Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
As Três Faces do Sofisma
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Atalhos: Capitalismo, Crime
O Dia e a Noite
Dia da Europa, coincidente com o aniversário da Declaração Schuman, pioneira da integração insuitucional. Celebrar um património elegendo como data comemorativa adaptações jurídicas aplainadoras das particularidades que o fizeram é não pequena medida do declínio. Xavier Tilliette, pensando Paul Valéry como Hamlet europeu (com quem confrontará Husserl e Brunschvigc), chama a atenção para a vergonha de assunção civilizadora do nosso continente, sempre disposto a incensar culturas muito respeitáveis doutras latitudes, porém embaraçado perante um passado colonial que tem por vergonha.Paradoxalmente, não sente qualquer pudor em exportar e impor aquilo que deveria deitar ao lixo, a ossatura normativa do demo-liberalismo que alegremente prega aos outros povos, e com que, não menos alegremente, os prega a lenhos só sagrados para as multinacionais. Valéry inscrevia o Espírito irradiador Europeu no que todos, salvo algum Giscard armado em constitucionalista, reconhecem - o pensamento Grego, a estruturação Romana, o universalismo Cristão. Os governantes que nos calharam substituíram a reflexão sobre os limites do Homem face ao Destino pela omnipotência humana, desde que se trate da deles, a aspiração à Justiça transcendente, embora informante da aplicação dos magistrados, pelo dogmatismo dos veredictos das maiorias e o ideal do Amor pela vileza do aluguer. Que a difusão do nosso estádio civilizacional na Expansão haja combatido a antropofagia, os sacrifícios humanos rituais e o arbítrio dos déspotas que não valorizava a vida, nada conta. Só pensam no remorso da escravatura, que existia, generalizada, antes de chegarmos às paragens que pretensamente apenas oprimimos, e continuou a subsistir, embora localizada e encoberta, depois de debandarmos.
Quando os poderosos de um quadrante geográfico pretendem exercer uma infliência desvinculada da Referência à Eternidade que é o Divino, como à Ancestralidade, expressa no que os antecedeu, estão com os dois pés inteiramente no território da noite da decadência. Basear a superioridade que os declare imitáveis apenas na bolsa elimina todo o potencial de respeito que o Culto e o Sangue - mas não a perversão de modernismo neo-pagão do Culto do Sangue - impõem. É que a roda da fortuna anda e desanda muito mais facilmente do que o Intemporal e a Linhagem. E as contas recheadas, se são aptas a despertar inveja, só nos mais pervertidos da nossa sociedade infundem respeito.
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10:04
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Atalhos: Espírito
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
As Cores do Desejo
Lendo esta justaposição da actividade onírica e do cinema, tergiverso para uma questão que respeita a ambos, a de serem a cores ou a preto e branco. Os cientistas dizem que 80% dos nossos sonhos são coloridos, correspondendo aos períodos de imersão mais porfunda, contrapostos aos periféricos, nos tons sem cromatismo variado dos filmes de outro tempo. Os mais radicais chegam a contestar a possibilidade, fisiologicamente, de sonhar a preto & branco, o que, dadas as muitas confissões de experiência em contrário, remeterá para a incapacidade dem neste âmbito, memorizar certas frequências do espectro.A meu ver a culpa cabe toda ao velho Artemidoro, que inaugurou o tratadismo de oniromância, associando significados às pedras preciosas sonhadas. Daí às cores delas foi um ápice. O que julgo não fazer qualquer espécie de sentido, já que determinar uma cor que haja ocorrido durante o torpor do reino de Morfeu parece um contra-senso, uma vez que, pelo menos a mim, elas aparecem todas misturadas, segundo a ordenação que têm na vida desperta, não me lembro de alguma vez ter produzido uma sequência num fundo de coloração única, como que submetida a um filtro fotográfico.
Pelo que me parece que a questão não será tanto física como cultural. Salvo para os que sofressem de uma qualquer deficiência de captação no sistema de distinção, de cones e bastonetes, ou no da sua transmissão ao cérebro, duvido que alguém, antes das filmagens a P&B se popularizarem, pudesse ter, adormecido, visto o que quer que fosse, reduzido ao condicionamento alvinegro com a corte de cinzentos.
