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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Vacina Contra a Cólera

Cólera por Le Brun

Afinal, este novo estudo facial vem mostrar que onde se queria ver patente uma ou outra Virtude Cardeal, fosse a calma e sábia Temperança, nas reacções ao andamento de um jogo de Futebol, fosse a Fortaleza de se dominar, não deixando que ganhar ou perder ponham o espectador fora de si, dão antes lugar à Cólera, expressão do Pecado Capital que é a Ira. Talvez seja esta percepção que torna os organizadores do circo renitentes a introduzir meios, ou simples auxiliares, electrónicos da arbitragem. Temem que sem o detonador de emoções violentas que é o erro arbitral, ou um imaginado sentimento dele, sejam menos atractivos os desafios a quem os procura para enervar-se, assim como aqueles casais que só conseguem fazer-se andar para a frente com recurso ao confronto permanente. E não falo apenas da vertente sexual, senão da da globalidade do interesse, digamos assim.
Porque, caso contrário, haveria um meio de minorar esta falta de propriedade reactiva - pôr as câmaras ligadas aos quadros electrónicos a focar as manifestações dos mais exaltados durante as jogatanas, não apenas as carinhas larocas nos intervalos delas. Como a falta de vergonha crescente ainda se não acha completamente generalizada, é possível que muitos se refreassem, ao sentir-se individualmente filmados.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Que os Outros Têm

Vamos polemicar com o meu Amigo João Távora: Meu Caro João, não concordo minimamente com qualquer publicidade que eleja como referencial, a denegrir ou a superar, o património dos outros. Aceitaria até que o Presidente do Sporting dissesse que achava o seu clube o maior e, por isso, pensava ir-lhe bem o título de primeiro em sócios. Agora, apontar o adversário e os números que atingiu, como meta a superar, fica muito mal, é mostrar que se sente inveja das asas que, por natureza, não se possui. Nos últimos tempos também me irritou uma publicidade do Pingo Doce, contra as promoções, cartões e feiras dos outros, até porque me lembro dos tempos em que a cadeia tentava concorrer nessas iniciativas. Fazer por despromover o que funciona no vizinho faz parte daquele ressentimento que, na Sociedade, leva a querer ter mais do que ele, como no Capitalismo, ou a pretender que ele não tenha mais, como no Comunismo. O Leão merecia melhor.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Tirania dos Relvados

Ao contrário do que se esforçam por inculcar algumas vozes, Pacheco Pereira à cabeça, não é a relva futebolística a tirania maior que arriscamos. Quem não goste que não frequente os campos rodeados de bancadas, salte as páginas que lhes referem os usos e desligue os televisores que abordam a temática. Muito pior é a invasão decorativa que o Carlos Portugal e o Bic Laranja vergastaram aqui. Fazem-me entender o porquê de os nossos Irmãos Brasileiros chamarem gramados aos campos com erva aparada: não é no sentido de "gostados", mas de ser coisa que temos de gramar.
Eis o meu bem-amado Estoril em alturas anteriores à desflorestação, a qual substituiu o Mundo vegetal mais digno pela rasteira pastagem inaproveitável.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Roda Livre

Ilustre Manobradora de velocípedes, o recurso ao preto e branco que diminui as particularidades era suspeito; a tomada de longe agrava o caso, a diluição no grupo leva a desconfiança a um extremo inconcebível. Essa insistência em me empurrar visava impedir que me apercebesse dos trajos em que quer dar ao pedal, como das suspeitíssimas protecções a que recorre... mas o Seu desmascaramento está selado!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Fonte do Mal

