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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Got The Hint?

Cada vez gosto mais da subtileza Japonesa: conhecedores da língua materna do Presidente da CE, José Barroso, enquanto ele se reunia à penetra num G-8 muito mais mortal do que qualquer G-3, fizeram a Mulher andar num veículo a que deram o nome de i-real, clara alusão à postura do Comissário-Mor, além de ilustrar bem o estado do seu adorado Tratado de Lisboa - sem pernas para andar, ameaçando atirar a Europa para uma cadeira de rodas.
Uma chazada!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Gama de Missões

Como a 8 de Julho partiu o Grande Almirante para a descoberta da Rota das Índias, fui reler esta conferenciazinha muito bem escrita, que assenta no propósito anti-gaiola de cinco arames de conferir a esta Glória Pátria não apenas a representatividade da aptidão nacional, mas mais, o cumprimento de um mandato civilizacional tácito assente em dois pontos básicos:
- a aproximação das Religiões de Caridade do Budismo e Hinduísmo por um lado e do Cristianismo, pelo outro, contra a ameaça de um credo expansivo e belicoso.
- A contenção da propagação islâmica que encontrava quintas colunas em governos da própria Cristandade, como hoje, acrescento, procura que lhe abram a portas partidos no interior da Europa. O que presentemente são os coniventes com os influxos do Islão Radical e os que pregam a defesa contra ele foram, nos anos que precederam a nossa aventura oriental, Francisco I e Carlos V, respectivamente.
É a rememoração dos feitos algo de crucial quando não abdica de equacioná-los, de forma a identificar os paralelos, quer em sede de problemas, quer de soluções. O que é bem diferente do mero comemorativismo de pastel de bacalhau e copázio de tintol, apenas capaz para nos acharmos óptimos pela obra que, individulmente, outros realizaram.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Os Fios da Língua

O menos desAmado dos Ministros veio dizer ao Parlamento que o Tratado de Lisboa é essencial a uma Europa mais forte e coesa. Atentando no magno local onde o embuste ocorreu, há que relembrar a etimologia espirituosa francesa que o desmascara:
Parlement- parce que là se parle et là se ment

domingo, 29 de junho de 2008

Os Irresponsáveis

29 de Junho de 1919. Foi tornado público o texto assinado pelos Quatro Grandes vencedores da Grande Guerra, que, ao contrário dos Mosqueteiros, eram três, já que a Itália foi chamada apenas para o borrão. Tudo neste documento precipitaria desgraças piores. Cegos pela Revanche, em vista à qual Rémy de Gourmont era o único dos do seu País que dizia não levantar o dedo mindinho, que lhe era necessário para abater a cinza do cigarro, os Franceses impuseram tudo o que não conviria - desmilitarização do Reich, deixando-o à mercê das revoluções e da demagogia armamentista do primeiro que aparecesse. Fractura da continuidade territorial alemã, com um inimaginável enclave nesse Dantzig que iria despoletar o conflito seguinte. Responsabilização unilateral e tentativa de criminalização de Guilherme II, a que só a intransigência do asilo holandês e algum bom senso Britânico puseram cobro. Intimação de aceitações vergonhosas a negociadores Judeus da República de Weimar, abrindo caminho ao desenfreado anti-semitismo de um País que, como estudou Hannah Arendt, não possuía longa tradição dele. Combinados com Wilson, a selectividade na auto-determinação, fazendo referendos no Schleswig, mas não na Alsácia-Lorena, para decidir os países a que pertenceriam, uma espécie de Democracia da UE que bem conhecemos. Além do draconianismo do faseamento das idemnizações de guerra, que estrangulavam a economia germânica e de uma voracidade mal disfarçada sobre o Sarre, com precursores episódios de resistência análogos aos que se verificariam no seu próprio território, após 1940.
A sede de vingança deu na total ausência de sentido de Estado. Ao invés de ficar com zonas fronteiriças e reparações aceitáveis, à Bismarck, quiseram minar completamente a ossatura de além Reno, como o Governo do Kaiser também impensadamente fizera, com a exportação de Lenine para a Rússia, deixando os seus agora ameaçaqdos pelos sequazes dos mesmos princípios. O desequilíbrio dos homens leva facilmente ao das Pátrias e diminuir o peso destas é, a prazo, votar todo o Continente a amargos de boca maiores. Mas há quem não aprenda.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Uma Certa Ideia da Urgência