O mal está na citada vontade de, sonhando, se adivinhar o Futuro; como também na Psicanálise, em que através da comunicação desses registos se tenta deslindar o Passado. Alguém que o analista E. Levi conheceu diz que, quando sonha "sem arco-íris", sabe que daí resultará um qualquer cunho profético. Aqui está alguém mais pessimista do que eu: concede a faculdade de predição apenas às tonalidades sem alegria.
A minha biografia diz-me que até aos 24 anos sonhava - ou lembrava-me dos sonhos - a preto & branco. A partir daí tornaram-se coloridíssimos. Mas nunca tentei deles retirar indicações sobe os períodos menos próximos, para a frente, ou para trás. O que faço é verificar que de cada vez que sonho com um afastamento maior da lógica, misturando pessoas, estados e épocas, a minha capacidade de concentração, no dia que sucede, está muito mais apurada.
Um campo há em que a coloração dos sonhos parece relevantíssima. É o da sinatriana canção que inclui os versos
When you have gone
Will color all my dreams
And light the dawn
E pronto, contem-me dos Vossos. Não quero bisbilhotar os factos, mas gostava de lhes ver boas cores...
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18:02
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História Com Barbas...
O bicho, em tomada fiel e na visão fantástica de Óscar Garcia da Rosa
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12:21
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Atalhos: Ciência
Fantasma Domesticado
Atenção, muita atenção, o que na Imprensa portuguesa é dado como uma intransigência de Hillary em permanecer na pugna eleitoral, vêem os americanos como uma nuance anunciadora da desistência. De facto, ela, ao dizer que permanece em liça até haver um candidato, recuou ligeiramente da posição anterior, que era a de continuar até à convenção. E em que é que a diferença reside - perguntarão os Leitores -, se não se prevê decisões sem recurso aos dignitários do Partido Democrata, os famigerados superdelegados que decidirão o candidato? A resposta está numa hemorragia que se começa a esboçar: cada vez mais, parte desses eleitos sem eleição, comprometidos com a Sr.ª Clinton, está a passar-se para Obama. E assim, incapaz de travar o fluxo, pode acabar a resistência. Com base nas últimas evoluções, os especialistas dão a toalha a ser atirada a meio de Junho. Como se sabe, a reunião magna desenrolar-se-á em Agosto. E é sintomático que esse processo de selecção pelas elites, tão vituperado antes pelo Senador Afro-americano, tenha passado a ser acarinhado pela sua campanha...
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11:48
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Quadro de Honra

Outro ponto é o da evaporação do prazer que a descoberta e a vaga atmosfera de transgressão acrescentam. Vejo a miudagem completamente privada desse afrodisíaco. Pensando numa e noutra das situações descritas, parece-me que elas só poderão ser contrariadas com uma panaceia para todos os males escolares - a recuperação de castigos à antiga, que mantenham a disciplina sem domesticar os apelos. Como colocar alguns alunos virados para a parede, conforme a imagem. Só que a eficácia contende com a justiça do método: nunca a medida poderia recair sobre discentes sem aproveitamento...
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11:19
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Atalhos: Educação
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Dueto de Final de Dia
Ora, a Fugidia é que me topou! Agora vejam só como hoje de tarde sofri, apesar da Excelente Companhia, com os calores da beira-mar estorilista!
Como a Meg disse que adorava a Marlene Dietrich, cá deixo retrato dela com uma amiga comum: Mae West!
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22:12
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O Fim de Um Mundo
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21:33
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Errar É Humano!
Anuncio solenemente que há hipóteses de eu vir a desdizer tudo o que de mal tenho apontado à Democracia. Basta, para tanto, que o partido desta jovem, Beauties For Britain, se torne maioritário no Reino Unido. A minha preocupação em ver uma vida pública clara pode bem tocar esta Gemma, a Garrett. E a sua plataforma eleitoral é tentadora - tornar mais sexy a política britânica! Como querem que não admire as Ilhas a que pertence tão valente Irlandesa? Por cá, a última vez que alguém fez o mesmo juízo de políticos foi com aplicação, no dizer do Dr. Pires de Lima, ao PP do Dr. Portas. Convenhamos que há uma diferença...