A Mistura da Bruxa de Michel DoucetO médico Eufemiano Fuentes tem razão em sentir-se injustiçado por toda a gente recorrer a poções de ingestão, imersão ou injecção, melhoradoras dos índices pessoais, de Aquiles aos Irredutíveis Gauleses, de Tristão e Isolda aos consumidores de Viagra e aos chutados protegidos das governações Socialistas, sem que os poderes públicos desconsiderem tais práticas. Dizer que se está perante um tratamento é que é abusivo, porque não visa resposta a qualquer patologia ou deficiência diminuidora, trata-se de artificialmente estender os limites do Homem. Ou seja, falsear a verdade, dizendo que se pode ir até onde limpamente seria impossível e atribuindo os prémios não ao mais dotado fisicamente, mas àquele que frequente laboratórios mais eficazes.
Não há razões para dar um Nobel, fundado por um Convertido à procura da Paz, a quem tenta desvirtuar o instrumento por excelência da prossecução dela que é o Desporto.

A Arma Banida

O Suicídio de Antoine WiertzTanto empenho o dos Iranianos em, devido a aventadas razões de orgulho nacional, acederem à possibilidade de armaento nuclear, preparando-se contra bombardeamentos e sabotagens dos States, deixou-os desatentos a infiltrações muito mais destruidoras do sentimento em questão: as esperanças futebolísticas passaram à História, no momento em que decidiram contratar Artur Jorge como selecionador nacional de futebol. Há coerência em, pretendendo uma arma proscrita, não censurar o emprego de outra na mesma situação pelos adversários. Mas sempre pensei que o Islão proibisse o suicídio...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Aprendizagem da Democracia

Dou a mão à palmatória: Chávez está, pouco a pouco, a tornar-se num Democrata à Europeia: perde-se um referendo? Não há problema, onde uns mudaram o nome de Constituição para Tratado, o outro muda o de iniciativa presidencial para popular.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A Revolução da Pílula

Qual anti-conceptivo, qual carapuça!Agora é que foi. Está aberto o caminho para abolir de todo o esforço e substituí-lo por um comprimido. Os investigadores de Yale descobriram o gene que permite aceder à satisfação resultante do exercício físico e garantem poder proporcionar a sensação com um fármaco. Claro que isto acarretará um aumento de consumo dos medicamentos contra a obesidade, mas que importa? A felicidade consiste doravante em engolir... Convencer disso a Humanidade foi sempre o sonho de todos os impostores, agora regenerados por uma institução conceituada. No Futuro, quer ter prazer de natureza sexual? Tome o comprimido verde. Não gosta do seu cônjuge, preferia que ele tivesse o corpo de artista X e o espírito filantrópico de Y? Pape a drageia amarela. Os seus filhos dão-lhe desgostos? Consuma, ou faça-os ingerir o medicamento roxo.
Esta Civilização é uma droga.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O Que É Que Scolari Tem?

Depois de ontem ter ido comemorar, cá venho comentar os índices de aproveitamento Scolari. Na conferência de imprensa em que quase prolongou a reactividade ao Sérvio que o fez ficar de fora, ele teria muita razão se limitasse a defesa própria a duas linhas: a de que fora contratado para um objectivo atingido; e a de que quem o contratou sabia bem que os apuramentos que ele comandara, a começar pelo do Brasil Campeão do Mundo, são sempre apuros indesmentíveis. Só que o Seleccionador nunca foi parco em defesas, como ontem, em que escalou um onze com maioria absoluta deles. E, assim, legitimou as perguntas, doutra forma ociosas, sobre a falta de qualidade das exibições, o segundo lugar num grupo acessível em que se esperava o promeiro destacado e a fragilidade de não aguentar resultados tangenciais nos últimos minutos. É que os milhões que lhe pagam(os) obrigam a uma compostura incompatível com o abandono apressado perante perguntas incómodas, a acusação ao adversário de não ter jogado de determinada forma, ou a grosseria de dizer que os interlocutres estão mal habituados. A prova provada do contrário reside em ainda nos não termos habituado a este Scolari.
Prefiro a Baiana!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Servidos em Bandeja