O Governo apregoa que há urgência na ultrapassagem da reprovação Irlandesa ao Tratado de Lisboa. Para ser coerente com a sua prática de encerramento de urgências na Saúde, deveria considerar também este caso encerrado...

domingo, 15 de junho de 2008

Cada Um Usa as Armas Que Tem

Quem só deixa ganhar o referendo que lhe seja favorável, mandando repetir os outros, poderá censurar o facínora que diz recorrer às armas caso perca, salvo pela violência empregada? E não se torna suspeito de enveredar pelo mesmo caminho, caso detivesse uma chefia militar no bolso, como Mugabe?
Mas se é assim, para quê organizar sufrágios, caríssimos como são? Há por cá ainda bastantes necessidades a prover, para que o dinheirinho seria precioso. E apesar de tudo, as ferraduras que nos procuram calçar não são tão dispendiosas como os sapatinhos da Primeira Dama do Zimbabwe...
Coforme demonstra o anúncio que segue, a coisa, antes de estar preta, está... castanha, graças a outra graça, a do PM Britânico mais as respectivas pressões.

O resultado do referendo Irlandês foi:

Um incidente (Presidente da França).

Uma dificuldade (Presidente Cavaco)

Um paradoxo jurídico (reporter da TVI)

Uma vontade validamente expressa de acordo com as regras do jogo, sem que isso implique concordância com elas (este Vosso criado).



Deixem, não respondam, ou ainda passo eu por democrata. Não vale a pena insultarem-me assim, promovendo os habituais auto-proclamados da condição.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Sorte Não Foi Macaca

Há sempre Alguém que diz não? Nem tanto, mas hoje houve. No dia do azar tinha de ser o trevo Irlandês a neutralizá-lo. Não tenho grandes ilusões, os batoteiros de Bruxelas e do Conselho Europeu não tardarão em descobrir um cozinhado para mostrar o seu grande respeito pela democracia, desde que os sirva, mesmo com 100% dos referendos realizados dando resultado negativo. Ao que parece, todavia, há um crescendo da oposição no Reino Unido ao alinhamento de Londres na trafulhice; e daí é que pode vir a salvação, porque é capital que conta. A seguir.
Entretanto, o Sr. Barnier, se tivesse vergonha, demitir-se-ia. Não só chamou irresponsáveis aos eleitores de outro Estado-membro, como o fez aos seus compatriotas, que, quando livres de decidir, também rejeitaram os arranjos nas suas costas.
O Porreiro barroso-socrático deve bem ter dado lugar a vocábulo da mesma elegância, com o mesmíssimo início, embora de menor comprimento.

sábado, 7 de junho de 2008

Ponte da Situação

A Ponte Europa de MonetQuem pensasse que travessia do deserto seria a designação ideal para a nova passagem sobre o Tejo, até pela convicção em tempos expendida pelo Lino Ministro quanto à Outra Banda, desengane-se! É muito mais apta a descrever o momento que vive a harmonização dos divórcios entre cidadãos de dois Estados-Membros da UE, por receio de fortalecer a vontade Irlandesa do Não. Entre o medinho e as convicções quem ganha, quem é? Os traços desta ligação aérea estão cada vez mais indistintos.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Simbólica Incorporada

