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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Cada Cor, Seu Paladar?

Uuuuf! Queridos Leitores, foi um dia que não desejo a quem quer que seja. Mas ficaria mal com a minha consciência se não viesse ainda cá comentar a estranha descoberta científica que dá Marte como terreno aceitável para o cultivo de espargos. Na minha ignorância pensava que não bastaria a qualidade do solo, que a pressão derivada das dimensões do planeta também influiria. Mas uma vez que não é assim, estou já a imaginar a exploração propagandística de quem queira comer no mais in que possa, através da promoção de Espargos de Marte, os únicos que os atentados anti-ecológicos não estragaram.Mas há mais, ganha uma nova plausibilidade a conexão dos homenzinhos verdes aos extra-terrestres sintetizados no termo Marcianos. Simplesmente, o look passará a ser mais literalmente cultivado, quem sabe se motivo para uma nova estação da Moda, colhendo na popularidade crescente do vegetarianismo. A sede de novo a exibir está bem expressa na insatisfação que, afinal, é de si, como se tira de Mestre Drummond, nesta belíssima lembrança da Marília.
O que me deixa angustiado é a significação clubística de um verde insuspeitável no que até agora se conhecia como Planeta Vermelho. Cruzo os dedos para que se não trate de uma preparação psicológica para tomadas de posição leoninas no que ao Glorioso Sport Lisboa e Benfica pareça pertencer. Além de notar o péssimo gosto de pintar das cores da bandeira republicana um astro indefeso.

sábado, 28 de junho de 2008

Incomunicabilidades Cósmicas

É que nem de propósito! Deficiências de entendimento e expressão detectadas em circunstantes recentíssimos levaram-me a pensar em como qualquer tentativa de comunicção humana envolve um irrecusável optimismo, o de que todos os destinatários possuam, se não a chave dos nossos códigos, ao menos os parâmetros a partir das quais pudessem descobri-los.
É essa incomparável esperança entre humanos que toma uma dimensão coerentemente ampliada na tentativa que o Prof. Drake levou a cabo, de incluir um esquema em que o zero correspondesse ao espaço branco e o um ao negro, enviada por impulsos rádio e, segundo o Autor, inspirada nas palavras cruzadas. A descrição do Sistema Solar e o esquema estrutural do carbono e do oxigénio deram isto. Terá êxito?

A outra tentativa, da figura na placa elaborada pelo casal Sagan para ser transportada pelo engenho Pioneer 10, na tentativa de, até pelas zonas de vida pouco previsível que atravessaria, dar a conhecer algo de nós.
Conta Paul Watzlawick que, publicada no Los Angeles Times, levantou ondas de contestação das mais diversas, no nosso pobre mundo: uns diziam que a saudação podia ser entendida como agressão, ou indicar a posição inerte como fazendo parte da nossa essência. Outros alertavam que a perspectiva dos pés poderia levar a interpretações estranhas, desde vê-las como armas até tê-las por raízes, ou alicerces. As feministas queixaram-se de a figura feminina ser representada de forma passiva e da estatura a inferiorizar.
E, apesar da propositada assexualização, um protesto em devida forma contra a nudez:
Devo dizer que fiquei chocado com a ostentação espalhafatosa de órgãos sexuais tanto masculinos como femininos na primeira página do Times. Este tipo de exploração sexual não se identifica com o que a nossa comunidade se habituou a esperar do Times.
Não chega sermos obrigados a tolerar o bombardeamento de pornografia nos meios de comunicação social e nas revistas ordinárias? Não chega o facto de a nossa própria agência espacial ter achado necessário espalhar esta nojeira para lá do nosso sistema solar?