Oponho as maiores reservas à inovação testada no último Derby madeirense entre Marítimo e Nacional, de levar a lei da paridade para o mundo dos apanha-bolas, na Liga Profissional de Futebol, contratando miúdas para o efeito. Só pode explicar-se por ser etilização decorrente de consumo excessivo da cerveja que patrocinou a novidade. Sabe-se como já foram recrutadas modelos profissionais para igual função, no Ténis, mas pensar que é o mesmo será ignorar que os comportamentos se desvirtuam facilmente, quando passamos dos indivíduos para os grupos. No Futebol, partindo do optimista presuposto de que a heterossexualidade ainda é maioritária, para além de se introduzir um perigosíssimo acréscimo de distracção para os guarda-redes, dada a tenra idade dos elementos, é propiciar tentações pedófilas, sempre latentes, como comprova esta saga suíça. Às tantas, a confusão entre o esférico e outras anatomias pode bem fazer das suas...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Exercício de Licantropia

Estereótipo de Lauri Svedberg

Nunca tendo praticado Rugby, desde pequenino que nutri um certo gosto pela modalidade. Talvez porque nesses tempos de iniciação o melhor Desporto que a TV dava era composto pelas transmissões do Torneio das (então) Cinco Nações, com os apaixonados comentários de Cordeiro do Vale, Alguém que exalava perdição pela modalidade, um pouco como o Coronel Matias no Hipismo, ou até João Coutinho, no Basquetebol. Mais tarde novas visões daquela prática me foram facultadas pela devoção absoluta, literariamente servida com génio, de Antoine Blondin e Kléber Haedens. Acima de tudo sempre me ficou a noção, por um Colega Universitário traduzida, em frase antiga que sempre reiterava - tratava-se de um jogo de brutos praticado por Cavalheiros, onde o Futebol muitas vezes é um jogo de Cavalheiros praticado por brutos.
Avesso que sou a ver no Desporto outras realidades que não as que nele se esgotem, por achar que embarcar nisso é fazer o jogo dos poderes que dele se servem, não posso, todavia, deixar de denunciar uma indignidade e lamentar uma fraqueza.
A primeira - que em mérito última é - passou-se na última edição do programa televisivo «Eixo do Mal», onde os intervenientes troçaram da participação dos Lobos, o Quinze Nacional que ora se bate com os melhores. Eram três os vectores do desinspirado escárnio: os nomes porventura ilustres dos Seleccionados, a maneira fervorosa como entoaram o Hino e as diferenças pronunciadas nas derrotas que lhes foram infligidas. Ou seja, velhíssimas pechas da Esquerda, os fumos de inveja social, como o desconforto perante a União em volta dos símbolos da Pátria. Mas a terceira ainda é pior, porque define a falta de qualidade dos intervenientes, não já a de um campo ideológico. Não prezar a progressão, o cerne da prática desportiva, é bem típico desses amigos do Progresso, o género de gente que só se cala quando há medalhas, como bons materialistas que se revelam. E, se essa superação que leva a um patamar superior é aferível mais patentemente nas marcas, de Atletismo e Natação, por exemplo, a ascensão a um grupo restritíssimo como o dos participantes no actual certame raguebístico é critério seguro de equivalente aperfeiçoamento, impossível de verificar-se no meio boleiro, em que, independentemente das qualificações, é mais fácil todos jogarem contra todos.
Um tanto desculpável, por outro lado, mas não credora de aprovação, é a alegria com que Alguns Bloguistas que estimo, entre eles Amigos também fora da Blogosfera, se demarcam dos gostos predominantes na Colectividade, relegando para as "massas acéfalas" o apreço pela bola, reservando para os Eleitos o culto do melão. Não penso devermos procurar motivos de afastamento dentro do Todo Nacional, já basta o que basta. E amarmos um sector desportivo não obriga a denegrirmos os outros, nem a promovermos uma pontinha de snobismo pela consideração em voz alta de virtudes não estritamente atléticas dos praticantes.
Seja como for, perante os estereótipos dos televisionados opinion makers, que tentaram apresentar os Lobos como indesejáveis, confesso que contra a Itália me irmanarei a eles, seguindo a letra do Exemplo Franciscano.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Causa e Feito

