sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Imagens da Leitura 13

A Leitura de Molière de Troy

A leitura partilhada é hoje, tal como foi ontem, propiciadora de fortalecimento das relações estabelecidas entre as pessoas. No entanto, perdido o hábito de a família se reunir para ouvir um dos seus ler, passou-se ao incremento do que já existia fora dos penates tranquilos que facilitam a assimilação. Hoje, quase exclusivamente, o intercâmbio das preferências literárias é mais um ramal do processo de progressão e conhecimento nas relações amicais ou amorosas. Assim, em vez de interpretar o papel da semente lançada no solo adubado da calma instituída, passou a ser o adubo - mas não o estrume - que ajudará a tornar fecundo um solo recém-adquirido. E nesta diferença vai residindo muito do fundamento de, fora do meio profissionalmente ligado ao livro, diminuir a capacidade de aproveitamento do lido, apesar dos progressos nominais da alfabetização. A instrumentalidade na solidificação de laços entre estranhos que querem deixar de o ser, por muito desejável que se evidencie, joga de forma diversa com as disponibilidades e expectativas. O proveito virá dos entendimentos que gere nas sintonias e atracções pessoais, em vez do entendimento facilitado pela atmosfera adquirida e menos dinâmica do lar. É a diferença entre um digestivo e um tempero.

Retrato de Uma Senhora

Ou o Confessionário ilustrado...

Escrito no Vento

Claro que sim, Dona T, no Oriente homem que usasse leque estava até a ostentar sinais de categoria social. Mas fui ver o que significa na linguagem dos abanos "propor um leque". Obrigado, muito obrigado, é mais do que recíproco!

As Ilusões das Aparências

Impressionadíssimo com a abertura demonstrada pela Júlia ML às mensagens que acompanham os cosméticos, atrevo-me a redigir umas linhazitas de férias sobre o tema. Todas as comunidades do Extremo Oriente se celebrizaram pelo seu uso consagrado, mas este é um âmbito em que não divergem de outras civilizações, conforme demonstra a reprodução desta maquilhada suméria. Mais, o recurso a tais artefactos e artifícios, para agradar, era, na Antiguidade, extensivo ao género masculino, nos últimos dois séculos restringido ao after shave , pasta de dentes, sabão e fixador. Quando, nos nossos dias, se dá como "adição da personalidade" um perfume está-se a sugerir a fragrância como individualização, dentro de uma roda estrita, porque é difícil pretender que uma marca produza em exclusividade, coisa aliás contraproducente em matéria de reconhecibilidade do estatuto emergente dos odores conceituados. Mas não assim na Judeia Antiga, em que Salomão, David e os seus ministros tinham, cada qual, o seu cheiro único, pelo qual esperavam ser precedidos, notados e identificados.
Na Assíria-Babilónia-Caldeia inventou-se a máscara de beleza nocturna. As más notícas para as minhas Leitoras é que essa garantia da juventude da pele era obtida à custa de untar o rosto com gordura de cabra, durante o descanso. Não farei piadas duvidosas sobre a influência que as conotações caprinas possam ter tido nas condenações puritanas posteriores.
Os Etruscos deram especial atenção às modificações e acentuações das linhas dos olhos, que eram famosos, pela intensidade e forma, em toda a Península Itálica. E Roma viria a fazer com este ramo o que fez com as religiões: incorporar e disponibilizar ao público todas as importações dos países com que contactava.
Há a salientar uma oposição curiosa. Na Grécia Clássica ricos e pobres eram pressionados a não comparecerem nas festas em honra de Niké ou de Minerva sem que tivessem tomado um banho perfumado. Já na Inglaterra Isabelina lavar-se era gesto suspeito, dando-nos as crónicas como uma higienista a Rainha, por insistir em ter uma banhoca de quatro em quatro semanas, quer fosse necessário, quer não. Mas os perfumes desfrutavam de grande voga e um dos votos pios que a Virgem anglicanamente Coroada fez, no leito da morte, foi o de renunciar aos seus.
Nas mesmas Ilhas, aliás, em época tida por pouco constrangedora, o Parlamento votou uma lei, de 1770, que permitia anular todos os casamentos que uma Mulher tivesse conseguido com o auxílio de cremes, perfumes, saltos altos e outras artes do Demónio. Para além de ser uma universalização da liberdade de dissolver o matrimónio muito mais ampla do que o divórcio litigioso de hoje, é de notar que a condenação da publicidade enganosa se direccionava para os produtos de beleza, no seu conjunto, não já para aqueles que prometessem falsamente resultados.
Concepções da Verdade variando pelas realidades em que se quer confiar, hoje o consumismo, ontem a Pessoa, no seu todo...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Uma Chapelada!

