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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Más Como as Cobras?

O Beijo da Serpente, de Ruslan KhvesAndam umas Amigas aqui e ali a ameaçar de Re-conquistas com moiros atravessados. Há Pessoas que nunca aprendem, deixam que o sucesso de um qualquer Mourinho de hoje faça pensar a classe do nome como Specials para além do One, mesmo fora dos terrenos da bola. Até esquecem que da última vez que o sport amoroso meteu moirama ao barulho, o Otelo, o de Veneza, transformou a pobre Desdémona em Otária.
Mas não nos alonguemos: o meu ponto é que não há tradição nacional de masculinidade mourisca no Amor em Portugal, talvez por ele ser diferente, como assegurava o Cardeal do Dantas. E como a Mulher é que é a perseguida histórica, não há qualquer razão para inventar discriminações positivas, quotas e paridades que façam contraponto a uma crença muito nossa, essa sim - a das mouras encantadas que passam todo o ano sob a forma de cobras, só podendo ser vistas em noites de São João nas belíssimas formas humanas femininas. O facto encontra-se estabelecido e há estudo erudito de Fernando de Castro Pires de Lima com múltiplas remissões para as grandes abordagens do tema.
Nessa conformidade, deixarei aqui apenas um passo do sábio citado, sobre a forma de quebrar (AQUELE) encanto das serpes, fazendo-as regressar à excelência da Fémea da nossa espécie:
Disse-lhe que se transformaria numa terrível serpente e que subiria por ele acima abraçando-o e beijndo-o. O jovem enamorado, com aquela força que só uma grande paixão pode explicar, jurou que seria capaz de lhe quebrar o encanto. Poucos segundos tinham passado, surgiu a serpente, horrível e terrífica, de olhos injectados e soltando rugidos que mais pareciam trovões a estremecer o céu. O rapaz, impassível, deixou o monstro abraçá-lo, e quando a serpente lhe beijou os lábios, transformou-se na linda moira que quebrara o seu encanto devido ao amor sincero e firme de um homem novo, que nunca vira uma mulher assim.
Historieta muito mais moral do que a inverosímil dos sapos transformados em Príncipes, já que esta condição a coroar implica em si mesma a raridade. Enquanto que o relato que aqui Vos dei mostra como a firmeza de um homem é o melhor meio para vencer as fachadas do Outro Lado.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Explicaçao dos Pássaros...

...que voam para longe, apesar da promessa de carcanhol garantido.É que um monstruoso erro de casting transformou certa imagem da área de conhecimentos em questão, dando-lhe enorme publicidade negativa. Ninguém quer ser como esta gárgula que, aposto, nem a Zazie conhecia...

domingo, 25 de maio de 2008

Ir ao Fundo da Questão

A Cristina deu aqui o mote para tanger outra cítara: a do enraizamento no nosso inconsciente, tantas vezes confirmado na História Política, do preconceito de que uma renovação só se consegue com o sacrifício do pescoço de alguém. Nas inaugurações minhotas é o galináceo o sacrificado, decerto porque tendencialmente universal símbolo da sobrevivência e da ressurreição, que se quer estimular com esse corte radical...Mas já Alexandre Magno, segundo a lenda, teria recorrido aos poderes sobrenaturais da associação. Escapado pelos 11 anos à vigilância de Aristóteles, fora mergulhado numa gaiola precursora dos batiscafos no Oceano Índico, de que queria conhecer os habitantes das profundezas. Os marinheiros encarregados de o puxar de volta à superfície foram dispersos por uma tempestade. Mas o desembaraçado Príncipe não se atrapalhou; e matou ali mesmo um galo que consigo levara, pois era pacífico à época que o mar não suportava sangue fresco no seu interior, daí resultando que o mergulhador e seu receptáculo fossem por ele cuspidos de volta.
Tendo perdido de vista as razões primeiras do relato, é bem possível que o desfecho, perdurando na memória do Ocidente, tenha estado na base de aspergir os cascos de algumas das primeiras barcas da nossa Expansão com sangue de galicoque, antes de serem deitadas às ondas...
Parafraseando muito livremente Pascal, se o bico do galo se abrisse mais tarde para cantar, a sorte do Mundo - e a dele - poderia ter sido bem diversa.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Monstros e Críticos

