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terça-feira, 8 de julho de 2008

Tirar Partido

Serão Diplomático de Auguste Louvrier de LajolaisEis uma medida com os termos invertidos, considerando o que devia ser: Quer vedar aos Diplomatas a actividade político-partidária, quando se impunha que vedasse aos partidos a determinação da actividade diplomática. Concebe-se, até um certo ponto, que não se queiram confundidos representantes do Estado na cena internacional e fiteiros em tristes cenas nacionais. Mas não se vê que deva suscitar a mesma medida de interdições que é imposta aos Militares no activo, pois não há a temer quebras de imparcialidade similares em quem não dispõe da força das armas que pode obrigar a conformações unilaterais. Mesmo no caso do meio castrense, no caso dos retirados já será abuso reduzi-los ao silêncio.
Neste âmbito específico parece é querer aliviar os políticos generalistas do peso de críticas qualificadas. É a transposição da facilidade dos exames para os alunos que menos aprendem, a classe (ou falta dela) do Poder.
Porém, se isto fosse aplicado retroactivamente à Dr.ª Ana Gomes, desdizia-me de imediato, com a maior desfaçatez.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Visto de Fora

Entretanto, a propósito da duvidosa efeméride, ignoro se terá chegado a ser editado este livro, que possuo em 336 páginas dactilografadas. São as recordações do Embaixador Belga em Lisboa, à data da instauração do regime vigente. Apesar de os factos serem mais do que conhecidos e de o Autor ter sido fiel executante da política oficial do seu País, de uma aliança formal minada pela crítica da nossa presença ultramarina, traz alguns pontos interessantes, como uma panorâmica dos principais diplomatas cá acreditados à data, informação pouco reproduzida, com crueza equivalente, das origens ideológicas dos jovens governantes que Caetano levou para o governo e a escassez de efectivos do MFA, como a acentuação do carácter de defesa dos privilégios de casta postos em causa por decreto marcellista completamente tosco, apesar da aspiração de justiça.
Paralelamente, dá-nos pontos de vista interessantes
- sobre a macabra questão de Wyriamu, acentuando serem os autores das mortes forças indígenas com um quase inexistente enquadramento de oficialidade da Metrópole, o que raramente é sublinhado, deixando no ar a possibilidade de conflito tribalista na sua génese. A reacção diplomática, de solicitar ao Governo de Lisboa que assumisse as suas responsabilidades, foi completamente diversa do tom grandiloquente da campanha de imprensa.
- salienta a autorização dada a Soares, indiciado de crimes de traição, de vir a Portugal, sem ser molestado, assistir aos funerais do pai, coisa que nenhum regime totalitário, a começar por muitas Democracias, faria com facilidade.
- dá conta de que a oposição à guerra de África grassava sobretudo numa burguesia pouco disposta a põr em perigo a pele dos filhinhos. Diz expressamente que nas famílias humildes o sistema de pagamento do soldo, metade ao recrutado, a outra à família, era vista como uma fonte de rendimento alternativa à emigração, apenas com dose de risco maior, o que, acrescento no epírito do passo citado, não assustava gente dura, habituada a perdas de colheitas e outras catástrofes.
- mostra como a aclamação popular dos libertadores do Carmo tinha tido equivalente ainda mais concorrido na saudação a Marcello, às antevésperas do golpe.
- num parágrafo memorável sobre Caetano, conclui que a sua vontade não estava à altura da sua inteligência. O que, na seráfica linguagem das chancelarias, quer dizer era um incapaz para a função.
Lá que merecia o livrinho em devida forma, merecia.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Falta de Jeito Trágica

Eduardo VII e o Presidente Loubet, aquando do entendimento entre os seus Países

Posted by Picasa
A 8 de Abril de 1904 assinava-se entre Londres e Paris um realinhamento das alianças europeias que precipitaria a Primeira Guerra Mundial, com o inerente fim de um Mundo e o desastre de que ainda estamos a pagar as favas. A culpa foi inteirinha de Guilherme II, o qual, obcecado por ser maior do que Bismarck e tudo fazer ao contrário dele, depois de ter alienado a Aliança Russa da Liga dos Três Imperadores, resolveu hostilizar ao mesmo tempo a Inglaterra, planeando uma frota que rivalizasse com a Britânica, e a França, arvorando-se em protector da independência marroquina, contendento com as aspirações gaulesas ao protectorado. Assim, reforçava a tendência natural do Rei Inglês que tão bem se sentia em Paris, desperdiçando a vontade de entendimento com a Alemanha de Joseph Chamberlain e malbaratando a animosidade francesa contra a Albion, expressa pouco antes no entusiasmo popular de apoio aos Boers. A mania de dar nas vistas e levar o Império Alemão para terrenos que não eram os seus revelou-se um desastre: mandando canhoeiras para o Mahgreb, sem nada ter para a troca, permitiu a aproximação daqueles que o tinham. A França, com o oportunismo patriótico de Delcassé, prescindiu de reivindicações no Sudão, em troca da mão livre que o Governo de Sua Majestade lhe concedesse no território marroquino. Breve o caso seria agravado, com Vítor Emanuel III a ascender ao trono Italiano, cheio de vontade de se afastar da Áustria tradicionalmente inimiga do Piemonte e com vontade de fazer permutas semelhantes, interesses sudaneses pelo reconhecimento da exclusividade na Tripolitânia. Aos desertos territoriais abrangidos correspondeu o deserto de bom senso do Prussiano imprudente. A Europa deve-lhe o declínio e o Seu País desgraças maiores.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Embaixadas e Multidões