A Imaginosa T achou que o desguarnecido alto da minha cabeça não se encontra luzidio o bastante e, Amiga fiel que é, tentou abrilhantar-me de qualquer forma e feitio. A atitude evidenciando tanta lata só poderia responder com a oferta duma laca. Mas, sabendo-A letrada, receei este resultado...
Ná, o melhor é mesmo um chapeuzinho, sobre o que já falámos, quer sejam as próximas umas férias costeiras, como em Lendo à Beira-Mar, de Charles S. Pearce,
quer fique pelas esplanadas, como em Leitura Agradável, de Hua Chen. Há é que não ser dominado pelo vento que corre, como não cessa de sugerir a moldura deste blogue.

Filosofia À Flor da Pele

Eis um anúncio artilhado. Propagandeia uma melhora do físico, apelando à capacidade especulativa, quer dizer, ao intelecto. Desde logo quando diz ser o ideal da (e não para a) pele. Como se esta se deitasse a conceber o que melhor lhe assentaria. Depois, por jogar com a associação do ineditismo da fórmula, assegurado pelo parêntese do texto, facilmente associável nos inconscientes em que pretende agir à mocidade que encanta. Mas, para sossegar os misoneísmos que estivessem alerta, o parentesis do cartaz indica o registo, logo, a aceitação etabelecida.
Entretanto, o melhor vem do jogo entre os nomes do produtor e as atitudes filosóficas perante a vida - ao garantir que interessará aos que compreendem a "beleza" como um factor importante da razão da existência, joga em vários tabuleiros. Apela ao primado da Estética, mas não negligencia o da Ética, pelas aspas que relativizam. E, para cúmulo, insinua-se junto dos que privilegiam a procura, quer nos que rumam à busca da Felicidade pacífica, com a graça Ventura, quer dos existencialistas, que premeiam a Angústia, através do apelido Pena.
À atenção de Duas Consumidoras Potenciais, a T e a Júlia ML

Imagens da Leitura 12

Eis o exemplo em que a T pôs os olhos para as férias que se avizinham...
Uma combinação alternativa que igualmente conduz à perfeição.
E, por fim, a razão de não temer a morte: não é só enquanto há vida que há esperança. Mas não é necessário descurar a alimentação, o que poderia acelerar o estado de coisas que se vê.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Banho d´Ouro

Deu-se hoje a Águia, ao entrar na Liga Dourada. Camacho faz a diferença, por enquanto não na escolha da linha, mas por ser um treinador que infunde ânimo, não um tímido sempre a sentir o perigo do pescoço apertado, enervando os jogadores. Apenas o vi desmoralizado numa circunstância; e que só abona em seu favor - aquando do comentário à morte em campo do Jogador do Sevilha, episódio que não tem cabimento no universo do jogo.
Hoje Katsouranis foi o melhor, não só pelo golo, mas pelo que defendeu, em lugar que não é o seu. Mas gosto à brava de Cardozo - salvou uma muito difícil e ajudou a marcar outra, dando água pela barba a uma defesa inteira. Houve algum leite à mistura, mas prefiro queixar-me dele do que do azar.

