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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Audiência de Conciliação

Vê, Querida Amiga, como se pode pedalar com elevação? O cicloturismo não é incompatível com as alturas, como poderá comprovar quem aumente a imagem, clicando-a. Claro que estas ascensões desvalorizariam muito qualquer camisola pintalgada de Prémio de Montanha...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Está Explicado!

Fui visitar a Cristina, mas não estava em casa, tinha ido experimentar o bólide duma Amiga...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Arejar as Ideias

Com tanto planeamento de como planar, V. Ex.ª deixou de mandar o blogue para o ar. Buuuu! Balonista de bancada! Mas talvez tenha sido o receio justificado por acidentes como o deste parapente, mistura de gene do paraquedas com gene do grande auxiliar da domação da trunfa, transformando-a em trunfo.
Entretanto, para aplacar temores e como hoje se celebra o aniversário do célebre balonista Blanchard, sugiro a retoma do engenho que o fez subir em Bruxelas, por 1786 - um pára-quedas ligado por uma estaca ao balão principal e sustentado por um mais pequeno, o ideal para Quem não quer ir de guarda-chuva a estas aventuras...

domingo, 29 de junho de 2008

Sétimo Céu

Esta imagem deixou-me extasiado, por lembrar o meio em que se move a Cristina (só às vezes, eu sei), o curriculum da Ana, o convite para o chá no link da Once, o mais privilegiado dos Caminhos, o Celeste, da Júlia, a flutuação da Fugidia, a eliminação das realidades chãs pela Luísa e a anterior actividade da Nocas...
Até que dei pelo título - Graça de ClaraLucia. Está tudo explicado.

sábado, 28 de junho de 2008

A Cajadada

Bolas de Ícaro de Christophe Demarez

Dois coelhos de uma só: mostro que a via aqui dada pela nossa Amiga das nuvens é uma queda em contemplações que não se acha na alegria sem risco de dois apetrechos perigosos, desde que reduzidos pela imaginação humana a proporções incompatíveis com o acidente que gere quedas livres. E nunca pensei arranjar uma maneira aceitável de mandar a Ana Vidal fazer bolas de sabão!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Síndroma do Iô-Iô

Uma Querida Amiga quis à força mergulhar na radicalidade dos desportos com o balonismo, saltando de imediato para o paraquedismo. Em bom rigor, são tradições associadas no imaginário dos povos, porquanto, muito antes de Garnerin juntar ambos os utensílios, usando um balão para ascender e uma espécie de paraquedas para descer com suavidade, em 1797, já as publicações satíricas francesas davam à estampa gravuras como esta, de Damas e Gentis-Homens a fazerem sobe e desce nos céus.
A sátira não poupa quem quer que seja. E quando o famoso Nadar recorreu a um dirigível, Le Géant, para se tornar pioneiro da fotografia aérea, logo houve fraco versejador luso que poetou:
Se já é perigo «nadar» no mar,
Que fará «nadar» no ar!
Nada! nada! «Nadar» por «nadar»
Antes «nadar« no mar...
«Nadar» que nade, se lhe apraz
«Nadar», no ar.
Sei que a Ana Se sentirá mais irmanada a Victor Hugo que lançou sobre o balonismo:
Comme une éruption de folie et de joie,
Quand, aprés six mille ans, dans la fatale voie,
Défaite brusquement par l´invisible main,
La pesanteur, liée au pied du genre humain,
Le brisa: cette châine était toutes les châines!
Tout s´envola dans l´homme, et les fureurs, les haines,
Les chiméres, la force evanouie enfin,
L´ignorance et l´erreur, la misére et la faim...


O Tempo demonstrou que não era propriamente a panaceia, mas é sonho lindo e, na Nossa Amiga, inofensivo. O princípio do balão é o da festa, o do pára-quedas, até pela semelhança dos originais com o guarda-chuva, o da segurança. E como alguém disse que este não passava de uma bengala de saias, está muito próprio reservar a uma Senhora a capacidade fantasista que esta combinação dá. Fruir o turismo das imensidões, sem brusquidão e fazendo a ida e a volta por diferentes vias! Apesar da transversalidade de géneros que os desejos de elevar-se e evitar quedas fatais gozam. O sonho comanda a vida, não é?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Olhó Balão...

