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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Quem Vê T. V....

...ai sofre, sofre! Então andou o Mestre a gabar-se de Almada, seu nome, querer em Árabe dizer ponte, quando um lapso de leitura assassino da Manuela Moura Guedes não lhe varreu, inda agora, o orgulho, dando-o como Almeida Negreiros?Será uma oposição inconsciente à terceira travessia? Olhá Psicanálise! Olhó acto falhado! Buuuuu!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Na Vã Guarda da Língua

De Magritte

No documentariozito sobre a Maçonaria ontem emitido pela RTP1, nem foi o olvido das actas da organização sobre o Regicídio a efectuar o que mais me surpreendeu. Aquilino Ribeiro jura a pés juntos que as viu, mas certamente era um ventríloquo da Reacção e do Clericalismo. E o Dr. António Reis falava na qualidade de Grão-Mestre, não na de historiador, o que, como se sabe, muda completamente os factos.
Não, o que mais espécie me fez foi a salomónica, melhor dizendo, balsemónica designação os maçons e as maçonas. Maçonas? Huuum, os meus dicionários não andam na crista da onda, mas haverá algum que consagre o vocábulo? A meu ver é difícil, maçon não é dos galicismos integrados, só pode ser escrito com itálico ou aspas em jeito de disclaimer, a palavra em Português deu mação. E aí fez-se a luz: é claro que não se podia derivar o feminino deste último, já que a óbvia construção daria maçã. Ora, o «Genesis» arquetípico ainda deixaria no subconsciente das gentes a sugestão de que os iluminados visionários do Supremo Arquitecto são maus como as cobras...
Não, maçona justifica-se. Antevejo os sopapos que recolheria se dissesse a alguma amiga, mesmo refractária à identificação do semantismo induzido: sempre me saíste uma maçona... é que a fonética evoca a de maçada. E até por aí, até por aí...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Direitos Difusos

Lendo sobre o desenvolvimento que o avançado sistema judicial Brasileiro permitiu, no sentido de processar os responsáveis pela emissão de uma telenovela, ocorre-me que, com equiparada legislação, por cá se poderia procurar sanção contra o Governo.
Vejamos:
veicula em excesso temas ligados às drogas, ou não fosse apoiado pelo partido que criou as salas de chuto; idem a actos criminosos, fazendo campanha desenfreada e legalizando o aborto, que era crime até então; aspas quanto à insinuação sexual, veja-se a introdução (sem malícia minha) das aulas ditas de educação do tema; igualmente quanto à promiscuidade, chamando alunos e outros a participar em avaliações de professores. Pode defender-se, é certo, dizendo que de erotismo e sensualidade, pevas. Mas talvez não concorde com tal toda a população privada de escolas maternidades e hospitais, a qual se sentirá... hã, violada. Inexiste pois a componente de sedução, mas não falta o acto em si e não-consensual.
Para mais, o Executivo mostra Duas Caras: a do humanismo e preocupação com o bem-estar e respeito pelas posições dos outros, quando lhe convém, a insensibilidade restritiva de direitos adquiridos e a intimidação, administrativa e até policial, quando lhe dá para isso.
Nem falta a dança do varão (ou do poste): mas muito mais ousada, pondo o Serviço Nacional de Saúde de pernas para o ar. E todos estes atentados ao pudor entram-nos rádio ou televisivamente pela casa adentro 24 horas por dia.
Senhor Procurador, de que está à espera?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Crime, Digo Eu

Diz-se - e com boas razões - que não se perde um jogo de futebol por causa dos jornalistas, mas é bem possível comprometer uma investigação criminal graças aos comentadores. A fúria que deu nas TVs portuguesas em mandar para o ar uma multidão de criminologistas de trazer por câmara, a propósito do caso Maddie, pode bem ter forçado a decisão agora apresentada como erro e de que esses seráficos opinadores se demarcam. Meses atrás enjoava ouvir a convergência destes sem cargo a quem saiu a sorte grande, no sentido de responsabilizar pelo desaparecimento e, até, por um hipotético homicídio os pais da Miúda. Ainda admiti que se tratasse de concertação com a PJ e o casal McCann, no sentido de abrir a guarda dos culpados. Não o sendo, trata-se de inadmissível constituição de arguidos a pedido, pelo que devem ser imputadas culpas aos investigadores que cederam, mas não podem ser inocentados os pressionantes e televisivos opinadores que a reivindicaram. A Polícia terá feito figura de Inspector Clouseau, mas por não ter sabido permanecer closed à confecção de uma solução por particulares sem maior participação no processo do que a de palrar sobre ele. E por isso embolsar, mesmo que se comprove não terem tido a verdade no bolso.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Demónio de Vingança!