Quando com os pés bem assentes na terra a opacidade do receptor é esta, não estaremos a pedir demais às mais longínquas paragens da Fronteira Final?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Imitações Baratas

Com o intuito de homenagear a Nocas Verde e de A ajudar a encontrar motivos da cor, que porfiadamente procura, dou aqui o coelho verde. Sem reservas quanto ao preito, com todas as que posso quanto ao processo de alteração que levou a criar esta aberração. Nem falo nos sentimentos do bicho, apesar dos problemas de "inserção social" despertados. Cinjo-me à dignidade que está presente em ser conforme ao Natural, impeditivas de se vitoriar no pobre roedor o que se condena nas experiências dos médicos hitlerianos, ou na folclórica sede de mudança do Michael Jackson.
Ao verdadeiro artista que se revelou o Sr. Eduardo Kak, inspirador do projecto, diria que a Arte imita a Vida, não é a Vida que imita a Arte. Sob pena de nos transformarmos um dia nessa cogitação de extra-terrestres popularizada como estranhos homenzinhos verdes. Seremos então outra coisa, Homens é que não.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As Cores do Desejo

Uma Gota dos Meus Sonhos de Shahla RosaLendo esta justaposição da actividade onírica e do cinema, tergiverso para uma questão que respeita a ambos, a de serem a cores ou a preto e branco. Os cientistas dizem que 80% dos nossos sonhos são coloridos, correspondendo aos períodos de imersão mais porfunda, contrapostos aos periféricos, nos tons sem cromatismo variado dos filmes de outro tempo. Os mais radicais chegam a contestar a possibilidade, fisiologicamente, de sonhar a preto & branco, o que, dadas as muitas confissões de experiência em contrário, remeterá para a incapacidade dem neste âmbito, memorizar certas frequências do espectro.
A meu ver a culpa cabe toda ao velho Artemidoro, que inaugurou o tratadismo de oniromância, associando significados às pedras preciosas sonhadas. Daí às cores delas foi um ápice. O que julgo não fazer qualquer espécie de sentido, já que determinar uma cor que haja ocorrido durante o torpor do reino de Morfeu parece um contra-senso, uma vez que, pelo menos a mim, elas aparecem todas misturadas, segundo a ordenação que têm na vida desperta, não me lembro de alguma vez ter produzido uma sequência num fundo de coloração única, como que submetida a um filtro fotográfico.
Pelo que me parece que a questão não será tanto física como cultural. Salvo para os que sofressem de uma qualquer deficiência de captação no sistema de distinção, de cones e bastonetes, ou no da sua transmissão ao cérebro, duvido que alguém, antes das filmagens a P&B se popularizarem, pudesse ter, adormecido, visto o que quer que fosse, reduzido ao condicionamento alvinegro com a corte de cinzentos.
O mal está na citada vontade de, sonhando, se adivinhar o Futuro; como também na Psicanálise, em que através da comunicação desses registos se tenta deslindar o Passado. Alguém que o analista E. Levi conheceu diz que, quando sonha "sem arco-íris", sabe que daí resultará um qualquer cunho profético. Aqui está alguém mais pessimista do que eu: concede a faculdade de predição apenas às tonalidades sem alegria.
A minha biografia diz-me que até aos 24 anos sonhava - ou lembrava-me dos sonhos - a preto & branco. A partir daí tornaram-se coloridíssimos. Mas nunca tentei deles retirar indicações sobe os períodos menos próximos, para a frente, ou para trás. O que faço é verificar que de cada vez que sonho com um afastamento maior da lógica, misturando pessoas, estados e épocas, a minha capacidade de concentração, no dia que sucede, está muito mais apurada.
Um campo há em que a coloração dos sonhos parece relevantíssima. É o da sinatriana canção que inclui os versos

The shadow of your smile
When you have gone
Will color all my dreams
And light the dawn

Mas aí sonho é desejo, o contrário da imposição.
E pronto, contem-me dos Vossos. Não quero bisbilhotar os factos, mas gostava de lhes ver boas cores...

História Com Barbas...