A Recepção do Embaixador Francês em Veneza, de CanalettoAo contrário do titular da pasta e dos próprios interessados, não vejo qualquer vantagem em que os embaixadores nomeados sejam sujeitos a audiência prévia, no Parlamento. Não é dito se virá a ser concedido o poder de rejeitar as nomeações, ou se a inovação passa apenas por uma conversa platónica, mas para o caso, é indiferente. Os deputados eleitos pelos partidos em Portugal não têm personalidade parlamentar própria, votam em rebanho conforme mandam o pastor e os cães, perdão, a direcção do grupo paralamentar. Nos Estados Unidos é diferente, cada senador é eleito pela sua pessoa, não está sujeito a disciplinas, vota consoante o seu parecer. E há uma razão, é a de os estados federados poderem, pela voz deles, exprimirem a concordância em se reverem neste ou naquele representante da Federação. Por isso só tem essas atribuições a câmara alta, não já a dos Representantes, a quem cabe a voz do povo, e não a dos 50 integrantes federais. Também estão sujeitos a idêntico nihil obstat os membros da Administração, coisa que não lembrou ao Diabo, nem sequer a um Sr. Sócrates travestido de diabrete, implementar por cá...
Se for avante, trará é uma diluição da responsabilidade da correcção das escolhas, aos olhos do cidadão distraído. Isto de envolver multidões na Diplomacia não aparece com a dignidade da do quadro. E a justificação de fazer porque os outros o fazem diz tudo.

terça-feira, 11 de março de 2008

Amnistia Sínica

Não gosto de boicotes, seja o do embargo genérico decretado contra Cuba, a que tanto se opôs o Falecido Papa João Paulo II, seja um qualquer de natureza desportiva, como aquele que é reivindicado contra a China. A própria origem do termo é enganadora, pois deriva de quem foi sujeito a ele, o Capitão James Boycott, o qual em fins de Oitocentos superintendeu a exploração das propriedades irlandesas do Conde de Erne com tal dureza que os feitores se recusaram a trabalhar sob orientação dele ou com ele comerciar qualquer género, fazendo com que de volta embarcasse. Fazer boicote melhor iria pois aos que cedem, do que à conduta que pretende pressioná-los.
Dito isto, tenho de anatematizar a retirada da China da lista negra americana. Bem se sabe que os Direitos Humanos são retórica sem correspondência, na cena internacional. E tenho quase a certeza de que foi negociada diplomaticamente por baixo da mesa alguma rédea solta aos EUA, sabe Deus onde, para obter este efectivo branqueamento de Pequim que junta dois crimes na sua essência, o Comunismo na estrutura política ao ultra-Capitalismo económico. Mas de uma coisa não se seguindo a outra, nada justifica que se apague qualquer memória da subjugação feroz do Povo Tibetano, com esterilizações em massa incluídas, mesmo por uma federação que também pratica a tortura e é conivente com o atentado à vida inocente que é o abortismo. Apesar dos pesares, a aplicação dela apenas a suspeitos de terrorismo e a mera cumplicidade com os particulares criminosos ostentam uma diferença qualitativa da sistemática utilização governamental de ambas as práticas para vergar uma Nação religiosa. O plano desportivo não é o da condenação desse horror, mas é-o o da pressão nos fóruns internacionais, de que agora se abdicou, através de uma amnistia cínica.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Fim dos Pirenéus