Dona T, os monstros têm que se lhes diga, tanto que prometo para breve postal abordando o tema com maior latitude. Por agora cinjamo-nos ao Seu mote, da «Buffy Caçadora de Vampiros». A figura da protagonista está imaginativamente concebida e a Actriz é bastante hã... motivante. Há é ambiguidades por todo o lado, veja-se a relação dela com o vampiro e a vontade(!!!) deste em recuperar a alma. Mas a minha personagem preferida é, bem nessa linha, Anya, o ex-Demónio de Vingança, interpretado genialmente por Emma Caulfield, transformado em Mulher indiscutível, com reminiscências remontantes dos tempos infernais, o que comprova a proximidade entre certa faceta feminina e o universo mental diabólico. Maxime na tentação...
Ou de como continuo a querer abraçar um Afecto que, parafraseando MUITO livremente o Seu Comentador Tiago, pegou de estaca.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"Gentlemen Of The press"?!

Nunca esquecerei igual dia de 1986, quando a nave Espacial Challenger explodiu. O YouTube está cheinho de imagens, mas tive, pelo menos, o gratificante consolo de não ver nele a que na altura do horror mais me chocou - o filho da Professora tornada Astronauta, Christa McAuliffe, filmado a ver a morte da Mãe pela TV. Nenhum dos responsáveis pela cobertura se lembrou, então, de desligar a câmara. E aí morreu um pouco mais do que me restava de confiança no Homem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Problemas das Metrópoles

Causa
e
Efeito:
Nunca invejei tanto Duas Amigas muito Queridas, que nem Se conhecem, as Quais tiveram a coragem de deitar fora os televisores...

sábado, 29 de dezembro de 2007

O Caçador de Vampiros

Estão os Leitores habituados a que este bloguista desanque a classe política que suga o sangue do País, mas ignorarão que ele inspirou um combatente contra a vampiragem tout court. Graças à imaginação do Capitão-Mor, aí o tendes, na peugada da Buffy.
Donde terá vindo a inspiração ao Nosso Amigo? Tenho um palpite: quem siga a série americana da Slayer sabe que ela está empenhada numa luta sem tréguas contra o Mal absoluto liderado por um espírito tenebroso chamado O Primeiro. Ora, por cá o Bem igualmente tem de ser mobilizado contra as arbitrariedades do nosso Primeiro... e numa equipa que inclui um vampiro reconvertido, uma bruxa e uma ex-demónio, um réprobo não fará fraca figura...


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lapsus Linguae do Dia

Foi hilariante ouvir Judite de Sousa noticiar, no Telejornal, que os partidos que não consigam provar ter pelo menos cinco mil habitantes (sic, apesar de ter sido na RTP1) serão extintos.
Muito revelador, o acto falhado: com efeito é nessas organizações que muita gente leva a sua vidinha...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Nó do Problema

Abandono de Robert G. Gardner

Antes de discutir se o principal ponto do abandono pelo Presidente Sarkozy da entrevista em que uma jornalista o interrogou sobre a solidão em que Cécilia o deixou é ou não o problema do nó, gostaria de chamar a atenção para o papel precursor de Santana Lopes, quando se retirou por lhe ver preferido nas prioridades Mourinho; e para a notícia do fim de semana, em que o jogador italiano Cassano saiu dum jogo por não concordar com uma decisão do árbitro. O que os três episódios têm em comum é remeterem para questões de estatuto. O do atleta transalpino é censurável, na medida em que consiste numa subtracção a autoridade que se tinha comprometido a aceitar. O do Político Luso, já por mim abordado, muito compreensível, por recusar que fosse levada às últimas consequências a inversão de hierarquia entre quem tem a incumbência de noticiar e quem tem a capacidade de tomar decisões a que seja dada relevância noticiosa, apesar das transigências que a dependência dos votos e das câmaras impõe.
E o Chefe de Estado Francês? Claro que está no seu pleníssimo direito de não expor detalhes da vida matrimonial, como qualquer outro cidadão. Mas não assim no "profissionalismo" dos membros das Famílias Reais, sabedores de que a privacidade que podem reivindicar é muito mais reduzida do que a do vulgo, desde os tempos em que as Rainhas de França davam à luz em público. A medida da incompetência da jornalista esteve em não se ter apercebido de que inquirir um político eleito é incompatível com a nostalgia da Royauté. E de que a postura dos entrevistados está longe do sonho dos entrevistadores, de um abandono à sua condução, num relacionamento frio e sem afecto.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Os Caniches