Imagens da Leitura 11

Requer o ideal que fazemos do Leitor que a assimilação da obra se equilibre entre a profundidade da interacção com o texto e a manutenção da dose de independência que se traduza na manutenção do espírito crítico. A pura cedência à devoradora sede de conhecer pode congelar o crescimento espiritual que se espera como proveito a retirar de um livro; tal como a Mulher de Lot se viu transformada em estátua de sal, por não ter resistido a olhar para trás, também aquele que apenas procure saciar ligeiramente o bichinho que o vai roendo pode ver-se metamorfoseado metaforicamente numa imobilidade solidificada em materiais perecíveis.
Mas há a pecha contrária: a do que ama tanto os livros que do que segue no papel faz sair a diluição da sua personalidade, fundindo-se inteiramente com o que por outrem foi redigido. Apesar de ser perigo contraposto ao estatuto de perfeição na Leitura, não deixa de inspirar o prestígio que, romanticamente, as grandes paixões ainda despertam. Sendo que aos olhos desses bibliófilos radicais ninguém, salvo os próprios, sabe amar a Escrita.
O Bibliófilo de Ernesto Montenegro

Ó da Guarda!

O Guarda-Livros Que Sonha Durante o Dia de Norman Rockwell
"Quem não quer ser guarda-livros?", pergunta bem a T. Ninguém, ao menos pelo que os pintores viram nas duas acepções da expressão. Num exemplo, o sonho que supera o ramerrão das contas diárias; no outro, a imanência que faz deitar contas à vida e... sonhar, contornando a abstracção que o nosso preconceito daria por incompatível!
Guarda-Livros de Courtney Fischer

Época de Saldos

Garantindo o contraditório face ao que a T escreveu, aqui está a prova de que a generosidade pode repousar em Preços com muita competência e que aguentam qualquer compita...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A Cabra Expiatória

Anda meio mundo a cair em cima da pobre Miss U S Teenager 2007. A coisa tem antecedentes, porquanto os naturais da Carolina do Sul são tidos como os parolos da Federação, um pouco como os franceses fazem os belgas. E, no entanto, a resposta da rapariga encerra virtudes: a da diplomacia, em vez de dizer o óbvio, isto é, que para muitos americanos os Estados Unidos SÃO O mundo, canalizou a falha para a desculpabilizante desmunição, um pouco como todos os fracassados que se desculpam com as dificuldades económicas do meio em que nasceram. Com uma diferença, ela estava a desculpar os OUTROS.
O resto não lhe deve ser imputado. É uma variante da clássica pena pela fome, guerra e analfabetismo no Mundo. Sede de consensualismo que só peca pelo vago que tem, neste, como noutros casos. Disseram-lhe para manifestar preocupação com a situação do Iraque, da Ásia, da África do Sul (o ponto dela devia ter pouca noção do desenvolvimento do país homónimo) e que expressasse o desejo de ver os States ajudarem as nações com sistemas educacionais mais insuficientes. Foi o que a gaiata fez.
E, que diabo, Colombo nunca poderia apontar o território da União no mapa, justamente por não ter um, embora haja ficado com os louros da descoberta do continente, ao arribar a umas ilhas...
A jovem é uma Boa Americana.

O Embaraço da Escolha

Madame Ginoux com Livros de Van Gogh

Ou a Senhora retratada interpretando premonitoriamente a indecisão da T sobre a leitura a levar para férias..

Salada Russa

Estou piurso, pior do que urso: nunca pensei vir a dizer que me tinha sabido mal o acompanhamento que titula o presente. Mas o certo é que esperava, quanto ao quadro de medalhas dos Mundiais de Osaka, ter Nadie a acrescentar e fiquei com... nada a acrescentar. Estas Meninas, Lebedeva, Kolchanova e Kotova, tomaram o podium todo para elas, o que deixa um travo amargo, porque, se a Primeira saltou acima do melhor que a nossa Atleta tem, as outras fizeram-no abaixo, mandando-a, de castigo, para o quarto. Saltos chatos e compridos, ou não fossem em Comprimento, embora mereçam um cumprimento. Como diria a T, Grrrrrrrrrrrr!

