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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fogo Grego

Dizer que a Chama Olímpica apagou por razões técnicas, quando tal terá acontecido pela acção de um manifestante anti-chinês de Paris, leva-me a crer que as autoridades perceberam como o temor da promoção de um regime pelo Olimpismo deu lugar à vampirização da visibilidade Olímpica pelos adversários dele. Não está em causa a inadmissibilidade da opressão sínica, para a qual bastante cedo chamei a atenção, neste mesmo local. E admitiria como lícita a luta pela não-atribuição a Pequim da organização do certame. Verifico, porém, que há muito mais banzé agora do que na altura, o que me leva a acreditar que nalguns sectores pró-tibetanos houve cinismo calculista em esperar pela vitória dos seus adversários como veículo publicitário ampliado dos seus esforços. Se formos previdentes, deixaremos de manter a qualidade itenerante da hospitalidade desportiva máxima e devolveremos o ónus de anfitrião do evento a essa Grécia que sempre o deveria ter mantido.
A figura reproduzida é a do Feiticeiro oficial do Tibete de 1924, consultado em todos os negócios importantes do Estado. Da veracidade dos seus oráculos dependia a respectiva vida. Para além de ser um modelo que me agradaria ver importado para o enquadramento da actividade dos nossos políticos, quanto aos efeitos das suas decisões, gostaria de saber se ainda existe o equivalente de tão trágico personagem e, na afirmativa, se ele caucionou, como prospectivamente vitoriosos, estes protestos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Jogos Sem Fronteiras

Que a Organização do Tratado do Atlântico Norte perdeu o dito, é mais do que óbvio, ou não teria sido no seu âmbito que se justificaria a intervenão no Afeganistão, território fora do perímetro estratégico daquele Oceano, ou da sua interpretação Extensiva que é o Mediterrâneo. Sou absolutamente contra a hostilização da Rússia que é a aceitação de países que operaram secessões de uma entidade que também a abrangia. Em rigor, poderia aceitar uma política de alargamento que igualmente a integrasse, tranquilizando os novos estados, temerosos de recrudescências expansionistas, mas expelindo o conceito de inimigo potencial para fora das fronteiras euro-americanas, deixando de eleger Moscovo como o alvo da desconfiança.

A própria líder dos seus na herarquia de Estado vir dizer que Hillary deve desistir é sinal de preocupação pela passadeira vermelha que a refrega interna possa estender a McCain, o que falta é contar que também este sentimento foi insuflado pelo que move a maior parte dos políticos em sistemas de eleitoralite, os inquéritos de opinião. Parece que a gota de água foi uma sondagem que dá mais de 20% dos apoiantes de qualquer dos Democratas, dizendo preferir votar no Republicano a fazê-lo no adversário das Primárias. Eu acho que isto é conversa da boca para fora, para pintar o outro pior do que é. Na hora da verdade realinharão. Mas há um perigo real, o de afastarem os Independentes, enjoados do triste espectáculo. Dos números da afluência destes dependerá a eleição de Novembro.
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$Tá tudo a cair em cima do Estado por participar nas manigâncias dos offshores. Claro que vai dar em nada. E a freitomasização do Poder Público pode ser o pretexto para que as administrações bancárias privadas acusadas de outro tanto não venham a ser incomodadas. Já se sabia que iria haver um, não é?

terça-feira, 18 de março de 2008

O Presente Grego

A boa intenção de enviar uma prendinha como gesto de solidariedade a um homólogo vítima de atentado, eu até compreendo.
Também perceberia que, noutras circunstâncias, o PR mandasse pastéis de Belém, uma especialidade que tem à porta.
E mesmo o Vinho do Porto, que, além de ser ex-libris nacional, por causa do nome e do gosto que são meus, seria feliz escolha para dar também conta da minha afeição pelo Povo de Timor.
Agora o que de todo não alcanço é que se envie iguarias destas a um baleado no estômago. Se isto não é cavalo de Tróia que acabe a tarefa que os inimigos do exterior deixaram incompleta, não sei que coisa seja. E, a agravar o caso, ainda temos os enchidos do Comandante da GNR como cereja em cima do bolo a que aspirava tão peculiar dieta. Os Australianos invocaram saúde pública para a recusa. Má subsunção legal. A saúde privada do destinatário chegava.
Até nos gestos de Amizade aquela Gente tem falta de sorte!

