E Londres mudou de cor! Disputada por dois
colourful characters, elegeu pela primeura vez um
Mayor Conservador, largando o epíteto que partilhava com o seu autarca cessante e vencido, Livingstone, conhecido por Ken
O Vermelho. Nada que não se adivinhasse, dado o Espectro. Não o cromático, o da Sombra de São Boris, de que passa o dia.
Não há, entretanto, com o que embandeirar em arco. O vencedor, Boris Johnson ganha com
apelos pouco tranquilizadores, a uma juventude a quem agrada a ligeireza com que sai das declarações que faz, como as confissões pouco arrependidas de uma formação em que os narcóticos desempenharam o seu papel. Ganhou porque o adversário, em desespero de causa, caiu nos vícios da velha Esquerda a que pertence, dizendo que um seu segundo acusado de corrupção estava a ser perseguido racialmente, para logo a seguir, em função das reacções das sondagens, o pôr nas mãos da polícia. E por ter tentado mobilizar, com limpeza discutível, o apoio da comunidade Muçulmana contra o adversário. Deve-se reconhecer que este tinha um desafio difícil a vencer, sendo bisneto de um ministro do Império Otomano, ultrapassar as desconfianças de atavismos comprometedores de todos os que temem fraqueza perante o terrorismo que invoca o Islão; e, pelo lado inverso, elidir o ressabiamento dos Maometanos pouco propensos a perdoar defecções do seu Culto.
Esta eleição é particularmente importante, por causa do arranque da próxima organização Olímpica. O maior foco de curiosidade será ver se o eleito se consegue concentrar, torneando a imagem de infantilismo que se lhe associa.
Mas estes
Tories, o triunfador e o líder, Cameron, não são gente das minhas águas. Podem apenas servir de sabão para o banho que Gordon Brown apanhou, com perdas locais muito para além do previsto, quando dois desastres eleitorais anteriores pareciam ter deixado o
Labour com pouco a perder. Claro que até às
Parlamentares alguma água correrá debaixo das muitas pontes, simplesmente assentar toda a reputação no rigor financeiro, com um Northern Rock a desmenti-lo na primeira esquina, pode mostrar-se muito menos eficaz do que os aclamados caracolinhos e dentes brancos de Tony Blair.