A História televisiva, quando tenta agradar à linha oficial, é abaixo de cão. Mas os «Prós e Contras» de ontem esmeraram-se a tal ponto que só podemos detectar no programa os segundos. Foi uma penosa sucessão de autismos memorialistas que, anunciados como um debate em profundidade, se ficaram pela discussão da nomenclatura "Ultramar versus Colonial". Pouco, pouquíssimo. E uma falsa questão. Já se sabe que a criação das Províncias Ultramarinas foi feita com o intuito de justificar juridicamente a conservação dos territórios. A questão está em se foi ou não levado a cabo um esforço sério de efectiva integração. E ninguém que lá tenha vivido negará o empenhamento e investimento de um País tão pequeno e pobre, comparado aos britânicos, que apenas educaram o indispensável ao serviço da sua máquina administrativa, ou aos outros, que nem isso fizeram.
O único interveniente que tinha uma agenda articulada era Matos Gomes. Mas em que sentido, Santo Deus! Quem o ouvisse ficaria a pensar que Salazar fazia parte dos quadros dirigentes da UPA, ao escutar a peregrina tese de que fora o atraso no envio de meios militares contra uma eventualidade prevista que permitira os massacres com que a guerra começou no Norte de Angola. Passemos por cima da capitulação moral que é não condenar as barbaridades cometidas, como se de uma catástrofe natural se tratasse. Para além de não se perceber que tropas poderia o Presidente do Conselho enviar antes de neutralizados Botelho Moniz & Cª, se as que lhe eram hostis e decerto apressariam a entrega, se as que lhe obedeciam, entregando assim o poder em Lisboa, nem quero pensar no que seria, por ONUS e chancelarias fora, a peixeirada de acusações contra os infames colonialistas que, sem qualquer motivo visível, estacionavam meios militares importantes junto à fronteira do Congo, numa clara manobra intimidatória contra uma nação explorada e inocente...
Depois foram os habituais dislates sobre a "impossibilidade de se ganhar uma guerra de guerrilhas", como se os Ingleses o não tivessem feito no Quénia ou na Malásia, ou os MaoMaos e os Maoístas asiáticos se destacassem pelas manobras da sua infantaria de linha... Ou como se nós próprios o não tivéssemos conseguido, ultrapassando o momento da ausência de meios e da hostilíssima Administração Kennedy, criando uma situação de controlo que decerto aguentaria mais seis anitos. Não seria com Reagan, muito menos depois da derrocada soviética, que adviria a impossibilidade de conservar-nos em África. Mas os cãezinhos obedientes gostam de adivinhar os desejos dos donos em troca de umas festinhas...

A imoralidade de um regime republicano que se empenhou em transformar numa exploração colonial pura e dura a antiga presença baseada nas alianças da Monarquia com as chefias tradicionais africanas ocorreu-me quando vi quer as acusações da instituição colonial por Berlim, quer a promoção do Gungunhana a herói da resistência, por um ex-guerrilheiro da FRELIMO. Que as potências enforquem os inimigos que desrespeitam tratados, está muito bem. Mas que um pequeno país exile numa ilha aprazível, em melhores condições do que se fez a Bonaparte, um régulo que atraiçoou o acordo que os Vátuas tinham feito com a Coroa Portuguesa, para se procurar colar a quem via como mais poderoso, ali mesmo ao lado, passa a ser um acto de repressão! Tanto assim, que, nos Açores, o chefe africano e os ministros deportados, sentindo outra vez a nossa força - que era o que admiravam -, de imediato se converteram ao Catolicismo, sem que ninguém o tivesse exigido ou pressionado. Para além da capitulação perante um Mouzinho dotado de forças muito inferiores, salvo na coragem. Parece muito pouco para fazer um herói independentista.
A terminar, Fátima Campos Ferreira. Pior era impossível e eu, que a defendi em outras ocasiões, não tenho aqui como fazê-lo. Chamar "Mar à Vista" à célebre operação Mar Verde poderia ser um lapso. Mudar apressadamente de interveniente quando o Major Lobato disse que os governos ainda fazem acção psicológica sobre os seus nacionais passaria por mera tentativa de garantir o pão em tempos de vigilância apertada. O incómodo de ver o Embaixador da Guiné reduzir um feito nacionalista africano a um problema laboral quadra bem no incómodo ante o imprevisto. Agora confundir a Guiné com Angola e dizer que era nesta que a situação militar era menos boa e o território mais difícil é ignorância suficiente para justificar outra presença na apresentação do programa.
Posted by Picasa