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Pomo da Discórdia

Banana Girl, de Linda ReidHá grandes empresas que não têm emenda. A que comercializa a marca Chiquita confessou em tribunal haver untado a pata de milícias partidárias de ambos os lados no conflito colombiano, entre as quais as FARC, hoje na berra pelos raptos, assassínios e ligações ao narcotráfico. Depois do papel tristemente célebre da United Fruit na Guerra das Bananas que teve lugar na América Central, verifica-se uma degradação do estatuto dos beneficiários das subvenções, no cone Sul do Continente.
O que me faz pensar na injustiça de confundir a maçã com o metal precioso, através dos mitológicos pomos de ouro. A menos que a palavra maçã passe a ser uma imagem da conflitualidade e da desordem.
Teria assim razão, apesar da mensagem de Esperança na Salvação, o Padre João de Sousa Ferreira, na «America Abreviada», de 1693, ao defender que o fruto dado pela cobra a Eva, e que acabou por perder a Espécie, não seria o habitualmente indicado, mas o preferido pelos macacos. Oiçamo-lo.
Com mysterio se tem esta fructa (a banana) pela com que peccou Adão: porque cada folha basta para cobrir um homem; e pela cruz que mostra, cortando-se pelo meio, como para signal do instrumento em que havia de ser redimida aquella culpa.

terça-feira, 11 de março de 2008

Amnistia Sínica

Não gosto de boicotes, seja o do embargo genérico decretado contra Cuba, a que tanto se opôs o Falecido Papa João Paulo II, seja um qualquer de natureza desportiva, como aquele que é reivindicado contra a China. A própria origem do termo é enganadora, pois deriva de quem foi sujeito a ele, o Capitão James Boycott, o qual em fins de Oitocentos superintendeu a exploração das propriedades irlandesas do Conde de Erne com tal dureza que os feitores se recusaram a trabalhar sob orientação dele ou com ele comerciar qualquer género, fazendo com que de volta embarcasse. Fazer boicote melhor iria pois aos que cedem, do que à conduta que pretende pressioná-los.
Dito isto, tenho de anatematizar a retirada da China da lista negra americana. Bem se sabe que os Direitos Humanos são retórica sem correspondência, na cena internacional. E tenho quase a certeza de que foi negociada diplomaticamente por baixo da mesa alguma rédea solta aos EUA, sabe Deus onde, para obter este efectivo branqueamento de Pequim que junta dois crimes na sua essência, o Comunismo na estrutura política ao ultra-Capitalismo económico. Mas de uma coisa não se seguindo a outra, nada justifica que se apague qualquer memória da subjugação feroz do Povo Tibetano, com esterilizações em massa incluídas, mesmo por uma federação que também pratica a tortura e é conivente com o atentado à vida inocente que é o abortismo. Apesar dos pesares, a aplicação dela apenas a suspeitos de terrorismo e a mera cumplicidade com os particulares criminosos ostentam uma diferença qualitativa da sistemática utilização governamental de ambas as práticas para vergar uma Nação religiosa. O plano desportivo não é o da condenação desse horror, mas é-o o da pressão nos fóruns internacionais, de que agora se abdicou, através de uma amnistia cínica.

segunda-feira, 3 de março de 2008

De Gaulle E Do Galo

A Coorte Invencível de Giorgio di Chirico

Alguns verão na iniciativa de Sarko a prova de que, afinal, sempre é um bocadinho gaulista: criar um meio bélico que torne independente da aliança americana, ele dado como delegado dos interesses dos States em Paris, aquando da eleição presidencial. Infelizmente os Americanos são os maiores entusiastas da ideia de não continuarem a pagar toda a nossa defesa e a França vive a sua badana do enfraquecimento europeu; onde o General queria uma Force de Frappe, só pode sonhar hoje com uma Força de Farrapo. É o que seria a manta de retalhos que propõe aos outros países grandes da UE, com o desprezo do esquecimento sobrando para a maioria em que nos contamos. O maior problema militar europeu nem está em não querer gastar, reside em não haver sombra de unidade na Política Externa, salvo para a asneira que pareça, no imediato, pouco custar, caso do Kosovo. Se uma certa ideia da França podia variar com as sucessivas mudanças de humor de um presidente, uma pálida ideia da Europa é incompatível com as contemporâneas oposições dos seus membros, as quais impedem uma afirmação comum e utilização consequente das armas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Proteccionismo Com Frustrações

