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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Tigres de Cartão?

Nada como conhecer o Passado para remediar o Presente: lendo revista de 1957, fico inteirado da imaginação de um município francês, que semeou polícias de trânsito de cartão pela borda da estrada, fazendo com que os automobilistas, incapazes de separar os verdadeiros das imitações, tomassem mais cuidado. Não seria de colocar um batalhão destes à janela de cada esquadra da nossa PSP, para evitar que agressões como a perpetrada naquela que apenas tinha um indefeso agente de serviço voltassem a acontecer?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O Vazio Policial

O Senhor Ministro garante que não faltará verba, nem a consequente gasosa nos depósitos das Polícias e eu quero crê-lo com todas as minhas forças. Porém, o «Destak» de hoje, a páginas quatro, diz que, já depois de tão formal garantia, as forças policiais colocam essa possibilidade. Não sou eu, ignorante dessas coisas, que duvido do Governante, são os seus homens no terreno, o que é péssimo sinal.
Lendo o título acima sou inteirado da organização da Polícia na Cidade de Lisboa, no Reinado de D. Luís, em que as doze Esquadras e múltiplas secções cobriam a área citadina não só atendendo às necessidades de então, mas como base do crescimento futuro. Optou-se nesta República partidocrática por fechar postos e confiar a segurança a um elemento mais precário, o da mobilidade que as viaturas facultam. Com uma gigantesca paralisação perspectivada, em caso de crise grave, temo que se pretenda já enveredar pela substituição da frota por veículos fuel-cell, movidos por combustíveis não extraídos do petróleo. E que de restruturação em restruturação, cada vez mais se fique preso ao chão.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Caso a Caso...

Não foi assim há tanto tempo que se anunciou, com estrépito e triunfalismo, a construção de uma super-esquadra que viria a melhorar a segurança das gentes, substituindo a inoperacionalidade alegada dos postos dispersos, pois não?
Seria este o efeito pretendido, de deixar que em Moscavide estivesse uma concentração policial menos celebrada entregue a um agente solitário, de tarefas burocráticas encarregado? Quem pode ficar tranquilizado com a desculpa oficial de se tratar de um caso isolado? Isolado por já serem raras as delegações da polícia? Não se percebe que quando um grupo invade uma sede da PSP para surrar um queixoso não só se atesta a absoluta falta de temor e respeito pela Instituição, da parte dos agressores, como se infunde acsoluta falta de confiança no resto da População? Não é um exemplo, o negativo como o positivo, sempre um caso isolado?
Mas, por fim, julgo ter compreendido a reacção das autoridades. Decerto o membro da corporação indefeso teria o apelido Caso. E quiseram dizer que ele se encontrava sozinho.
Obrigadão, já tínhamos percebido!

sábado, 19 de abril de 2008

Dedos Apontados

Infelizmente, só se conseguiria eliminar a corrupção, extinguindo o desejo, na impossibilidade de preencher todos os lugares de influência com uma avaliação conhecedora, segura e de imutabilidade garantida nos apreciados. Mesmo a abolição do dinheiro não chegaria, há sempre outras apetências, sexo, honrarias, o que for.
Assim, pode minorar-se, apenas, esta chaga. E o remédio é conhecido há milénios, aplicável a todos os crimes e, nas suas duas modalidades, assente no medinho a incutir nos potenciais infractores: ou uma polícia muito eficaz, ou penas muito duras. Eu diria que o ideal seria combinar ambas.
Não é o que se passa em Portugal, com quem sabe fazê-la a rir-se quase sempre das investigações e verificações, ou, quando descoberto, com os julgamentos que não andam e acabam, depois de muito palavrório, em penalidades irrisórias, sendo tanta vez, se a cominação envolve prisão, suspensas.
O que de todo se não deve fazer é os responsáveis por um e outro destes meios acusarem o restante da culpa do caso. Mero sacudir da água do capote que não fará mais do que assemelhar a situação à da Rússia deste trabalho de Mikhail Zlatkovsky, em que muitos dos que parecem mais afastados da tentação ficam num estado de vulnerabilidade que bastante favorece os que visam corrompê-los, seguros da respectiva impunidade.
À Superior Consideração da Senhora Procuradora-Geral Adjunta e do Ministro Costa.