O Castelo dos Pirenéus de Magritte

Timor é Terra sem sorte e nem o petróleo lhe vale. Depois do abandono dos descolonizadores exemplares, da brutalidade de Suharto & C.ª, das desavenças internas e de Guterres, Alkatiris e outros Hortas, não merecia isto: dois Países com responsabilidades de Histórias gloriosas, Espanha e França, fazendo do infeliz pedaço Cristão da Ilha o balão de ensaio para a assunção diplomática plena do despojamento das suas soberanias. Uma embaixada conjunta representa o nada, salvo na vertente burocática que e a que menos importa. Que tenha sido este o Atol de Muroroa de tal destruição só mostra que, no caso pirenaico, perante a viabilidade timorense, não foi a Fé que moveu as montanhas, mas a ausência dela.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Caminhos do Oriente

Descanso dominical aproveitado para a leitura de uma interessante digressão do Académico Fernandes Costa, publicada em 1918, acerca de uma possibilidade mais de influência Portuguesa no Oriente.
Para provar que longe da vista não significa longe do coração, gostaria de dedicar a Esse Iminente Oya que é o Miguel Castelo-Branco e a um não menos Eminente Frequentador da Tailândia actual, o Je Maintiendrai, a notícia deste texto.
Trata-se de uma breve tese que, além de nos proporcionar a alegria de encontrar a expressão ambos os dois num escrito erudito, defende ter sido o famoso conselheiro ministerial todo-poderoso do Phra-Narai Siamês de fins do Século XVII, o renomado Constance Phaulkon, não um grego, como meio mundo quer, mas português de nascimento, sob a graça de Constantino Falcão. Os indícios residiriam na embaixada francesa do Conde de Forbin ver traduzida a sua missão da língua de Moliére para o Português, após o que o Ministro de que se trata a verteria para a língua local; no facto de ser casado com uma Mulher de sangue luso, D. Guiomar de Pina; na atenção que ele dava aos negócios do nosso País, nomeadamente a ascensão de D. Pedro II; e no conhecimento dos ritos Católicos da recepção dos Diplomatas, mais plausível em educados nessa Religião do que em convertidos da Ortodoxia.
Não menos surpreendente é a notícia que nos dá de, duzentos anos mais tarde, tendo-se deslocado a Lisboa um titular da Coroa daquele Reino oriental, se tentasse ensinar o Padre Nosso ao Papa, distraindo-O com pirotecnia, de que o Povo do Visitante era dos maiores especialistas:
ali, junto do rei, da côrte, do mundo oficial, do mundo diplomático, da aristocracia, e no meio do povoleu imenso, todo a rir a rir, fazê-lo assistir ás contorsões de um elefante branco, como peça de fogo de artifício, producto da habilidade pirotécnica de um fogueteiro de Cascais.
Garantindo aos Leitores que não sou eu o último nomeado no parágrafo anterior, continuo a ler que a opção se devera à constatação de que os siameses que teem a crença da metempsichose, estão persuadidos de que os elefantes brancos servem de asilo terrestre ás almas dos reis e dos grandes homens. Como não entender então que num plano mais materialista, o empresarial dos nossos dias, se imponha proporcionar aos hóspedes alguma sessão agradável numa casa de diversão nocturna lisboeta que usurpou o nome do animal sagrado?

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Elementar, Meu Caro Watson

Num requerimento que seria ingénuo, se não fosse a via forçosa para obrigar o Governo a dar respostas forçadas, Manuel Alegre pergunta o porquê da alteração que permitirá uma maior facilidade do provimento de cargos consulares pelos queridinhos do partido no Poder. É evidente: com uma maioria absoluta, o número de boys à procura de jobs cresceu de tal forma que é preciso um chamariz para os manter em obediência dócil. Nem se trata de lhos dar, apenas de agitar hopes ou expectations para a boy(z)ada, que os prestigiosos cargos, cada vez mais escassos, são poucos para tanta gentinha...


Aliás, num plano representativo ainda superior, a I República usou e abusou dos postos diplomáticos como recompensa política. Ao ponto de João Chagas, sendo-lhe prometida a Embaixada em Paris, confessar as suas ambições a Junqueiro: eu não vim para a República pela miséria de uma legação. Ao que o vate retorquira: perdão, Senhor Presidente. Mas não chegando Belém, pela Cidade-Luz se foi mantendo...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Roedores

Desta vez a montanha não pariu um rato, foi um montinho, presumivelmente uma das sete colinas de Lisboa, que deu à luz uma ratazana: o fim da possibilidade de cada Estado se defender. A Polónia mitigou a coisa, obrigando à inclusão do Compromisso de Ioannina, mas serão doravante sempre necessárias coligações para obstar ao arbítrio das maiorias, ou seja, a partipação no processo decisório europeu torna-se uma sujeição, no que a cada país refira. Apetece dizer que o atraso da cimeira foi tentativa de detectar a gravidez de um acordo, ficando às ratificações parlamentares reservado o confirmador papel da ecografia. Voltar ao que eleitores rejeitaram, com outro nome, eis a ratice.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Apologia de Sócrates

Até Kipling reconhecia que, ao contrário do que disse - East is East, West is West, and they will never meet - o encontro poderia vir a ocorrer, no cérebro de um classificado linguísta de São Bento.
Quem nunca se enganou a indicar um caminho, trocando as Direitas pelas Esquerdas, & vice-versa, que atire a primeira pedra.
Ou então, tendo lido o postal dragoniano sobre o Grande Oriente, quis excluir-se da obediência...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Deu no Quinze!