Como todos os sites cronológicos davam como acontecimento marcante deste dia do mês o fim do Protectorado Britânico sobre o Egipto, decidi-me a abrir este livro de memórias de um diplomata francês que presenciou a coisa in loco, dando-nos um relato capaz de trazer à terra os cantores da epopeia. A agitação independentista devida aos acólitos de Saad Pacha tinha tornado completamente ingovernável a terra dos Faraós, pelo que Londres, em vez de mandar tropas para o atoleiro, enviou Lord Milner, um alto funcionário, à frente de uma comissão de inquérito. Diz o Autor que todos os inquiridos se recusaram a responder, o que não atrapalhou o inquiridor, o qual produziu um relatório extenso, poemenorizado e documentado(!) sobre a situação, vindo a estar na base da tal declaração de 28/2/1922 do Alto-Comissário, Lord Allemby, em que a Coroa reconhecia a independência e soberania egípcias, reservando-se discricionaridade em quatro pontos:
-a segurança das comunicações dentro do Império
-a defesa do Egipto contra uma agressão estrangeira
-a protecção dos interesses estrangeiros e das minorias
-a questão do Sudão.
G´andas Ingleses! Isto é que é "independência" e "soberania"! Nos outros, claro. Bora reformular a concepção de Protectorado? Não admira que o representane Máximo tenha telegrafado para a Mulher: Returning victorious

Mas, como extra, apanhei uma história muito mais interessante. O Egipto dava equivalência de estatuto diplomático aos Comissários da Dívida estrangeiros (esta também é linda). A Albion costumava nomear ou gente em fim de carreira ou personalidades algo excêntricas para o cargo. Assim, na época, achava-se defendida nessa vertente por um gentleman já não muito novo, sempre metido em calças apertadíssimas e colarinhos inenarráveis, que falava de todos os temas com uma extensão de conhecimentos tal que deixava os interlocutores algo incomodados, ao ponto de se deitarem com afinco a estudar um campo que lhe pensavam estranho, para o colocarem na defensiva. Calhou a ser a música chinesa e Mr. Farnhall, posto sem aviso prévio perante a discussão da matéria, saiu-se com o brilhantismo de sempre, embora emitindo um ponto de vista contrário a um dos artigos consultados pelos provocadores, o da Enciclopédia Britânica. Vendo nisso a única frecha por onde o poderiam pôr em dificuldade, fizeram-lhe notar a discrepância.
Resposta: É perfeitamente exacto. Fui eu próprio que redigi esse artigo, mas devo reconhecer que me enganei. Preparo uma redacção diferente para a próxima edição.
Ou o melão que sabe bem ver em todos os despeitados pelas qualidades alheias. Coisa feia a inveja, né?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Desejo Ibérico

Casal Com Cavalos, s/t de William Littlefield

Por uma margem digna da reeleição de um déspota coreano Nuestros Hermanos confessam-se satisfeitos com o sexo que têm, em evidente contraste com os nossos compatriotas, que se gabam de fazer muito e aproveitar pouco. Devo dizer que considero residir a causa profunda na sementeira de comportamentos que a música popular realizou - o estribilho de Marco Paulo mais, eu quero mais e dás tão pouco começa a fazer das suas.
O pior é o diagnóstico que Miguel de Unamuno fez dos dois Povos: escreveu que os Espanhóis eram um Povo de invejosos e nós um de suicidas. A negação do bem-fundado da primeira conclusão aparece como evidente. E a segunda também fica prejudicada, pois a insatisfação, enquanto não leve à desistência, é o melhor antídoto contra a morte auto-infligida.
Mas suspeito de que o Sr. Sócrates ainda vá utilizar as conclusões para dizer que o caluniavam aqueles que evidenciam ter-nos ele f. bem...
Num inesperado acrescento, poderiam alguns tentar explicar a euforia na Vizinha Nação ao generalizar as migalhas que o Governo Autónmo Catalão considera adequadas à saciação da sua juventude. Erro grave! O que se deve tirar daqui é que para os partidos que o integram tudo vale para proclamarem que não fazem parte do todo de Espanha!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Peito ou Perna?

