sexta-feira, 29 de junho de 2007

À Lei da Bala

Lisboa no Século XVI

A proposta da Arquitecta Helena Roseta para que os pelouros camarários, depois das Intercalares, fossem universalmente distribuídos, não por determinação de contabilidades partidárias, mas por competências técnicas, mereceria aplauso, porém só se o Homem não fosse o que é. Qualquer votação em listas, para mais muitas delas de partidos, por qualificadíssimos que fossem os edis, geraria suspeição de a escolha ter neles recaído por causa da cor. É o que se passa com a arbitragem: verificou-se que só o sorteio dos árbitros garantia a imparcialidade; mas logo os Senhores dos Clubes, com a Liga como cão de fila, voltaram às nomeações, em nome de a qualidade dos juízes ter de ser assegurada para os jogos mais importantes.
E a História corrobora a lição da bola. Embora no Século XVI os membros dos executivos municipais não fossem eleitos em listas, mas pelo valor de cada um, e não se tivesse contemporizado perante as associações semi-criminosas que são as facções institucionalizadas, El-Rei D. Manuel I mandou, a 1 de Fevereiro de 1509, que os vereadores tirassem à sorte os seus pelouros, para que não se suscitasse dúvida de favorecimento. Aliás, o nome deriva daí, porque "pelouros" era sinónimo de balas e a distribuição aleatória efectuada por meio de esferas, miniaturas daquelas.
E se quiserem comparar a força então empregue para garantir a assiduidade e o zelo, continuava a determinação da Coroa, impondo aos faltosos sem justa causa a cada sessão camarária o pagamento da elevada soma de cem réis para as obras do Concelho, os quais logo o escrivão carregará em receita sôbre o procurador, sob pena de os pagar noveados, quer dizer, multiplicados por nove.
Conhecendo os candidatos de hoje, estaria resolvida a crise financeira da Felicitas Julia a que temos direito...

2 comentários:

Bic Laranja disse...

Novelizados é como agora se usa. Serve para marchas e casamentos...
Cumpts., amigo.

O Réprobo disse...

Meu Caro Bic,
ehehehehe, grande termo, pois, pela ressonância que impõe, garante elevadas audiências depois das nove, seja vampirizando as festas populares, ou drogando com a designação mais comum dos folhetins televisivos diários.
Abraço