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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Alea dos Namorados

Dados em Movimento de Steve HamblinJá comentei o célebre exame de Matemática quanto à admitida facilidade. Falta porém dizer algo sobre estas declarações do responsável pela concepção. Não lembra ao danado dizer que uma rasteira em exame é avaliação aleatória. Mas lembrou a este senhor. Não se percebe como uma solução matemática de problemas deste nível possa depender de acontecimentos incertos, ou futuros, que são os sentidos que para a palavra o dicionário dá. As chamadas rasteiras são meras dificuldades menos evidentes, cuja identificção e ultrapassagem serve bastante bem para aquilatar da capacidade de um aluno. O declarante explica então que o examinando pode estar num dia mau. Ah, pois pode. Muitas vezes até por ter tido os anteriores como excelentes. Mas a vida é assim, nem todas as auroras são ridentes. E ainda não se conseguiu com essa desculpa evitar que a Existência em geral deixe de nos passar... rasteiras. Esta justificação rasteira para uma abdicação do dever de exigência é que deve ser imputada a um dia mau do supremo arquitecto da prova, que mais não fez do que, com o presente de uma prova de chacha, namorar os que a realizaram.
Salazar, quando um dia lhe sugeriram um nome para ocupar determinado cargo, objectou com umas quantas experiências infelizes anteriores do proposto. Retorquiram-lhe que tinham sido uns percalços, mas que se tratava de pessoa de grandes qualidades. Não o convenceram, pois retorquiu que teria de facto muitas qualidades essa pessoa, mas que, então, tinha também muito azar. E que o Serviço Público não podia servir-se de pessoas tão azaradas.
O Azar, a alea, esses eufenismos lusos da incompetência.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Línguas de Perguntadores

Não consigo concordar com a proposta do PP para os exames escolares. O caminho não pode ser privatizar as confecções dos mesmos, já que equivaleria a uma demissão do organismo de tutela, por a entrega a particulares não ser remédio seguro, conforme verificado na gestão hospitar, porque uma empresa do campo que visasse fundamentalmente lucro estaria ainda mais exposta ao perigo de traficâncias e contratações falseadoras e pela razão acrescida de que o monstro em que se tornou o Ministério da Educação deve justificar um poucochinho o astronómico número de funcionários. Há que entregar a tarefa aos competentes, ou, em não os havendo, substituir os que não servem.
Também não me agrada muito a criação do banco de dados com perguntas certificadas. Dependendo do acesso, com as seguranças sempre furáveis neste tempo de hackers, ainda transformaríamos as provas académicas num gigantesco

terça-feira, 24 de junho de 2008

Contas do Vigário

Concepção de exame de Matemática, segundo a Equipa da Ministra Milu

O Governo é socrático e Socialista, o que sendo mútua agravante, quer dizer que gosta de ter o Povo por tolo e de igualar por baixo. Eliminar dificuldades de percurso e mérito, não já formar espíritos que as vençam é a metodologia. Que admira então esta apoteose? Talvez, pensam, a Juventude fique suficientemente amolecida para os não apear... Só que pode haver erro... nas contas. E esse marasmo impedi-la de defender os seus pretensos benfeitores quando descobrir que a Vida não oferece facilidades iguais.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação Em Imagens

A Educação É Tudo de FragonardQue no lead desta notícia apareça sensação, que significa impressão, enquanto o Sr. Procurador Geral falou em sentimento, ou seja convicção íntima, não é grave, sensacional seria que, nos tempos que atravessamos, as crenças enraizadas se fundassem em coisa menos desmoronável do que a superficialidade.
O que me parece a todos os títulos pior é que o Ilustre Magistrado eleja como principal alvo da sua luta esse sentimento, ou essa sensação, e não a própria impunidade. Claro que inexistindo esta - que é o conteúdo da função para que lhe pagam - não sobreviriam sentimentos ou sensações do vazio, por geração espontânea. O mal está todo em S.Ex.ª, decerto com a melhor das intenções, embarcar na ideia de que o fulcro dos nossos problemas está em imagens, seja a que os prevaricadores fazem da imunidade à Lei que se imaginam, seja a da própria marca que pretende deixar.
*
Entretanto, quero transmitir-Vos chamada de atenção para um dos melhores textos que já li na Blogosfera. Não há manto de brilhantismo diáfano que escamoteie a profundidade desta percepção.
Bom Feriado!