...em noite de São João! Talvez por já estarmos próximos, a Ana Vidal anuncia esta intenção. Pois eu contraponho o publicitário desenho de Timberps, por o achar elucidativo das minhas reacções a Respeito: para ir atrás Dela, poria facilmente de parte o enraizamento que não me deixa sair do lugar em que estou. Mas, a bem dizer, é o que a Companhia da Balonista já vai fazendo - o milagre de elevar-me.

domingo, 8 de junho de 2008

Oceanário de Nós

Em Busca do Mar de Rob GonsalvesComo dar préstimo a uma Jornada Internacional? A de hoje - dos Oceanos - não apresenta problema de maior. Começando por render justiça à Amiga que vive nas Nuvens, celebrando os barcos que das nossas costas os conquistaram, podemos ilustrar com a pintura supra, angustiante sugestão, não apenas de nos irem faltando as descobertas heróicas que nos redimam, como, menos imageticamente, de estragarmos sem rebuço os recursos naturais de um meio, o qual, se não acabará, pode ficar irremediavelmente comprometido. É na inconsciência que nos faça Cains deste Abel que ganha pertinência a consideração de um vínculo fraterno entre a Humanidade e as Águas, lembrando-nos - bem precisados nos mostramos - de o domínio das ondas só ser verdadeiramente grande quando não as agredimos irremediavelmente, isto é, quando não perdemos o dos nossos actos. De Baudelaire, traduzido por Amorim de Carvalho,

O HOMEM E O MAR

Homem, tu prezarás o mar eternamente!
o mar é o teu espelho: a tua alma sondas
no desenrolamento intérmino das ondas;
tu´alma é qual o mar, escuro abismo ingente.

Com estranha alegria abraças tua imagem,
quando te banhas nele; e estremeces ouvindo
o teu próprio rumor no seu rumor infindo
- êste eterno lamento, indómito, selvagem.

Tenebrosos vós sois, recatados, discretos:
homem, ninguém sondou as tuas profundezas!
mar, ninguém te conhece as íntimas riquezas!
tanto nos ocultais vossos meandros secretos!

E os séculos, porém, passam inumeráveis,
e vós vos combateis sem piedade e remorso,
com tal ânsia empregais na luta o vosso esforço!
lutadores de sempre! ó irmãos implacáveis!


domingo, 25 de maio de 2008

Os Dias da Rádio

Costumo assumir com candura a condição de repelido das televisões, pela degradação que se vem observando, em crescendo, no apelo superficial a que as imagens recorrem. Também assim em matéria de debate, cada vez mais orientado para a impressão colhida pelo olhar, desde o primeiro televisionado em marga escala, o de Kennedy contra Nixon, em que os meros auditores deram vitória substantiva ao então Vice-Presidente, o contrário do que aconteceu com os telespectadores, que preferiram o jovem Senador.Também no comentarismo, pouco a pouco, tenho canalizado a minha atenção para a Rádio, de onde julgo poder extrair-se mais sumo. Desde os tempos heróicos do «Flashback», apesar de a presença de actores políticos activos poder prejudicar a qualidade da troca de pontos de vista, pelos pontitos que quisessem marcar. Sem tais contras, gosto de ouvir o «Com Sal e Pimenta», nos Sábados da Renascença. Sem voos de águia, mas com senso e alguma sensibilidade, Francisco Sarsfield Cabral, Manuel de Lucena e João César das Neves costumam passar em revista os factos importantes da semana, tocando com seriedade as feridas mais importantes.
Mas isto, até ontem. Aí, foi o descalabro, quando se puseram a falar do que poderia, para além da vice-presidência, ser dado para satisfazer as ambições de Mrs. Clinton e fazê-la apoiar Obama. Concordaram todos, num unanimismo desconsolador, que a Presidência do Senado estaria em cima da mesa. Quanto mais fundo iam,... mais se enterravam, deixando clara a confusão entre as duas câmaras e a ignorância de que é a Alta, a dos Senadores, a que pertence Clinton, a que automaticamente é presidida pelo... Vice-Presidente. Foi confrangedor como manifestação da falta de estudo do tema que se propunham tratar. A minha ligação à telefonia sem fios, que me dava a ilusão de liberdade, face ao pequeno écrã, já conheceu melhores dias. Doravante, continuarei a ligá-la, mas como ruído de fundo dos meus almoços de Sábado, simplesmente.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Leonardo Sem Códigos