...ou melhor, com pelo. Que há de novo na descoberta de que o Ornitorrinco é uma mistura genética de réptil, ave e mamífero? Também conhecemos muitos passarões, com características reptilíneas, a começar pelo veneno que segregam, dados pelos registos como pertencendo à nossa Espécie, a qual, apesar dos sucedâneos, ainda tem como imagem de marca as crias alimentadas pelo leite materno, ou não?O bicho, em tomada fiel e na visão fantástica de Óscar Garcia da Rosa

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Bigger Than Life?

À Fugidia, esta imagem, que acho fascinante, do estudo molecular das bolas de sabão que o Professor Perrin e a sua Assistente, Mlle. Choucron, empreenderam, no princípio dos anos 1920´s.
Ou de como a tentativa de aprisionar racionalmente aquilo que nos diverte acaba por ser mais um atentado perpetrado pelo trabalho contra a doce preguiça que nos ajuda a continuar.

Posted by Picasa

sábado, 19 de abril de 2008

Pesos & Medidas

Autópsia Com Pedaços de Cérebro Humano de Damien HirstCom as altercações e descobertas da pólvora com que periodicamente nos brinda, vem a Ciência desmentir a ideia enraizada de maior inteligência corresponder a peso físico da mioleira. Em rigor, nada de novo. Claro que não há um critério fiável para definir a dimensão comparada da capacidade intelectual e os mitos que se constroem à volta desse espinhoso tema vivem das admirações partidárias. Quem esquece o caso da relíquia macabra do cérebro de Lenine, conservado em lugar de visitação, separado do resto, para permitir a idolatria ritual do líder da Redenção dos Oprimidos, que o dogma revolucionário obrigava a ser o contrário da burrice?
Mas um caso mais diluído na memória colectiva deu brado, no seu tempo: o de Gambetta, durante muito tempo publicitado pelos apaniguados como dos homens mais inteligentes de França. Analisada a massa cinzenta respectiva, verificou-se dar na balança ums medianos 1200 gramas. O que obrigou a difundir as conclusões publicadas pelo Professor Joseph Simms, na viragem do Século XIX para o XX, que prejudicariam a relação física estabelecida com o alcance mental. Segundo o sábio, o maior recheio cerebral cadastrado até então era o de um ardina londrino meio idiota, senhor de uns espantosos 2.340 gramas. E para que se não pensasse ser caso isolado, o que se lhe seguia era o de uma anã indiana, ainda com vantagem de 70g sobre o maior dos génios recenseados, o de Turgueniev,(2.130). Mas a média dos grandes espíritos andaria pelos 1500g.
Claro que desde Einstein se aceitou a variante de não ser o peso bruto o importante, mas o aproveitamento que dele se conseguiria retirar, estabelecendo-se uns míticos 19% de record para o pai da Teoria da Relatividade. Só que na própria comunidade científica os métodos de aferição são contestados. pelo que bom será não nos metermos por essas vias.
Penso que o factor mais perigoso do novo estudo será o da comparação entre o interior das cabeças femininas e masculinas. Com a sede de uniformização e a avidez de manipular na Biologia sem ética de hoje, qualquer dia, estarão a ser praticadas intervenções na psique das Mulheres para as assemelhar às nossas pobres. Já se começou a pôr as fémeas de moscas a cantar... e o que se experimenta nos animais costuma depressa passar para os Humanos...
Não tarda, desaparecerá o resto de encanto que o Mundo ainda guarda.

