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sexta-feira, 2 de maio de 2008

E o Açaime?

Trela, Natureza Morta de Philip JurasAvesso que sou a ser localizado por meios tão entrados na normalidade e na normalização quotidianas como o telemóvel, não posso deixar de me insurgir contra este controlo das deslocações dos particulares, à revelia da sua vontade. Isto de as autoridades irem à fonte, quer dizer às agências de viagem, saber do paradeiro dos clientes é inaceitável, pois a incontactabilidade é um bem incluído no programa de muitas férias. Uma deslocação absorve no seu encanto uma certa dose de atracção pelo risco, o que qualquer terra estranha que nos isole um tanto acarreta.
Sei que a intenção aventada é a melhor, mas sem correspondência real. Na maior parte dos casos só os organismos preparados para atender a emergências nos pontos de destino poderão valer, não sendo os ganhos com a nova medida de molde a contrabalançar a perda da independência. Mas deve ser isto que se quer. E depois venham cá dar lições de moral sobre totalitarismo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sofrer de Gases

Quando surgem notícias de que as consequências de encarar o etanol como alternativa energética podem vir a ser piores para a Natureza do que a própria gasolina, somos forçados a pensar ter a propaganda desta via uma filiação directa nos interesses de agricultores americanos dos Estados-celeiro Kansas, Nebraska, Dakotas e Iowa, que, inclusivamente, não reprimem a sua ambição, ao ponto de interferirem nas eleições em curso.
Claro que neste contexto a descoberta de que certa plantinha viçosa em terrenos inaproveitáveis para a plantação de cereais, é boa como o milho, melhor até, já que não sente voracidade de fertilizantes, só pode para eles ser má notícia. Todavia, tenho algum pudor em confiar tanto num vegetal cujo nome científico é panicum...

Ponho antes em cima da mesa a proposta de enveredarmos pela utilização de um combustível mais limpo, de que se descobriram reservas monstruosas, o gás natural. Já em 1920 se inventara motas movidas a gaseificado comburente,

como também automóveis! A parte superior não é um toldo, é o depósito.

Posted by Picasa

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Quem Não É Por Nós...

Sabe Quem me lê que não gosto de culpas colectivas ou hereditárias. Elas são, ou devem ser, pessoais e, claro está, intransmissíveis, imputáveis apenas a quem participou dos actos. Não me passa, portanto, pela cabeça, atribuir aos Turcos actuais, mesmo ao seu Governo, responsabilidades pelo massacre Arménio que os seus avoengos empreenderam, ainda que saiba ser a denegação ou mitigação do reconhecimento dele um dos raros pontos que unem laicos e islâmicos em Ankara. Mas as satisfações pelas ameaças de largar o empenhamento na luta contra o terrorismo, caso o Congresso Americano aprove uma bipartidária moção de repúdio pelo genocídio das primeiras décadas do Século XX devem ser pedidas a quem as fez, quer dizer, aos actuais Governantes. Têm de decidir de que lado estão. E se preferirem a solidariedade com os radicais da sua Religião que, à semelhança dos militares Otomanos, se propõem matar Cristãos inocentes, devem ficar avisados de que serão tratados como é costume com os vencidos que não cumprem regras. Insistir na ficção de que apenas morreram vítimas de normais actos de guerra, ou na admissão a conta-gotas (de centenas de milhar, muito embora) dos números da carnificina é que não (os) leva a lado algum. E não tenho um niquinha de paciência para os que, tal como a Administração Americana, venham recomendar paninhos quentes, para manter do lado de cá aquele membro da NATO. Não quero a rodear-me gente indigna.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Pão e Água

Notoríssima a falta deste acessório para que a maravilha tecnológica que diziam ser a nova viatura bindada adquirida em vista da protecção dos nossos Militares pudesse fazer frente às novas ameaças, nomeadamente as alterações climáticas resultantes do aquecimento gobal.
Fiquei em estado de absoluta indecisão, meditando na licitude da expressão "adiantado estado de inacabamento" empregue pelo Responsável da empresa co-fabricante. Não obrigaria o atraso na completude do produto final a elimiar esse vanguardismo idiomático? Adiante. Faço um voto sincero: o de que os veículos afectados não sejam os destinados à Marinha... Outro - que a preterição da Pátria no concurso não possa ser imputada a alergias ao nome... Finalmente: que a opção da Tutela não se tenha ficado a dever à vantagem da poupança de uns cobres, em cujo caso, para além das instruções de utilização Manual da Pandur, teríamos de adquirir um breviário de governação com o título e conteúdo expressos aqui à direita.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sobrou-lhe um "I"zinho Assim...

Na véspera do jogo contra a Arménia a argúcia de Scolari fez com que alertasse o público português contra os perigos que à representação do País o Estádio Republicano, bem visto como "tapete remendado", acarreta. Tivesse o Seleccionador suprimido o "i" da primeira palavra da perigosa entidade e, como ensina a outra do anúncio, sobre isso nada haveria a dizer.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A Todo o Gás

Toda a Pessoa que não seja maldosa pode ficar perplexa perante a razão que terá levado um jovem a lançar gás-pimenta numa estação de Metro. É evidente que não se trata da versão portuguesa do Sarin, no meio de transporte nipónico homólogo. Parece-se mais com uma das apatetadas brincadeiras de carnaval, simplesmente estamos num período do ano em que toda a gente leva a mal. Os mais suspicazes poderão ver por detrás do incidente uma estratégia de marketing dos fabricantes do acessório de vestuário da foto. Mas uma hipótese alternativa poderia dar o incongruente que realizou o feito como um dos protestatários contra o domínio do Mundo pelos países chamados "ricos" que, tendo lido esta peça do Diário de Notícias, tivesse acreditado piamente na correlação adiantada pelo entrevistado entre a tranquilidade e a riqueza das nações, resolvendo acabar com a primeira, na expectativa de fazer Portugal regredir na classificação da segunda. Cada um pode encontrar motivações no inimigo que eleja, conforme o apego que tenha aos aversários do mundo empresarial ou aos expoentes dele. Especulação que, afinal, vem a ser tão absurda, como o acto abordado.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Ao Miguel Castelo-Branco

O Anjo da Coragem
de Glenda Green
"Prefiero morir con gloria a vivir con vilipendio" - José Calvo Sotelo