Muito do terreno que se preparou para as ficções esotéricas de Leonardo Da Vinci se deve às cumulativas qualidades da Genialidade multifacetada e da abstenção de participar na vida social do tempo. A nossa tendência para recriar o que é admirável sob uma multitude de pontos de vista poderia compreender, sem mais, um homem dos sete ofícios, como Bemjamin Franklin, desde que lhe conhece os apoios de as fraquezas comuns à maior parte dos seres humanos. Com o Renascentista, a 15 de Abril nascido, é diferente, a reserva de si, a recusa de se aplicar nas distracções e relaçoes da vida, ao contrário do que fizeram Rafael e até Miguel Ângelo exarcebariam forçosamente a já natural mitificação de um sobredotado em muitos domínios, fazendo sonhar os admiradores sobre o ou um segredo que o moveria.
Para mim, nada mais apto a simbolizar a globalidade do seu esforço do que o projecto do helicóptero. O desenho desta máquina, que retomava o princípio das engenhocas de penas giratórias dos Chineses da Era Antiga, proclama o próprio princípio que mais facilmente associamos ao Génio, o daquele que se consegue elevar sem necessidade de exibir o balanço tomado.
Não sei se terá sido em intento de homenagem, mas calhou o primeiro helicóptero moderno a subir coisa que se visse, o de Enrico Forlanini, à direita, a triunfar dessa experiência no dia de 1877 em que se comemorava o aniversário do Autor da Última Ceia. Na concepção que ambos partilharam um outro indício há de que o invento encerra um simbolismo acrescido - e não menos feliz - do legado davinciano: o de que os dons invulgares, quando portadores de uma dimensão esmagadora e pretextos de secretismo, não param de fazer a cabeça do comum dos mortais andar à roda.

sábado, 22 de março de 2008

Cabeças No Ar

Monumento à Glória da Aviação de Lona von Zamboni, representada no medalhãoNa noite de 22 de Março de 1915 um Zeppelin largava umas bombas precursoras sobre as estações parisienses de Saint Lazaire e Nord. Ficava assim deitado por terra o dom profético que Victor Hugo se imaginara e a cuja aceitação universal quase obrigara, entre outras escrevendo:
O balão dirigível é a supressão imediata, absoluta, instantânea, universal, simultânea e definitiva de todas as fronteiras. O guarda-barreira de Erquelines gritará: «Alto! A Alfândega!» - e já o areostato irá a uma légua de distância! São todas as separações abolidas! É a evaporação dos exércitos, e de todas as coisas da guerra. É a colossal revolução pacífica. É o arrombamento da velha gaiola dos séculos. É a imensa libertação do género humano!
Perguntar-me-ão: caso isolado de um irrealista toldado pela necessidade de acreditar nas próprias exclamações? Bem, mas gente menos hipotecada ao Estro, com responsabilidades bem chãs, dizia:
A aviação fundará o regime do Direito e deste nascerá a paz social e a justiça internacional! - Léon Bourgeois, o mesmo que depositava iguais esperanças na Sociedade das Nações, com idênticos e trágicos desmentidos.
Como já em 1910, F. Mallet, sobre o aeroplano: o admirável aparelho que jamais poderá ser enodoado pelo sangue das batalhas.
Tendo perante nós toda a História posterior, em que a Guerra Aérea e os bombardeamentos a partir dos céus se tornaram o principal meio de combate e destruição, caso será para perguntar se estes homens eminentes não seriam cultos demais para a inteligência que possuíam, para tanto confiarem e ainda mais errarem. É o pacifismo obtuso que tem por mau todo o Passado e se acha predisposto a entregar-se de corpo e alma à primeira inovação da esquina, mesmo que ela acarrete consequências imprevisíveis, muito mais desoladoras.
Não se pense que era um sentimento universal. Nos primeiros tempos do balonismo aerostático muitos dos chamados Simples pressentiram que coisas ruins poderiam dali vir, embora circunscrevendo os receios à ameaça mais imediata que conseguiam conceber aos respectivos haveres - que os ladrões utilizassem os engenhos para melhores roubos e fugas. Tanto nas Ilhas Britânicas como no Continente houve manifestações populares para a criação de uma polícia aérea.
O optimismo é o ópio de alguns letrados.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A Vida A Salto

Como o final foi feliz pode-se brincar à vontade sobre esta variante de uns Pais quererem ver a Filha bem lançada na vida. Mas é situação que não deixará de tocar os mais empedernidos o dilema, sem tempo para sopesar as opções, de deixar ser afectado pelo fogo ou precipitar das alturas, sem garantias de sucesso, um ser tão frágil e tão amado. Uma coisa é certa, o catcher que deveria superar todos os vencimentos milonários do baisebol profissional encarna em agente da polícia que agarra sem tremer uma bola daquelas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Volta à Estaca Zero