Grandes Esperanças

Salomão, com a sabedoria que se lhe colou ao nome, ainda maior do que a ignorância da natureza humana dos descobridores da pólvora de hoje, dizia que nada há de novo debaixo do Sol.
Com efeito, na altura indicada pelo ano de edição, procedeu-se a uma monstruosa distribuição destes folhetos. Acham que resultou?
A disciplina de Educação Sexual no nosso sistema educativo ameaça configurar o mais clamoroso caso de insucesso escolar!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Quadro de Honra

Meditando sobre a monomania legislativa educacional do Bloco de Esquerda, Devo dizer que encaro com algum distanciamento as polémicas acerca da introdução (ai) da disciplina de Educação Sexual nas escolas. Não acredito que na mentalidade de fedelhos irresponsáveis a coisa venha a influenciar qualquer comportamento e tenho a certeza de que na parte deles mais alarve, a que tudo encara na base da risota cúmplice, o pobre professor que leccione esta matéria nunca poderá aparecer-hes com a dignidade mínima exigível. Mas como essas já são as situações correntes, a irresponsabilidade dos comportamentos e o desrespeito de quem ensina, nada se perde e, embora pouca coisa se transforme, pode ser que algum bem-comportadinho abstraído deste mundo lucre alguma coisa.Outro ponto é o da evaporação do prazer que a descoberta e a vaga atmosfera de transgressão acrescentam. Vejo a miudagem completamente privada desse afrodisíaco. Pensando numa e noutra das situações descritas, parece-me que elas só poderão ser contrariadas com uma panaceia para todos os males escolares - a recuperação de castigos à antiga, que mantenham a disciplina sem domesticar os apelos. Como colocar alguns alunos virados para a parede, conforme a imagem. Só que a eficácia contende com a justiça do método: nunca a medida poderia recair sobre discentes sem aproveitamento...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Futuro no Ensino

Eis a única forma de compatibilizar o projecto da actual Ministra para a classe docente com a erradicação da violência nas escolas. Por enquanto, episódios como este serão tidos pelo Ministério como integrando a experiência-piloto da avaliação dos Professores pelos Pais...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Escola de Vícios

Escola de Barbara KrólNa polémica entre o Procurador Geral da República e o Elemento do Ministério da Educação não me interessa um niquito sequer saber de os gangs são importados para as escolas, ou delas exportados. Suspeito de que não haverá uma regra, acontecendo nuns casos duma maneira e nos restantes da outra. O que importa é resolver o problema. E aí, eu, que sou um firme adepto da autonomia de cada estabelecimento de ensino em matéria estritamente pedagógica, pergunto-me se será avisado conceder igual latitude no apoio que é o exercício do poder disciplinar. Os professores não me parecem vocacionados para a repressão, por três ordens de razões: em primeiro ligar, no estado de coisas a que se deixou chegar a aprendizagem, são vistos e vêem-se como parte do conflito. Depois, porque deixando-se envolver no acompanhamento diário dos discentes, as simpatias e aversões geradas podem expô-los a acusações suplementares de quebras de imparcialidade. E em terceiro, porque lhes adivinho uma tentação de não punir severamente, quer por natural indulgência para com os pecadilhos da juventude, quer por se temerem desautorizados se não conseguirem resolver as crises em família. Julgo, aliás, que é muito por isso que tão poucas ocorrências graves serão participadas, como se queixou o Magistrado.
Deve ser sempre atribuída alguma capacidade punitiva aos corpos docentes, para preservar um princípio hierárquico sem o qual um sistema educativo imposto não pode funcionar. Mas para os casos mais problemáticos, a medida reactiva deveria ser decidida, sem prejuízo dos julgamentos pelos tribunais em matéria crime, por um sector do funcionalismo treinado para o efeito. De preferência tutelado por ministério diferente do da Educação. A ameaça de intervenção da frieza de estranhos de que os infractores potenciais não pudessem pensar conhecer os fracos, funcionaria, com toda a probabilidade, como elemento dissuasor.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Liga Que Liga

