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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Teste do Balão

Devo dizer que esta nova não me espanta: o que é de estranhar é que os Ingleses hajam demorado tanto tempo a descobrir um uso para o vinho pouco tragável que produzem! Mas achei a razão - só depois de a respectiva cultura popular ter passado a ser dominada pela Casa do Vinho em Amy concretizada, ficaram no ponto para ver as Instituições respectivas transportadas num carro movido pelo mesmo líquido.
Em Portugal, ou nos países mediterrânicos, em que a qualidade do néctar da uva extraído é muito outra, é que convém que as campanhas de prevenção rodoviária estendam a recomendação Se Conduzir não beba também às viaturas. Caso contrário, vencendo kilómetros de depósito atestado, a tentação seria enorme para nós, que, felizmente, há muito nos regenerámos do Passado em que Estrabão nos dava como dos povos mais abstémios que conhecia.
Agora, há que tapar bem a entrada do combustível, ou as emanações podem fazer as delícias caçamultísticas da BT...
Ah, é verdade, enfim, o Príncipe de Gales encontrou maneira de esquecer a Camila!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Jogar a Feijões?

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades? Vejamos, leio que na Inglaterra de outras eras, os candidatos a Conselheiro Municipal da cidade de Leicester eram eleitos de forma muito mais justa e limpa do que presentemente se faz, um pouco por todo o lado:
Reuniam-se os disputantes na praça pública, onde todo o Povo os conseguisse ver, sentados em círculo, muito sossegados, tendo cada um, sobre os joelhos, o seu chapéu cheio de feijões, após o que se introduzia no meio da roda um porco esfomeado, ficando provido no cargo o primeiro de cuja cobertura o animal comesse.
Hoje não direi que a decisão continua a ser negócio de suínos, mas posso afirmar sem constrangimentos que qualquer ambicioso de cargo público se agitaria o mais que pudesse para que todos os chapéus o indicassem. Continua-se porém a fazer toucinho daqueles a quem se deve a escolha.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Os Inocentes Sem o Silêncio

O Prisioneiro de Steven EnglundTenho dito e redito que não me agrada o Sr. Cameron, leader Conservador Britânico. Quando ganhou o comando do partido estava eu por David Davis, que agora se demitiu de Ministro-Sombra do Interior, para evitar que seres sem mácula passem demasiado tempo à sombra. Desencadeou uma eleição parcelar na sua circunscrição para poder protestar à vontade e com eficácia contra a extensão do período de prisão preventiva, sem culpa formada, que o Governo de Brown quer impor, a pretexto da luta contra o terrorismo. Não se trata de fraqueza na repressão do mal, creio que este político é até defensor da pena de morte para homicidas. Mas está-se perante a indeclinável nobreza de lutar pela separação nítida entre culpados e inocentes, englobando nestes todos os que não hajam sido objecto de decisão judicial desfavorável razoavelmente fundada, evitando-lhes o encarceramento com um minimalismo processualista.
A distinção radical entre a honra e a perda dela, pelos crimes provados, eis o fundamental hiato entre os homens, de que só os confusos e os fracos abdicam. Como se vê, ainda há um ou outro eleito que não se quer entre eles.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O Aguaceiro

Atrás de mim virá quem bom me fará... Subitamente o Labour britânico ficou cheio de saudadinhas de Blair, só porque a sua sucessória antítese, Gordon Brown, lhes fez perder uma eleição paecelar. Bem, não é só isso, o facto é que não é uma chuvada qualquer: detida há três décadas com sete milhares de votos de vantagem, Crewe & N. parecia segura, noutras quaisquer circunstâncias. Ontem nem a candidatura da filha da deputada falecida valeu. Os Conservadores ganharam o lugar e já começaram as más línguas não apenas a prenunciar revoltas parlamentares contra o líder, como a reavivar a história de apenas ter casado para ter hipóteses de ser Primeiro-Ministro. Esquecendo Heath.
O reabilitado Bliar insiste em manter-se como assombração deste Escocês azarado. Dantes era por não cumprir a sua parte do Granita Pact, o acordo de transmissão do poder que ambos tinham feito, presumivelmente visando a última metade do segundo mandato. Agora é por a ter observado, embora com atraso. Como querem que o actual P-M ria? Dizem que fazê-lo com mais frequência seria meio caminho andado para maior aceitação. Um alvitre que cheira muito à história do ovo e da galinha.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cores no Nevoeiro