Não, não tenciono servir-Vos frango. Quero apenas, contra a Era do Silicone que dá como inevitáveis prescrições gelatinosas implicando cortes, propor o tratamento conservador que evite que Vos passem a perna: para Gente que considere o esforço, a disciplina do exercício continuado; para os entusiastas dos resultados rápidos, as pílulas que têm o condão de desmentir Kipling - Ocidente e Oriente podem bem encontrar-se, nem que seja num ideal peitudo!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sancionamento de Uma Nação

Bem podia ser uma vingança dos Habsburgos. Depois de a Sérvia ter alimentado a desagregação nacionalista que desmembrou um Império pacífico e benevolente, em nome de um irredentismo que servisse a franja Sul do Pan-Eslavismo que lhe tocava, prova agora do remédio que aplicou há noventa anos, com a ablação de parte sua, desejosa de se juntar à vizinha Albânia, que, prudentemente, lava as mãos.Nos últimos tempos promoveu-se um concurso, tendo em vista a adopção de uma bandeira por esse Kosovo de que se queria fazer país. Os melhores trabalhos foram estes. Acabou por ficar um parecidíssimo com o pavilhão albanês, com ligeiras modificações na águia, nomeadamente um escudo no peito.
E não é que nem essas nem a oficial foram as mais passeadas nas aclamações popuares da independência de hoje? Adivinhem qual foi - a da Albânia, ponto por ponto, evidentemente. E as americanas e da UE. Quando se criou o que viria a ser a Jugoslávia também se passearam os estandartes dos vencedores da Grande Guerra. Duas décadas depois, o banho de sangue geral também não poupou os Balcãs. Mas a vaidade faz acreditar em que a História não traz lições.

Sopro Levantino

O Paradoxo do Mendigo de VallthorHá que não embarcar em atribuir-se êxitos quando só se tem fraquezas. Defender que foi um sucesso garantir a visita do Presidente às tropas no Líbano é uma confissão absoluta de menoridade. Nem falo já no segredo necessário à segurança, prova de cedência de um certo domínio à eventual preponderância terrorista. Mas precisar de pedir a outras Nações meios de transporte emprestados para o Comandante Supremo visitar as próprias forças não pode ser, nem por alquímicas artes, transformado num triunfo dourado.
Dentro da mandada e liliputiana dimensão que a partidocracia vigente optou por conferir à presença de Portugal no Mundo a fé em contribuir para a Paz, por intermédio de unidades para tal disponibilizadas, deveria bastar. O grau zero da dignidade atinge-se quando nos admiramos de conseguir, mesmo que não sozinhos, deslocar uma pequena comitiva a um sector militar que pretendidamente controlamos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Custo das Convicções

O Urso Mendigando, de Emmanuel Fremier

Concebo facilmente que se lute por e contra a concessão de facilidades a uma Potência Estrangeira numa base militar. Já optar pela positiva e desconfiar do uso dela para actividade de treino de armas de ponta, como se ameaça no caso das Lajes, parece pouco coerente, pois essa utilização é uma forma de valorizar a importância do complexo, numa altura em que ela, longe de ter acabado, diminuiu, quer pela melhoria e aumento de capacidade dos reabastecimentos em voo, quer do alcance e precisão do armamento. Claro que uma base de treino de armas de ponta tem uma prioridade que um entreposto de aviões-tanque só possui com alguma moderação. A argumentação do consulado americano é que parece não colher, em termos ecológicos: ninguém falou em transformar a Ilha em campo de tiro, os problemas poderão surgir, sim, do aumento de tráfego e da poluição sonora inerente à actividade dos caças. Simplesmente, a preocupação manifestada pelas forças que querem ser esclarecidas cheira de forma intensa a mera tentativa de fazer a torneira pingar mais. Ou seja, fazerem a figura do cavalheiro da esquerda...

A Sofisticação Desinteressada

Não consigo perceber estes Russos! Então não se está mesmo a ver que o míssil iraniano em gestação, tal como o programa nuclear em curso, tem fins meramente pacíficos e não visa mudar esta situação?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Siga a Marinha!

Não se compreende a insistência da Marinha Norte-Americana em testar uma arma que permite ganhar alguns kilómetros, quando o Aliado Britânico já dispõe de outra que chega aos quatro cantos do Mundo: Kelly Brook!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Jactância do Achador

Interessado desde há muito pela figura e a obra de Wenceslau de Moraes, quer pelo que nos transmitiu do Oriente, quer pela desgostosa apreciação que, mesmo à distância, distinguia o erro nos rumos do país, breve me tornei também admirador do Embaixador Martins Janeira, incansável estudioso do Grande Escritor, como conhecedor da tradição Nipónica.
Por isso desejava muito este livro, com a reacção de à cultura de . Encontrei-o ontem, num exemplar único: vejam só a quem o Autor firmou a dedicatória...