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A Condensação da Hierarquia

Dignidade de Randall La Gro

Não vi em directo a retirada de Santana Lopes da entrevista, por lhe terem interpolado a chegada de um treinador despedido. Mas os Jornalistas são os últimos culpados da atmosfera social que permitiu a evaporação do respeito pelos titulares da coisa pública. Descontando já os casos de desqualificação por criminais cometimentos, como pode sentir-se alguma reverência por quem pede tempos de antena como quem pede votos? Governantes a sério não se deslocariam a estúdios televisivos, fariam os entrevistadores deslocar-se às sedes do Poder; não obedeceriam a horários de estações televisivas, imporiam as possibilidades das suas agendas e disposições. Mas para isso teriam de receber o mandato de Cima: do Rei, dos Militares, fossse de que Tradicional Entidade fosse, nunca do voto popular, para mais defraudado pela sapa da minagem partidária. Assim se compreende o espanto da Perguntadeira. Mas este assomo de dignidade não deve passar de um chuvisco...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

«Nada de Novo Debaixo do Sol»?

Salomão pareceria bem certo. Dois castings tomaram as atenções dos observadores de passarinhos deste verão: a das novas três amigas da TV Cabo e a das Cheerleaders do Benfica. Dá-se aqui uma ideia das diferenças de exigência entre um e outro dos certames. Há um afastamento atroz de dimensão entre imitar a campainha de um telefone antigo e, huuuum, não comprometer a coreografia linkada. A que implica puxar pelo corpo, justamente.

Mas tais selecções são pouco menos antigas do que o Mundo. A primeira creditada, como se vai dizendo agora em vez de "consagrada na História", foi a de Zeuxis, esse Pintor notável da Grécia Antiga que, para executar uma encomenda de pintura do motivo de Helena de Tróia, exigiu à contraente cidade de Crotona o envio da fina-flor da sua juventude feminina, tendo em vista a escolha de cinco, a partir de cujas perfeições pudesse compor a mítica causadora da Guerra.

Eis o episódio, por sua vez pintado por Long, no momento da selecção, acima; e do resultado final, mais abaixo. Como se vê, tudo como dantes, quartel-general em Abrantres. Mas será? Nem por sombras, o Sol que nos dá vida é, já o sabia Mestre Piçarra, o Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Pelo que se nada inova sob ele, a encarnação e ampliação da sua Luz Intensa é a Boa Nova por que se espera. Coisa uma vez mais provada pelas imagens...
Há coisas fanáticas, não há?

sábado, 11 de agosto de 2007

A Prepotência Mediática

Revolta de Tamara Gritzuk

Apesar de tudo, pensava que existisse mais contenção. Pondero seriamente não ver mais noticiários da TVI, desde que, hoje, assisti ao inqualificável, o reporter no terreno do caso Maddie, Amílcar Matos, insurgir-se contra as declarações de um elemento da Polícia Judiciária, que teria afirmado não serem suspeitos os Pais da desaparecida. O atrevimento chegou ao ponto de afirmar que não se percebe como estas declarações puderam ser feitas, porque as regras básicas de investigação criminal dizem que as pessoas mais próximas dos desaparecidos são sempre suspeitas. O Leitor está confuso? Talvez pense "De que título se poderá arrogar uma cadeia televisiva para ditar normas de investigação criminal?" Ou se terá a companhia em questão uma explicação suficientemente forte que indicie o casal inglês? Deixe-Se disso, a desrazão é mais simples e revoltante, considerando o que se procura deslindar. É que a entrevista policial foi negada à estação e dada a orgãos de comunicação social britânicos. A concorrência é guerra em que vale tudo.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A Proverbial Ignorância dos Políticos