O Strand por Bell-Smith

E Londres mudou de cor! Disputada por dois colourful characters, elegeu pela primeura vez um Mayor Conservador, largando o epíteto que partilhava com o seu autarca cessante e vencido, Livingstone, conhecido por Ken O Vermelho. Nada que não se adivinhasse, dado o Espectro. Não o cromático, o da Sombra de São Boris, de que passa o dia.
Não há, entretanto, com o que embandeirar em arco. O vencedor, Boris Johnson ganha com apelos pouco tranquilizadores, a uma juventude a quem agrada a ligeireza com que sai das declarações que faz, como as confissões pouco arrependidas de uma formação em que os narcóticos desempenharam o seu papel. Ganhou porque o adversário, em desespero de causa, caiu nos vícios da velha Esquerda a que pertence, dizendo que um seu segundo acusado de corrupção estava a ser perseguido racialmente, para logo a seguir, em função das reacções das sondagens, o pôr nas mãos da polícia. E por ter tentado mobilizar, com limpeza discutível, o apoio da comunidade Muçulmana contra o adversário. Deve-se reconhecer que este tinha um desafio difícil a vencer, sendo bisneto de um ministro do Império Otomano, ultrapassar as desconfianças de atavismos comprometedores de todos os que temem fraqueza perante o terrorismo que invoca o Islão; e, pelo lado inverso, elidir o ressabiamento dos Maometanos pouco propensos a perdoar defecções do seu Culto.
Esta eleição é particularmente importante, por causa do arranque da próxima organização Olímpica. O maior foco de curiosidade será ver se o eleito se consegue concentrar, torneando a imagem de infantilismo que se lhe associa.
Mas estes Tories, o triunfador e o líder, Cameron, não são gente das minhas águas. Podem apenas servir de sabão para o banho que Gordon Brown apanhou, com perdas locais muito para além do previsto, quando dois desastres eleitorais anteriores pareciam ter deixado o Labour com pouco a perder. Claro que até às Parlamentares alguma água correrá debaixo das muitas pontes, simplesmente assentar toda a reputação no rigor financeiro, com um Northern Rock a desmenti-lo na primeira esquina, pode mostrar-se muito menos eficaz do que os aclamados caracolinhos e dentes brancos de Tony Blair.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ondas do Mealheiro

Posted by Picasa

O Sr. Ministro das Finanças foge com o dito à seringa, no que toca a descer os impostos. Porquê? Por causa dos submarinos há muito contratados e que têm, se não os cascos, ao menos as costas largas.
Foi sempre uma credível manifestação da riqueza dos povos o gasto com uma marinha de combate. Na ressaca do Ultimatum de 1890, fez-se uma subscrição pública para adquirir um vaso de guerra, o Adamastor. Claro que o pobre e desacompanhado navio não poderia fazer qualquer espécie de cócegas, sequer, à Royal Navy, mas ter pago uma embarcação, em todos os sentidos armada, aplacou as vaidades feridas.
Também Eduardo VII de Inglaterra perguntou certa vez a uma amante célebre se ela tinha reparado que o que lhe ofertara em jóias dava para construir um barco de guerra. A questão era impressiva, mas a resposta foi impressionante - e já reparaste que o que vazaste dentro de mim dava para o pôr a flutuar?
Por isso creio ter sido de uma premonitória genialidade esta ilustração Nave da Guerra, que o Mestre de Pádua, em 1472, fez, para enriquecer «De Re Militari», de Valturio: aquele escudo da direita não parece ter, pintado, um cifrão?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Pirro Fog