Ao meu Leitor que tenda à cisma sobre como pode um avião de combate moderno acabado de sair da oficina onde, a priori, o melhoraram, ter uma falha técnica tão grave que o leve a despenhar-se, antes das comissões de inquérito de inconclusivos pareceres, quero adiantar uma possibilidade: transformaram o aparelho num vampiro. Reparai, modificaram-no para lhe permitir missões nocturnas e, logo a seguir, ele sucumbe, quando banhado pela luz. E aos que ainda duvidem, é verificar o custo de cada aeronave: se vinte milhões de euros não é sugar-nos o sangue todo...
Mas atenção, não sou daqueles que se insurgem contra as dispendiosas aquisições na Defesa. Ora vejam aqui ao lado como a vampiragem nos pode proteger, também noutros domínios!
*
Parece esta evidência não comover a T, Que nos vem oferecer estojo de caçador desses mortos-vivos chupistas. Querida Amiga, quando falei em estaca era no sentido da que facilita enraizamentos em (agri)culturas, não nesses instrumentos de pulverização de ameaças, ou sequer nas metaforicamente usadas noutros seres fantásticos, como os anunciados de seguida:


Mas tenho a certeza de que este Mundo Lhe agrada tanto que não desgostaria de usar no pescocinho uma jóia representativa do sangue escorrendo de uma boa ferradela de dentuça:

COMO VAI SAIR DESTA, DIZ-ME?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Condição da Vida

Nas Nuvens de PerezÀ nossa volta cresce o volume do achincalhamento da interrogação do Além, tido como perturbação que uma ida à farmácia resolve, em vez de admitido prelúdio à Paz absoluta do embalo na Verdade que só o exercício espiritual da Procura permite, como olvido de que é a devolução líquida do que as Nuvens contêm que permite a Vida em qualquer dimensão.
Porque a aspiração a essa tranquilidade final é identificada com um adormecimento fautor de surdez aos apelos cá de baixo, os tais que deveriam ser vistos como duvidosos, no sentido de suspeitos, não já no de exercício mental de procura. É que são os que necessitam de monopolizar a propaganda mais terra a terra que é a Publicidade, excluindo Uma mais constante e serena, qual seja o Apostolado. Se cedermos a essa renúncia, acabaremos por vergar à abdicação de Crescimento Interior, indubitavelmente o pior dos conformismos.
Quero dedicar este postal à Cristina Ribeiro e a Todos os que experimentaram tormentos do mesmo teor.
O Enigma Interminável de Dali
De Luís Quintais:

NUVENS

A metafísica será talvez
uma indisposição que se quer passageira.

Porém, eu continuo a inquietar-me
com as nuvens que são arrastadas,

violentamente arrastadas, na direcção sudeste,
filtrando a luz do sol em obsessiva correria.

Rota de Colisão

É consensual a noção de que o uso de espiões é um boomerang que se pode voltar contra os empregadores. E sempre tive por seguro que o fim do nosso planeta seria desencadeado pelo próprio Homem, eternamente à procura de ameaças exteriores que o distraiam da maior, que é ele próprio. Assim, falhadas datas avançadas por profetas para o embate do meteorito que com esta história acabaria, como distando ainda uns anos o choque que outros futurólogos, os cientistas da NASA, calculam para Fevereiro de 2019,era fatal que a técnica apressasse a coisa e levasse um satélite de espionagem descontrolado a ameaçar-nos para breve. Cairá pela Grande Lisboa? Sinto-me como os Gauleses da Aldeia Irredutível, mas sem a certeza do Chefe, o qual garante, acerca da ocorrência da temida queda do Céu sobre a cabeça, que amanhã não será a véspera desse dia.
Pode, evidentemente, o Fim do Mundo - ou de parte dele - ser visto como libertação. Basta abrir a garrafa ao lado, o que tornará muito mais fácil não falhar previsões...
No resto, ganha sentido amplificadíssimo o brocardo que diz ter a curiosidade morto o gato.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Elevação Desasada

Quer a Dona T saber a que parte do corpo deve recorrer para voar. Pois bem, escusado será dizer que a Sua escrita nos transporta às Alturas, mas uma Amadora das sagas da Disney - como também Se confessa - deveria ter presente a possibilidade do leito nesse campo. Lembra-Se de «Se a Minha Cama Voasse...»?
Porém, há maneiras mais hard de o fazer. Sabe, segundo Leite de Vasconcelos, o que dizem as gentes de Gundifelos do «Livro de São Cipriano»? Que ler o livro dele é pecado; mas quem o ler assobe ás nubes sem asas.
E em Guimarães rezam-Lhe assim:
Meu Sã Supriano,
Meu Sã Suprianinho,
Meu feiticeiro,
Meu feiticeirinho,
No mar andaste
Onze virges encontrastes
Com elas falastes,
Comestes e bebestes;
Vossa sorte botastes,
Milhor a tirastes:
Dizei-me agora a minha
P´ra saber se casarei.

