e sempre se recusara a aderir ao Partido Nacional-Sogialista, tinha visto com desgosto a propaganda crismar o seu invento como Força Pela Alegria, pretendendo publicitar ao Trabalhador Alemão uma realização pela aqusição de carro próprio com o seu labor. Num sentido não-concorrencial e mais difundido, participava de essência igual à da promoção de automóveis como símbolo de status, por erguer um meio material a signo de estrato.
No pós-Guerra a enorme multiplicação dos exemplares do modelo viria a ganhar uma segunda vida nos Anos Sessenta, beneficiando da identidade de nome com os Beatles, assim como da mania envolvente. O tipo de anúncio adequado à época, como já o anterior fora. Mas um tanto mais duradouro, este.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sinais de Fumo

A poucas horas da reabertura do túnel do Rossio, temos de lembrar quanto sofreram os passageiros que por lá transitaram em composições puxadas por máquinas a vapor, combinação redundando em pouco menos que câmara de gás. E dar graças por a linha do Estoril ter sido a primeira do País a ser electrificada, em 1926, depois da reivindicação da melhoria pelo grande Fausto de Figueiredo. Antes tinha sido aberto, em 1899, o trajecto Pedrouços-Cascais. Para chegar ao começo do segmento tomava-se outro vapor, barco este, do Aterro (por alturas do actual Cais do Sodré).
E a 12 de Fevereiro de 1897 inaugurou-se a segunda via, onde ainda estamos, salvo em matéria de governantes do PS e de orientações sexuais, sendo certo que se encontra sobejamente comprovado o descarrilamento, no primeiro caso; e, no segundo, os comboios serão para os que defendem túneis mais apertados, sem alternativas de vulto...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Provadores e Venenos

O Provador de Comida de Michael Anthony PagliaSempre me irritou a aceitação acéfala de versões conspirativas, segundo as quais este ou aquele governante teriam sido envenenados, um pouco ao sabor das preferências dos especuladores. Saúdo assim esses verdadeiros provadores a posteriori que são os cientistas que encontraram maneira de determinar a inexistência de ajuda ingerida no óbito do Bonaparte, uma das muitas malfeitorias atribuídas a essa Albion de costas largas. E exorto vivamente a que se efectuem exames paralelos aos restos de D. João II, D. João VI e D. Pedro V, entre outros, para acabar de vez com a dúvida entre o que é mito e não é. No caso do Príncipe Perfeito, por exemplo, Bramcamp Freire prova por A + B como a atribuição de autorias de assassínio são fantasias de historiadores imaginativos, mas não se lembra de pôr em questão o próprio pretenso envenenamento...
Fiat Lux!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Aperfeiçoamento Técnico

Foi em 12 de fevereiro de 1914 que Mary Phelps Jacob, uma descendente de Fulton, requereu a concessão da patente do sutiã,

nesta versão algo incómoda. Para que se veja como a técnica se sofistica, deve ter-se sempre em conta que o mais evidente sinal desse avanço costuma manifestar-se na redução do espaço ocupado pelos engenhos, atente-se na miniturização electrónica emblemática.

E para os que acharam que a concepção original não caucionaria uma perspectiva desta transformação por mim recentemente publicada, deixo a decisiva informação de que a Inventora mudou o nome para Caresse. Caso decidido!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Pouca Terra, Pouca Terra, Uuuuuuh!

Querida Luísa, venha visitar as imediações! Apesar de enganosa pluralidade de vias, creio que o Estoril ainda está bastante reconhecível para a Minha Amiga e outros Aventureiros Se apearem...
Já não ponho as mãos no fogo pela gare de Cascais, até porque as máquinas ferroviárias deixaram de ser a vapor...

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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Morte Irónica

Em 9 de Fevereiro de 1640 um governante que tinha proibido aos outros o álcool morreu, paradoxalmente, de cirrose do fígado, por dele não se ter abstido. Murad IV foi um precursor do Sr. Sócrates: proibiu também, além da pomada e do café, o tabaco. Isto numa megalómana tentativa de abolir todo e qualquer fumo, conhecendo que ele revelava fogo, pois ficara supersticiosamente traumatizado ao ver arder grande parte de Constantinopla, em consequência dos trabalhos de pirotecnia que celebravam o nascimento do primeiro dos seus filhos. Como não dispunha da ASAE, andava pessoalmente, à paisana, pela cidade a pedir uma porçãozita e, quando alguém lha dava, em troca da proto-beata ficava-lhe com a cabeça que pessoalmente decepava, exemplo para fazer pensar duas vezes antes de compartilhar o maço. Era homem confiante nas suas... desconfianças. Mandou desta para melhor o desgraçado que acrescentara um andar da sua casa, porque meteu na pinha que ele o fizera para espreitar para dentro do seu harém, ou seja, foi um puritano perseguidor do voyeurisme alheio. Deu chá de sumiço num grupo de mulheres que cantavam na rua, por lhe perturbarem o sossego, coisa que apeteceu a muitos forçados auditores de certos cacarejos, mas apenas em desabafo sem consequência. E tratou da saúde a um francês que se aproximara de uma turca para melhorar o seu conhecimento da língua, reafirmando uma acepção menos popularizada da sabedoria que nos diz pela boca morrer o peixe e servindo de referência ao Eliseu para não meter na cama da UE a versão actual dos Otomanos.
O Nosso Premier não é tão drástico, o tempo e o local são outros. Mas com a arbitrariedade interditante que exibe, quem sabe se não lhe estará reservado um outro género de morte, a política, em conexão com essa monomania?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Poça!

Dizia há pouco tempo o TSantos que uma fotografia da praia de S. João do Estoril com o nome que aqui é título, por volta de 1950, estava quase irreconhecível. Pois gostaria de saber o que pensam de uma imagem dela do Séc.XIX, Ele e todos os Demais Conhecedores do local. E esta, heim?