Imagens da Leitura 10

Mundos Escritos de Rob Gonçalves
O chamariz publicitário Vá Para Fora Cá Dentro, pensado para promover a preferência nacional das férias, sempre me pareceu atingir o seu alcance pleno se aplicado ao acto de ler, que transporte a localizações distantes sem abdicar do uso do que é próprio, admitindo que o leitor não tenha a sua massa cinzenta completamente adormecida. Como turistas no espaço geográfico acabamos por prescindir de parte de nós, ao escaparmos a rigidez que no nosso habitat, de onze meses em doze, nos impomos. É no trajar, é no falar, é na postura, sobretudo a dos pés, é no cuidado com os espaços públicos, é na alimentação. Não queremos dar conta, pobres de nós, de que a sede de conhecer os outros se acha comprometida pela adaptação sazonal das povoações à degradada condição que encarnamos, não funcionando com a normalidade e identidade da maior parte do ano, até pela debandada de metade da população, muitas vezes a melhor, que as descaracterizam. Procurar conhecer mundos diversos através do que lemos é muito mais compensador. Intensificamos as aplicações da atenção, não a dispersando, podemos contactar com o melhor que outras paragens produziram e inteirar-nos do que os olhos treinados, de dentro ou de fora, nelas viram mais digno de nota, quotidianamente. E não sentimos a necessidade de desligar o raciocínio, o descanso é fornecido pela variação do volume e focagem dos temas sobre os quais nos debruçamos. É a diferença entre torrar e procurar saborear.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Coquetismo Versus Assadela

Para garantir a economia familiar, quando a precocidade senhoril se evidencia, potenciando a resposta dada pelo produto propagandeado pela T, já que a pele duplamente sensível tem de corresponder o reconhecimento dessa dobrada apetência.

Imagens da Leitura 9

Se há motivação que possa encarnar sempre o cerne da Leitura, ela é a curiosidade, essa ambígua motivação: péssima se aplicada à vida dos vizinhos, sublime se apontada ao Conhecimento e Sensibilidade que os bons livros transmitem. Mas há uma manifestação intermédia dela a que corresponde um pecadilho que aqui tenho de confessar: é o do vício horrível de ler por cima do ombro do vizinho do lado num transporte público. Não consigo resistir, se identifico um mínimo de interesse no texto em que o passageiro perto de mim se delicia. É mais do que mera incapacidade de ignorar quaisquer linhas impressas, trata-se de um exercício em que me rotinei inelutavelmente, o de apreender um pequeno grupo de linhas e, em função do seu conteúdo, imaginar a personalidade do que lê, fazendo corresponder aquela cativada e cativante circunstância à ideia que dele posso fazer, pela avaliação que a sua exterioridade e maneira me permitam. Perdemos muitas vezes de vista que um livro é um ser humano, exposto. Aquele que o abre, em lugares públicos, prossegue essa renúncia parcelar à privacidade, oferecendo à vista e juízo dos demais não uma obra, mas a sua vontade de ler uma. Tento, por conseguinte, reabilitar esta parte rude e insuportável da minha conduta com o mito de que procuro, em cada par mensagem/descodificador, aplicar alguma esperança na descoberta de uma cumplicidade de gostos, ou de uma espiritualidade poderosa e admirável. A qual correspone a aspiração ainda mais remotamente concretizável, a saber, proporcionar algum contributo à esfera intelectual de alguém com quem partilho um mínimo de gostos e ainda desconheço o suficiente. Tudo somado e conferido, uma foma mais da vaidade, já que Leitor colectivista pela omnipresença e sempre iluminante só o que a ilustração nos dá, nas costas do proprietário do volume...

Uma Já Cá Canta!