Já aqui dei uma imagem do que eram as celebrações lisboetas da Procissão do Corpo de Deus. Hoje direi duas palavras sobre a anexação do Culto de São Jorge à festividade que honra a Encarnação eucaristicamente tomada em Sacramento.
Foram o auxílio e a Aliança Inglesa ao tempo de D. João I que fizeram importar aquele Santo para o patrocínio luso, numa tentativa ingénua de o fazer concorrer com outro afamado Matador de Dragões, São Tiago, Querido de Castela, nessas lutas ibéricas desgraçadas que esqueciam o inimigo comum contra o qual se havia lutado e havia ainda a lutar.
Hoje, em que, felizmente, desde os grandes Salazar e Franco, esses fantasmas estão, espero eu, definitivamente enterrados, gostaria de salientar uma vertente que não foi pensada.: deslocar o culto de São Jorge do seu dia, o 23 de Abril que também é o do Livro, para a festa móvel do Corpus Christi foi quase uma antevisão do sumiço dos hábitos de leitura no nosso País. Recorde-se que o hábito da oferta da Rosa e do Livro foi retirado, justamente, do culto referente a esse episódio hagiográfico. Removendo-o, para o diluir numa Celebração Maior, acabámos por, de alguma forma, despromover a Leitura.
Procissão do Corpo de Deus na Praça de S. Pedro no Tempo de Inocêncio X, Autor dsconhecido

Entretanto, sobre a Santa disputa e a pacificação peninsular correlata, ninguém como Camilo Castelo Branco:
S. Thiago, por parte de Castella e S. Jorge, o inglez, por Portugal, de vez em quando baixavam do empyrio, e vinham como dois condotieri medievaes terçar os seus montantes invisiveis, mas devastadores, nos campos de batalha empapaçados de sangue. Dir-se-ia que o Altissimo consentia em que aquelles dois celicolas viessem cá abaixo n´este planeta cevar antigos rancores na carnificina de duas nações da mesma raça, duas velhas e valentes propugnadoras da civilisação sob o labaro de Jesus Christo. Chronistas e poetas faziam a Deus a affronta de o imaginarem emparceirado n´estes desmandos facínoras dos dois santos.
A final, um dia, a Providencia, ostentando os mysteriosos processos dos seus desígnios, derrubou os estandartes de extermínio entre as duas nações opiladas de rancor rhetorico, e levantou sobre os escombros da Andalusia - o paraiso terreal da Hespanha - a bandeira da caridade. Em vez do estrondo das trombetas de guerra, fez soar a toada plangente dos gemidos da miseria. E em volta dessa signa de paz reuniu em um abraço, ungido pelas lagrimas dos desgraçados a quem socorriam, hespanhoes e portuguezes que então se reconheceram descendentes dos implantadores da sagrada cruz na peninsula arabe.
S. Thiago e S. Jorge, que presencearam este lance lá do alto céu, apertaram fraternalmente as suas santas mãos, e dependuraram as espadas ao lado da de S. Pedro ainda tingida de sangue do Malcus desorelhado. Foi bom.
Esperemos que em tempos e lugares de comparativa prosperidade não voltem as vozes da discórdia, permito-me acrescentar, ainda magoado por declarações recentes de um (ir)responsável catalão.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cenas e Biscas

Pena que este País esteja sem Rei nem Lei, nem trunfo que corte as vazas à verborreia da mais folclórica das figuras, de indefinido naipe. O novo parceiro de jogatanas do Sr. Sócrates meteu no mesmo saco Nossa Srnhora de Fátima e um afrontador assumido da Doutrina Cristã. Com o Dom da Profecia, a Virgem já tinha, ao prever os erros que uma Rússia diferente da actual espalharia pelo Mundo, deixado claro que não preza a companhia dos adeptos desses enganos.Mas gostava de ver a cara do ateu marxista de Lanzarote, ao tomar conhecimento das declarações. Se o Diabo foge da Cruz...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Diálogo Norte-Sul?