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O Réprobo
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13:25
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Atalhos: Belo, partidocracia
Regresso Aos Antigos
Estudo para Licurgo Apresentando a Esparta o Seu Rei, de David
Mas não segue que a cultura não fosse querida nessa polis. Licurgo obrigou à veneração dos poemas homéricos, com aproveitamento forçado na aprendizagem, pelas crianças do país, onde os outros se punham a discutir (quando não a atacar) esse património que queremos comum. E não deixa de ser irónico ver o Monarquiquíssimo Miguel atacar este paradigma da manutenção da Coroa, da rejeição constitucional dos oradores que agitassem multidões e... da força do dinheiro que, em simultâneo, reprova.
Licurgo foi genial e salvou o seu País do que aconteceu em Atenas, onde a cobiça levava à triste alternância dos demagogos da Democracia com os tiranos das reacções populares contra eles. E enraizou a confiança de Povo e Realeza, até nas refeições em comum que obrigou a serem tomadas. Este Príncipe que poderia ter cingido a Coroa, caso tivesse aceite a proposta de abortar da cunhada, grávida do filho do irmão primogénito e desejosa de ser dele, obteve em Delfos um resultado oracular em que a Pítia se mostrava menos sibilina do que era uso:
As tuas leis agradam aos Deuses e a Cidade que as observe constantemente será feliz.
Mostrava, mas só na aparência, pois a diminuição do Poder Real, distribuído aos Éforos, viria a ditar o seu declínio, embora menos pronunciado do que noutros lados. Foi este o mesmo Homem que se afastou, exilando-se em Creta, para que a sua pessoa não interferisse na continuidade do Sistema.
O que hoje nos aflige em Esparta é a inclemência para com os fracos. Mas estou tentado a arrumá-la numa prateleira, com o argumento de Oliveira Martins acerca da escravatura - todas as nações passam por essa fase, umas mais tarde , outras mais cedo. E ainda não se vivera uma Força com outros valores, a da Mensagem Cristã.
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O Réprobo
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12:14
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Ponto de Desencontro
Quase? Esse advérbio odioso presta-se a cantos que lhe metamorfoseiam a condição, tornando-o irreconhecível. Um dos poemas da Ana Vidal, de que muito gosto, ao interrogar o que faltou em momento determinado, parece através dele indicar a faúlha comunicante do abalo (im)percebido como a tranquilizadora via aberta para o impulso, incompatibilizado com uma segurança a tempo inteiro de que emanem ou traquejo ou lição revéis à unicidade e univocidade sonhadas:O que eu queria de ti?
Talvez não muito mais que o que me deste...
Apenas um perfume mais agreste
um ramo de ervas bravas que não vi
O que esperei em vão?
Quem sabe um pouco menos de certezas...
ver-te brilhar nos olhos, indefesas
invioladas fontes de ilusão
Eu queria essa aventura de encontrar-te
sem ter de me perder dentro de mim
por labirintos, dúvidas sem fim
Sem ter sequer, amor, de procurar-te
Tão pouco... um gesto só me encantaria!
Tão fácil... bastaria uma palavra!
Mas a terra que sou, ninguém a lavra
sem um arado feito de magia
Guardo de ti o quase que tivemos
esboço de um mais que teimo em alcançar
E digo adeus por não poder ficar
onde tudo me diz que nos perdemos
Não será a perturbação do Outro a mais insistente das fantasias da panóplia? Mas, em bom rigor, poder-se-ia dizer que a tentativa aplicada de disfarçá-la deixa entrever a importância que, do Outro Lado, se desejava encontrar e... afinal estava lá. Só que a brusquidão omitida que denotasse a transfiguração no parceiro percebido, esse Sésamo que terá faltado, deixou a semente da Poesia escrita, no lugar da actuante, posta em retirada. Está longe de ser pouco.
