sexta-feira, 29 de junho de 2007

Cotações da Boda

A partir do momento em que se consentiu no casamento sem intervenção do Sacerdote degradou-se a instituição, na medida em que se transformou um sacramento num contrato. E, se respeito muito o primeiro, fico com pele de galinha cada vez que oiço falar no outro. Por isso, também, vivo arrepiado. Mas não era nada comigo, dado apenas rebaixar os nubentes e eu não acreditar em proteger as pessoas contra si. A nova lei, que estende efeitos civis a casamentos religiosos de outras confissões, é outra música, na medida em que abala valores até agora protegidos pela Comunidade. Uma das religiosidades promovidas é a Islâmica. Quererá isto dizer que se passa a consagrar a poligamia e o casamento temporário? Que dirão as Feministas deste progresso colossal? Não reivindicarão, como contrapeso a poliandria? E como se articularão os impedimentos e a quebra dos deveres conjugais, desde logo o de Fidelidade?
É de ouvir Gerorges Brassens e «La Non Demmande de Mariage». Como um discurso anarquista se torna saudavelmente reaccionário. Nada que Chesterton não soubesse já. Ou Berth, noutro plano.

Ma mie, de grâce, ne mettons
Pas sous la gorge à Cupidon
Sa propre flèche
Tant d'amoureux l'ont essayé
Qui, de leur bonheur, ont payé
Ce sacrilège...

J'ai l'honneur de
Ne pas te de-
mander ta main
Ne gravons pas
Nos noms au bas
D'un parchemin

Laissons le champs libre à l'oiseau
Nous seront tous les deux priso-
nniers sur parole
Au diable les maîtresses queux
Qui attachent les cœurs aux queues
Des casseroles!

J'ai l'honneur de
Ne pas te de-
mander ta main
Ne gravons pas
Nos noms au bas
D'un parchemin

Vénus se fait vielle souvent
Elle perd son latin devant
La lèchefrite
A aucun prix, moi je ne veux
Effeuiller dans le pot-au-feu
La marguerite

J'ai l'honneur de
Ne pas te de-
mander ta main
Ne gravons pas
Nos noms au bas
D'un parchemin

On leur ôte bien des attraits
En dévoilant trop les secrets
De Mélusine
L'encre des billets doux pâlit
Vite entre les feuillets des li-
vres de cuisine.

J'ai l'honneur de
Ne pas te de-
mander ta main
Ne gravons pas
Nos noms au bas
D'un parchemin


Il peut sembler de tout repos
De mettre à l'ombre, au fond d'un pot
De confiture
La jolie pomme défendue
Mais elle est cuite, elle a perdu
Son goût "nature"

J'ai l'honneur de
Ne pas te de-
mander ta main
Ne gravons pas
Nos noms au bas
D'un parchemin


De servante n'ai pas besoin
Et du ménage et de ses soins
Je te dispense
Qu'en éternelle fiancée
A la dame de mes pensées
Toujours je pense

3 comentários:

O Jansenista disse...

Esta, já se sabe, toca-me no coração, o grande anarca com a sua filigrana poética-rabelaisiana. Não é por acaso que já há teses de doutoramento sobre a poesia de Brassens...

O Jansenista disse...

Quanto ao anarca-reaccionário, é ouvir / ler atentamente "Mourir pour des Idées", e está lá tudo. E já agora, pensarmos qual é a principal inspiração estética do nosso Campos e Sousa...

O Réprobo disse...

Meu Caro Jans,
é realmente tema bastante merecedor. E a lembrança dessa influência em Campos e Sousa é oportuníssima. Já agora, quanto ao casamento islâmico, como é que ficam heranças e meações dos cônjuges no Direito Sucessório das quatro Mulheres permitidas?
Abraço