Estereótipo de Lauri Svedberg
Nunca tendo praticado
Rugby, desde pequenino que nutri um certo gosto pela modalidade. Talvez porque nesses tempos de iniciação o melhor Desporto que a TV dava era composto pelas transmissões do
Torneio das (então)
Cinco Nações, com os apaixonados comentários de Cordeiro do Vale, Alguém que exalava perdição pela modalidade, um pouco como o Coronel Matias no Hipismo, ou até João Coutinho, no Basquetebol. Mais tarde novas visões daquela prática me foram facultadas pela devoção absoluta, literariamente servida com génio, de Antoine Blondin e Kléber Haedens. Acima de tudo sempre me ficou a noção, por um Colega Universitário traduzida, em frase antiga que sempre reiterava -
tratava-se de um jogo de brutos praticado por Cavalheiros, onde o Futebol muitas vezes é um jogo de Cavalheiros praticado por brutos.
Avesso que sou a ver no Desporto outras realidades que não as que nele se esgotem, por achar que embarcar nisso é fazer o jogo dos poderes que dele se servem, não posso, todavia, deixar de denunciar uma indignidade e lamentar uma fraqueza.
A primeira - que em mérito última é - passou-se na última edição do programa televisivo «Eixo do Mal», onde os intervenientes troçaram da participação dos
Lobos, o
Quinze Nacional que ora se bate com os melhores. Eram três os vectores do desinspirado escárnio: os nomes porventura ilustres dos Seleccionados, a maneira fervorosa como entoaram o Hino e as diferenças pronunciadas nas derrotas que lhes foram infligidas. Ou seja, velhíssimas pechas da Esquerda, os fumos de inveja social, como o desconforto perante a União em volta dos símbolos da Pátria. Mas a terceira ainda é pior, porque define a falta de qualidade dos intervenientes, não já a de um campo ideológico. Não prezar a progressão, o cerne da prática desportiva, é bem típico desses
amigos do Progresso, o género de gente que só se cala quando há medalhas, como bons materialistas que se revelam. E, se essa superação que leva a um patamar superior é aferível mais patentemente nas marcas, de Atletismo e Natação, por exemplo, a ascensão a um grupo restritíssimo como o dos participantes no actual certame
raguebístico é critério seguro de equivalente aperfeiçoamento, impossível de verificar-se no meio
boleiro, em que, independentemente das qualificações, é mais fácil todos jogarem contra todos.
Um tanto desculpável, por outro lado, mas não credora de aprovação, é a alegria com que Alguns Bloguistas que estimo, entre eles Amigos também fora da Blogosfera, se demarcam dos gostos predominantes na Colectividade, relegando para as "massas acéfalas" o apreço pela bola, reservando para os
Eleitos o culto do melão. Não penso devermos procurar motivos de afastamento dentro do Todo Nacional, já basta o que basta. E amarmos um sector desportivo não obriga a denegrirmos os outros, nem a promovermos uma pontinha de snobismo pela consideração em voz alta de virtudes não estritamente atléticas dos praticantes.
Seja como for, perante os estereótipos dos televisionados
opinion makers, que tentaram apresentar os
Lobos como indesejáveis, confesso que contra a Itália me irmanarei a eles, seguindo a letra do Exemplo Franciscano.