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Firme no Firmamento
No aniversário da morte de Marlene Dietrich passo os olhos pelo livro que, na sua crueldade programática, lhe prolongou o mito, a forma de vida... póstuma das Estrelas de Cinema. Escrito pela filha dá-nos uma visão muito pouco azul de um anjo que não era dos melhores. Mas se a primeira condição de uma Star reside no egoísmo de acreditar sê-lo, a profusão dessa fé em si dispensaria qualquer outro requisito.Ali o Eu é muito maior do que o vulto imaginado pelos idólatras e temos sempre a sensação e que a Actriz pensa que os testemunhos deles eram uma palidíssima ideia do que merecia. Desde a preocupação em não usar lingerie outra que a cosida à roupa em modelos únicos, à preocupação exclusiva com a sua solidão aquando da morte de Gilbert, sem mais palavra de pena. Como da oferta profissional para salvar o Trono de Edward VIII, depois de haver diagnosticado Mrs. Simpson como muito maligna para o fascinar, ou muito especializada, para o satisfazer em tudo, ao ponto de se oferecer ao Duque de Kent para o "salvamento" com esta frase que ninguém mais poderia proferir:
Vou ver o Rei. Mandai-me lá. Eu posso fazer melhor do que Wallis Simpson - e eu - podeis estar seguro de que não tentarei ser Rainha de Inglaterra.
Como a recusa no fim da vida, em voltar a Berlim de muro caído, com um aparato próprio a condizer, por não suportar a ideia de enfrentar as objectivas numa cadeira de rodas ou a sair de um taxi.
Mas o ponto forte destas 862 páginas é, sem sombra de dúvida, o mal que dizia dos "amigos" que tivessem sucesso na tela, expulsando-os do nível galáctico que imaginaria sua propriedade exclusiva. Só Garbo é tratada com respeito. Cooper e Wayne são arrumados com cowboys que só sabem saltar para os cavalos, Melvyn Douglas nunca poderia, mesmo com talento, aspirar ao estrelato, por carecido de appeal, Merle Oberon resume-se a uma p. de Singapura, Cary Grant corria na direcção de qualquer fotógrafo que visse, James Stewart era ridículo, imaginado como astro... e a minha favorita, sobre Loretta Young, atribuindo a abundância de igrejas católicas em Hollywood ao hábito de ela mandar construir uma de cada vez que tinha um filho natural...
Num filme célebre a personagem por ela interpretada dizia que tinha sido preciso mais de um homem para mudar-lhe o nome para Shanghai Lilly. Podemos bem dizer que não carecia de nenhuma outra opinião para ser para sempre Marlene Dietrich.
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20:52
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Monstros e Críticos
Era efte monftruoso animal, na grandeza como hum cavallo, mas com a cabeça de Leaõ, e nella duas pontas de hum palmo de comprimento como de Boy; na extremidae do nariz lhe faia hum bico como de Aguia; os dentes eraõ de Leaõ, mas as prezas como de javali, com meyo palmo de comprido; as orelhas cahidas como de Elefante, e de dous palmos cada huma; quatro tetas como de Vaca de hum palmo de comprimento; o peito povoado de pello muy denfo, e forte como de Leaõ, mas muito mais comprido; os pés com garras muy longa, e fortes como Grifo; a cauda como Bafalifco, do tamanho de feis palmos, repartida em nós, e farpada na ponta; do efpinhaço lhe faiaõ feis efporoens como de Gallo, porém mayores, os quaes continuavaõ por toda a anca até aos pés; duas azas nervofas, como de Serpente; e todo o corpo coberto de conchas do mesmo feitio, que as que chamamos commummente de madre perola, mas taõ juntas, e dobradas humas sobre outras, que fe fazia impenetravel aos tiros.