Na mesma gratuita publicação leio o título:
«Sorria», em 800 veículos da Carris já há câmaras de videovigilância
Como querem incrementar a compreensão mútua nas relações com outros continentes, quando nem sequer chegam a acordo sobre algo tão primário como o papel das trombas nos transportes públicos?!

sábado, 10 de maio de 2008

Imagens de Presa & Dente

O Navio Mercante: No Depósito da Corrente de Henry Carr... já que são de gargalhada estas metáforas de Presidente. Dizer, como o cá do Burgo, que o Tratado de Lisboa é para nós uma âncora, parece tautologia, pois há muito que se viu que nos impede de seguir o nosso rumo.
O Marechal Costa e Silva com o Brasil à beira do abismo que, com a sua entrada, teria dado um passo em frente deve estar babadinho do(utro) Silva.
Acrescentar, como o da Comissão, que a sorte dele em caso de rejeição Irlandesa é tabu, pode ser a redenção do dito anterior. Basta que traga a essa manigância a mesma sorte que o da célebre recandidatura, quando o Chefe de Estado ainda o era do Governo...

sábado, 3 de maio de 2008

Gregueria

O Deitar de Safo de Charles Gleyre

Estou de alma e coração com os habitantes da Ilha de Lesbos, que não querem mais ver chamar lésbicas às mulheres homossexuais. Está muito na linha do que faz o governo do seu País, o qual espuma de cada vez que ouve tratar por Macedónios a república da ex-Jugoslávia que aspira ao nome. Não há qualquer discriminação, ninguém quer vedar às naturais da terra insular em questão que prefiram as congéneres o uso da deesignação. Pretende-se é que as de outras proveniências não se enfeitem mais com penas de pavoas. E não tem pés nem cabeça a alegação da associativista homo, quando diz ter a terminologia sido reconhecida pela ONU. Outro tanto aconteceu com a nomenclatura da nação de que Skopje é capital, sem que, por tão pouco, Atenas se haja conformado.
Acresce que em cada língua há mil e uma outras palavras para significar a situação. Na nossa, mesmo não recorrendo ao calão, temos tríbade, por exemplo.
A menos que se queira vingar Safo, a qual sofria os insultos dos conterrâneos. Para que possais apreciar, deixo em apenso um fragmento dela:
Os incessantes sarcasmos dos meus con-cidadãos ferem-me muito. Escuta-me, divina Afrodite, acaba com tudo isso e poupa-nos a maldade.
Mas universalizar o nome dela com tal sentido será um desagravo feliz?

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ondas do Mealheiro

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O Sr. Ministro das Finanças foge com o dito à seringa, no que toca a descer os impostos. Porquê? Por causa dos submarinos há muito contratados e que têm, se não os cascos, ao menos as costas largas.
Foi sempre uma credível manifestação da riqueza dos povos o gasto com uma marinha de combate. Na ressaca do Ultimatum de 1890, fez-se uma subscrição pública para adquirir um vaso de guerra, o Adamastor. Claro que o pobre e desacompanhado navio não poderia fazer qualquer espécie de cócegas, sequer, à Royal Navy, mas ter pago uma embarcação, em todos os sentidos armada, aplacou as vaidades feridas.
Também Eduardo VII de Inglaterra perguntou certa vez a uma amante célebre se ela tinha reparado que o que lhe ofertara em jóias dava para construir um barco de guerra. A questão era impressiva, mas a resposta foi impressionante - e já reparaste que o que vazaste dentro de mim dava para o pôr a flutuar?
Por isso creio ter sido de uma premonitória genialidade esta ilustração Nave da Guerra, que o Mestre de Pádua, em 1472, fez, para enriquecer «De Re Militari», de Valturio: aquele escudo da direita não parece ter, pintado, um cifrão?

domingo, 27 de abril de 2008

Bem Bum!