A inglesa é a única das democracias que mantém uma aparência de seriedade. Eu disse aparência e escrevo este postal para mostrar à Cristina Ribeiro, aos Democratas e Enganados e a Vós, Irmãos, que também eles, os parlamentares do País da educação cívica, pecam muitas vezes, por sua culpa, sua tão grande culpa. A Madrinha deste blogue admoestou-me ontem, num comentário, por não me deixar levar pela ideia de uma "democracia responsável". Havendo passado uma noite sem dormir, procurando tal bicho nos arquivos poeirentos da memória, tive de ceder à imaginação, por saber Anglófila a Nossa Amiga, e dar de barato que Ela se referia ao sistema inglês.


Responsabilidade? Pois aqui a tem: referendozinho prometido, eleição garantida, voto parlamentar negando a promessa. E quem leia esta notícia pode ficar com uma ideia diferente da Realidade, os 3 deputados Liberais-Democratas referidos só se demitiram da liderança do partido, não renunciaram aos assentos.


Gordon Brown conseguiu mais uma vitória. Até à derrota final com o Cameron que é flor que menos se cheire?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Para Além da Fleuma

Distracção de Erich DavisNão tem limite a imaginação dos advogados. Até deveria haver um Nobel para a respectiva capacidade de fantasiar. A defesa do acusado de matar uma jovem modelo britânica excedeu-se, verdadeiramente: negando a percepção de que o corpo encontrado na rua, que sexualmente penetrou, correspondesse a uma morta, tenta, a um tempo, contestar quer o homicídio, quer a violação de cadáver, trocando a condenabilidade da conduta em delitos menores. Se houvesse um niquita de verdade, muito pouco abonatória, em termos de reacções, se provaria a performance habitual do réu.
Outra distracção fatal foi a do guitarrista Brian May, dos «Queen», o qual disse não saber que Freddie Mercury era gay. Certamente achou que o nome do grupo se devera exclusivamente ao fervor patriótico conducente à homenagem da Soberana Reinante...
Por estas amostras, as sexualidades britânicas andam muito absent-minded.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Bonecos e Piratas

O Mayor de Londres, Ken Livingstone, acha-se há muito cognominado como Ken O Vermelho, o que desperta em mim reminiscências do efeminado namoradinho da Barbie e do Rackham que era Rouge antes de a tradução portuguesa o explicitar como Terrível. Neste caso o Tesouro seria a capital inglesa de que tanto gosto.
Normalmente dado como imbatível, começou por pôr-se incondicionalmente ao lado de um dos seus ajudantes, acusado de desvios de dinheiro já em parte reconhecidos, chegando a acusar de "racistas" os que publicamente pediram explicações. O advérbio de modo só teve validade durante poucos dias, logo forçou o seu "grande amigo" à demissão (mantendo o vencimento, que amizade sempre oblige quelque chose) e entregando-o à Polícia, reconhecendo que o fazia por temer perder o despique eleitoral para a agressiva campanha Conservadora de Boris Johnson.
Há duas grandes lições a retirar destes desenvolvimentos: em democracia a honestidade e desonestidade são aferidas não por observâncias e infracções da lei penal e da Ética, mas pelos riscos eleitorais que comporte a conduta.
E em política a amizade tem como assumido limite a conveniência.
Razões mais do que suficientes para nos mantermos longe de ambas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Do Drama Ao Enjoo