O que fe refere da origem defte, de que vos mando a copia deixando a voffa Filofofia a averiguaçaõ da fua poffibilidade, he, que hum dos principes da Tartaria, independente, querendo tomar vingança de hum Povo, que negandolhe a obediencia, fe fugeitou ao jugo do feu contrario, fez ajuntar todos os moradores delle sobre huma montanha; e depois de haver à fua vifta, mandado degollar fuas mulheres, e feus filhos, ordenou, lhes abriffem feridas por todo o corpo, para que evacuados vagarofamente do fangue, tiveffe mais duraçaõ a fua agonia, e foffe a sua morte mais penofa. Efte fangue, em que fe envolviaõ tantos efpiritof exfperados, coado por entre as rochas, em huma dilatada gruta, que ha no mefmo monte, fazendo um mifto com a terra, fe foi tranformando pouco a pouco e produziu o monftruoso animal; o qual, confervando em fi unidas as mefmas defefperacoens, e raivas, que levaraõ configo os efpiritos de tantos corpos de que foi gerado, fe pode chamar o symbolo da mayor crueldade.
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12:57
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Perdas Humanas
Fico sempre assim como que piurso, quando tenho notícia de acidentes em acervos de livralhada. Salta-me a tampa! O incêndio de ontem, na Universidade do Porto, em vez de ocorrer num qualquer bar vazio, carbonizando sandes ou croquetes, tinha de atacar uma biblioteca, danificando livros raros! Aguns dificilmente voltarão a falar, sabendo-se, como deixou claro André Maurois, queA leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.
Um pensamento especial para o TSantos, tributário desse Estabelecimento, sabendo-se que foi a Zoologia a área mais afectada.
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Atalhos: Actualidade, Combustões, Livros
De Cara Alegre
Na visita dos Reis da Suécia poderia lembrar a triste intervenção que a Social-Democracia daquele país teve contra a nossa luta pelo Ultramar. Mandam porém os deveres de anfitrião, a actual governação Conservadora da Nação Escandinava, como o meu feitio pouco dado a hostilizações, que, a propósito, fale de episódios históricos mais agradáveis.Assim, deixarei para os que viveram a felicidade correspondente o cuidado de evocar a mini-revolução sexual que as jovens turistas nórdicas trouxeram à pacata Liscoa da década de 1960´s. Falarei antes dum relevantíssimo e solitário papel da Coroa Sueca, com os conselhos de Oxenstierna em ponto, a única que inquebrantavelmente defendera a nossa independência e os direitos de D. João IV, no Congresso de Munster.
Por isso, o Restaurador ordenou, em 1651, que em Lisboa se dessem salvas de Artilharia e o Senado pagasse as danças, charmelas e folias do estylo «para alegrarem a cidade», e se déssem, emfim, todas as demonstrações de regosijo, pela notícia da coroação na Suécia, do ano anterior da rainha (Cristina) «minha boa irmã, prima e confederada».
Ora, a cidade tinha vivido, dois anos antes, peste mortífera, perdera-se uma armada vinda do Brasil, fora recentemente ameaçada pela marinha do infame Cromwell, cheio de rancor pela hospitalidade dada aos Príncipes Palatinos; e mal saíra ainda de uma fome gerada pela retenção gananciosa de cereais dos atravessadores cadimos, que, em 1650, colocara a capital em artigos de Sancta Unção, segundo os documentos oficiais. Assim se gerou a expressão dar vivas por Cristina, como sinonímica de ter de festejar algo sem vontade de o fazer.
Como está tudo ligado, não resisti a lembrar esta história, em que nem falta o episódio famélico, no momento em que se prefigura um espectro de escassez alimentar. Mas para a queda da voga do anexim que é a base do postal, tenho outra explicação - por estes dias a Cristina festejada é a Ribeiro, nossa Amiga e Madrinha desta casa. E Essa toda a gente por cá festeja, cheia de ganas!
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10:50
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Um, Dois, Três
Fica a gargulinha da ordem, com vela às costas, para assoprar.
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21:51
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Atalhos: Aniversário, Blogues
O Deslumbre na lha
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Atalhos: Aniversário
Fuga de (um) Salão
Ó prá felicidade que espera a Fugidia!
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Atalhos: Amizade
Alourar Ambiguidades
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Bigger Than Life?