sábado, 8 de março de 2008

Variação Melo-Cromática

Há dias a Luísa falou-nos na sugestão que a música escutada exercera sobre a percepção dos tons de uma paisagem que atravessava; e agora vem a Ana Vidal defender que, no Seu sentir, o Silêncio seria Preto, quando indesejado; e Branco ao agradar.É antiga a ambição de ligar as duas escalas, a do cromatismo e a da notação musical. Newton fez mesmo um círculo de equivalências no desejo de captar a universalidade regulável pela luz nas cores apreensíveis do Arco-Íris.
Assim a rotação do disco com as frequências apuradas transmitiria um esbranquiçado que poderia dar uma significação diversa à elaboração da Bloguista que abordou a privação sonora - recaindo a tónica no desejo, seria a manipulação da totalidade do espectro a corresponder a uma ausência de estímulo auditivo, enquanto que o esmagamento dele teria equivalente na privação da Cor.
Mas claro que escamoteando à Luz o papel de Afirmação, num processo subtractivo que privilegiasse a subjectividade, resolvendo pelo pessoalismo as co-relações, como, muito bergsonianamente avant la lettre, a interacção espácio-temporal da simultaneidade e sucessão, num processo difusor aplicado por Turner no exemplo célebre do Day After do Dilúvio com Moisés redigindo o relato, Goethe veio devolver (pré-)romanticamente uma liberdade de conformação do Real às impressões interiores da Individualidade, caindo na busca que obcecara tantos outros - a das cores primárias, que reduziu ao Azul-Celeste, ao Amarelo e ao Magenta, muito menos prudentemente que certo decreto papal. É que este se tinha limitado a arbitrar sobre as cores do Arco-Íris que Noé divisara, o Verde e o Vermelho, não extravasando para o Conjunto Humano e mostrando-se, assim, mais Goethiano do que Goethe, ao dar margem para a deficiência e confusão cromáticas o Patrão da Arca.
Assim, em que ficamos? Como escrevi, parece-me que o Silêncio dá mais com o Castanho, apesar de consabidamente o ter como (a)berrante, quando combinado cm o Azul. É que sendo a cor da terra, receptiva a todas as violações de pisadelas, como a quietude às emissões sonoras, o vejo em oposição simbólica ao Verde e Azulado em que poisam e navegam as aves canoras e chilreantes, como ao amarelo solar que convida a bicharada a vir cá para fora...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Haddock Tinha Razão

Lembram-Se do colapso final, ao levar à boca o copo, durante a conferência radiodifundida em «O CARANGUEJO DAS TENAZES DE OURO»? Ora vejam o que um derivado do Whiskey faz à água: melhor do que as pastilhas que os nossos Soldados, na Guerra de África, dissolviam nas poças, para terem de beber.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sempre a Mesma!

É preciso ter lata! Sir Isaac Newton estava protegido pelo atestadíssimo facto de, biblicamente falando, nunca ter conhecido uma Mulher, na sua inteira existência. Agora tentar o mesmo truque com um gato escaldado... À segunda só cai quem quer!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Orelhas na Terra

Alegoria ao Terramoto de 1755 de João A. Glamma Stroberle, Artista com vinte anos de aperfeiçoamento em Roma, ainda hoje mais querido no mundo Anglo-Saxónico do que no seu e nosso País, talvez pelas temporadas de residência em Londres e... no Porto.Ao arrepio do ensino oficial do Catolicismo, insistentes prédicas religiosas voltam a martelar serem os tremores de terra castigos divinos, com se o Outro Mundo tivesse vindo fazer umas férias neste. Hoje são os clérigos islâmicos do Paquistão e de Caxemira, mas no nosso continente os Metodistas dos Irmãos Wesley reclamaram-no abundantemente, tendo John elaborado uma verdadeira Teoria Geral do Terramoto como punição.
Na sequência do de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa, que abalou meio mundo pensante e outro tanto incapaz de o fazer, generalizou-se mesmo aos Países da Religião Romana, à revelia das determinações hierárquicas, a ideia de sanção. Num processo de abstractização das culpas, até o inefável Rousseau veio a embarcar na onda, apesar de as encarar como castigo não tanto do pecado, mais da imprudência e da traição à naturalidade da vida, estigmatizando os nossos Avós por terem escolhido esta localização para Lisboa, e pela construção de casas, largando o tecto celeste, numa não-especificada alusão à literalidade bíblica que mandava não colocar nada entre o Homem e o seu Deus, preceito também invocado pelos missionários puritanos para proibirem as posições sexuais com a Mulher por cima, dando assim nome à que se permitia.
Invertendo o caminho na generalização da causa pecadora, um inflamado visionário um tanto ridículo, esse Gabriel Malagrida que se dizia um São João mais claro, veio pregar, contra as causas exclusivamente naturais patrocinadas pela propaganda Pombalina, a tese da pena terrestre, mas com atribuição concreta da responsabilidade aos vícios do poder absolutista e centralista, arrasador das elites e esmagador das massas, que o Valido de D. José projectava. Afastado da proximidade da Framília Real, a sua extracção Jesuítica, como a influência nos Távoras e nos populares da Outra Banda, marcou desde logo Os que, com um Duque de Aveiro não-alinhado nestas fantasias, viriam a ser as vítimas emblemáticas do tirano iluminado. O candidato a profeta, esse, para não dar o braço a torcer, deu o pescoço, alcançando o sacrifício que ambicionava na sua entrega e que fez o seu nome perdurar.