Marte Vencendo a Ignorância de Anton Claeissens

Não se tire a conclusão de que ando especialmente desocupado, porém ontem ainda caí na esparrela de ver o debate televisivo sobre as eleições municipais de Lisboa. Pura cusquice e amor à Capital, uma vez que não sou lá munícipe. E se a curiosidade matou o gato, nesta modalidade acabou por anestesiar o telespectador. Muitas boas intenções apelando ao consenso perante a "situação dificílima", incapacidade total de descer de um certo nível de generalidade à terra. Para cúmulo, uma vez mais se comprova que, tal como as metáforas, provérbios em boca de políticos são desastre certo. Foram pelo menos dois os que, com grande solenidade, recorreram ao «vão-se os anéis, ficam os dedos». Simplesmente, onde o adágio significa a desejabilidade da permanência do essencial, nas mentes daquelas alminhas parece ter-se transmutado em indesejablidade da continuação da alienação de recursos. Perante tal afastamento da sabedoria popular, o contacto com o Povo fica reduzido ao que para eles conta, a captação do voto, em troca da simpatia e afectividade artificiais. Há que travar um combate sem esmorecer contra os vícios partidocráticos travestidos em debitadores de brocardos, ou, depois de termos perdido o conforto de um Poder em que confiar, veremos evaporar-se a certeza linguística a que recorrer.

sábado, 9 de junho de 2007

O Prejuízo da Certeza

Não contem comigo para abordar a palhaçada que vem sendo a saga prisional de Miss Hilton, que me parece promoção de imagem muito mal montadinha. Há um acontecimento trivial bastante mais interessante nos States, que é o aqui narrado. Devo desde já dizer que sempre achei a popularidade do Wrestling uma coisa inexplicável, visto a transformação a que chegou dar em coisa tão fingida como o que julgo serem as lágrimas e a doença da Paris. O que me faz espécie é tanta má vontade preventiva contra a transformação da modelo e ex-miss em pivot de noticiário televisivo. Por que partem do princípio de que se estará perante um abastardamento da linha da cadeia difusora que a empregou e não de estar quase a consumar-se uma mudança de vida? Onde pára o benefício da dúvida? Pobre Lauren Jones!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Jogos de Câmara

O Casal e a Caverna de Jorge Estrada

A voracidade televisiva por desaparecimentos de crianças pode encontrar as legitimações que queira. Desde logo a de mobilizar os telespectadores para participação no esforço de as encontrar. E não sou inocente ao ponto de não saber que as declarações certas, pretensamente deixadas escapar pelas Polícias e difundidas pelos Media, podem confundir os raptores, embora duvide da inteligência para o efeito necessária em todos os nossos jornalistas. No caso da pequenina inglesa, que com todas as forças espero que apareça sã e salva, surge, no entanto, uma dúvida forte - a atenção das televisões seria igual se não fosse a telegenia dos pais e o encanto que se desprende das fotografias da desaparecida? Casos anteriores que também concitaram coberturas obsessivas parecem desmenti-lo. Mas nesses não se verificou o autêntico namoro dos cameramen com as vantagens da mãe desesperada, focando-lhe artisticamente ora os olhos, ora a boca, em zooms que quase se diriam poéticos... O mal é que este triunfo do Belo sucede na coutada que deveria pertencer ao Útil.
Tenho para mim que todo o interesse dispensado pela Comunicação Social às infelicidades infantis é tentativa apressada de se limpar da parcialidade inacreditável que na questão do aborto a maioria dela demonstrou, em prejuízo dos mais novos de todos...
*
Outra face da exposição mediática é a nova da publicação de desentendimentos privados entre Ségolène Royal e François Hollande, na sequência da candidatura Socialista derrotada. Tanto barulho à volta da possibilidade de a sua relação pessoal transpirar para as posições públicas de ambos e afinal o que se verifica é que os posicionamentos oficiais que desenvolveram obrigou a uma suadeira que pode comprometer a esfera da privacidade! E é sempre a indiscrição das reportagens que, à custa das famílias, alegremente se promove, escudando-se no dever de informar, mesmo quando o que sobressaía era o de o fazer menos.
Ainda bem que os réprobos vão tendendo para a obscuridade!