Em homenagem a uma Zoologia perdida e porque o Caro Ralf nos deu notícia de um suspeitado cruzamento de homem com cabra (quadrúpede), em 1740, como génese de um ser monstruoso, ofereço-vos um raríssimo folheto do Século XVIII que me gabo de possuir: aquele em que a fixação setecentista em entes aberrantes descobriu, por 1725, nas imediações de Jerusalém, o prodígio que descreve:
Era efte monftruoso animal, na grandeza como hum cavallo, mas com a cabeça de Leaõ, e nella duas pontas de hum palmo de comprimento como de Boy; na extremidae do nariz lhe faia hum bico como de Aguia; os dentes eraõ de Leaõ, mas as prezas como de javali, com meyo palmo de comprido; as orelhas cahidas como de Elefante, e de dous palmos cada huma; quatro tetas como de Vaca de hum palmo de comprimento; o peito povoado de pello muy denfo, e forte como de Leaõ, mas muito mais comprido; os pés com garras muy longa, e fortes como Grifo; a cauda como Bafalifco, do tamanho de feis palmos, repartida em nós, e farpada na ponta; do efpinhaço lhe faiaõ feis efporoens como de Gallo, porém mayores, os quaes continuavaõ por toda a anca até aos pés; duas azas nervofas, como de Serpente; e todo o corpo coberto de conchas do mesmo feitio, que as que chamamos commummente de madre perola, mas taõ juntas, e dobradas humas sobre outras, que fe fazia impenetravel aos tiros.
Mas não davam cruzamento sexual como razão do seu surgimento. Oiça-se a mitografia genética dele:
O que fe refere da origem defte, de que vos mando a copia deixando a voffa Filofofia a averiguaçaõ da fua poffibilidade, he, que hum dos principes da Tartaria, independente, querendo tomar vingança de hum Povo, que negandolhe a obediencia, fe fugeitou ao jugo do feu contrario, fez ajuntar todos os moradores delle sobre huma montanha; e depois de haver à fua vifta, mandado degollar fuas mulheres, e feus filhos, ordenou, lhes abriffem feridas por todo o corpo, para que evacuados vagarofamente do fangue, tiveffe mais duraçaõ a fua agonia, e foffe a sua morte mais penofa. Efte fangue, em que fe envolviaõ tantos efpiritof exfperados, coado por entre as rochas, em huma dilatada gruta, que ha no mefmo monte, fazendo um mifto com a terra, fe foi tranformando pouco a pouco e produziu o monftruoso animal; o qual, confervando em fi unidas as mefmas defefperacoens, e raivas, que levaraõ configo os efpiritos de tantos corpos de que foi gerado, fe pode chamar o symbolo da mayor crueldade.
Ao atribuir ao fabuloso ser a morte de quarenta e nove pessoas e muito gado, estabelecia o espírito do tempo a desejável identidade entre monstruosidade física e moral que todos os ingénuos obceca. Mas ao determinarem que a crueldade irrompe com mais facilidade da mistura de muitos homens, demonstraram os divulgadores da historieta uma sagacidade ainda actual. É o que me dita a minha Filofofia.
Posted by Picasa

