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domingo, 16 de dezembro de 2007

Projecção

É no que dá Sereias com muitas leituras, perdem o sentido da Realidade, mergulhando na fantasia. Mas são desmentidas pelas próprias imagens a que recorrem:
É evidente, já Fragonard o tinha expresso, que quem gosta de baloiços são as passarinhas,
pelo que não há qualquer dúvida de Quem é que está a sair da casca - a da ostra traiu-A.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Rabo de Saias?

E cá vamos nós: Sem invenções de caixinha mágica, ou especulações sobre quem será comido, parece-me evidente que o Seu Género é que é de Peixão, concitando toda a atracção dos felinos...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Fim de um Mundo

A Queda de Faetonte de RubensNão sei quantos dos meus Leitores terão a angélica pachorra de ficar acordados até às duas e tal da matina para verem a diarreia de um asteróide. Eu não. Concordo que a recorrente associação ao Fim do Mundo, desta feita, oferece indícios suspeitos: estamos no dia do ano em que nasceu Nostradamus, o qual previu um reino de terror vindo do céu. O corpo celeste chama-se Faetonte, o tal que por imperícia e vaidade, não foi capaz de conduzir o carro do Sol, incendiando parte do Firmamento e do Globo e dando origem ao Deserto da Líbia, sem o qual um certo coronel não seria concebível...
Mas não me convencem - se for realmente o último momento, não terei hipóteses de contá-lo aos netos. Se não for, escuso de embarcar numa burla. Prefiro tirar do episódio mitológico uma lição de amizade para com os animais, já que Hélio, a solar divindade, aconselhara o seu imprudente filho a não chicotear os cavalos.
De resto, pode ser que a ocorrência não marque o Fim do Mundo, mas o Fim de um Mundo. E esse teria sido o dos estados nacionais no Ocidente europeu que integramos. Por curiosidade, este fenómeno astronómico toma o nome de chuva de estrelas, em Português. Lembram-se de como é a bandeira da União Europeia?
E não se vislumbrando Zeus que fulmine a carripana pirómana, adequa-se igualmente aos autores da triste proeza o epitáfio do condutor desbragado do mito grego:
Aqui jaz Faetonte: Na carruagem de Febo ele correu;
E, se muito fracassou, muito mais se atreveu

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Vida de Gato

A Apoteose da Câmara das Maravilhas de Kircher no Museu do Colégio dos Jesuítas de RomaNo dia desse estranhíssimo e obcecado erudito que foi Athanasius Kircher, gostaria de mencioná-lo brevemente como exemplo de quanto a abstractização, a demanda do conhecimento sem inserção na esfera sentimental e o espírito de ajuntador podem tornar monstruoso um homem cultivado. O mal deste Reverendo Padre foi ter esquecido o Amor da Mensagem inscrita no nome da Companhia e a recomendabilidade do esforço de agradar essenciais à convivência sã com o Próximo. Aqueles que o dão como émulo de Leonardo caem precisamente no mesmo erro, ao prescindirem de um requisito que lhe faltava, o da criatividade expressa na realização plástica que cativa. Prisioneiro originário do estudo das Matemáticas, delas deu o salto para a dissecação linguística e a análise musical, duas aplicações práticas delas, com a esterilidade de quem abdica do aspecto encantatório de ambas. Dois outros refúgios que procurou transmitem a mesma nota de desumanização: o esoterismo das correspondências herméticas dos obeliscos e a acumulação no extraordinário Museu que fundou. A ambas faltava o objectivo de serviço afectivo. A invenção da Lanterna Mágica, ancestral invocada do Cinema, facto pelo qual é mais conhecido, enferma da mesma pecha - a da duplicação da imagem do que é Único, desprovida da Arte que lhe desse alma.
Estava desbravado o terreno para a escorregadela maligna. Não se coibiu de arquitectar, para distracção dum ocioso, este pianogato, feito à base de agulhas que picavam as caudas dos pobres inocentes, quando se premiam as teclas respectivas. Parece que houve quem apreciasse os miados aflitos e doridos dos bichos...
Para que se veja bem como a obsessão pela compilação de saber pode piorar um homem, afastando-o, irremediavelmente, da Sabedoria.