O caso que fez as delícias noticiosas dos últimos dias tem sido levado para o âmbito da indisciplina escolar, quando, a meu ver, esse é o aspecto secundário da questão. O cerne do problema julgo que reside em os alunos não serem assim tão diferentes da Sociedade que os fez, não em serem excepções a ela. Com efeito, quantos de nós não temos sido massacrados por telemóveis a tocar, em almoços, cinemas, missas, concertos? Não são similares faltas de respeito? O traço mais original, cá para mim, assentou na fúria com que a rapariga defendeu o aparelhómetro, como se fosse o seu bem mais precioso, o que também se encadeia numa longa procissão de deificação da maquineta, desde as adolescentes que fazem strips para a INTERNET a troco de carregamentos do tm, até aos miúdos que pedem aos pais esse acessório como prenda de Natal, porque todos os outros o têm.
Vedar a entrada deste flagelo nas escolas poderia ser uma solução, paralela à das taxas moderadoras na Saúde, ambas tendentes a restringir urgências imaginadas, mas não oferecendo a do ensino os problemas de insensibilidade ao sofrimento em que a dissuasão hospitalar incorre. Mas é esforço condenado - um célebre Sheriff do Oeste Americano também obrigou os arribantes à sua cidade a entregarem-lhe as armas, no acto de entrada. Houve sempre alguém que introduzisse subrepticiamente uma, para ganhar vantagem. E quem poderá montar um serviço de revistas que imponha a disciplina correspondente no Farwest dos nossos estabelecimentos de ensino?

O próprio nome da coisa nasceu torto, em Português. Telemóvel não me parecia definir grande coisa, ao contrário de telégrafo, televisão e telefone, a escrita, a visão e o som ao longe, respectivamente. Agora, "móvel da distância"? Até que o sucedido me fez perceber o mobil da coisa - a função primordial deste tesourinho deprimente é mover a distância, transferido-a da física que atinge as relações de cada aluno, para a da matéria que é leccionada nas aulas.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Pedagogia

D. T, depois da bela promessa que nos deixou, vendo o desempenho do ramo atrevido da imagem, vai haver muito macaco de imitação, pelo que será conveniente pôr cada um em seu galho. Mas há que começar pelo básico - ensinar-lhes as formas da bicicleta. Espero que o símio que escreve veja recompensado o seu labor...

domingo, 6 de janeiro de 2008

A Escola de Milu

Depois de muito porfiar, descobri, enfim, num alfarrábio, graças a F. Schklowsky/Flip Morton, a fonte de inspiração do mimetismo na Laicidade que vem iluminando o Ministério da Educação socrático em eliminações de crucifixos, normalização da classe docente e escolhas de nomes para as escolas...
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Fantasma Inominável

Escolas Assombradas, da filmagem de Hirayama Hideyuki

Que País afortunado é a França! Só lá, um tribunal a debruçar-se sobre a legitimidade de dar o nome de um ex-ministro a uma escola. E pronunciou-se pela negativa, apesar de o antigo responsável socialista pela cultura, Jack Lang, caber no critério do nosso Ministério da Educação para denominar os estabelecimentos de ensino, salvo para os que o tenham por santo. Se a moda pega, cá, com os tribunais atrasados e imersos em papelada, têmo-la tramada: nunca mais tratariam das outras questões e durante os dez anos que duraria a pendência, os distinguidos poderiam comprazer-se com a nomenclatura pedagógica!
O ex-governante disse que aceitou, por humildade, para evitar a suprema vaidade da recusa. Até percebo o raciocínio que põe por detrás da rejeição de algumas distinções o orgulho. Mas nunca me passaria pela cabeça associar a humildade a Lang! E o homem que diz eu fui (ou sou) humilde não precisa de acrescentar mais à confissão do alto conceito em que se tem.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Apagadores da História