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O Complexo de Átis

Estou cem por cento de acordo com o Governo da Tailândia, ao erradicar a legalidade da prática de castração, por aspirantes à transexualidade. Não se trata aqui de exercer alguma violência contra a liberdade de mudar de sexo, por muita repugnância e cepticismo que a ambição me inspire. Mas há que reprimir o verdadeiro insulto que é para a Essência do Feminino reduzi-lo a um homem submetido a um corte... embora radical, admita-se.
Nunca foi considerado suficiente. Os eunucos chegaram a ser importantíssimos, mas justamente por não serem carne nem peixe, não uma carne que se houvesse tornado peixe. Como guardiães do harém turco, os eunucos negros, a quem se removia também o pénis, não consta que tivessem alguma vez contado entre as legiões femininas. E os eunucos brancos, a quem apenas (glup!) se eliminava os testículos, foram auxiliares de toda a confiança na administração dos Sultões, como nas dos Imperadores Chineses, porque se sabia que, em função de uma certa ausência, nunca seriam aceites no Trono pelas populações.
Um que também pensou assemelhar-se ao Belo Sexo por esse sistema eliminatório foi Átis. Mas tratava-se de um protector da vida vegetativa, está tudo dito!

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Pomo da Discórdia

Banana Girl, de Linda ReidHá grandes empresas que não têm emenda. A que comercializa a marca Chiquita confessou em tribunal haver untado a pata de milícias partidárias de ambos os lados no conflito colombiano, entre as quais as FARC, hoje na berra pelos raptos, assassínios e ligações ao narcotráfico. Depois do papel tristemente célebre da United Fruit na Guerra das Bananas que teve lugar na América Central, verifica-se uma degradação do estatuto dos beneficiários das subvenções, no cone Sul do Continente.
O que me faz pensar na injustiça de confundir a maçã com o metal precioso, através dos mitológicos pomos de ouro. A menos que a palavra maçã passe a ser uma imagem da conflitualidade e da desordem.
Teria assim razão, apesar da mensagem de Esperança na Salvação, o Padre João de Sousa Ferreira, na «America Abreviada», de 1693, ao defender que o fruto dado pela cobra a Eva, e que acabou por perder a Espécie, não seria o habitualmente indicado, mas o preferido pelos macacos. Oiçamo-lo.
Com mysterio se tem esta fructa (a banana) pela com que peccou Adão: porque cada folha basta para cobrir um homem; e pela cruz que mostra, cortando-se pelo meio, como para signal do instrumento em que havia de ser redimida aquella culpa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Complexo de Sininho

Como se verificou uma certa insurgência feminina, face à minha escolha do vocábulo feérico e sequente aproximação da Mulher nos impulsos masculinos, tenho de esclarecer que o que pretendi foi evidenciar o misto de atracção pelo mergulho num ápice emancipado da racionalidade estreita e os temores inelutáveis que esse magnetismo comporta. Com efeito, a visão seráfica das Fadas está escarrapachada em «Peter Pan». Mas a construção psicológica e folclórica em torno delas é bem outra e dá-as como seres temidos e temíveis, pese encantatórios.
Talvez fosse risível discutir a ontologia do Little People, porém este interessante livro é um bom compêndio introdutório às representações respectivas. Na Irlanda e Inglaterra predominantemente céltica, é dado como um grupo de entidades temíveis, contra as quais as crianças penduram nas portas das casas urze e fetos, à maeira de repelente. A sua natureza varia conforme a cabeça que a concebe - espíritos da Natureza, divindades das antigas religiões pagãs reduzidas com o declínio do culto, sacerdotes delas, auxiliares diabólicos do famosíssimo Puck, anjos caídos, entes raptores das almas dos recém-falecidos, estas mesmas justificadas no tamanho diminuto pela correspondência métrica ao que estes ignorantes de Pessoa mas herdeiros do Antigo Egipto supunham ser-lhes característico, conhecimento junguiano do self,os inevitáveis extra-terrestres...
Para além da variedade, o registo das principais crenças, manifestações e captações, com a crónica da famosa fraude fotográfica conhecida como Cottingley photos, levada a cabo por duas adolescentes em 1917, ou esta outra tomada, sem explicação incontestada, de uma bruxa invocando-as.
Portanto, a bondade que aborrece as Minhas Amigas mora bem longe...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Compreensão Híbrida

