(pat)ÉTICA
Saturado de ouvir republicanos de várias bandas com a boca cheia de ética, dei comigo a remoer um solilóquio de Ética Monárquica, pela tensão com as vigências que é subsumível ao título, enquanto estas o são pela incongruência relapsa. Lembrei-me da famosa frase de Raul Proença, "A República, para os «bons republicanos», é um regime em que não há um Rei a governar - e em que eles se governam". Claro está que as aspas deitadas visavam excluir dessa ironizada bondade Autor e leitores que lhe fossem simpáticos, reduzindo aos adversários internos dentro dos adeptos dessa circulante Forma de Estado o odioso da promoção do interesse próprio.É porém evidente que na própria essência significante da teorização republicana está presente essa chaga. Se não reduzida ao menor denominador comum do latrocínio, ao menos, mascarada pela fatiota vistosa da participação cívica, a arrogância de confiar no juízo próprio para se ir propondo, ou fazer vingar procuradores de si, quer dizer, marionetas nobilitadas pela magia que se quer dar à palavra "mandato".
O que importa de todo proscrever é a soberba que acredita ter direito a escolher agentes e caminhos nas funções soberanas da Comunidade. Restrita a escolha a partir de baixo às pastas técnico-sociais, num nível concelhio, muito bem, desde que o sufrágio se não desenrolasse com base em listas partidárias, devendo a escolha recair formalmente perante o indivíduo X ou Y. No que toca à Política Externa, ao que resta das Finanças, ao que sobrevive da Justiça de da Defesa e aos restos da Segurança a única atitude que dignifica um indivíduo é a disponibilidade para servir, se chamado por Quem está acima e não foi eleito, o contrário da ambição ao penacho e/ou ao poder, sempre visível nas altercações deprimentes que precedem o discurso "unitário" final da apresentação dos candidatos de cada facção. É esta a única Ética que em política merece o nome - a que não briga para se elevar, mas se eleva esperando uma chamada legítima, já que não-proveniente de um qualquer congénere que tenha vencido pelos mesmos caminhos ínvios.







