
Seria possível, entretanto, pensar que Sócrates quer proibir o brilharete artificial em algumas línguas muito por causa das gritantes incapacidades naturais próprias. A curta
felicitação telefónica a Zapatero apresenta, segundo os especialistas, mais erros do que a condescendência pode aceitar. Mas, atenção, a incapacidade linguística inscreve-se numa tradição da
longa noite Socialista, com o sucedâneo do Francês que caracterizava Soares, mas igualmente... o Castelhano que tentava um Guterres desenvolto noutros idiomas. Só Sampaio salvava a honra do convento.
Mas há uma tradição nacional mais alargada, de restringir o Espanhol a um "Português com diferente entoação" com a decorrente catástrofe. E há até um texto grande de Eça, a carta de Fradique Mendes
a Madame S., em que a tenta demover de pôr o filho a aprender o idioma de
Nuestros Hermanos, aconselhando-lhe, em contrapartida, a que, com o mesmo mestre, o fizesse receber lições de guitarra. Tudo em nome da função adjectiva do poliglotismo, bem como da desconfiança que inspiraria demasiada perfeição em língua alheia.
Tudo isto o P-M poderia invocar e nem interessa por aí além. Mas importaria muito tentar perceber por que razão se fez filmar nessas infelizes circunstâncias. Os mais inocentes dirão que para cavalgar uma vitória da cor, em momento difícil. Aos outros fica a escolha entre duas opções - uma, mais jocosa, que imputasse ao exibic(o)inismo telecomunicacional a tentativa de inculcar que o
quinze em Inglês Técnico não fora assim tão injusto, já que o Espanhol Cordial, esse sim, era desastre completo; a outra é muito mais grave: tentar que o
fait-divers aspire as atenções assestáveis a incompetências muito maiores e canalizem para a mera troça as forças da contestação.