Royal Couple de Samuel Bak

segunda-feira, 16 de abril de 2007

...A Tumba o Leva"



Podia ser o fecho de uma sentença começada por "O que a TV dá...
Perdi ontem preciosas horas a ver o famoso documentário sobre a alegada descoberta do túmulo de Jesus e deparei-me com uma ficção de má qualidade. O melhor argumento dado para vender a tese de que aquele Jesus, ali sepultado com familiares, era Jesus Cristo foi a estatística. Nem me aventurando pelas inconsistências técnicas que apontam aos dados fornecidos, lembrarei que muitos dos grandes acontecimentos históricos têm uma base de probabilidades de partida infinitamente menor. O cálculo das ditas poderá ser aliciante para sondar o Futuro, indeterminável que se mostra à maioria, não serve para apurar o Passado, o qual participa de uma esfera de verdade, não já de possibilidade, embora possa auxiliar. E as declarações do expert que computou os elementos são docemente modificadas: quando ele diz que os nomes em conjunto são mais raros do que cada um dos elementos que o compõem o termo rarer é dado como rare. Claro que um Zé filho de uma Ana e de um João, com um tio António, é mais raro do que a identidade Zé, por si só considerada. Mas quem poderá concluir pela dificuldade de achar uma tal correspondência? E os nomes em questão eram suficientemente comuns para aguentarem a comparação. Em momento algum se toca no espanto que seria Naturais de outra região não serem sepultados, como era hábito, com o nome da terra de origem: nem vestígios de Nazaré, Magdala, etc., ao contrário do que acontece com o recipiente que recolheu o Simão que ajudou na Caminhada Final.
De resto, toda a história abana muito, ao recorrer a falsários estabelecidos, quer na recolha da patine, com o envolvido num "achado" adicional forjado para acrescentar aos Manuscritos do Mar Morto, quer ao inventar o "Túmulo de Tiago", já certificado oficialmente como impostura, estando o proprietário processado criminalmente por várias fraudes arqueológicas. Além de não ter desaparecido nenhum receptáculo de ossos, bem como de o que se tentou impingir como tal ter dimensões bastante diferentes das registadas.
Acresce toda a insuficiência na análise de DNA que a Arqueóloga portuguesa entrevistada no fim apontou. E, na tentativa de pôr na sepultura uma Maria Madalena, o esforço de aproximar - que nem se conseguiu fazer coincidir - uma menção grega, quatro séculos posterior, de uma inscrição aramaica desafia a lei da gravidade investigatória.
Por fim, o ângulo e o círculo, passados como um símbolo Cristão arcaico, quase esotérico, encontram-se frequentemente em muitos elementos funerários judaicos, conforme os bons catálogos mostram à saciedade. E que lógica teria uma religião perseguida inscrever um emblema do próprio Credo à vista das autoridades que atacavam os Seus enquanto vivos, ou perseguiam a memória dos mortos?
Se era só isto que havia para dar, vou ali e já venho.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Língua Independente

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Como é diferente o falatório através da televisão! Estava o maldito que assina e se assassina posto em sossego, numa poltrona diante do Telejornal da RTP1, quando vê o experiente presidente da Associação de Estudantes da Universidade Independente minimizar o assalto à Reitoria onde ia prevalecendo a "política da chaise vide por obra e graça da Polícia Judiciária", dizendo tratar-se do feito "de alguns estudantes mais empolgados". Empolgados?? Hraaaaaam, o termo é bonito e até teve caução recente do Eng. Fernando Santos, a propósito do desempenho benfiquista após a marcação de um golo no terreno do adversário europeu. Pena que lhe não hajam pegado na palavra em todas as circunstâncias da VIDA, mas adiante. Fosse como fosse, duvidei da excelência da escolha vocabular. Lá me socorri da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e li:
*Seguro com a mão, apanhado, agarrado.
Não me parece poder ir por aqui. É evidente que o comportamento dos arrombadores evidencia participação da condição inversa. Ainda se fosse o vice-reitor, jazendo no calabouço....
*Tirado violenta e injustamente.
Esta também não se adequa aos violentadores da porta directiva. Deve estar guardada para a propaganda do ex-Engenheiro Sócrates, a propósito do sucedido ao diploma de licenciatura.
*Aferrado.
Mas como, Senhores, se os discentes entrevistados apregoavam aos quatro ventos a sua capacidade de cortar as amarras e de zarparem para outros estabelecimentos de ensino?
*Dominado, arrebatado.
Podia bem ser esta a significação pretendida. Mas o que transmite é a reacção a algo bom, como demonstra o exemplo dado a seguir, da audiência transportada de entusiasmo pelo orador, ou o supra-citado dito do treinador das Águias. Ora, os estudantes mostravam-se tudo menos deslumbrados com a acção dos corpos regentes da instituição...
E foi então que percebi: empolgado, naquela acepção, vinha de Polga, o conhecido defesa sportinguista. Porquê? Ora, a entrada foi forçada a cargas de ombro e a pontapé. Assim faz todo o sentido, pois são esses os movimentos permitidos a um futebolista. Empolgado quereria pois dizer à maneira de Polga. O facto de ser um obstáculo de madeira (e não zona igual do corpo do adversário e a bola) a sofrer o trato referido é o que promove a palavra a figurão de estilo.

