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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Termalismo Transversal

Heraclito dizia que não te banharás duas vezes na água do mesmo rio. Mas pode-se dizer que nos Estoris duas classes se poderam banhar na água da mesma nascente. Dei, mais abaixo, imagem dos Banhos da Poça, que em 1 de Junho de 1895 haviam substituído um balneário municipal construído para os menos abonados. Mas esta Poça era também a nascente da água das elegantes Termas do Estoril. Eis aqui imagem delas, ocupando o local em que hoje a traça do moderno Casino sobressai, na configuração dada pelo projecto do Arquitecto Martinet, atendendo à iniciativa empresarial de Fausto de Figueiredo/Carreira de Sousa (1913), vindas substituir as chamadas do Viana.
O meu Antigo Professor José d´Encarnação dá notícia de que a água brotava a 27 graus centígrados e tratava, com satisfação dos interessados, doenças de pele, reumatismo, paralisias, escrofulismo e doenças utero-ováricas, ao ponto de Agostimho Lourenço, o mesmo dos Banhos de S. Paulo, de Lisboa, se lhes ter referido, por ocasião da Exposição Universal de Paris, em 1867.

domingo, 22 de julho de 2007

Progresso Meramente Técnico

Tendo visto a minha saga de motard finda de forma brutal, ao poisar numa poça de água, nuns 14 anos que não o tinham previsto, frente a olhos e saias a que conviria evitar tão dura prova, sempre nutri certa dose de boa vontade a respeito de convívios como o algarvio deste fim de semana.
Tenho porém a censurar às reportagens televisivas a omissão ou pressa da cobertura do espectáculo final, que costuma ser a cereja no cimo do bolo. Esta lacuna vem afinal comprovar que às melhorias das máquinas não corresponde um efectivo progresso moral, ao contrário do que poderia pensar quem tentasse tirar ilações destas imagens da Harley Davidson, em 1907 e várias décadas depois...

domingo, 17 de junho de 2007

Cobras de Santa Engrácia

No caso de algum Leitor mais fiel estranhar o meu silêncio e a ausência da minha assinatura entre Os que, indignadamente, protestam contra a trasladação dos restos de Aquilino Ribeiro, como cúmplice do Regicídio, para o Panteão, aqui deixo uma explicação, porque não posso, não devo e não quero furtar-me a ela.
É decerto grosseria evitável juntar um matador a toda uma família que enlutou, quando não às próprias vítimas. Mas eu não esperava coisa melhor da República, logo acho-a coerente. E, ademais, o meu campo tem telhados de vidro na matéria. É que um regime do qual tinha expectativas melhores, o de Salazar, com a honrosa intenção de homenagear, meteu a pata na poça de forma similar: aquando da entrega do jazigo-monumento ao Rei D. Carlos e ao Príncipe Real D. Luís Filipe confiou a redacção e leitura do seu acto consagratório a Alfredo Pimenta. Ora, perguntar-se-ão Os que me seguem, o réprobo não tem em boa conta a obra do Homem? Porque protesta? E eu respondo que por muito grande que seja a minha vocação de admirar, ela é menor do que a minha capacidade de esquecer. O nomeado orador fora o que em tempos escrevera O imprevisto era o Buíça, que trazia nas suas mãos serenas e justiceiras, a sentença que um povo inteiro não tivera coragem de decretar e executar. Claro que a conversão ao ideal monárquico e a luta sem quartel que travou posteriormente contra os princípos e os fins republicanos resgatam. Como, igualmente, no caso de outro grande Doutrinador, António Sardinha, que ostentara gravata vermelha após o crime. Mas o bom senso e a rectidão desaconselhariam que a um ou a outro fosse confiada uma missão de que só uma fidelidade sem mancha poderia ser digna.
Da mesma forma, o caso de hoje. Não sei qual o grau de arrependimento que o escritor, grande como foi na prosa, terá vindo a sentir por haver participado nesse acto de ferocidade. Sei que os poderes actuais não dão como motivação da homenagem esse condenabilíssimo acto, mas a distinção nas Letras. Não vejo como protestar, apesar de toda a minha maioridade ter decorrido na fidelidade ao percurso histórico do Ramo Legítimo da Casa de Bragança, mas, ainda assim, não poder pactuar com a baixeza de pistoleiros, mesmo que as Vítimas pertencessem a uma linha usurpadora. Tudo o que posso é censurar a falta de maneiras do sistema e, nessa medida, assumir-me como patético, apodo dirigido aos entristecidos Monárquicos portugueses por um ocioso plumitivo o qual, todavia, terá visto bem o pathos, o sofrimento, que tantas insuficiências deixam no nosso espírito.
Sei bem que este post pode não agradar a gregos, como a troianos. Mas não sou homem de partido, nem que seja algum dos que comigo concordem. E não escrever o que penso seria cobardia.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Banhos Com Telha

Ao Carlos Portugal

Como a Praia da Poça aqui tem despertado o interesse dos Leitores, cá deixo três imagens mais esclarecedoras e pormenorizadas da época em que a graça respectiva ainda se apresentava como dos Banhos da dita, tempo em que as nossas elites tinham tempo para se enfastiar, ainda não ocorrera a democratização do fastio que deu pelo nome de stress. E que fugiam a tal monstro ameaçador por temporadas balneares maiores do que a característica tarde de fim de semana, desta aceleração dos tempos que vivemos,
pois a frequentação enquadrada pelo estatuto exigia uma sofisticação de infra-estruturas que transcendesse a esplanada, já que a mediação da relação com o Sol e a água passava pela sociabilidade e etiqueta incompatíveis com bichas e outros formigueiros.
Se o ponto de vista democrático espumará perante a confinação ao privilégio, não há dúvida de que o nivelamento ocorreu por baixo, do que é prova insofismável o facto de este Vosso criado morar a escasos metros do local fotografado e consideravelmente arrasado...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Poça!

Dizia há pouco tempo o TSantos que uma fotografia da praia de S. João do Estoril com o nome que aqui é título, por volta de 1950, estava quase irreconhecível. Pois gostaria de saber o que pensam de uma imagem dela do Séc.XIX, Ele e todos os Demais Conhecedores do local. E esta, heim?