Dona T, tenha dó! Um pé em cada espécie não significa amizade entre as espécies, tal a do Seu exemplo! Refiro-me a seres cruzados, como as Sereias, de Mulher e pássaro ou peixe, ou como, numa concretização metálica, esta Mulher-Antílope em arame, de Elizabeth Berrien.
Mas se quer acepções menos imediatas para Si, embora absolutamente palpáveis por outros, tenho todo o prazer em entregar de limusina Elsa Benitez: «Uma Leoa Chamada Elsa», diz-Lhe alguma coisa?

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ah, É Verdade...

Não sei se já Vos tinha desejado um Bom Ano Novo...

sábado, 29 de dezembro de 2007

O Caçador de Vampiros

Estão os Leitores habituados a que este bloguista desanque a classe política que suga o sangue do País, mas ignorarão que ele inspirou um combatente contra a vampiragem tout court. Graças à imaginação do Capitão-Mor, aí o tendes, na peugada da Buffy.
Donde terá vindo a inspiração ao Nosso Amigo? Tenho um palpite: quem siga a série americana da Slayer sabe que ela está empenhada numa luta sem tréguas contra o Mal absoluto liderado por um espírito tenebroso chamado O Primeiro. Ora, por cá o Bem igualmente tem de ser mobilizado contra as arbitrariedades do nosso Primeiro... e numa equipa que inclui um vampiro reconvertido, uma bruxa e uma ex-demónio, um réprobo não fará fraca figura...


domingo, 23 de dezembro de 2007

Do Incógnito à Apoteose

A minha dose de prendas para a Terpsichore E. M. Psiche, O Nascimento de uma Musa por Ingres, como prelúdio do Reino Delas por Lorenzo Costa, em que a Inspiração toca os músicos, o pintor e o escritor, no Jardim dos Prazeres intelectuais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A Homenagem Que Tardava

Janela da Psiche na Casa do Poeta de Alberto Martini

Têm os Leitores verificado duas coisas evidentíssimas. a absoluta inépcia do réprobo para a Poesia e a a sorte que tem, beneficiando das visitas de uma Musa. O que prova que Essas Divindades operaram uma reconversão, imprevisível na Antiguidade Grega: também inspiram os bloguistas. Como a obra plástica ao lado representa uma Psiche, gostaria de a dedicar, com gratidão, À Psyche Que nos frequenta, a Terpsichore E. M.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Projecção

É no que dá Sereias com muitas leituras, perdem o sentido da Realidade, mergulhando na fantasia. Mas são desmentidas pelas próprias imagens a que recorrem:
É evidente, já Fragonard o tinha expresso, que quem gosta de baloiços são as passarinhas,
pelo que não há qualquer dúvida de Quem é que está a sair da casca - a da ostra traiu-A.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Fim de um Mundo

A Queda de Faetonte de RubensNão sei quantos dos meus Leitores terão a angélica pachorra de ficar acordados até às duas e tal da matina para verem a diarreia de um asteróide. Eu não. Concordo que a recorrente associação ao Fim do Mundo, desta feita, oferece indícios suspeitos: estamos no dia do ano em que nasceu Nostradamus, o qual previu um reino de terror vindo do céu. O corpo celeste chama-se Faetonte, o tal que por imperícia e vaidade, não foi capaz de conduzir o carro do Sol, incendiando parte do Firmamento e do Globo e dando origem ao Deserto da Líbia, sem o qual um certo coronel não seria concebível...
Mas não me convencem - se for realmente o último momento, não terei hipóteses de contá-lo aos netos. Se não for, escuso de embarcar numa burla. Prefiro tirar do episódio mitológico uma lição de amizade para com os animais, já que Hélio, a solar divindade, aconselhara o seu imprudente filho a não chicotear os cavalos.
De resto, pode ser que a ocorrência não marque o Fim do Mundo, mas o Fim de um Mundo. E esse teria sido o dos estados nacionais no Ocidente europeu que integramos. Por curiosidade, este fenómeno astronómico toma o nome de chuva de estrelas, em Português. Lembram-se de como é a bandeira da União Europeia?
E não se vislumbrando Zeus que fulmine a carripana pirómana, adequa-se igualmente aos autores da triste proeza o epitáfio do condutor desbragado do mito grego:
Aqui jaz Faetonte: Na carruagem de Febo ele correu;
E, se muito fracassou, muito mais se atreveu