Vida de Cão

Nos «Prós e Contras» de ontem, em que os sindicalistas estavam na berra, um ex-governante socialista, Vítor Ramalho deu como uma "expressão popular" e desaconselhável quanto mais conheço o Homem, mais gosto do meu cão.Popular? talvez, na medida em que muita gente que da Filosofia só tem uma palidíssima ideia, à imagem nublada da de Klimt, acima, a papagueia, normalmente como mera desilusão da Espécie, sem querer por tanto reconhecer méritos especiais aos caninos amigos. São muitas vezes pessoas dos mesmíssimos meios que usam a palavra cão para diminuir a dignidade do outro, ou troçar da fidelidade dele a alguém que não o próprio maledicente.
Curioso é que nessas mentes mais afastadas do filosofar costumo ver a frase atribuída a Schopenhauer, que não a disse. Com efeito, insistem em concorrer no que refere à autoria dela Pascal e Madame de Stäel, devendo preverir-se Blaise a Germaine, por mais antigo. Mas o Grande Pessimista de Frankfurt disse coisa muito mais radical. Censurando Espinosa por uma muito caracteristicamente semita depreciação da dignidade do mundo animado extra-humano, deixou claro que quem nunca teve um cão não sabe o que é amar ou ser amado. É evidente que a escrita pode ser interpretada de forma a corrigir o homem que a fez e o quasi-panteísmo espinosiano também poderá fornecer combustível ao amor às manifestações Divinas em todas as Suas Criaturas...
No que contendem a actividade especulativa e as práticas vulgares é na maior aptidão para amar, mesmo de canídeos se tratando. Podem os sábios argumentar, com razão, que pensar com afecto uma condição animal é meio caminho para a universalidade do Amor no mais Cristão dos espíritos. Mas poder-se-á, nos menos dotados para essas subtilezas, encontrar exemplos de ligação profunda ao seu amigo fiel, e a intuição, tantas vezes tacitamente reiterada na vida social dos Humanos, de que amar necessita de um ser concreto em que se aplique, de uma individualudade que, diluída em categoria, enfraqueceria a exactidão e intensidade do conceito. São os mesmos que poderiam censurar ao Autor de «O Mundo Como Vontade e Representação» ter denominado o seu poodle a partir de Atma, palavra hindu para "Alma". Ao que contraporiam as claques dos filósofos que Atman, o nome do bicho evocava chefe bárbaro de outrora, indicando a vontade de amar os menos apetecíveis.
São Francisco resolveu o problema, mas, para isso, abdicou da posse. E o Mundo não vai estando para tão grandes Santos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

As Faces do Urso

Que o antigo defesa do Sporting Rui Jorge não tenha percebido o motivo de, certa vez, haver sido expulso, queixando-se de apenas ter chamado urso ao fiscal de linha, nada tem de comparável com a Professora Britânica presa no Sudão por permitir que miúdos de 7 anos tivessem nomeado um ursinho de brinquedo com a graça do Profeta, Maomé. O pobre e peludo animal, como coisa em si, não é chamado ao caso: interessa é notar que o atleta leonino não estava a exprimir concordância, bem pelo contário. O que tornava inadmissível a classificação. Enquanto que os miúdos, presumivelmente, gostavam do peluche, era uma forma de o procurarem distinguir. É o mal dos fundamentalismos, reduzir tudo o que toca a religião a um catálogo de proibições. Também tivemos um cheirinho disto no Vitorianismo, que, contudo, se humanizava com essa maravilha de invenção que é a hipocrisia social. E no Puritanismo protestante, a quem tal atenuante não valia.
Mais, não percebo como pode alguém, perante esta imagem, achar que todos os ursos artificiais são ofensivos...

sábado, 24 de novembro de 2007

Comer Queijo Faz Lembrar

Busca de Queijo de James SeborConhece Quem me segue, desde outras moradas blogosféricas, a minha paixão pelo queijo. Mal sabendo andar já tinha o lamentável costume de rapinar o que serviam à mesa paterna, para o ir roer para um canto. Mas é alimento que poderia simbolizar a própria universalidade humana, não só por ser feito à imagem da Lua que nos banha a Todos, como por ter desempenhado papel importante em civilizações hoje inimigas. Os Árabes davam-no como descoberto por Kanina, um mercador que levara para viagem longa leite de cabra num odre de bucho de carneiro, o qual, por insuficientemente seco, misturara ao líquido a coagulante quimosina, dando uma pasta que, provada, se verificou ser manjar de Deuses. Duas culturas tão insistentemente opostas poderiam alicerçar as bases do entendimento na comum predilecção histórica por tal maravilha, já que David levou como provisões, na jornada terminal de Golias, doze queijos, os quais, como rememoração do desenlace feliz do episodio, passaram, em número de dez, a ser oferecidos ao comandante de cada exército hebraico em campanha. E Jerusalém provou a sua aptidão para cidade Triplamente Santa pela proximidade de um Vale dos Queijeiros hoje desaparecido da toponímia.
Mas os Egípcios mais antigos de que há notícia dominavam já aquele que era fabricado com leite de ovelha, assim como os Gregos consumiam o do dos caprinos, o do de burra e o do de égua. Nunca provei estes últimos, mas gostei da experiência da minha estadia alentejana, com um outro, tirado do leite de porca. A epopeia ficou consagrada com referências na Ilíada e na Odisseia. E no período Medieval era uma das preferências nutricionistas dos guerreiros Cristãos e dos bens mais apetecidos nos saques empreendidos pelos Muçulmanos.
Vem tudo isto a propósito da minha segunda grande alegria de ontem, uma corbeille com uma variada panóplia de exemplares deste género, que me ofereceram. Sabendo-se como a conjugação do Inglês e da fotografia levaram a consagrar o Say Cheese como uma tentativa de perpetuar a alegria, faço votos para que a reunião de realizações deste âmbito, das mais díspares proveniências, possa pacificar o Mundo de forma muito mais eficaz e menos cínica do que a ONU.
Queijos de Todas as Nações de John Bowman