Com a fúria dos revolucionários franceses que não se coibiram de mudar os nomes dos meses do Calendário e uma anti-religiosidade que não envergonha Afonso Costa, vem esta alarvidade que nos governa determinar a remoção dos nomes de Santos das escolas, devendo ser substituídos por vultos que se tenham distnguido na "Cultura, Ciência e Educação da região". O preconceito é tal que, à partida, excluem da proeminência em tais domínios os que acumulem a Santidade!
É natural que o Diabo fuja de ouvir os Nomes Santos. Proponho, desde já, para o sossegar, que dêem a todos os estabelecimentos de ensino do País o da Ministra da Educação...
*
Nota acrescentada às 17.45H: fico, graças à Inestimável Prestação do João Villalobos, ciente de que foi desmentida a substituição da nomenclatura. O caso, assim, muda de figura, porque, para o Futuro, têm os poderes constituídos inteira legitimidade para darem os nomes que queiram. Nunca se ouviu, da minha lavra, qualquer protesto contra prémios ou outras distinções, mesmo a figuras que execro, por entender sagrada a liberdade de dar, tanto quanto intangível o que dado foi.
Entretanto, a menos que seja desmentida a norma orientadora de evitação de referências religiosas, continua válido o postal, na parte do preconceito contra os contributos intelectuais dos Santos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Chazada

Estou mesmo a ver o refinamento do muito esmerado cerimonial de T, Júlia e Amigas. Seria um privilégio saboreá-lo e à simpatia associada.

Mas devo dizer que o refinado patife que sou está habituado, nos dias vulgares, ao serviço completo da Gueixa do Chá de Darci Simmons...
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sábado, 10 de novembro de 2007

Comunhão de Hábitos

Devo dizer que não gosto nem um bocadinho do costume de vestir as criancinhas com roupas conventuais para a cerimónia iniciática na Eucaristia. Tenho muito respeito pelos votos do Clero Regular para ver com bons olhos a apropriação das respectivas insígnias, numa espécie de carnaval, pouco compatível com a Dignidade da Ocasião. Acresce que se os uniformes de Frades e Freiras foram decalcados do trajar dos mendigos e das viúvas, com as renúncias à abundância e àquele amor correspondentes, esta usurpação de roupagens é execrável instigação a fingir-se superior ao que se é.
Na Família deste pirralho o entendimento dominante era contra. Mas houve uma lamentável cedência à choradeira da direcção do colégio onde andava, que achava muita graça à encenação. Razão abundante para não revelar a identidade do fedelho, assim irmanado a Teresa e Júlia...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Imagens da Leitura 3

A razão profunda de as Mulheres prezarem tanto as crianças não residirá só no enlevo perante uma inocência idealizada a partir da relativa fragilidade. Vive sobretudo do prolongamento de Si que nelas vêem, enquanto os carregamentos de experiência e noções não moldam uma pessoa diferente. Contrapartida da inquietude masculina perante esses seres meios loucos, sempre ensombrada pela incerteza do concreto em que se tornarão os seus herdeiros, donde a preocupação maior em fortalecê-los, para que uma continuidade honrosa seja garantida.
Está pois garantido o sucesso da representação desta imagem junto de ambos os géneros: a velocidade do aperfeiçoamento indiciada pela leitura precoce, por um lado, a impossibilidade de manter durante mais tempo a concentração, pelo outro. Ou uma substituição de outra metamorfose ambiental por outra - a narração do livro cedendo o lugar à potencialidade do sonho, correspondendo afinal à pessoalíssima volição que, intimamente, os adultos dirigem ao menino, o que nele encontram de próprio e o que para ele desejam.