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Desagravo

Devo aqui insurgir-me contra a confusão de referências tintinófilas de Miguel Sousa Tavares no Jornal Nacional da TVI. Querendo ilustrar a tese de que Bush e Sarko tinham ido à Arabia Saudita vender as armas de que eles não precisariam, por terem petróleo, comparou-os ao nosso compatriota e Co-Ocupante do Blogue e do Espírito do Mário Martins, o Senhor Oliveira da Figueira. É um abuso contra a reputação desse Honrado Comerciante. É evidente que se os dois chefes de Estado tentaram vender armas, o paralelo óbvio seria este personagem secundário da saga, inspirado no Zaharoff da vida real, que se especializava em vendas às duas partes de um confronto.
Mas a tese não tem pés para andar. Dizer aos outros o que lhes convém é sempre duvidoso. O petróleo é uma arma que... arde. As que se transaccionaram e que as Potências têm, em versões de ponta, são das que fazem arder. No caso de conflito quem fica por cima?
E depois, defender que "quem conheça os Árabes sabe que eles devem desprezar estes líderes pela campanha comercial e os seus próprios, pelas comissões que cobrem" é abstrair de uma cultura baseada no regateio negocial e na gratificação (bakchik).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Uma Verdade Cabeluda

Estão justificados os aumentos record registados pelo barril de petróleo no ano findo: a busca do sortilégio da Beleza faz elevar a níveis inusitados a procura...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Descobrir a Pólvora!

Transitando directamente do postal anterior, temos de concluir que localizar na Idade Média a descoberta da pólvora não será propriamente tê-la descoberto, senão no sentido em que já o estava havia muito. Sexto Júlio Africano (Séc. III) dá uma descrição de mistura de salitre, enxofre e carvão presente na China antiga, reforçando os cálculos dos que a fazem remontar a oitenta anos antes da nossa Era, ou ainda mais atrás.
Contudo, apesar do parentesco com o fogo grego de Constantinopla, que terá garantido a milenar sobrevivência do Império Romano do Oriente, só muito mais tarde foi empregada em larga escala no canto europeu ocidental. De notar que o segredo dos Bizantinos foi mantido durante séculos, mas, conhecido pelos Árabes após análises aturadas, não só ditou o fim dessa Civilização Cristã, como foi por eles empregue para transfornmar em desastre para os promotores a Sexta Cruzada, de S. Luís. O que deveria fazer pensar duas vezes os que, hoje em dia, não sentem receios de facultar armas destruidoras, ou a possibilidade delas, a culturas hostis...

Gravura de Vittorio Zonca, mostrando um sistema de moagem de carvão numa fábrica de pólvora do Século XVII



Em Portugal foi certamente usada, como meio auxiliar, no cerco de D. Afonso Henriques a Lisboa, discutindo-se se o terá sido em Aljubarrota, sendo décadas poseriores as referências feitas a tal hipótese.
O tempo do nosso maior poderio correspondeu também ao das grandes disponibilidades do explosivo produto no Nosso País, como no Reinado de D. João II, tendo vindo os Reis Católicos a ser socorridos com grandes suprimentos do preparado, idos de Portugal, na conquista de Granada.
Foi D. Manuel I que, correspondendo às crescentes necessidades bélicas, mandou instalar na Barcarena a mais conhecida das fábricas lusas desta matéria, sob o nome de Ferrarias d´El Rei, vindo o indispensável salitre do nosso Império, em especial da Índia, mas também de Macau, Benguela e Brasil, por superior em qualidade ao que se poderia obter por cá. Porém, a mais recursos correspondem maiores necessidades e, com o decorrer dos séculos, viemos a ficar dependentes de importações da Holanda, o que se tornou particularmente grave quando entrámos em guerra com essa Nação. Lições a ter em conta por quem nos nossos dias convive bem com a dependência da ajuda estrangeira em sede de meios de Defesa...
O que a Holanda tirou um Holandês repôs. Já nesse tempo se burlava o Estado e disso foi acusada a 3ª geração de concessionários da família Sousa Azevedo, passando a exploração para o nativo neerlandês António Cremer, o qual desempenhou a contento o novo cargo de Intendente das Pólvoras do Reino, no que foi sucedido pela Viúva, D. Catarina Cremer de Wanzeller, coisa que deveria fazer pensar duas vezes aqueles que perfilham do preconceito de suspeitar a existência de obstáculos legais à Mulher como Empresária, na ordenação pré-burguesa.
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Depois foi o declínio, entre explosões trágicas e construções novas, restando hoje o interesse turístico de uma beleza local a visitar, veja-se a fotografia do canal de alimentação das azenhas da Fábrica de Baixo.
Quer o capricho da simultaneidade, fonte de todas as coincidências, que saia este post no momento em que chegam notícias de festejos grandes com fogos de artifício para saudar o Novo Ano. No Porto faz-se mesmo gala de um acontecimento piro-musical, desejando-se que a primeira parte da designação encontre o seu motivo nos fogos explosivos e não na piroseira...
As imagens e a maior parte da informação foram encontradas em «A Fábrica de Pólvora de Barcarena», publicado pela Câmara Municipal de Oeiras e da autoria de António de Carvalho Quintela, João Luís Cardoso, José Manuel Mascarenhas e Maria da Conceição André, que se recomenda.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Perigo Crescente