Que admira que me sinta na Lua? Não há em Évora um templo dedicado a Diana e esta não é associada ao Satélite da Terra? Pois o nosso Nélson Évora já abarbatou o ourozinho de Osaka e fez a bandeira nacional (a tal que é infeliz, mas esqueçamos isso) dar a voltinha de honra à pista. Tão novo e já com um capacidade competitiva rara! O record que estabeleceu no Triplo Salto é de 17,74m, marca mais de meeting que de grande competição! Penso que no momento só o grande Olsson se poderia medir com ele; e teria de esforçar-se.
No entanto, não quero deixar de saudar os meus Leitores Brasileiros, pela saudável luta que deu o enorme atleta Jardel Grgório, digníssimo sucessor do saudoso João do Pulo. Um podium a falar muito português. Perdoem ter infringido a regra de só postar recordistas mundiais ou continentais. Este não o será ainda. Mas é nosso! E há uma Águia que está derretida, esperando que o Leão venha a estar outro tanto com a Naide.

domingo, 26 de agosto de 2007

A Mulher dos Sete Ofícios

Dentro do critério que noutro blogue e campeonato me propus, o de publicar fotos de atletas que venham a bater recordes do Mundo ou da Europa nos Mundiais de Osaka, eis Carolina Kluft, nova detentora da melhor marca do Velho Continente no Heptatlo. Esta Menina de 24 anos corre 100m barreiras, 200m, 800m, salta em altura e comprimento, lança peso e dardo, melhor do que nenhuma outra das provas múltiplas, na babada Europa a que pertence a sua Suécia-mãe, tudo em dois dias, E se o poder do seu corpo pode fazer alguma impressão, não se passa, apesar dos pesares, o que traumatizava, por exemplo, na antiga corredora de 400 e 800m Kratochvilova, semblante fechado e linhas absolutamente rectas no tronco. De tal forma que até posou para fotografias artísticas... De longe, a Atleta-Modelo!

Imagens da Leitura 8

O Livro de Poemas de Russell Flint

Não é da tentativa de poetar que falarei, pois já Chesterton dizia que ela era universal no Homem, desde o mais empedernido erudito ao mais espontâneo e iletrado pastor. Refiro-me, sim, à voga que teve a publicação de poemas entre tanto amador, nos múltiplos sentidos do termo, quantas vezes em "Edição de Autor". A razão tem uma origem interna e outra funcional. A primeira estava em a nossa cultura da segunda metade de Oitocentos e primeira do Século XX ter infundido a crença de que toda a alma tinha o direito a expressar artisticamente o Único presente no que sentisse; e que a poesia, por não enfronhar em noites de vigília e métodos outros que os dos manuais de versificação seria o expediente idóneo para o concretizar. A segunda motivação era a de ser tido como o meio por excelência para chegar ao coração da Mulher. Poucas seriam as que teriam paciência para estimar a dedicatória de um romance, ou de um tratado, em que muitas personagens ou ramificações temáticas lhes disputariam o papel de Centro das atenções. Enquanto que meia dúzia de estrofes eram fácilmente postas a falar apenas da Amada. E, com arte muito variável, grassaram os exemplos dessa preocupação.
Acresce que a ficção era tida, tanto em manifestações dos direitos do coração no Romantismo, como na relativa abjecção ditada pelo cansaço, do Realismo, como eventual força desagregadora do Matrimónio, enquanto que os versos apareciam como a natural declaração que poderia a ele conduzir, ou legitimar "com algum contributo estético" outro tipo de relação, em caso de impedimento proibitivo.
Deste império do sentir brotou a necessidade da resposta feminina. À conquista no sentido de acção sucedeu a necessidade de dar voz à Conquista, no sentido do Bem Requisitado. Daí que as Mulheres tenham começado, igualmente, a editar o que na alma lhes ia. Garantiu-se assim o efeito poético multiplicador, pois na boa sociedade não tardou a considerar-se a habilidade de versejar como um predicado mais, talqualmente saber tocar ou pintar. Realizando do melhor que conservamos, como muito lixo, porque, evidentemente, em Arte é a Forma o critério de qualidade, enquanto que a Sinceridade apenas o será na esfera do afecto.