O Suicida

Dia do aniversário de Manet. Converge um dos seus quadros mais poderosos com um estudo sueco, que me insatisfaz, para me fazer abordar o tema. Não vejo, pela condensação transmitida na Imprensa, que se posssa, de uma mera constatação estatística, tirar da presença ou não de uma substância química um padrão de probabilidades de suicúdios futuros, em função do peso ao nascer. Toda a minha observação diz que a principal causa suicidária radica na concepção que cada um faz de si, do que lhe falta, do que merece, do que teme. Cioran dizia que só um optimista se suicidaria, é o único que acredita ir desta para melhor. E não sei já quem tinha alertado para que se nem todos os motivos de suicídio são maus, há sempre coisas melhores para fazer... o que, em última análise, remete o acto fatal para um privilégio mais dos desocupados,
Quereria acrescentar uma nota sobre o tema na Pátria do Pintor: os Franceses são pródigos em reverter para os Ingleses tudo o que desconsideram. Mesmo coisas que lhes sáo geralmente atribuídas. A sífilis, conhecida em todo o lado como Mal Francês, é dada por eles como Mal Espanhol, pretendidamente trazida pelos companheiros de Colombo para Nápoles, pelo que igualmente lhe chamam Mal Napolitano. Toda a outra gente diz que sair sem se despedir é fazê-lo à francesa; mas lá estão eles a contrariar, dizendo que é à inglesa. Seria ainda mais ocioso que suicidar-se - e, em todo o caso, fazê-lo como escritor credível - tentar imputar aos habitantes da Albion a prática, no seu todo. Mas Etienne de Jouy não hesitou em dizer que a maior objecção contra o suicídio é que ele encontra frequentemente a fonte numa vil mania que nos vem de Inglaterra e que nós tomámos por moda, como os jockeys e os cavalos de cauda curta, as «Noites» de Young e spencers. Os ingleses matam-se para se desenfastiar. Deixemos-lhes esse passatempo que não convém ao nosso carácter nem ao nosso clima.
E, contudo, o delírio como prefácio acaba por ser truque expedito para transformar uma sentença moral de conclusão quase num dito de espírito:
o suicídio é frequentemente um crime, por vezes uma mania, raramente uma desculpa e quase sempre um erro de cálculo.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Fazer o Bem

Leitura de um apanhado biográfico de Helena (Charles) Sanders, ou de como uma vontade sem quebra guiou sempre a vida pelo meio do sacrifício - mas não da eliminação - da joie de vivre, em prol dos necessitados de auxílio. Imersa no activismo social de inspiração Cristã a favor dos desmunidos primeiro, dos refugiados Judaicos escapados ao Hitlerianismo mas também aos Bolchevistas, mais tarde, poria em prática a filantropia em nome de uma ideação Ecuménica que a resgatara ao Anglo-Catolicismo, mas muito tributário da nostalgia da Comunidade Social Medieva que os Neo-Rafaelitas tinham propagandeado. Assim a ardente Conservadora que era se insurgiu contra a vertente mais abertamente capitalista e concorrencial do Partido, acabando numa visão pela Própria adstrita à de Chesterton, de suave afastamento e descrença dos e nos governos do Demo-Liberalismo.
A ânsia de ajudar os deslocados sem lar empurrou-a para o Sionismo, numa luta contra as reservas pró-Árabes do Departamento Governamental Britânico correspondente, protagonizadas pelo que se pensava ser um zeloso funcionário cumpridor das instruções do seu Ministério e era coisa afinal bem diferente e mais assanhada, um agente do Moscovo de então. O seu nome era Kim Philby...
E por fim, a descoberta de Veneza, numas férias com o Marido; e do estado de abandono e de crueldade em que fora deixada uma população de gatos muitas vezes sobredimensionada em relação ao ideal de 6.000. Introduzidos por um Doge medieval, importados da Síria, tinham visto pagar o cumprimento da sua missão de combate aos ratos com a hostilidade dos "civilizadíssimos" habitantes do Século XX e, vergonha das vergonhas, das autoridades que com eles concorriam na matança e no desprezo. Teve de enfrentar, na campanha de esterilização e tratamento veterinário que desenvolveu, a hostilidade dos organismos oficiais, temerosos de perder receitas turísticas, que a tentaram etiquetar, numa inversão propagandística, como inimiga dos Felinos. E suportou igualmente a contrariedade da corrupção que minou algumas das organizações aliadas na cruzada que desenvolveu, até que, finalmente, conseguiu inverter a mentalidade, sendo hoje os bichanos da Rainha do Adriático dos mais bem tratados e queridos em todo o Mundo.
E, pormenor curioso, com pontos de vista tão diferentes dos do anti-semitismo de Ezra Pound, sempre se sentiu irmanada a ele no esforço desenvolvido pelo Autor dos «Cantos» nos dois continentes, contra os maus tratos à gataria.
Não sei se um dia irei para o Céu. Mas tenho fortes desconfianças de que Ela se encontra Lá.