*
Não vou sem mencionar a corporização da poesia expressa na alimentação da isolada Semiramis, alimentada a pedaços de queijo pelos pássaros, que os roubavam para lhe garantir a sobrevivência, exemplar mito propulsionador do amor puro desejável entre a Espécie Humana e as restantes.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Contar Pelos Dedos

Não vejo razão para postar tanto gato magro ou anémico, a questão está em comer algo mais sólido que o leite!

A resposta à primeira pergunta: por que não interpretar várias personagens, como Peter Sellers fazia? Em não querendo, pode-se optar por esta linha,



por esta,



ou por papel mais ajustado à pele...

...sendo certo que não se pode dizer que neste post foi usado algum argumento porco, já que até uma tigra se mostra capaz de votos ascéticos, na reclusão.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Casting Encerrado

Já informei a Produção de que têm Intérprete.

sábado, 17 de novembro de 2007

Deixar a Pele

Nem é humano usar peles de animais em risco de extinção, nem é adequado ir com casacos com elas confeccionados para a beira de um frigorífico, muito menos um produto capilar pode ser tido por domador.
O emprego está mesmo a calhar é para Quem comprou cavalos marinhos recentemente...
Nota elucidativa: apesar de o meu Passado não estar isento do apodo tigre, não era aos que fazem habilidades circenses à voz de comando, mas aos que têm garras atemorizadoras, que se referia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Nem Carne Nem Peixe

Já passou para os Media sem preço do nosso País, com um corte que altera, a norma da cidade de Liverpool, não se sabe se lei se lenda, que proibiria as práticas de topless, salvo em lojas que vendessem peixes tropicais. Dirão uns que será para permitir maior verismo na publicidade ao produto, mas quero crer que a razão se prenderá antes com a necessidade de que a falta de frescura de mercadorias deste género não possa ser disfarçada com paninhos que a escondam...

Alepécias

Será lícito, para denegrir outros tipos de sabão, colocar a foto de um felino tristonho por baixo dos ponteiros de um relógio? Logo quando há gatos contentíssimos por dar horas, desde que não seja uma conotação do estado da barriga. Veja-se este havaiano.

Mas Alep, a terra do célebre sabão especial de olivianos óleos tem um belo castelo como ex-libris,


o que, por via desta elucidativa pintura de Pierre-Yves Vigneron, nos tranquiliza quanto à felinofilia da Castelã.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Pega de Caras

Espicaçaram sem disso se darem conta os Confrades Bic Laranja e Jansenista a minha vontade de ver na net uma imagem condigna da antiga Praça de Touros do Campo de Santana, predecessora da que hoje ocupa o Campo Pequeno. Após abrir muito livro suspeito da a poder facultar, encontrei esta fotografia de um modelo de madeira da dita, integrando a Colecção de Vulgarização ARTE do Diário de Notícias, «A Velha Lisboa», com texto de A. Vieira da Silva, Lisboa, 1927.
Vai aqui como contributo olissipográfico, que eu de Touros... nada. Sempre me regalei com a indiscutível Santidade do Papa Pio V, que em Bula de 1567 prescreveu a excomunhão para quem participasse em corridas taurinas. Só lamento que o motivo haja sido a protecção do homem, em vez da do bovino, que, afinal, era o que não tinha manifestado vontade de entrar nesse espectáculo. Que façam combates de gladiadores com voluntários, ou com condenados criminais, muito certo. Mas deixem em paz seres sem culpas no cartório. E não compro a desculpa de "estar na natureza do touro investir", em combates desse jaez. Também acho da natureza de uns quantos indivíduos de que não gosto oferecer os costados ao chicote e nem por isso passo da conjectura ao facto.
Ainda sobre a proibição eclesial citada, a moderação que se lhe seguiu, de proibir apenas os touros corridos em pontas já me aproxima dos meus amigos aficionados. Se não conseguem eliminar esta carnificina, ao menos que dêem ao bicho uma chancezinha de espetar o bípede que lhe faz outro tanto. E é tempo de emendar a fama de um Rei que não aprecio muito, D. Pedro II, o qual terá apenas transposto para o ordenamento português essa directiva comunitária, como mais tarde se viria a dizer de outras, doutra fonte...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Limpeza do Corpo & da Alma