Lidas estas revelações, o comentário por imagem vale muito mais que as mil palavras...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Declaração Bombástica

Hillary, vencedora na Pensilvânia, tinha pouco antes declarado que, presumivelmente no caso de um ataque persa, uma administração sua usaria o poder nuclear para destruir completamente o Irão. Corresponde este programa de Política de Defesa a uma ultra-desproporcionalidade, um salto qualitativo, em relação à doutrina do Equilíbrio do Terror em que crescemos. Ali ameaçava-se com a liquidação não-convencional de alvos dolorosos, porque áreas populosas, mas nunca se chegou ao extremo de proclamar a destruição completa de um grande país.
Quem lembre a eleição de uma corista de Las Vegas em 1957 como Miss Bomba Atómica, como o folclore de quase a vestirem com uma representação do cogumelo explosivo, poderá achar que o infantilismo destes passatempos, abstraindo da dor das vítimas, pode correlacionar-se com a ligeireza das opções políticas das Americanas. Embora tenham sido homens a lançar por duas vezes os tenebrosos engenhos, como se sabe.
Dentro deste pavor seria no entanto divertido ver muito filoayatollah nostálgico da comparativa moderação do Presidente Bush...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Buffet

Tendo em mente que foi a 18 de Abril de 1909 que S. Pio X, correspondendo aos esforços de Monsenhor Touchet, beatificou Joana D´Arc, deitei os olhos a esta excelente conta das implicações religiosas do culto Dela. Muito se tinha andado, até que a simpatia manifesta de Leão XIII pela Sua causa levara a declaração da venerabilidade, o primeiro passo para a canonização, que só vingaria com Bento XV. Curioso é este Ex-Libris do Patriotismo Francês ter sofrido a maior oposição ao reconhecimento da Santidade pela própria Universidade de Paris, a qual, no Século XV, a proclamou "herética" e aconselhou a queima dos populares devotos.
Na primeira fase da reabilitação pelo Vaticano foi bonito ver os Cardeais Ingleses Manning e Newman, tidos por rivais e defensores de variantes teológicas opostas, defenderem-Na e ao reconhecimento pleno da Grande Inimiga do Seu País, num exercício verdadeiramente Cristão de perdoar. Como terá sido belo ver os edforços conjugados se todos os que sentiam a Nação Francesa, desde o Conde de Chambord ao Embaixador da maçónica III República, no sentido de se consagrar a glória Daquela que, já depois da Grande Guerra, veria o parlamento votar o seu festejo solene pelo regime.
Tal qual o divisionismo anti-religioso de hoje, em Portugal.

Os sites de efemérides dão o dia de hoje como equivalente ao do casamento entre Grace Kelly e Rainier do Mónaco, pelo que me parece de oportunidade não enjeitável a publicação da respectiva visita a este Estoril donde vos falo. Grace era, verdadeiramente, uma beleza canónica!

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Ai os revisionismos! Querem estragar de vez o James Bond! Dizem que neste filme manco que se prepara aparece uma Bond Girl relevante que o 007 não beija! Conjugando esta catástrofe com o que se concluiu dias atrás neste blogue, só faltava o agente perfeito transformado em analfabeto!

sábado, 12 de abril de 2008

Pesos Pesados

Atlas Com Armilaria de Lee Lawrie


Ouve-se agora dizer que Obama cometeu uma gaffe, ao defender que as condições de vida mais duras empurraram as populações das pequenas cidades rurais da Pensilvânia para as armas e a religião, com ímpetos de animosidade contra os que não reconhecem como seus. A meu ver, não se tratou de uma infelicidade oratória, mas de caso mais do que pensado: naquele Estado há uma desconfiança eleitoral profunda entre os substratos votantes e os políticos de Filadélfia e do resto. Como o seu apoio e única chance de ganhar a Hillary assenta numa grande mobilização do eleitorado da principal cidade, trata-se de uma clássica dramatização com base nos quadros mentais demarcadores. Nada de novo. E o mais grave nem é atirar as pessoas umas contra as outras, a essência da Democracia. O pior é pôr a Religião ao nível dos vícios de comportamentos e dos instrumentos de morte.

Ainda não percebi se a publicidade desusada posta pela China à volta da neutralização de terroristas islâmicos é mera tentativa de agradar ao Ocidente, exibindo-se como partilhando o mesmo problema, ou mera tentativa de desviar as atenções da Questão do Tibete. Pequim é clássico aliado de forças e poderes muçulmanas, quer do Paquistão no conflito com a Índia, quer de Teerão no jogo da influência regional contra os EUA, quer ainda no Afeganistão fronteiriço. Esta ousada inversão de alinhamentos só pode tentar lavar a cara para as Olimpíadas. Não se percebe pem é qual das faces, ou se a cara inteira.