Nuvens, Guimarães... Isto não está mesmo a pedir a intervenção de Certa Amiga, Nefelibata em part-time da Cidade-Berço, para dar umas dicas? É mil vezes melhor do que tomar Redbull!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Parangonas Reveladoras

Nada como recorrer à linguagem desportiva para fingir que, porque tangencial, a derrota foi um resultado digno...
*
E não há dúvida de que um aeroporto é o ideal para trazer à terra certas receitas:

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ecos de Paris

Uf! Não é fácil esperar que assente a poeira do Dakar! Se realizado, por ser imensa a areia levantada; frustrado, por a polémica acerca do cancelamento e da deslocalização persistir.
Sobre o abandono de África mantendo a designação, não vejo inconveniente, desde que não sejam eleitas paragens de uma América que nada tem a ver com o nome que é o da capital senegalesa. Sugiro antes uma situação mais a Norte: existe uma Dakar, Texas, como existia a célebre Paris do imortal filme de Wenders. E espaço adequado não falta no Lone Star State.
Para os que resistam em fazer intervir os aviões de transporte durante tantas horas, para sobrevoar o Atlântico, lembraria que a prova automobilística não era bem um rally, mas um raid, com uma progressão diferente das curtas classificativas de performance tendencialmente separada, da generalidade das provas automobilísticas que tomam aquele nome. E que o primeiro raid que finalizou na famosa cidade da costa Oeste-Africana foi o dos pioneiros da Aviação Joseph Vuillemin/Chalus, os quais desempenharam em França o papel que haveria de caber cá a Gago Coutinho e Sacadura Cabral. O primeiro é hoje mais recordado nos Manuais de História por ter sido o Chefe de Estado Maior da Aviação Francesa na Guerra que começou em 1939. Todavia, em 1920, tinha atravessado os desertos mais inóspitos para chegar à importante povoação da África Ocidental Francesa, feito documentado pela imagem.
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cortina de Fumo

Jogo de Cartas de Claudia RubinsteinO dirigente sindical dos Croupiers & associados tem todo o direito de protestar contra a esperteza de quem alega que os estabelecimentos de jogo não se acham abrancidos pelo novíssimo interdito de fumar, pois tal entendimento implicaria discriminação na disciplina dos locais e condições de trabalho, com funestas consequências para a saúde de quem lá exerce a profissão. O recinto é fechado? Está mais do que abrangido, a menos que se defenda que quem joga a bolsa também não tem em grande conta a vida, o que seria fundamento para excepção, alargável a quem disso tire qualquer proveito.
A verdade é que a fumarada que vicia esses ambientes, toldando o discernimento dos escravos do jogo, nada é, quando comparada com a desculpa de mau pagador com que o Director da ASAE tenta encobrir o incumprimento da lei em que incorreu. E que corresponde à história de sempre, em regimes pouco escrupulosos - quem tem a faca e o queijo na mão não precisa de se preocupar com regras. Essas são para os outros.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

As Subidas de Ontem

Foi no célebre 17 de Dezembro de 1903 que os irmãos Wright se deixaram de planar a partir das dunas e aplicaram na construção de um motor que lhes elevasse as asas a sua habilidade para a mecânica. Tendo começado por construir os seus próprios brinquedos, mantiveram esse vício até ao fim. Abrindo depois uma loja de bicicletas, não perderam de vista a componente desportiva do exercício. Fornecedores de acessórios mecânicos da sua aldeia, em que cada parafuso era uma peça única, só a comercialização e banalização dos voos poderia relativizar-lhes os trabalhos pioneiros. Porque, por muito que se impute genealogicamente às rotas aéreas do nosso quotidiano esta ancestralidade ilustre, o espírito é o oposto, trata-se de promover o comodismo onde nos primórdios do Século XX se expandia a excelência do esforço.