Recebida em 18/10/2007, esta foto da estátua de S. João da Cruz em Ávila, enviada pelo Amigo Filomeno, a Quem penhoradamente se agradece.
Pois, Querida T, São João da Cruz aqui segue com a própria caligrafia aposta numa carta, tirada da excelente edição francesa das Obras Completas, de 1933-1937, em tradução da Madre Marie du Saint Sacrement. Não dispensa a leitura do original, em que, infelizmente, só tenho a «Noite...». Mas serve a imagem para exame grafológico.

Quanto a este presente, claro que ainda é consequência do trabalho da véspera, que Chardin antecipou. Caso para dizer "ora bolas!" E o nome escolhido desgosta mas não espanta - porque dos meus pés se tratava, foi buscar o termo taipa, como se sabe, usado para designar uma parte do casco dos solípedes, dos equídeos. Maneira subtil de burro me continuar a chamar. Enfim, nada de novo à face da Terra...

Simplesmente, se vamos a higienes retro, há que buscar o catálogo desta exposição. Boa pesquisa!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Um Doutor?

Ai, T, muito obrigado pelo presente, que promete boa companhia, embora me pareça incapaz do auxílio que planeou. É que, com a quantidade de livros que por cá se compra, o mais natural seria suceder isto
E outros perigos espreitam. Defraudado por me ver embrenhadíssimo nos calhamaços, sabedor de como o Povo lhe concede, da boca para fora, um grau académico, caso o veja ajoujado por motivo de carregamentos livrescos,
o jerico não tardaria em querer emular-me. Ora veja a quantidade de brigas geradas pela vontade de ler o mesmo livro, que poderia assaltar-nos em simultâneo!
É melhor ficarmos pela admiração do papel histórico da alimária. Por isso atrevo-me a sugerir, sabendo-A entusiasta da Literatura Infantil, esta História da representação do Burro na mesma. Boa Leitura!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Animais, Nossos Amigos

A Criação dos Animais de Tintoretto

Faz-me sempre impresão ver, no Dia que convencionaram ser do Animal, a eterna passeata televisiva pelo Jardim Zoológico. Prender os Amigos é uma boa disposição, mas afectivamente falando, sem para tal recorrer a grades.
A Todos os que, tendo visto «O Planeta dos Macacos», sentiram um incómodo mais profundo que o simplesmente ditado pela inversão dos papéis

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Vida de Cão?

Ciente da Alma que Lhe dá vida, sinto urgência em propor este plano para A Casa do Tinoni.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Sagrado e o Profano

Pois é, ó Vizinha, não está muito certo esconder dados. Que falasse só da faceta consagrável dos produtos da Companhia, vá que não vá, pois a produção remanescente também é sedutora, embora em mais mundano patamar.
Agora, escamotear que foi Pombal a fundá-la, o que deixaria esta casa em más disposições para com o líquido, é que já vai pela senda da batota.

E Camilo é magnífico para o bicho-homem. No que toque aos bichos-bichos, melhor é mergulhar nos bestiários medievais, aqueles que permitem à nossa imaginação divagar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Darwinismo Bibliófilo

Pois bem, Querida T, em matéria de leituras a Girafa é como a Mulher, lutou por um papel que não fosse meramente decorativo: ei-la, aqui, demonstrando como pode ser meio de aquilatar da elevação das escolhas...
*

E parece uma discriminação censurabilíssima só falar na tradicional girafa africana. Por que não mencionar uma outra, como tal só reconhecida pelos zooólogos após a terem dado como equídeo? Refiro-me ao Okapi, desde Sir Harry Johnston tido por parente mediador entre as girafas pré-históricas extintas e a que conhecemos. A propósito da sua identificação foram trazidos à colação zebras, cavalos e burros, pelo que não me parece descabido dar a conhecer o retrato que segue, com que alguém se lembrou de me imortalizar...

Por Falar Em Pilhas...

Mas, T, ainda que cada leitura implique aplicar um tanto de si, cortar o pescoço para a alcançar não será energia desbaratada?