O que está feito, está feito.
(Lady) MacBeth

O Sargentão é conhecido por jogar bem com a psicologia dos que o apoiam e rodeiam, mas não é crível que a murraça no jogador sérvio tenha sido aplicada para injectar entusiasmo nos aficionados lusos. Cá para mim, pretende é dar um motivo de justa causa para despedimento, de forma a tentar a Federação a rescindir e já não estar ao leme da Selecção na parte final da periclitante campanha qualificativa, porque um "momento de cabeça perdida" é muito menos diminuidor de currículo do que o falhanço de um favorito. Os ratos são os primeiros a abandonar o navio, não é? Como se vê, não era de Espanha que eles ameaçavam mais, ao contrário do que temeram os agricultores transmontanos...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sobrou-lhe um "I"zinho Assim...

Na véspera do jogo contra a Arménia a argúcia de Scolari fez com que alertasse o público português contra os perigos que à representação do País o Estádio Republicano, bem visto como "tapete remendado", acarreta. Tivesse o Seleccionador suprimido o "i" da primeira palavra da perigosa entidade e, como ensina a outra do anúncio, sobre isso nada haveria a dizer.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Defesa Imaginosa



Tenho cá uma suspeita de que a criação deste dia nacional corresponde a uma tentativa de um certo arguido se inocentar...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Frutuoso Código (de Conduta?)

É uma constatação recorrente a de que os infractores bem sucedidos, quando passam a confiar demasiado na sua estrela, tomam todos os outros por parvos e acreditam que quaisquer duas larachas que digam virão a ser aceites. Este, cometeu o erro de admitir que a "fruta" da famosa conversa referente ao árbitro seria um código, soando a subterfúgio rebuscadíssimo a explicação de não se tratar de meninas, mas de uma dívida obscura relacionada com não sei quem. Há falta de imaginação em tudo isto. Alguém que tenha estagiado num escritório de advocacia pode ter visto a tentativa de inocentar de variadas patifarias com recurso à pretensa existência de contas-corrente. Mas não costumam incidir sobre relações contabilísticas com terceiros nem sequer nomeados nos processos...
Já agora, estou ansioso por saber qual a explicação cifrada do "chocolate" que o Juiz Desportivo não quis...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Os Caçadores de Recompensas

Pormenor de pintura de Benvenuto Di Giovanni
Mercenários Recebendo a Paga
Nunca simpatizei com o F.C. Barcelona, clube que sempre fui vendo como um mero e enganoso instrumento da facção dos habitantes dessa bela cidade que mais ressabiados se mostram com o facto de Madrid ser a capital do País que integram, opondo sempre a riqueza local como se direito fosse contra o histórico, pelas armas e prestígio mantido. E esta notícia vem acentuar tal pendor: Já era suficientemente revelador do declínio o mundo das transferências inundado pela atmosfera dos negócios. Prémios dados pelos clubes aos seus atletas são um extra pouco compreensível, mas cada colectividade tem o direito de premiar ou acicatar os seus como entenda. Agora, pagar aos vinculados a outro clube para fazerem por si o trabalho que, desportivamente, não se conseguiu realizar com sucesso é uma tentativa mais de substituir o valor pelo dinheiro. Espero que o Real lhes dê uma lição.