À Fugidia, esta imagem, que acho fascinante, do estudo molecular das bolas de sabão que o Professor Perrin e a sua Assistente, Mlle. Choucron, empreenderam, no princípio dos anos 1920´s.
Ou de como a tentativa de aprisionar racionalmente aquilo que nos diverte acaba por ser mais um atentado perpetrado pelo trabalho contra a doce preguiça que nos ajuda a continuar.
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14:57
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Atalhos: Ciência
Mergulhos no Lodo
Visionamento, como passou a dizer-se, do DVD com um filme cuja existência me passara ao lado. «Eu, Peter Sellers», sofre de dois defeitos, como biografia: dos saltos cronológicos que escamoteiam partes da vida do actor e do enfeudamento a uma tese, a de ter sido moldado pela mãe, para não deixar que os laços com os que o amavam lhe empecilhassem a carreira, progredindo da ambição à insensibilidade e desta à crueldade. Como corroboração, o nexo simplista a uma deficiência de personalidade confessada e assumida na facilidade com que dava expressão a uma multiplicidade de caracteres, bem como a necessidade quase patológica de mudança de casa.Um intérprete que se prestigiou por uma comicidade sem caretas vê desta forma desvirtuada a sua capacidade de representar, reenviada para insuficiências pessoais. No fim de contas, Sellers é mais o pretexto, o que acaba por ser pintada é toda a nossa época, com a obsessão da carreira a secundarizar todo o resto da vida, maxime a parte afectiva. Com a fatal insatisfação emergente, que, no caso do biografado, se plasma na aspiração a passar da Rádio para o Cinema e deste para um registo menos apalhaçado do que o da série da Pantera, de Blake Edwards. Como é tradução fiel, não só do homem, como do tempo, a permeabilidade às previsões de um parapsicólogo charlatão que lhe orienta as opções.
É o liliputiano mundo em que nos movemos - os grandes objectivos fixados, subsidiários do egoísmo, à mercê da exploração "sobrenaturalista" de quem saiba friccionar a vaidade. Vidinha sem coração, vidinha sem ver Deus.
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Resposta À Bomba
A Charlotte pergunta em que era Sócrates - o Verdadeiro, o Antigo - arrogante. E eu respondo: Ao não reconhecer à Poesia, para que não era dotado, o direito ao entendimento: Cheguei à conclusão de que não é a sabedoria que possibilita aos poetas escreverem a sua poesia, mas uma espécie de instinto ou inspiração, como as que podes ver nos videntes e profetas que transmitem as suas mensagens sem perceberem o que elas querem dizer. E também quando mandou calar um interlocutor por não considerar o que aquele dissera verdadeiro, bom, ou útil. Nos dois casos há uma desqualificação do Belo, sabendo-se que lhe era sensível, ou não tivesse encaminhado o seu sentido da Estética para a apropriação de Alcibíades, o mais belo dos Atenienses. É neste desprezo simulado e proclamado pelo que desejava e não tinha, como património originário, que ganha importância a sua "fealdade", tornada filosoficamente relevante por Nietzsche.
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11:55
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Esses Bloqueados...
Parece ter sido Joseph de Maistre o primeiro a escrever o que havia muito se intuía, a saber, que cada país tem os governantes que merece. No caso dos sistemas eleiçoeiros essa verdade é erguida em próprio espírito e fundamento do regime, quanto aos que vencem nos votos, pelo que não há razão para admiração de que os deputados gastem o seu tempo em sites como os que se revelam bloqueados na AR. Então não representam um povo que fez explodir os orçamentos de muitos cantos da Função Pública em ligações para linhas eróticas?Agora, fica é demonstrada a fragilidade da confiança institucional nas autoridades que os nossos eleitos pretendem também ser. Esta censura, não já na produção, mas no consumo, uma espécie de IVA censórico, pode vir a ser erguida em desculpa para incompetências e ineficácias, por lhes "haver sido sonegado o contacto com a realidade". Além de que, em bom rigor, existindo imparcialidade, dever-se-ia impedir o acesso à própria página do par(a)lamento: mesmo os optimistas que não queiram ver nele uma droga, ou conteúdo pornográfico em discursos que sodomizam os eleitores sem encanto, sentimentos, ou história sequer, será impossível negar que é uma jogatana permanente.