sábado, 26 de maio de 2007

Pirilampos da Ribalta

Não contem comigo para sombra de acto da mais tola e reles solidariedade nacional para com os sacripantas que foram como turistas à Letónia e resolveram passar da condição semi-criminal à de pleno direito, mutilando bandeiras nacionais do País que os recebia. Quando era novo visitei algumas terras estrangeiras e apanhei não menor número de bebedeiras. Nem eu nem os que comigo travaram essas rudimentares formas de convívio caímos em condutas gratuitas que pudessem ofender os que nos acolhiam. Só espero que o simpático Estado Báltico não esteja demasiado obcecado em mostrar-se mais europeu do que os membros mais antigos da UE, ao ponto de não aplicar correctivo visível nos rapazolas. Nesse caso, a frase desculpabilizadora do cartaz publicado terá algum sentido: o merecimento que à fraqueza respeita.
*
Por que será que tudo o que nos chega da Irlanda tem um pouco de feérico? Até um acto pouco entusiasmante, como é o incidente eleitoral, nos traz uma atmosfera diferente. Nem falarei muito dos resultados, ou da ideologia dos dois partidos hegemónicos, que deram um apertão mais nos menores que sonhavam disputar-lhes algum espaço. Por cá cai-se na vulgaridade de dizer que o Fianna Fáil é de Centro-Esquerda e o seu principal rival de Centro-Direita. A realidade é muito mais complexa, nas partilhas do património da luta pela independência, tudo dependendo do ponto de vista do observador. Se económica e socialmente o partido do Sr. Ahern tem um historial mais hostil ao não-intervencionismo, nas questões político-morais estaria mais próximo do Catolicismo Tradicional, que, no entanto, também informa o seu adversário mais vigoroso.
Vamos, no entanto, à magia dos nomes: Fianna Fáil, os Soldados do Destino... não inculca um equilíbrio entre Moïra e o domínio das consequências da acção não igualado em lugar diverso, no Ocidente? O "Destino" para o transcendente, a condição militar que afasta o abandono das e às deserções...
Terra feliz, após muito ter penado.
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Bem me parecia! O afã de tanto político em querer criar a estulta e obtusa regra de uma vocal mas vazia "paridade" nas listas eleitorais tinha de trazer água no bico. Ou era coisa para se protegerem, que um homem público na partidocracia raramente é desinteressado, ou visava eliminar concorrência. Durante muitos anos houve mais Homens do que Mulheres a candidatar-se. Agora, quando a tendência é alterada, toca a garantir uma quotazita mínima, para subsistir, ou para afastar o Perigo para em longe, sob uma aparência generosa. Neste último caso está o chuto para o Espaço do Belo Sexo, com o pretexto de Lhe abrir a carreira da cosmonáutica. Prova do primeiro é a não-aceitação de uma lista do PP das Canárias composta inteiramente por Senhoras, querendo garantir a presença masculina. E repare-se que nas terreolas onde é mais difícil apresentar coisa semelhante, a protecção legal faz gala em não actuar. Depois queixem-se do machismo dos lugarejos, quando não há entidade mais machista do que a Lei! Se fosse para consagrar os hábitos sociais estabelecidos, também não haveria razão para os modificar nos grandes aglomerados. Qual! Os detentores do Poder sentiram foi de onde vinha o perigo. Cá para mim, já se sabe, quanto mais saias na vida pública melhor. E não defendo a Diáspora aplicada aos Escoceses...
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O Fim do Túnel, de Bob Nunn
Na sequência do alívio pressentido pelo meu Amigo Pedro Guedes quanto à reacção dos Lisboetas à obstrução, hoje em perda na Bolsa política, do Vereador Sá Fernandes ao túnel do Marquês, tenho de o justificar: o homem é dotado de presciência e apercebeu-se com anos de avanço desta situação. Só não conseguiu ver onde se localizava a marosca. E como Lisboa fica mais à mão que Reikjavyk...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Da Superioridade do Ensino