Indício de Vilania

Devo dizer que nunca me cheirou bem a vinda do avançado brasileiro dos Aveirenses Edgar para o Benfica. Não por deméritos desportivos do atleta, já que parece dotado tecnicamente, embora demasiado novo para se saber se será mais do que promessa, surgindo-me quatro golos em meio campeonato como fraca credencial. Simplesmente, desde a infância, habituei-me a associar o nome ao vilão dos vilões, o mordomo da saga disneyana dos Aristogatas. A confirmar-se esta patifaria, fica o jogador como decalque cuspido e escarrado do personagem da história: afinal o dinheiro é o fito único que acaba com escrúpulos em ambos.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Sem Encaixe

Lamento a bom lamentar a retirada do meu Clube da Liga de Basquetebol. Pelo que transpira nada o justificava: não desconhecia que a substância componente do medicamento era proibida, nem alegou ter pedido o levantamento da interdição, o que o regulamento aplicável parece possibilitar. Mas não importa. Mesmo se injustiçado, o abandono de um nível competitivo não é digno de um grande Emblema e consubstancia um amuo maior do que o geralmente atribuído a esta gárgula de uma igreja dos arredores de Norfolk.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Ai Que Saudades, Ai, Ai...

...do tempo em que Evangelista na primeira página era Linda e as ligas que lhe respeitassem iam sendo bem diferentes desta; ou a reabilitação dos fura-greves!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

33 Anos de Enjoo

O Molde da Academia e o Cravo, de Ian Ellis. Imagem de como o oficial, quando erguido a critério do gosto, pode preferir aos alvos e Marianos cravos do 28 de Maio realidades bem mais escuras.

O Demo-liberalismo, se obedecer ao médico que o mande dizer "trinta e três", poderá achar-se de boa saúde, mas só por conveniência ignorará que o País está moribundo. Um pouco como a infecção, a qual progride enfraquecendo o corpo. É mal endémico das variantes deste ideário institucionalizado, nascido dos horrores da Revolução Francesa e que, mesmo na nossa brandura, teve de recorrer às revoluções de sangue de 1834 e 1910, ou à do vómito, a de 1974. Não esquecendo que esta se raiou profusamente do derramamento sanguíneo de tantos combatentes e populações inocentes do Portugal Ultramarino. Mas a ambição suprema era, como vai continuando a ser, livrar-se de embaraços e fazer como os outros.
Não se conte comigo para carpir os opositores organizados que procuram as substituições dos regimes. Vale para os skins de hoje, como para comunistas & Delgados do Antigamente. Acharia uma carência total de desportivismo um indivíduo que se associe com outros para acabar com um poder vir queixar-se de que o dito o tenha aprisionado, abanado, ou morto. Mas não me posso calar quando são pessoas que nunca manifestaram vontade de participar nessas corridas as vítimas de quem tem na mão os instrumentos opressores. Como as etnias que Hitler e Estaline dizimaram, as classes que Lenine e os Jacobinos atacaram, a Vendeia ou os nascituros que os democratas, parisienses ou abrilistas, resolveram assassinar.
Estafado, mais do que estafado se encontra o argumento do pluralismo. Este é restrito aos partidos que se entendem para distribuir-se quotas de gestores e altos cargos, comprazendo-se na sacro-santa "alternância", herdeira directa do Rotativismo que não deixou saudades. Tudo dentro da mesmíssima família, portanto, variando apenas o primo que, em cada hora, ocupa a cabeceira da mesa, com as inescapáveis mediocridades promovidas que as cumplicidades aparelhísticas trazem. Os estranhos encontram a porta fechada, todas as portas fechadas. Com uma tranca adicional, a exclusividade das atribuições das listas dos eleitos aos estados-maiores das facções reconhecidas. E nem dignidade houve para referendar a aceitação deste quadro político, ao contrário do que fizeram sistemas anti-pluripartidários que a isso não estavam obrigados pela retórica respectiva e, no entanto, se fizeram plebiscitar.
Ao ter confiado a sua génese à espoliante e ficcionada procuração do pretendido representativismo de uma Assembleia Constituinte, o sistema então nascente e hoje jacente fez assinar o pacto mefistofélico e assumiu-se de vez como o liberalismo do Demo.