sábado, 15 de março de 2008

Os Idos de Março

Tu quoque fili mi?
Morre, então, César!


domingo, 9 de março de 2008

Cintura de Segurança


Eu nem contesto que a Polícia faça observar as normas de segurança rodoviária. Gostava era de ver um estudo comparativo da actuação dela neste e no caso das excursões que trouxeram uns velhinhos levados para aclamar a eleição do Dr. Costa, sem saber ao que iam...
Olha se, em 1828, a multidão que acorreu a Belém, para receber o Senhor D. Miguel, tivesse tido de passar pela Brigada de Trânsito? Isto é que teria estado uma açorda!
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sexta-feira, 7 de março de 2008

Super Marcado

Tenho persistentes dúvidas sobre a vantagem de criar um cargo que centralize as actividades das polícias e dos serviços. Muita da sua eficácia parece-me residir na riqueza das vocações e aptidões de cada, que podem ser embotadas por uma coordenação comum. Se esta falhar, todo o sistema fracassa, sem volta possível. O melhoramento a introduzir deveria ser orientado para a comunicação entre os vários organismos, não para o decalque de czar securitário à americana, já que as dimensões geográfica, constitucional e populacional dos dois países são completamente diversas, tal como o número de agências e corporações. Mas um secretário-geral do sistema de segurança é um apetitoso meio de o Governo aumentar o controlo sobre as forças dependentes. O que ameaça transformar o superpolícia num Superpateta.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Desistência en Três Tempos

O estranho caso do nomeado que, como o caranguejo, andou para trás, no provimento da vacante direcção da PJ portuense só me suscita um comentário: por muito competente que o jurista em questão seja nas instrumentais tarefas em que exerce os seus conhecimentos, não serve, de todo, para esta chefia. Não por a realidade o ter desmentido quanto ao pacífico carácter da sua abortada ida para a referida direcção. Sim, por não ter tido o pudor de se escusar, atado que estava a laços notórios com parte interessada numa mediática investigação dependente do organismo que se propunha conduzir; e por haver emitido tomadas de posição muito audíveis contra uma escolha anterior, conexa. Quem assim toma partido deve abster-se de aceitar cargos que o tornem suspeito.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Estado Policial

Coisas do século passado! «O Século» de 25 de Fevereiro de 1961 dava esta notícia da plena confiança que as pessoas depositavam nas entidades policiais, a propósito do fumo: o proprietário do café acreditando que a cliente de cigarro na mão seria removida, esta fazendo fé em que a queixa apresentada garantiria a sua dignidade e razão.Compare-se com o estado de coisas socrático-ASAEsco: clientes e proprietários de estabelecimentos unidos, tentando que a nova polícia os não aperceba, com esta metendo o nariz onde não (e por ninguém) é chamada...
Onde mora o Totalitarismo?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Jardins em Vista

Segundo informa Pedro Bebiano Braga, a Rainha D. Maria Pia, sugestionada por Lobatos & C.ª que davam o Jardim de S. Pedro de Alcântara como o Gampo Grande dos pobres, escusou-Se durante muito tempo a lá passear, por crê-lo o local de rendez-vous de todas as cozinheiras da cidade. Isto até que a Marquesa de Rio Maior A levou lá, encantando-A as vistas. Apetece desde já dizer que bons tempos eram esses em que os jardins faziam algo pelos humildes, em vez de operações ruinosas em que apenas as próprias aposentações não saem prejudicadas.
Mais se conta em «A Sétima Colina», que havia vigilância por guarda e porteiro para evitar quebras de moralidade na progressiva frequentação nocturna de costureiras, operários, saloios e vadios, vindo mais tarde a colocar-se guarita e sentinela policial para obviar a suicídios que proliferaram. Claro que hoje, se os olhos do poder continurem postos no exemplo de além-fronteiras, não tardará a mobilização geral da ASAE contra os fumadores que pelo perímetro se aventurem...
Dedico esta breve notícia ao Bic Laranja, Que exemplarmente referiu o termo das obras lá sofridas e à Luísa, pela sensibilidade invejável com que fotografa da zona.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Adivinha