O Sr. Sócrates tem Pinto no nome, pelo que José pode ter sido engano de registo: disse agora, a propósito das previsões do FMI, que as previsões só podem ter base em resultados. Como o antigo capitão e defesa direito do Futebol Clube do Porto, o qual estatuía só se poder fazer prognósticos no fim do jogo. O Zé Povinho não quer partilhar o nome próprio com o PM que o vergasta. Que passe o político a chamar-se João!


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Deuses e Demónios do Tibete

O Pálácio-templo de Potala, em Lhassa


É uma grande fonte de satisfação para mim saber que um Líder que admiro na resistência calma à agressão e à desgraça. o Dalai-Lama, perfilha precisamente o ponto de vista que defendi nesta página, de se pressionar a China a deixar de barbaramente tentar destruir o Tibete, mas sem para tanto utilizar o boicote olímpico como meio. Esta diferença aparente de postura, face à de monges lamaístas e simpatizantes ocidentais mais dalailamaístas que o Próprio, não é novidade. O famoso explorador e académico William Montgomery, que, em 1922, andou por aqueles Cumes Asiáticos, já tinha constatado a amabilidade do Povo e a simpatia e abertura dos Dalai e Tashi-Lamas de então, contrapostas ao carácter belicoso de uma classe monacal mais baixa, sempre porfiando em acirrar o ódio ao Estrangeiro, como hoje, em defender a afrontação menos subtil.
Quererá isto dizer que a China sai pouco culpada deste processo protestatário? Nem pensar nisso é bom, Pequim tentou, (in)justamente diabolizar o Líder Espiritual Tibetano, precisamente o seu opositor intransigentemente pacífico. Porque sabe que é o mais perigoso, a prazo, para si.


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terça-feira, 8 de abril de 2008

Falta de Jeito Trágica

Eduardo VII e o Presidente Loubet, aquando do entendimento entre os seus Países

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A 8 de Abril de 1904 assinava-se entre Londres e Paris um realinhamento das alianças europeias que precipitaria a Primeira Guerra Mundial, com o inerente fim de um Mundo e o desastre de que ainda estamos a pagar as favas. A culpa foi inteirinha de Guilherme II, o qual, obcecado por ser maior do que Bismarck e tudo fazer ao contrário dele, depois de ter alienado a Aliança Russa da Liga dos Três Imperadores, resolveu hostilizar ao mesmo tempo a Inglaterra, planeando uma frota que rivalizasse com a Britânica, e a França, arvorando-se em protector da independência marroquina, contendento com as aspirações gaulesas ao protectorado. Assim, reforçava a tendência natural do Rei Inglês que tão bem se sentia em Paris, desperdiçando a vontade de entendimento com a Alemanha de Joseph Chamberlain e malbaratando a animosidade francesa contra a Albion, expressa pouco antes no entusiasmo popular de apoio aos Boers. A mania de dar nas vistas e levar o Império Alemão para terrenos que não eram os seus revelou-se um desastre: mandando canhoeiras para o Mahgreb, sem nada ter para a troca, permitiu a aproximação daqueles que o tinham. A França, com o oportunismo patriótico de Delcassé, prescindiu de reivindicações no Sudão, em troca da mão livre que o Governo de Sua Majestade lhe concedesse no território marroquino. Breve o caso seria agravado, com Vítor Emanuel III a ascender ao trono Italiano, cheio de vontade de se afastar da Áustria tradicionalmente inimiga do Piemonte e com vontade de fazer permutas semelhantes, interesses sudaneses pelo reconhecimento da exclusividade na Tripolitânia. Aos desertos territoriais abrangidos correspondeu o deserto de bom senso do Prussiano imprudente. A Europa deve-lhe o declínio e o Seu País desgraças maiores.