Onde o conteúdo útil da relação entre pecado e abalo sísmico se encontrou foi na exposição de muito crápula que andava encapotado: com as casas destruídas e os géneros a rarear, a pilhagem e a especulação subiram a níveis tais que foi preciso importar tropas da Província, como dessa Peniche cujo abarracamento foi perpetuado na toponímia lisboeta, seguindo-se um imparável cortejo de prisões, degredos e execuções. Mas a Divindade não meteu o nariz nesta imposição da ordem, da esfera do humano, por muito que queiramos dar ao vocábulo a conotação de clemência.

Rabos no Céu

Havendo o Caríssimo Je Maintiendrai tido a amabilidade de me conceder corte de rabo e orelhas em tauromáquica linguagem recompensante, lancei-me na busca desses troféus. A cauda já achei: matutando nos antecedentes históricos do dia de hoje, lembrei-me de que em 1 de Novembro de 1577 foi visível em Lisboa um grande cometa, o mesmo que Tycho Brahé celebrizou 10/11 dias depois, em Praga. E logo o douto Hermes de Rovere avisou o nosso D. Sebastião de que não saísse do Reino para dar combate à Moirama, pois que o aerólito era prenúncio certo da catástrofe. Não lhe ligaram e a ligação à hecatombe amarrou o País.Talvez escaldado por tão grande erro, o Padre António Vieira passou a alertar para a circunstância de Deus, depois de os profetas se terem calado, haver passado a falar pelos cometas, o que vinha ao encontro do empirismo multissecular dos povos, normalmente creditando-os com maus agouros, salvo os Reis Normandos de Inglaterra, os quais na Coroa mandaram encastoar uma imagem desse sinal do seu triunfo. Mas há que dar a palavra aos especialistas e um pioneiro deles, Lubinetski, no «Theatrum Cometicum», esclareceu sobejamente que os luminosos bólides tanto podiam antecipar algo bom, como mau. Há, por conseguinte, no momento em que o denominado Holmes dá sinal de si, que nos investirmos das capacidades dedutivas do investigador homónimo, para apurar o que nos espera:Nostradamus é que não esteve com meias medidas e previu um, fatal para a Europa Mediterrânica. Será este, oh, será este? Não sei. Do que estou ciente é de que há ameaças com registo indesmentível. Ora vejam como os Turcos figuraram a passagem do corpo celeste quinhentista. E disso percebem eles, ou não fosse o Crescente o seu símbolo. Se não é, cuspida e escarrada, uma alusão à entrada na União Europeia, com a bandeira em fundo, então não sei o que seja.
Tenho dito.