O Assassínio de CézanneNunca gostei da família Bhutto. Além da falta de espinha dos pactos impossíveis, sempre me pareceu prova de uma consciência ética rudimentar a indiferença de tão grande parte da População Paquistanesa perante irregularidades financeiras em proveito próprio; e de uma deficiente maturidade política a falta de sensibilidade face à demagogia evidente dela característica. Porém, desaprovei o enforcamento de Ali, por desproporcionado, uma vez que defendo a pena de morte apenas para os casos da homicídio qualificado. E condeno o atentado contra Benazir, como o faria ao que atingisse qualquer outro político, mesmo o que mais detesto.
Dito isto, quem matou? Os Fundamentalistas Islâmicos? Mas quais? Os dos grupos terroristas habituais? No entanto, o modus operandi difere um tanto, com a intervenção de tiros e a interposição no percurso da viatura... Os infiltrados nos próprios serviços de segurança? Poderia ser, embora me parecesse mais fácil que escolhessem um cenário desprovido dos riscos que um comício oferece. Os meus instintos apontariam para uma vingança de algum adepto de Sharif, cujas manifestações também têm vindo a ser flageladas por violência. Igualmente não descarto alguém da ala dura do regime, descontente com o entendimento do Presidente com uma opositora de anos. Mas não é isto o que interessa mais.
O que se tem de concluir é pelo falhanço do habitual estratagema norte-americano de confiar as tarefas difíceis a governos militares a que puxam o tapete depois de lhes terem servido os interesses, não hesitando em apoiar políticos pouco escrupulosos, veja-se o caso de Chalabbi no Iraque.
E a causa última centra-se no processo de independência do antigo Império Britânico. A superstição de que estados gigantescos e com aparelhos burocráticos fortes seriam o melhor meio de combater a instabilidade religiosa fica completamente desacreditada. Não tivesse havido o Pan-Hinduísmo da União Indiana e a reacção muçulmana de Jinnah, houvesse sido respeitada a traça que dividia os diversos reinos tradicionais, com a cumplicidade do Ocidente aglomerados em países mastodônticos, talvez não se vivesse o temor das armas nucleares a que acederam, nem a gravidade de perturbações ameaçasse com desequilíbrios de tal dimensão.
A exportação do modelo político-administrativo emergente das Revoluções Francesa e Americana foram o sal e a pimenta da demissão descolonizadora. O cozinhado acabou demasiado picante e favorecendo a hipertensão no nosso Mundo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Não Lhes Dêem Trela

O FBI diz que vai armazenar um monstruoso acervo de dados pessoais, como registos das íris e das palmas completas de nacionais e estrangeiros. Parece excesso de zelo para compensar a frustação de um País que nem um sistema nacional de cartões de identificação com a dedada do indicador conseguiu erguer. E o exame ocular pode conceber-se como torneável, não esqueço o primeiro contacto que tive com a antevisão dele, numa substituição cirúrgica, julgo que de um filme de James Bond. Claro que a segurança e a ameaça terrorista impõem sede de controlo. Mas duvido de que seja eficaz, porque os maiores inimigos do Ocidente são grupos que, para os atentados, recorrem preferencialmente a jovens idealistas virgens de cadastro criminal, ficando os veteranos a dirigi-los de longe, quase que por telecomando. Caso se opte por controlar todos, independentemente do curriculum, estaremos perante um cenário de distopia, em que a vigilância por pulseiras electrónicas seja estendia para além dos condenados. Ou por implantes de chips, em que qualquer indesejável que tente transpor a fronteira faça soar uma buzina, à maneira do que, quanto a mim correctamente, se prepara para as bolas de futebol que atravessam a linha de golo. Mais ainda do que os telemóveis, perspectiva-se um mundo de trelas electrónicas em que a nós cabe o pior lugar.