sábado, 24 de novembro de 2007

Comer Queijo Faz Lembrar

Busca de Queijo de James SeborConhece Quem me segue, desde outras moradas blogosféricas, a minha paixão pelo queijo. Mal sabendo andar já tinha o lamentável costume de rapinar o que serviam à mesa paterna, para o ir roer para um canto. Mas é alimento que poderia simbolizar a própria universalidade humana, não só por ser feito à imagem da Lua que nos banha a Todos, como por ter desempenhado papel importante em civilizações hoje inimigas. Os Árabes davam-no como descoberto por Kanina, um mercador que levara para viagem longa leite de cabra num odre de bucho de carneiro, o qual, por insuficientemente seco, misturara ao líquido a coagulante quimosina, dando uma pasta que, provada, se verificou ser manjar de Deuses. Duas culturas tão insistentemente opostas poderiam alicerçar as bases do entendimento na comum predilecção histórica por tal maravilha, já que David levou como provisões, na jornada terminal de Golias, doze queijos, os quais, como rememoração do desenlace feliz do episodio, passaram, em número de dez, a ser oferecidos ao comandante de cada exército hebraico em campanha. E Jerusalém provou a sua aptidão para cidade Triplamente Santa pela proximidade de um Vale dos Queijeiros hoje desaparecido da toponímia.
Mas os Egípcios mais antigos de que há notícia dominavam já aquele que era fabricado com leite de ovelha, assim como os Gregos consumiam o do dos caprinos, o do de burra e o do de égua. Nunca provei estes últimos, mas gostei da experiência da minha estadia alentejana, com um outro, tirado do leite de porca. A epopeia ficou consagrada com referências na Ilíada e na Odisseia. E no período Medieval era uma das preferências nutricionistas dos guerreiros Cristãos e dos bens mais apetecidos nos saques empreendidos pelos Muçulmanos.
Vem tudo isto a propósito da minha segunda grande alegria de ontem, uma corbeille com uma variada panóplia de exemplares deste género, que me ofereceram. Sabendo-se como a conjugação do Inglês e da fotografia levaram a consagrar o Say Cheese como uma tentativa de perpetuar a alegria, faço votos para que a reunião de realizações deste âmbito, das mais díspares proveniências, possa pacificar o Mundo de forma muito mais eficaz e menos cínica do que a ONU.
Queijos de Todas as Nações de John Bowman


*
Não vou sem mencionar a corporização da poesia expressa na alimentação da isolada Semiramis, alimentada a pedaços de queijo pelos pássaros, que os roubavam para lhe garantir a sobrevivência, exemplar mito propulsionador do amor puro desejável entre a Espécie Humana e as restantes.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Cinismo e Paixão

Quando se prova à saciedade que Sócrates não está com nada, é o grande Cínico Diógenes que emerge. Como ele, também esta mocinha anda de lanterna na mão à procura de um Homem. E como o Antigo, se virar o foco para si, poucos a acreditarão. Mas por motivos diferentes...
Como vê, estimada Amiga, acompanho-A como uma sombra na crença na mensagem de ressurreição da Fénix: permita-me que Lhe apresente a modelar Sul-Africana Tanit Phoenix.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Cinzas do Passado


Lamento Dona T, mas não posso aprovar uma seguradora sem garantia. E foi preciso esperar pelo século seguinte para a ver chegar. Além de que é muito suspeita uma companhia que se autodenomina "Fenix": em vez de dizer que, com ela, os bens segurados seriam como uma dessas míticas aves... Transmite a ideia de um sempre em pé, sem grande escrúpulo, mesmo que arda tudo cuja perda eventual se comprometeu a amenizar...
Será que uma Moça tão progressista como a Minha Amiga se atemorizou com o serviço da Nação escarrapachado?