sábado, 27 de outubro de 2007

Azares da Vida

Discussão Por Um Jogo de Cartas de Jan Steen

Quando a escritora Amy Blackmarr vem falar da viciação no jogo, dizendo que não era o ganho material que importava, mas a tentação de vencer a fasquia posta para não ganhar, ocorre-me a definição que Jorge Luís Borges deu de si, como um bom burguês, hostil ao jogo com que aristocracia e plebe se entretinham. Olhando historicamente a Europa é certo que foi nesses meios que a aposta em jogatanas se estendeu, fosse como ostentação do desprendimento e perante o risco de uns, fosse como anseio de elevação de quem nada tinha a perder, por parte doutros. Mas a Contemporaneidade veio prejudicar esta conclusão, pois em nenhum país, tanto como nos EUA, a batota atingiu níveis de importância e transversalidade tão elevados, tratando-se do estado burguês por excelência. Poder-se-ia acreditar que seria uma tentativa de igualar-se às elites estrangeiras, como a sacrossanta licença de usar armas. Mas penso ser mais, traduzir numa produção em cadeia o universal dueto de motivações
já detectado por Cardano - um remédio contra a melancolia e uma tentativa de dominar o destino. O grande matemático milanês, autor da primeira "teoria das probabilidades" de vulto, que correspondia a uma sistematização da Sorte, veio afinal a revelar-se como o aprendiz de feiticeiro que desencadeia forças incapaz de dominar. Depois de na vida ter vencido a impotência de forma muito mais segura do que Kleist - de quem apenas temos o seu testemunho de despedida - os dois filhos a que deu vida revelaram-se criminosos, morrendo um na forca por assassínio, outro no cárcere por ladrão, depois de ter pago uma primeira tentativa de salvamento paterna com a acusação de heresia ao progenitor. Também toda a trabalheira que teve para aprisionar os lances aleatórios dentro das Matemáticas viria a extenuá-lo ao ponto de se virar para a magia e o ocultismo, numa transigência perante as forças irracionais como causa do movimento do Mundo. E ainda associada ao jogo, a teoria que estabeleceu das correspondências fisionómicas, quer como predisposição de ganhadores, quer como indícios de reacção à quota de baralho recebida

acabaram por encontrar um rival muito mais competente em Hans O Cavalo Inteligente, dado como grande jogador de poker por saber contar bem e depressa, quando afinal o que fazia, depressa e bem, era captar as quase imperceptíveis mudanças de expressão humana dos opositores que lhe colocavam em frente.
Num Portugal em que se volta a falar da apetência por tentar a sorte, deve-se notar ser coisa que vem desde D. João II, obrigado a fechar célebre casa de jogo em Lisboa; e da nossa aba da Belle Époque, em que a Mulher de um diplomata regressada à capital do Reino dizia que onde deixara conhecimentos só encontrava parceiros. Mas pelo burgo ou na Estranja enferma tal vício sempre de uma contradição, a de querer dominar forças superiores quem não conseguiu o domínio de si próprio.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O Fosso e a Fossa

A todos os títulos curiosa, esta notícia. Mas serão as diferenças enumeradas suficientes para reconhecer a existência de duas espécies diferentes? É que, se forem, olhando para o panorama actual, eu diria que a Humanidade já está dividida em muitas mais. Uma coisa é certa, vai acabar de vez com o filão caricatural que vem sendo fazer coincidir a obesidade com a riqueza. É também um reavivar das velhas ânsias castigadoras da prosperidade: quem quereria, sem ser obrigado, viver até aos 120 anos? E quanto ao aumento dos seios das Mulheres, no estrato biológico superior, é a única previsão que não espanta, seriam as que deteriam o exclusivo de recorrer a implantes caríssimos. Por outro lado, predizer um tamanho ambicioso para certo músculo masculino talvez seja uma boa propaganda no sentido de garantir o espírito empreendedor.
Uma coisa é certa: com a redução do queixo masculino fica eliminada a dificuldade maior dos travestis, pelo que o Futuro ameaça ser o paraíso deles. Ainda bem que é só para daqui a cem mil anos...
*
A "evolução da profundidade da voz masculina", lembrou-me uma história de Caruso. Tendo um colega da mesma categoria vocal chegado ao pé dele e perguntado se podia cumprimentar o maior tenor do Mundo, obteve a seguinte resposta: Desde quando passou Você a barítono? A modéstia que falta a quem inventa teorias fantasistas e exaltantes do materialismo, como a exposta.