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Atalhos: censura, partidocracia
Domingo, 4 de Maio de 2008
É Domingo, Mas...
Ainda, Querida Fugidia?
A Bola de Sabão de Manet
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A Ordem das Coisas
Não percebo a admiração perante a iniciativa referendária em curso na Bolívia. Com Morales no Governo está instalado Satan, logo cabe a Santa Cruz promover o afastamento dele. Se não consegue pô-lo a fugir, há que distanciar-Se o mais possível. Quando Maomé não vai à Montanha vai a Montanha a Maomé...
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Atalhos: Actualidade, Cristianismo
The Horror, The Horror...
Dá-nos a Zazie representações da zoofilia, no sentido sexual, no nosso mundo Cristão, sendo certo que as religiões monoteístas, ao arrepio da liberdade artística, sempre proibiram o chamado crime de bestialidade.Desde o Levítico, XVIII,23- Não te ajuntarás com animal algum, nem te mancharás bom ele. A mulher não se prostituirá a algum animal, nem se misturará com ele; porque é um crime horrendo.
e XX, 15
Aquele que tiver cópula com jumento ou outro animal será condenado à morte. Também matareis o animal.
A forma de execução era pelo fogo, a que se atirava ambos. E assim passou para a Cristandade, com a variante ocasional do enterramento em vida. No entanto, a tensão entre a manifestação do horror e a necessidade de graduar as culpas levou a que o bicho, ao contrário do humano, fosse previamente estrangulado.
Diz Damhouder
Os animais não são punidos pela sua culpa por isso que não a têm, mas sim por haverem sido cúmplices duma execrável aberração humana pela qual se tira a voda ao ente racional. Como depois de tão revoltante maldade o animal recordaria o acto impuro que é preciso eliminar e riscar para sempre, a sabedoria dos tribunaes ordenou, por isso, que até mesmo os processos de tão impuros delinquentes como eles sejam queimados afim de que não reste memória em tempo algum de tão nefandas abominações.
Muitas vezes o animal era estrangulado antes de lançado à fogueira com o culpado vivo e considerava-se isso como uma graça especial concedida ao animal.
No politeísmo a repulsa era menor. Entre os gregos puniam-na somente com a castração, repugnando mais o deseqilíbrio que a degradação. E em Roma muito se praticava e nada se punia. Tirei estes dados do opúsculo que reproduzo:
Mudam-se os tempos mas continua esta vontade, como atestam as ofertas alternativas para desfastios citadinos sofisticados e a penetração ovina por pastores do mais rústico. O que terá mudado, então?A parte mais visível e honrosa é a preocupação de proteger o animal e os respectivos sentimentos. Já o esvaziamento do que de horrível haveria, tem, para mim, outra explicação - continuando a considerar-se ilegítima e reprovável, ganhou-se consciência de que ela não corresponde a uma despromoção do Homem, mas a uma inaceitável tentativa de elevar-se, tamanha é a consciência do quão baixo descemos. É decerto um progresso que nos exerguemos. Mas, felicitando-me por ser minorado o sofrimento de seres desprovidos de culpa, lamento que tenhamos abaixado a nossa medida reactiva contra os piores de nós.