Indo à mitologia sabemos que esse animal incrível, no Deserto Arábico residente, pressentindo o momento da morte, construiria com ramos e ervas mágicos o ninho que os raios solares transformariam em pira assasssina, dando ligar às transformações da medula dos seus ossos em verme e deste num pássaro mais belo ainda. Mito de grande sabedoria se interpretado no sentido de conformação com os ciclos vitais, transmissão hereditária e placidez na cedência do lugar a quem o ocupe melhor. Mas perigosíssimo por poder instilar nos mais ingénuos a falsa noção de que basta uma morte aparatosa para o asssegurar. O modo como Rodrigues Coelho viu este ser fantástico diz-me muito.

domingo, 4 de novembro de 2007

Como a (Im)Perturbabilidade

A propósito de uma parecença física que noutra altura da minha vida me colaram a certo actor, episódio desenterrado do esquecimento nesta caixa de comentários, segue uma nota sobre como, recentemente, fui ludibriado. Encontrando na net a imagem de cima, não tive dúvida em crer nela captada uma das belezas da tela que mais me dizem: Gene Tierney, a da foto seguinte.
Eis senão quando me achei desenganado. Tratava-se de uma célebre fotografia de Moda da autoria do ex-marido da Princesa Margarida de Inglaterra, dando a fotografada pelo nome de Jane Quick, muito apropriado para simbolizar o carácter apressado da minha atribuição.
Fiquei então meditando genericamente sobre o Mistério da Semelhança e se ele residirá intrinsecamente nos seres aproximados por outrem, ou será traço revelador do contemplador deles...
Nesta última hipótese reduzir-se-ia a condição de mistério a mero enigma. E o próprio emblema dele à confusão de paralelos físicos intercivilizacionais - o Demónio Grego crepuscular da Morte e Destruição que punha a adivinha ameaçadora apenas por Édipo resolvida, como sósia do deus Egípcio Harmachis, divindade do Sol Nascente, protector da Perspicácia e da Serenidade, o vizinho das Pirâmides de Gizé, ambos metidos no mesmo saco por compartilharem a mistura de ingredientes animais que os compunham. Se a resposta continua prejudicada, a auto-interrogação ganha terreno, até porque a própria solução libertadora do episódio helénico assentava, afinal, nessoutra forma de simile que é a analogia.
Também por isto dedico o singelo post que lesteis à Terpsichore E. M. Psiche.