Gravura de Nicolas de LarmessinPor que é que sujeito aos ditames da Administração Sócrates/ASAE este facultador de café e chocolate estaria condenado a assemelhar-se a um Sem-Abrigo?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Crime, Digo Eu

Diz-se - e com boas razões - que não se perde um jogo de futebol por causa dos jornalistas, mas é bem possível comprometer uma investigação criminal graças aos comentadores. A fúria que deu nas TVs portuguesas em mandar para o ar uma multidão de criminologistas de trazer por câmara, a propósito do caso Maddie, pode bem ter forçado a decisão agora apresentada como erro e de que esses seráficos opinadores se demarcam. Meses atrás enjoava ouvir a convergência destes sem cargo a quem saiu a sorte grande, no sentido de responsabilizar pelo desaparecimento e, até, por um hipotético homicídio os pais da Miúda. Ainda admiti que se tratasse de concertação com a PJ e o casal McCann, no sentido de abrir a guarda dos culpados. Não o sendo, trata-se de inadmissível constituição de arguidos a pedido, pelo que devem ser imputadas culpas aos investigadores que cederam, mas não podem ser inocentados os pressionantes e televisivos opinadores que a reivindicaram. A Polícia terá feito figura de Inspector Clouseau, mas por não ter sabido permanecer closed à confecção de uma solução por particulares sem maior participação no processo do que a de palrar sobre ele. E por isso embolsar, mesmo que se comprove não terem tido a verdade no bolso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A Vida A Salto

Como o final foi feliz pode-se brincar à vontade sobre esta variante de uns Pais quererem ver a Filha bem lançada na vida. Mas é situação que não deixará de tocar os mais empedernidos o dilema, sem tempo para sopesar as opções, de deixar ser afectado pelo fogo ou precipitar das alturas, sem garantias de sucesso, um ser tão frágil e tão amado. Uma coisa é certa, o catcher que deveria superar todos os vencimentos milonários do baisebol profissional encarna em agente da polícia que agarra sem tremer uma bola daquelas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Cheiro a Esturro

Overdose de Conni TogelÉ o que me ocorre dozer e não creio que alguém, por esse facto, me possa acusar de snifar demasiado. O desaparecimento da droga da Esquadra de Albufeira não é nem um pouquinho estranho, por ser valiosa. E o facto de os responsáveis da Força da Brigada de Trânsito que a capturou terem ordenado que fosse procurada no esgoto é sinal evidente de que a apreensão entrou pelo cano... Não foi certamente para consumo, actividade legalíssima e para a qual um posto policial parece particularmente idóneo, em nome do Serviço Público: no day after seriam visíveis no local os efeitos da chuva de pedras.
Fora de brincadeira, há muito que explicar sobre como tão considerável quantidade de um material vendável, perigoso e sensível é confiado aos cuidados de um soldado, mesmo que seja verdadeira a indicação de o guardar num cofre. Se tudo tivesse corrido bem, ter-se-ia, no mínimo dos mínimos, feito o militar correr um grande risco, confiando-lhe a guarda solitária de mercadoria tão apetecível. E é insensatez absoluta não fazer intervir um graduado na responsabilidade imediata da missão.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Reduzido a Pó

A última coisa que quero é apoucar o trabalho da nossa P. J., mas tenho para mim que a muito importante apreensão de cocaína metida em polvo importado foi altamente facilitada pela incompetência da organização traficante: então vai pôr a branca destinada a Espanha em embalagens de polvo - que em Castelhano quer dizer "pó"? Claro que as Autoridades Policiais de Nuestros Hermanos terão logo aconselhado a procurar ali...
À parte estes azares, aproveito para recomendar o livrinho que escreveu Roger Caillois, «La Pieuvre, essai sur la logique de l´imaginaire», Table Ronde, Paris, 1973, onde dá, entre os animais não-mitológicos, esta tentacular prioridade das minhas preferências de arroz, como figuração por excelência do Perigo e Atracção, dos mareantes à sexualidade. De lá retirei a antiga cerâmica japonesa reproduzida, representando O Polvo Bêbedo. Erro de interpretação, quanto a mim: parece-me evidente que o bichinho está em pose snifante. O que, em última análise, remete para o Império do Crime, combatido pelo Comissário Cattani, também uma assinatura indiciante...