Tem a solidariedade institucional destas coisas: o Presidente Cavaco disse que era necessário reformar a Universidade e o Governo, pressuroso e voluntarista na tentativa de corresponder à preocupação de Belém, entendeu o alvitre no sentido de ser preciso mandar a instituição para a reforma. A aventada possibilidade de transformar faculdades em fundações não é, não pode ser num governo socialista, a pura rendição ao prestígio da magia do aligeiramento das responsabilidades do ministério da tutela. Nem parece que seja só um desforço perante uma instituição que, tendo facilitado os socráticos caminhos ínvios para o canudo, não soube calar o carácter, ahaaam, paralelo do mencionado percurso.
O caso tem alicerces mais antigos e radica no diagnóstico que há dois séculos nos fazemos de diplomomania aguda. No livro com capa reproduzida Domingos Tarrozo já ia resmungando:
N´este ditoso paiz, para se poder ser qualquer cousa ou tudo, é apenas necessário, - mas indispensável, - mostrar um trapo de papel, vergonhoso e humilhante, em que os professores encartados dos lyceus e das escolas superiores, - herdeiros e representantes da antiga esupidez do ensino e da velha ignorância nacional, digam em nome della: - «Acabamos de dar a este homem muita, boa e bem organisada massa cerebral: logo, fornecemos-lhe o espírito, o talento, a sciência e o genio. Cursou! Examinado! Approvado nas lindas disciplinas officiais. Pagou as propinas, tinha bom dinheiro e gastou-o. Por conseguinte, sabe tudo! Póde ser tudo! As leis assim o querem. Ahi vai um sábio!
Devo confessar que a minha atitude relativamente à Universidade é mais matizada. Não gostei nadinha dos cinco anos que lá passei e continuo a interrogar-me como puderam concluir o curso algumas luminárias que lá conheci. Mas o facto de vivermos numa Nação em que, apesar dos pesares, os dois maiores historiadores contemporâneos, Herculano e Oliveira Martins, não dispunham de qualquer canudo deve fazer-nos pensar duas vezes sobre a impenetrabilidade do alegado monopólio. O Autor, que dedica ao Segundo dos Expoentes referidos o seu livro, deveria ter pensado duas vezes sobre se essa intenção lhe não derrubará a tese.
É que se não deve confiar-se na uniformidade de pensamento ditada pela cátedra, que tenderá sempre a permitr apenas os limites de liberdade que julgue toleráveis, também no auto-didactismo existem fanatismos iguais ou superiores, com a agravante da ausência de rotinas metodológicas que constituam um apoio medíocre, mas ainda assim um apoio. Acresce que a capacidade de se mover em sistema adverso até atingir o estatuto que permita divergir pode não só ser triagem de qualidades, como aguçar uma arte académica que conceda princípios de asas aos mais carentes.
O problema não estava em prioridades concedidas aos diplomados, com o inerente prestígio com que eram olhados, como não está no facto de essa miragem ter conduzido a uma produção em série de habilitados a coisa nenhuma, por não haver a que os empregue. Estava, sim, em se ter abdicado de uma ideia elitista para o Ensino Superior, reduzindo-o a uma instilação de princípios que interagisse com o mercado, ou por ele fosse eliminada. Desde o princípio que se deveria formar os alunos universitários para formarem a elite do Estado, o seu funcionalismo, com uma disciplina rígida e uma mnistração de conhecimentos cujo eclectismo transcendesse, embora não eliminasse, especializações necessárias. Com a medida do que Serviço Público precisaria seria possível permitir aos excedentes o emprego em sectores que seriam meos respeitados, embora talvez pior remunerados, evitando a oferta desenfreada que conduz ao desemprego que nem é uma coisa, nem a outra.
Mas que não se caia no pensamento anti-universitário, nem na oficial concessão de particularizar (mesmo que não privatizar, note-se) cada terminal de ensino. Ou mergulharemos no domínio das seitas, sempre mais temível do que o das Igrejas.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Explicação da Cepa Torta

Momento de resgate nas Afinidades: confesso a Vós, Irmãos, que pequei certa vez, por minha culpa, minha tão grande culpa. Há uns bons vinte anos andava frustrado e insatisfeito com a situação académica em que estagnara. E procurei pioneiramente mais um grauzito, para o que enviei várias provas a potenciais reitores universitários, tendo o cuidado de preencher a lápis a mensagem de envio, para poder reciclá-la convenientemente. Infelizmente nenhum me deu os quinze valores que eram o mínimo aceitável. Talvez porque sou um homem de Hoje, quer dizer, do Vinte e Quatro de Abril e, em função dessa qualidade, não alcancei juntar papel timbrado, ou sequer cartão, de ajudante de ministro ou membro do Club de S. Bento. Foi este o que consegui arranjar e que dilucida as razões do inêxito. Mas uma coisa é certa, como sempre me esforcei por ser ser cortês para com os outros, conseguindo evitá-lo com a minha própria pessoa, não permiti que o tratamento social de "Mestre Réprobo" aparecesse no meu curriculum...