sábado, 4 de agosto de 2007

O Mito Na Sua Razão

Alcácer-Quibir, por Manuel de Macedo

4 de Agosto, dia da hecatombe. Muito por culpa do que nos tornámos é hoje o Sebastianismo saco para toda a pancada, a antítese mais radical do pau para toda a Lusa Obra que os seus cantores queriam. As contrafacções da História da Mentalidade ajudam a tanto, segundo a conveniência do momento. Guerrear a moirama no Norte de África não era mais do que a continuidade estratégica e doutrinária do que os Antecessores da Dinastia de Avis haviam feito. E, de resto, era o que concitava a concordância de Povo e intelectuais, irmanados na opção, um pelo sentir palpitante da necessidade de dar luta ao inimigo conhecido e os outros pela tangibilidade pensável desse teatro de guerra, numa altura em que as Descobertas eram domínio reservado da Ordem de Cristo, alfim encaixada na Coroa ponto por ponto, sem extensão ao entusiasmo coevo da Grei.
Aontecido o desastre, ergueu-se a esperança no regresso do Desejado não como mais tarde se tornou, e já o Grande Je Maintiendrai, em texto inesquecível, zurziu - a demissão patética do esforço, vivendo do sonho irrealista. Na altura, sem quadros militares, era o refúgio possível para não aceitar a derrota. E onde a minha própria família política quer ver uma manifestação da subsistência da Ideia Nacional, projectada numa grandeza sorelianamente mítica, a informar a acção futura, vejo eu apenas a fidelidade ao Senhor, que já não pouca honra seria: os povos não costumam amar os venidos, por que o fariam neste caso? Porque a construção da biografia real pós-batalha dava o Rei como penitente, coberto das culpas da Derrota, não desejando reocupar o trono por se dele crer indigno. Na atmosfera ultra-cristã daquele fim de Quinhentos a expiação pessoal em prol da felicidade do seu Povo encontrava a retribuição imediata na assimilação ao Salvador e correlata recusa da adoração dos deuses impostos de fora. Para os menos piedosos, a comoção em face do sofrimento auto-imposto e arrastado gerava o perdão. Durante dois séculos a acção própria não foi travada pela Referência sempre viva, apesar da sobrevinda impossibilidade física do Resgate do Regresso. Só ao vitimar-nos o internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio é que a Referência Sebástica deixou de ser estímulo do esforço para se transformar na nostalgia lunática que artificialmente permitia abstrair da decadência que entrava pelos olhos dentro.

sábado, 21 de julho de 2007

Persistência de Eróstrato

Dia do ano dado como sendo o do incêndio da Maravilha do Mundo que fazia empalidecer todas as demais, segundo o seu seleccionador, Antipater. Eróstrato teria posto fogo ao templo de Artemisa em Éfeso, vangloriando-se seguidamente do facto, para que se pudesse tornar célebre por essa destrutiva acção, já que não fora possível por obras de maior dignidade. O mais famoso pirómano de sempre foi condenado a morrer no fogo de que tanto gostava e, como sanção acessória, a que nunca o seu nome fosse proferido por qualquer cidadão efesiano, sob pena de morte. Antes de fazermos a ligação a legião de criminosos comuns actuais que prevaricam para obter a celebridade devemos atentar nos políticos que aniquilam o que tanto tempo e custo levou aos antepassados. Mas não se pode concordar com o abafamento do nome dos responsáveis, pois é condicionar a justiça à vontade dos infractores, ainda que por oposição ao seu desejo. A Moral é impossível de ensinar convenientemente sem apontar exemplos a enaltecer ou a reprovar. E a vergonha deve sempre levar a palma ao silêncio, pois quando baixa os decibéis do volume da sua proclamação anuncia o fim próximo.
Circunscrevendo-me ao caso da Antiguidade gostaria de focar um outro aspecto: quando os historiadores nos dizem que Artemisa estava ocupada em garantir o sucesso do parto que trouxe Alexandre Magno a este Mundo, não tendo por isso podido proteger o santuário que a honrava, caíram no mesmo erro dos muitos que posteriormente se afastaram da religiosidade por imaginarem incumprida pelo Divino uma "obrigação" de interferência que decretaram. Em vez de culparem os membros mais fracos da Espécie e esta, por não ter sabido neutralizá-los.
Sabendo-se que o monumento destruído fora o único com função similar que Xerxes poupara, prova-se de novo que é muito mais temível o inimigo interno do que o externo.
E, para encerrar, às escolas psicanalíticas que queiram ver no erostratismo alguma sequela de trauma de infância, contraporei que a simbologia permite uma explicação pela sexualidade sem fantasiar demasiado nem relegação para períodos formativos: Artemisa, a Diana dos Romanos, era a Deusa associada à Lua e, por essa via, à Mulher. Não passaria afinal de uma concretização alternativa para o que alguns lamentam não conseguir normalmente: inflamar por si o Feminino...