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Não Lhes Dêem Trela

O FBI diz que vai armazenar um monstruoso acervo de dados pessoais, como registos das íris e das palmas completas de nacionais e estrangeiros. Parece excesso de zelo para compensar a frustação de um País que nem um sistema nacional de cartões de identificação com a dedada do indicador conseguiu erguer. E o exame ocular pode conceber-se como torneável, não esqueço o primeiro contacto que tive com a antevisão dele, numa substituição cirúrgica, julgo que de um filme de James Bond. Claro que a segurança e a ameaça terrorista impõem sede de controlo. Mas duvido de que seja eficaz, porque os maiores inimigos do Ocidente são grupos que, para os atentados, recorrem preferencialmente a jovens idealistas virgens de cadastro criminal, ficando os veteranos a dirigi-los de longe, quase que por telecomando. Caso se opte por controlar todos, independentemente do curriculum, estaremos perante um cenário de distopia, em que a vigilância por pulseiras electrónicas seja estendia para além dos condenados. Ou por implantes de chips, em que qualquer indesejável que tente transpor a fronteira faça soar uma buzina, à maneira do que, quanto a mim correctamente, se prepara para as bolas de futebol que atravessam a linha de golo. Mais ainda do que os telemóveis, perspectiva-se um mundo de trelas electrónicas em que a nós cabe o pior lugar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Cálculo de Probabilidades

Tinha ontem pensado publicar, a propósito do aniversário de Trintignant, um pequeno postal versando a problemática do único «Vermelho» magnífico que conheço, na medida em que o Benfica é encarnado, como convém lembrar, para evitar confusões. Encarnava um Juiz retirado e desiludido que passava o tempo a ouvir gravações de escutas, com fins exclusivamente pesoais, embora sem a abjecção da venalidade. Nisto vêm os Venerandos Desembargadores da Relação de Lisboa decidir que qualquer um que contacte com o suspeito de um crime pode ter o telefone sobre escuta, desde que haja uma probabilidade razoável de falar sobre a matéria conexa. Ora, estabelecer este limite ou nenhum é igualzinho. Como é que se reconhece antecipadamente a probabilidade de um tema de conversa? Só se, à partida, for dada como critério a ideia feita sobre determinado indivíduo. Aí sim, tendo como adquirido ser Fulano incompatível com certo assunto, se poderá eliminar a necessidade de o escutar. O que é subtracção ao juízo, em função de um julgamento informal prévio.
Devo acrescentar que me sinto perfeitamente confortável com o Big Brother auditivo. Nunca ponho a minha vida particular nos telefones e a pública quero que seja ouvida pelo maior número de gente possível. Parece-me, alíás, um bom meio de publicitar o blogue. Mas uma coisa me parece evidente: se um escutado se tornar, graças a uma conversa, suspeito, por sua vez, de cumplicidade ou encobrimento, todos os que estiverem em contacto com ele poderão, em acto contínuo, ter os respectivos aparelhos cuscados. O que fará desta hiperauditividade um factor mais de coerência, na multiplicação e alastramento desenfreados que grassam neste mundo dos vírus aterrorizadores, da clonagem e das cópias-piratas. Com a agravante de não buscarem satisfações meramente filosóficas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Bispo Que Mordeu o Cão