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18:24
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Dar Bandeira
Como se sabe, Guerra Junqueiro, um fanático fustigador do Constitucionalismo Monárquico, defendia que se mantivessem as cores Azul e Branca mais tradicionais na Bandeira Nacional. Com a imaginação justificativa que se pode ler aqui, em que, para os entusiastas da ruptura, as cinco estrelas poderiam ser tidas como evocação da data revolucionária, mas susceptíveis de cativar os mais dados à abrangência, que nelas quisessem ver os cinco continentes em que Portugal se espraiava. A República, contudo, haveria de encarregar uma comissão liquidatária, atiçada por João Chagas, com Afonso Pala e Abel Botelho a reboque e o prestígio de Columbano a cobrir, de inventar uma outra, que contrariasse as ameaças sentidas no Tempo e na Geografia. Optou-se pelo Verde e Encarnado. As cores anteriores por não querer lembrar o que vinha de antes foram excluídas; mas o mais engraçado foi a justificação de exclusão do Amarelo. Que não se cedesse à simbologia Espanhola, onde ele desempenhava papel destacado, dizia-se. Claro que ninguém se importou com a coloração rubra, como se sabe ausente do pavilhão de Nuestros Hermanos... E a Esfera Armilar ficou em, sei lá, negro, reconhecidamente.O Daltonismo seleccionado dos revolucionários apatetados galgou fronteiras, até chegar a um grande estudioso da Simbólica, Michel Pastoureau, o qual, em «Dicionário das Cores do Nosso Tempo», não só evidencia o erro heráldico, raro na Europa, de juntar Verde (Sinople) e Vermelho (Goles), como desqualifica as posteriores construções, de exaltação esverdeada da Marinha, pelo papel revolucionário e da Liberdade, como do do sangue, assim como uma legitimação tradicionalizante remissiva para as Ordens de Avis e Cristo, a fazer lembrar as genealogias de Vingança Templária com que a Maçonaria se gostava de adornar.
Mas claro que uma panorâmica mais terra-a-terra levaria a restringir a necessidade de se inscrever numa linhagem de heróis em circunstâncias menos gloriosas mas mais partidárias, as do cromatismo do Centro Republicano Positivista do Porto, do fracassado mas para eles empolgante 31 de Janeiro.
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Atalhos: Símbolos
Corpos Celestes
Que o Homem nada aprende e, apesar de avisado contra o Orgulho, continua a querer ser como os Deuses, é indesmentível. Como a nossa História Sacra diz que a Divindade melhorou a Espécie com uma operação plástica, que de uma costela fez Maravilha, legião de cirurgiões vem oferecendo-se para desempenho que gere gratidão similar. Não falo dos trabalhos importantíssimos de reconstituição de partes do corpo acidentadas, malformadas ou deterioradas, somente refiro as que visam a satisfação da vaidade. Devo dizer que foi para mim surpresa saber que é a lipoaspiração o intervencionismo mais solicitado pela lusitaneidade feminina. O predomínio da cultura (ainda que pop) norte-americana levava-me a imaginar que também por cá o fossem os implantes mamários. Mas talvez a razão de assim não ser se deva ao facto de não haver em Portugal uma diferença tão desmesurada entre o idealismo peitoral e a situação de facto. Nem teremos sonhado em (tão) grande, nem haverá tanta gente destituída desse acesso ao new american dream como pelos States.Também fiquei abismado ao constatar que a cirurgia estética mais procurada pelos homens é a que toma por objecto o nariz; por ter uma carga de masculinidade virilidade, diz-se. Mas a tradição associa esse superavit varonil a pencas proeminentes. Será que toda a clientela destas clínicas as procura para estender a dimensão nasal? Duvido! Ora que haverá de bom a esperar do anseio de alijar a tal carga?
Resumindo e concluindo, vivemos num País de Mulheres peitudas, mas em que muitos homens precisam de abrir os cordões à bolsa para se mostrarem em absoluto senhores do seu nariz.
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Sábado, 3 de Maio de 2008
Gregueria
O Deitar de Safo de Charles Gleyre
Acresce que em cada língua há mil e uma outras palavras para significar a situação. Na nossa, mesmo não recorrendo ao calão, temos tríbade, por exemplo.
A menos que se queira vingar Safo, a qual sofria os insultos dos conterrâneos. Para que possais apreciar, deixo em apenso um fragmento dela:
Os incessantes sarcasmos dos meus con-cidadãos ferem-me muito. Escuta-me, divina Afrodite, acaba com tudo isso e poupa-nos a maldade.
Mas universalizar o nome dela com tal sentido será um desagravo feliz?
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anátemas
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Atalhos: Relações Internacionais