Posted by PicasaNo dia da apresentação na Corte.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Trabalho Mal Empregado

Muitas, muitas coisas me fazem duvidar do acerto e visão da recente escolha do Sr. David Cameron para leader dos Tories do Reino Unido, mas estou 100% de acordo com a ideia de obrigar os desempregados de longa duração inscritos nas benesses dos centros de emprego a trabalho a favor da Comunidade. Passo por cima da simpática concepção de voluntariado. Nem é o revanchismo do vai trabalhar malandro!, nem sequer a justiça algo desprovida de compaixão que protesta contra a ociosidade subvencionada. O que me move é, em primeira linha, a diminuição da hostilidade da maioria da População contra o que considera parasitas. Vendo-os esforçando-se, quero crer que muitas das tensões e más vontades se esvairiam. Para além de uma fracção dos afectados que se esforçaria mais por empregar-se, já que mal por mal, antes sofrivelmente retribuído...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Duração

A Rainha por Dorothy WildingA Rainha Isabel II tornou-se a mais idosa Monarca do Reino Unido. O estatuto actual dos Monarcas Britânicos pode ser prejudicado por uma prensa, tendo de um lado os que ambicionam testemunhar o confronto e a recriminação em todos os patamares institucionais; e do outro aqueles que desejam ver na Realeza a força de coesão que se substitua aos partidos destruidores na orientação do Poder. Acredito que são os Segundos que têm a razão, só podendo uma Nação ser feliz quando os governantes forem chamados, a partir de Cima, em vez de tentarem escalar à custa de campanhas mobilizadoras contra compatriotas seus.
Mas isso não obsta a que repudie veementemente todas as manifestações de desapreço ou desprezo pelas Coroas em que as eleições partidárias dominam. O conforto de um Ser Humano que, sem ter escolhido carreira, se devota às obrigações de continuidade que minorem os sobressaltos de um Povo é instância apaziguadora em todos os que sentem dissipar-se a memória dos que nos geraram, ofuscada pelas notícias tumultuosas da Actualidade. Saber que somos súbditos de Quem Pais e Avós também foram e que idêntico vínculo nos prolonga retrospectivamente na relação com os antepassados do Ente Reinante é, dentro da Espécie, a melhor maneira de combater os avatares da brevidade - modas de ideias, sufrágios de mudança, consumismo, divórcios, mobilidades forçadas de empregos e residências.
Os parabéns que são reafirmados referem-se sempre à duração, que é o contrário da vergonha de si. E que aqui ficam dados