Que fosse chamado um polícia para resgatar um gato empoleirado em alturas de que não conseguisse descer, à falta de bombeiros, entender-se-ia e não seria notícia. Menos frequente é um responsável policial escalar uma antena, perante os olhos dos gatos e Gatas das imediações, sendo necessário persuadi-lo a voltar à terra. Mas será ainda novidade o desespero, no nosso País? A demissão à beira da reforma, numa carreira dedicada, choca sempre. Não sei qual o grau de culpa no erro que terá motivado a pena. Mas vejo a punição demasiado próxima das leves penalidades para crimes graves, coisa de que parece o agente em questão não ter sido acusado. E episódios como este só vêm diminuir o conceito que da Polícia Municipal fazem as gentes, já a troçando sobejamente, em função da inacreditável decisão de a locomover por meio de trotinetes ridículas.

sábado, 11 de agosto de 2007

A Prepotência Mediática

Revolta de Tamara Gritzuk

Apesar de tudo, pensava que existisse mais contenção. Pondero seriamente não ver mais noticiários da TVI, desde que, hoje, assisti ao inqualificável, o reporter no terreno do caso Maddie, Amílcar Matos, insurgir-se contra as declarações de um elemento da Polícia Judiciária, que teria afirmado não serem suspeitos os Pais da desaparecida. O atrevimento chegou ao ponto de afirmar que não se percebe como estas declarações puderam ser feitas, porque as regras básicas de investigação criminal dizem que as pessoas mais próximas dos desaparecidos são sempre suspeitas. O Leitor está confuso? Talvez pense "De que título se poderá arrogar uma cadeia televisiva para ditar normas de investigação criminal?" Ou se terá a companhia em questão uma explicação suficientemente forte que indicie o casal inglês? Deixe-Se disso, a desrazão é mais simples e revoltante, considerando o que se procura deslindar. É que a entrevista policial foi negada à estação e dada a orgãos de comunicação social britânicos. A concorrência é guerra em que vale tudo.

sábado, 9 de junho de 2007

(Er)Ramos?

O Ramo de Ouro de Will Gordon
Não, ao contrário do que possa parecer, não é questão de lana caprina a de saber se a GNR deve ou não ser o quarto ramo das Forças Armadas. Não me oponho, por princípio, às alterações que o Governo quer e a Oposição vilipendia. Não me parece que de um comando ser exercido por um oficial general de quatro estrelas decorra forçosamente estar-se perante um novo Ramo. E a previsão legal que enquadre as operações no Estrangeiro parece avisada, pois um país pequeno poderá mostrar-se muito mais útil no envio de destacamentos preparados para policiamento e monitorização de manifestações, do que de tropa treinada para enfrentar inimigo similar. Quanto à menor ou maior dependência comparadas do Executivo ou do Presidente da República, nas roupagens de Comandante Supremo, parece-me distinção sem substância, na medida em que um e outro cargos sejam preenchidos por políticos eleitos, sempre uma diminuição, face aos titulares que não surjam de enfrentamento de campos opostos. E como parte importante das chefias da Guarda já é assegurada por oficiais do Exército na força destacados, o carácter militarizado assegura o equilíbrio entre semelhanças e diferenças que convenha.
Onde o debate, a meu ver, se deve centrar é no que julgo ser a indesejabilidade de criar uma divisória das Forças Armadas em que o opositor previsto possa situar-se dentro da comunidade nacional. E não creio que seja de seguir a experiência de Países que tomaram essa opção, como o Chile, com os Carabineros.
Aliás, sem objecções de peso equivalente, sou hostil a ramificações formais militares que não assentem na diversidade dos meios em que actuam, Terra, Ar e Mar. Por isso acho um erro ter-se dado esse estatuto aos Marines, que deveria ter-se limitado ao de uma tropa especial, especialíssima mesmo, da Marinha Norte-Americana. Por essa razão também desaprovei a passagem dos paraquedistas da Força Aérea para o Exército, em Portugal. Acredito que um "quarto ramo" só se justificará no caso dos Estados que acedam a uma presença militar no Espaço Exterior.
Mas o argumento de fazer a unidade coincidir tanto quanto possível com a Comunidade Nacional deve ser sempre o critério que nos impeça de transformar um ramo de ouro num ramo murcho.