Janelas Abertas
Passando a apresentar outra das aquisições recentes, tenho como grato poder ver um autor de outra nacionalidade encontrar nos Minhotos, que constituem um Nicho importante dos Meus Leitores e Amigos, aquele misto de actividade e sonho que julgo ter sido o que levou a Cristina Ribeiro a considerar-Se "um bocadinho nefelibata, mas só às vezes".
Da Província do Minho - mais exactamente nomeada Entre-Minho-e-Douro - os portugueses dizem de bom grado que é o paraíso lusitano.
(...)
Os Minhotos têm rostos claros, leais e limpos.
(...)
O calor do clima, a atmosfera húmida, uma sombra velando frequentemente o brilho vermelho do sol, o tom mais surdo mas ainda verdejante da região, fazem-na uma espécie de Bretanha meridional de que a melancolia não está, no entanto, excluída. O Minhoto é um sonhador mais metódico, mas também mais feliz do que o Transmontano, ou o habitante das Beiras.
Uma canção extravagante e algumas palavras feitas para a rima quiseram que os portugueses sejam alegres. Uma tradição bem estabelecida afirma que eles são tristes.
(...)
Nas classes mais educadas, onde o amor do país, o orgulho nacional são tão profundamente ancorados, a recordação das glórias do passado acrescenta à sua amargura. Este país, como varanda da Europa, desempenhou um papel tão fulgurante que ainda está um tanto deslumbrado dele. E por um singular ricochete, quanto mais um português é orgulhoso do seu passado, quanto mais ele mede com um tanto de amargura a diferença entre outrora e hoje, mais tende a tornar-se injusto para com a sua pátria, quer denunciando-lhe cruelmente os enfraquecimentos, quer não suportando que um estrangeiro o faça. Renascendo, segundo o esforço que empreende desde 1926, o país não dará mais azo a essas amargas críticas voltando a dar aos Portugueses mais confiança no seu destino.
Devo contestar num ponto essencial. Não creio, embora as peripécias históricas possam desculpar o diagnóstico, que o fulcro do tormento da reflexão que sobre nós fazemos tenha por base o tempo e a comparativa perda de importância. Essa é a ligação de estranhos cultos a isso predispostos, como a dos melhores espíritos patrícios, desejosos de afastar de si o mobil da Inveja. Não, não é sobre o Tempo, é sobre o Espaço o olhar que nos fere: verificarmos nos outros nossos contemporâneos a pujança e as realizações que nos desejaríamos, com o inerente esmorecimento fatalista que nos dá como delas incapazes. Por isso mesmo, ficamos igualmente tão escancarados à cópia do que se faz lá fora, o que doutro modo se não compreenderia.
O que não impede que este analista da nossa psique tenha acertado ao vislumbrar a última tentativa segura de construção genuína e isenta dessas duas pechas.
Da Província do Minho - mais exactamente nomeada Entre-Minho-e-Douro - os portugueses dizem de bom grado que é o paraíso lusitano.
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Os Minhotos têm rostos claros, leais e limpos.
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O calor do clima, a atmosfera húmida, uma sombra velando frequentemente o brilho vermelho do sol, o tom mais surdo mas ainda verdejante da região, fazem-na uma espécie de Bretanha meridional de que a melancolia não está, no entanto, excluída. O Minhoto é um sonhador mais metódico, mas também mais feliz do que o Transmontano, ou o habitante das Beiras.
Uma canção extravagante e algumas palavras feitas para a rima quiseram que os portugueses sejam alegres. Uma tradição bem estabelecida afirma que eles são tristes.(...)
Nas classes mais educadas, onde o amor do país, o orgulho nacional são tão profundamente ancorados, a recordação das glórias do passado acrescenta à sua amargura. Este país, como varanda da Europa, desempenhou um papel tão fulgurante que ainda está um tanto deslumbrado dele. E por um singular ricochete, quanto mais um português é orgulhoso do seu passado, quanto mais ele mede com um tanto de amargura a diferença entre outrora e hoje, mais tende a tornar-se injusto para com a sua pátria, quer denunciando-lhe cruelmente os enfraquecimentos, quer não suportando que um estrangeiro o faça. Renascendo, segundo o esforço que empreende desde 1926, o país não dará mais azo a essas amargas críticas voltando a dar aos Portugueses mais confiança no seu destino.
Devo contestar num ponto essencial. Não creio, embora as peripécias históricas possam desculpar o diagnóstico, que o fulcro do tormento da reflexão que sobre nós fazemos tenha por base o tempo e a comparativa perda de importância. Essa é a ligação de estranhos cultos a isso predispostos, como a dos melhores espíritos patrícios, desejosos de afastar de si o mobil da Inveja. Não, não é sobre o Tempo, é sobre o Espaço o olhar que nos fere: verificarmos nos outros nossos contemporâneos a pujança e as realizações que nos desejaríamos, com o inerente esmorecimento fatalista que nos dá como delas incapazes. Por isso mesmo, ficamos igualmente tão escancarados à cópia do que se faz lá fora, o que doutro modo se não compreenderia.
O que não impede que este analista da nossa psique tenha acertado ao vislumbrar a última tentativa segura de construção genuína e isenta dessas duas pechas.




