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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Sensual vs. Social

Tantos anos perplexo com o persistir do fundamento da intervenção policial em favelas e a luz estava tão perto...

Não era uma questão da Sociedade, era-o de campos do saber com outros corpos, sendo que as fardas não podem ser outra coisa que um fetiche e a entidade intervencionada outra favela: Marlene Favela!

domingo, 29 de abril de 2007

Contra a Bibliofobia!

Uma Busca:Eles encontraram um livro de Poesia de Esenin! de Nikolai Getman
Mau grado a minha identidade ser um segredo de Polichinelo, não é permitido a um signatário assumido como réprobo confessar a amizade por Quem quer que seja, nem a solidariedade, independentemente das divergências doutrinais. Fica pois esta nota em abstracto pespegada, com o ónus da concretização a caber aos bons entendedores.
A destruição dos volumes de textos é velha como o Mundo. Desde as recíprocas práticas religiosas de afirmação da sua visão da Verdade, com o propósito de imprimir nos espíritos a definitividade da execução dos escritos inimigos, até temores tributários de algo entre a superstição e o pré-maquiavelismo ligados à conservação do Poder, que geraram um Imperador Chinês com um cognome de Queimador de Livros. No universo contemporâneo a Alemanha hitleriana fê-lo, com intuitos semelhantes de associação da vontade popular ao triunfo da cultura oficial.
Nota-se uma abrupta e absurda queda qualitativa quando o móbil da inutilização não se refere já à condição herética ou hostil dos autores, ou ao perigo das suas máximas concernendo a conservação política, para passar-se a culpar o livro em si, personificando-o. Foi o que o Santo Fidel Castro de muitos opinadores fez, na grande biblioincineração de 2003, ao estatuir que "certos livros não deveriam ter visto publicados um simples capítulo, uma simples página, uma simples letra". Na base da reificação do ódio suspeito muito de que se possa encontrar a inconsciente e infantil pulsão de não querer permitir aos outros o acesso a um tesouro eventual na posse de um nebuloso gnomo do ramo, como de impedir a este a continuação do fruir dessa propriedade.
A Biblioteca de Rob Gonsalves

O grau zero da dignidade no ódio em questão atinge-se porém quando se priva alguém dos seus calhamaços, não já por preocupações de neutralizar capacidade propagandística que a quantidade de exemplares de cada obra não consente, mas para privar os adversários que se pretende atacar do manto protector de que se rodearam. Sabe-se que uma maneira clássica de enfraquecer um Homem é investir contra os seus afectos. Nesta medida, subtrair a um grande Leitor a companhia dos maços de folhas encadernadas que ama é transformá-lo num sem-abrigo. E nem funciona a única espirituosa redenção sugerida por Brodsky quando dizia que há crime maior do que queimar livros, qual fosse, não os ler. Confesso que seria perfeita a apreensão em que os homens de mão dela desatassem a devorar os milhares de páginas que tinham sido encarregados de desviar, convertendo-se às prosas lá dadas, porque, no sentido de preocupação, tal desenvolvimento decerto instalaria angústias extremas nos mandantes deste horror.
E mais, como técnica de combate político é muito rudimentar, uma interpretação grosseira, literal e, contudo, plena de iliteracia da recomendação de, nestes casos, proceder by the book.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Penas Chamuscadas




Não quereria, maldito como me reconheço e repetidamente me confesso, deixar-me prender demasiado à actualidade, que dispensa esta página para conseguir saturar abundantemente o leitor voraz. Porém, a hiperbólica selvajaria da pirómana facção da claque portista no Estádio da Luz suscita-me duas ou três reflexões que não quero calar:
1- Congratulo-me com o facto de já não ser dado às câmaras televisivas como porta-voz da PSP algum sujeito bigodudo, como outrora, ou incapaz de conjugar formas verbais relativamente simples, como ainda vai acontecendo com alguns oficiais da Brigada de Trânsito da GNR. A Subcomissária Paula Monteiro é uma presença notável, para além da telegenia, por conseguir no que diz aludir a muito mais. Tenho por adquirido que quando defendeu a sua corporação, ao explicar que os agressores petardos poderia ter dois dedos, estava justamente a referir subtilmente a mesma medida de testa que faltava aos autores do triste lançamento dos explosivos.
2- Veja-se quão perigoso foi para o Ocidente e para o extremo dele que ainda somos a não-descoberta de armas de destruição de massas o Iraque. Doravante, haverá a tentação vertiginosa de duvidar de que alguém seja capaz de usar elementos de perigo generalizado até no contexto desportivo. Mas a conclusão sagaz será sempre a que se aperceba de que bombas em mãos bárbaras serão sempre usadas. A bom entendedor...
3- Não lembra ao mais imaginoso dos justificadores - embora haja ocorrido aos nossos mantenedores da ordem - culpar o Benfica pelo sucedido, com o argumento da colocação dos adeptos rivais no estádio! O SLB já se defendeu, dizendo que a Polícia concordara com tal disposição. Em última análise, a responsabilidade seria sempre da força policial que poderia recusar o plano, por questões de segurança. Mas ninguém explica por que é que outra distribuição tolheria os ímpetos terroristas dos causadores dos distúrbios: alguém acredita que eles se dirigiram à Catedral, com a pólvora nos bolsos, dispostos a não fazer uso dela e que apenas empregaram por não gostarem do lugar atribuído?
É preciso não ser Águia para repousar nessa confiança. Literal e conotativamente. O que nos leva direitinhos para a eterna condição de bode expiatório da passarada...