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Decisão Descabelada

Conhece o Leitor a origem do termo pau de cabeleira? Pois deve-se a Alexandre Herculano a popular expresão, num queixume que soltou por, estando na companhia de Garrett, este se ter afastado alguns metros dele para ir namoriscar uma Dama, deixando-o, segundo a imagem escolhida, numa posição semelhante às dos paus em que os cabeleireiros costumavam pendurar as perucas.
Eis que vem agora o Responsável da tutela dizer que os Juízes britânicos vão deixar de usar o adereço emblemático que os celebrizou. Dado que a entrada do acréscimo capilar imperou nos imaginários mais díspares em paralelo com uma Justiça-modelo é de ficar apreensivo quanto às hipóteses de os magistrados escaparem à fama de estar a mais que estigmatiza os vigilantes dos namoros. Aliás, onde custa, em matéria criminal, o caracóis pelos ombros continuarão a desempenhar a função de solenidade que lhes está há tanto tempo cometida. A inovação aplica-se apenas a esses "domínios menores", o Cível e a Família. Poderá ser impulso análogo ao que por cá transfere divórcios para Conservatórias do Registo Civil. Não quero crer que seja o reconhecimento de que se torna impossível ser justo e justiceiro, em tais âmbitos!

sábado, 31 de março de 2007

Filhos e Enteados


É este um momento de desclassificação. Não tanto do documento que se dá aos olhos do Mundo, apesar de ele se encartar no estatuto de "CONFIDENCIAL", mas decerto do Portugal que não soube, oficialmente, honrar como devia os seus filhos mais ilustres. Trata-se de uma carta escrita, na perspectiva da viagem do Presidente Craveiro Lopes a Inglaterra, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Cunha, por um um dos colaboradores directos e breve biógrafo do Marquês de Soveral, o diplomata Amadeu Ferreira de Almeida, pugnando por um gesto de reconhecimento da Nação para com um dos que mais lustro lhe deram aos olhos dessa Europa que a prosápia abrilina julga ter descoberto e feito descobrir-nos, ao menos na contemporaneidade.
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Permito-me destacar um excerto:
Como a sua memória ainda se nâo apagou em Londres onde ficou vivendo depois da República mantendo sempre a sua situaçâo, é possível que alguém fale dele a Vossa Excelencia durante a proxima viagem presidencial, por ter sido o mais solido elo que jamais uniu a Inglaterra e Portugal.
E' pois meu dever informar V. Excelencia -- por isto poder ser remediado por iniciativa de V. Excelencia -- do mau efeito que causou em Londres, e sobre tudo na côrte (que chegou ao ponto de o mandar trazer a Lisboa no Yacht Real), o abandono a que o votou, ha 30 anos, a Nação que tâo brilhantemente serviu, nâo repatriando (como hoje faria a qualquer ministro morto no estrangeiro) e deixando que ficasse sepultado, por favor duma familia estrangeira, numa cripta rasa do cemiterio de Père La Chaise em Paris, onde apenas uma placa solta de dois palmos, diz: Marquis de Soveral - e mais nada! e por isto destinada a desaparecer.
Em vista do que o Governo fez pelo Sr. Teixeira Gomes que lhe sucedeu (com quem servi dois ans como 1º Sec.) e que nunca logrou ter na côrte situaçâo alguma, porque ali via sempre soveral no 1º lugar, do que sâo testemunhas os Embaixadores Conde de Tovar e Dr. Joâo de Bianchi (Valparaiso) parece justo que o Marquês de Soveral fôsse tambem transladado para Lisboa, e mesmo para os Jeronimos, abrindo assim um honroso precedente e um incentivo para os Diplomatas Portugueses que o merecessem.
(...)
Pensarà V. Excelencia que a Inglaterra homenageou o Sr. T. Gomes na ultima semana da sua estada em Londres. Nada foi porem feito ao Sr. Gomes mas ao presidente eleito da República amiga, e sò por isso foi condecorado, trazido a Lisboa num destroyer e mesmo feito Dr. Honoris Causa de Cambridge, sem possuir curso algum superior! caso único na história universitária, mas que (em) Inglaterra nem por sombras poderiam supor!
Texto aqui deixado como libelo a uma forma de estado que insiste em promover os homens de partido - desde que seja o seu, está bom de ver -, e mandar para a "roda dos expostos" dos falecidos os que serviram o País com brilho, fora dele. É a diferença entre os Expoentes da Pátria e os filhos da (re)pública.