Seguiu-se uma peça jornalística sobre o wrestling no Partido Popular, em que se dizia que a Dr.ª Maria José Nogueira Pinto "saíra em colisão com o Conselho Nacional". Puro pauperismo descritivo! Como a Política em questão fazia parte desse lúgubre veículo que é o orgão máximo entre congressos, presidindo-o mesmo, parece por demais evidente que não poderia colidir com ele. Do acidente ficaria bem o auto de notícia que dissesse ter a Figura Pública referenciada sido cuspida, para sua sorte, acrescento. Demos graças ao Senhor Nosso Deus que o reporter não pertença aos quadros da Brigada de Trânsito da GNR, a bem da inteligibilidade policial da Nação.
Com este panorama, empatado por uma Sérvia de Coroa restaurada na bandeira, quiçá a anunciar novos cometimentos, fui deitar-me.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Limitação da Vida

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O poder que se traduz no domínio das mentes é tão viciante e obsessor, na crescente e insana vontade de expansão, como qualquer tendência para o coleccionismo. Não é pois de estranhar que a Televisão, cansada da facilidade e do adquirido que é a confecção das informações que comandam o Presente, tenha igualmente querido determinar o Passado. O terreno parecia prometedor, dada a ignorância da História expressa nos testes liceais e a apatia da camada da população propensa a reagir contra os donos da Actualidade.
Vai daí, o modelo do concurso era o mais prometedor. Num regime que não tem credibilidade para conceder títulos nobiliárquicos autênticos e em que as condecorações, desde que encabeçadas pela amarelada ou alaranjada Liberdade, são objecto de troça universal, nada mais indicado do que escolher o expoente nacional por uma votação que mobilizasse os telespectadores. A própria entidade organizadora poderia abichar uns ganhozitos-extra, caso conseguisse impingir um poeta, escalando até ao cimo a montanha que é o estatuto de promotor da cultura, ou lisonjeando alguma figura do regime, coisa capaz de outorgar lucros mais baixos, logo mais sensíveis...


Contudo, a avidez forçou à batota. Ao imporem uma lista de onde tinha sido excluído o governante com mais tempo de exercício no País, excitados ficaram os ânimos de muitos que se conformaram com trapaças outras, ou que, por acharem que hoje nada vale a pena, se alhearam de as combater. Ganhar o Pretérito com cartas marcadas é que passava as marcas. É neste sentido que se pode falar em "voto de protesto", na escolha de Salazar como o maior Português de sempre. O grito contra o regime vigente nunca alcançaria tanto, por muito que ele o mereça, como merece. Mas pôr a nu um jogo viciado ainda é capaz de decidir à acção muitas consciências honestas. PENA É QUE NÃO SE EXTRAPOLE DESTA REVOLTA PARA A ELIMINAÇÃO DE OUTRA BATOTICE ANUNCIADA, A DA CONCESSÃO EXCLUSIVA AOS PARTIDOS DA DISPUTA DO PODER. É TÃO REPUGNANTE COMO A ELABORAÇÃO DE UMA LISTA FECHADA DE CANDIDATOS, À ESCOLHA DO FREGUÊS...
Este opinador não votou, porque não gosta de televisão, nem de eleições. Na hipótese absurda de ter outras predilecções, votaria noutro nome que não o de Salazar, não porque não achasse que a ele iria mal o estatuto, mas porque "sempre" é muito tempo. E porque a criação da Pátria ou a conformação do Mundo ao jeito dela sugeririam O Conquistador ou o Infante como escolhas mais acertadas. Porém, nestes tempos em que as névoas do embrutecimento aprisionam os passatempos da comunidade, a preferência que constitui o aguilhão capaz de incomodar a manipulação estabelecida obriga, sem constrangimentos, a soltar uma sonora gargalhada!