Ainda bem que a tecnicidade do inglês do mais célebre trabalho de fim de curso do País resultou de Engenharia e não da Diplomacia; ou a fluência e construção das declarações do Presidente em Exercício da UE versando os problemas que precisariam de ser ultrapassados, quanto à diferença de posições sobre Mugabe, relativamente ao Anfitrião do Reino Unido, poderiam prestar-se a piadas capazes de despromover muito funcionário público atento...

domingo, 24 de junho de 2007

Dúvidas de Domingo

O Rapto de Europa, desta por Michele De Subleo
Em que medida esta notícia terá determinado que a Lisboa concorram tantos candidatos? É que a perspectiva de na Capital se assinar um tratado pode bem ter feito alguns pensar que era o local perfeito para ser ocupado por tratantes...
A nova de que o sangue de um Canadiano revelou, na mesa de operações, ser verde desperta-me duas perplexidades: 1- não acredito que a pouco usual coloração se deva ao tal medicamento, ou os imensos Sportinguistas que por aí pululam já há muito teriam esgotado as doses disponíveis de Sumatriptan, para se poderem dizer integralmente da cor, por dentro e por fora.
2- Não seria antes um admirador de Eva Green, completamente tomado pela obsessão do nome da Estrela?

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A Cimeira de Bruxelas

Não Se deixem enganar por não terem sido pintadas as 27 cadeiras dos Membros da UE. Os que decidem não serão mais do que estes. E o abismo continuará lá, cada vez com menos sustentabilidade das plataformas limítrofes, por cada acordo mais umas pedras vão caindo.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

As Ligações Sigilosas

Na morte de Kurt Waldheim voltei a passar os olhos por este livro que lhe é muito hostil. Foi tremendamente pouco o que os autores contra ele encontraram. Nunca pertenceu à SS, "adiou" sempre diplomaticamente a entrada no Partido Nacional-Socialista a que era pressionado, sob pretexto da prestação de serviço militar activo. As únicas organizações partidárias que integrara, antes da Guerra, tinham sido uma pouco consistente federação dita de estudantes Nacional-Socialistas, tida universalmente como não mais do que uma melhoria de nota antecipada, e uma secção de cavalaria das SA, a qual faz aceitar a justificativa de mera facilidade de acesso ao desporto hípico.
Durante o conflito, como oficial do Estado Maior, primeiramente encarregado da ligação com as forças italianas, depois nas informações militares, nunca se provou participação relevante na deportação de judeus de Salónica e de duas pequenas povoações da então ex e futura Jugoslávia. Ficava assim reduzida a eventual criminalidade a represálias e execução de reféns, permitidas ou tacitamente aceites pela lei da guerra de então para combater forças irregulares, restando apenas a análise, muitas vezes problemática, da proporcionalidade. Mas a patente era suficientemente baixa e o militar mal tinha 25 anos...
Durante a bipolarização mundial foi recuperado por um governo de coligação Socialista/Católico/Comunista, gozando da protecção americana da OSS - o embrião da CIA -, através do genro do próprio director dela, Fritz Molden, influente membro do gabinete do Ministro dos Estrangeiros, Karl Gruber. Daí em diante, de embaixador no Canadá a titular da pasta das relações exteriores, estava firmada a carreira que o levaria a Secretário-Geral da ONU, o lugar mais adequado para um criminoso de guerra que, contudo, nunca se provou ser. O máximo que os seus impiedosos biógrafos e acusadores conseguiram foi dá-lo como "um militar muito zeloso". Porém, como o arrependimento oficial do anti-semitismo austríaco atinge a histeria, quando, à segunda tentativa, se candidatou à Presidência do País, desencadeou uma catadupa de oposições, muito em moldes partidários, com Kreisky à cabeça, ganhando então um caucionante defensor na obcecada figura de perseguidor que foi Wiesenthal. Antes, a URSS tinha-se oposto à sua saída das Nações Unidas, o que é natural, pois tinha fingido liderá-las no período mais feliz da expansão mundial de Moscovo.
Foi um homem que serviu muitos amos, como tantos outros. Estes é que não tinham qualidade para ser servidos. Hitler, serviços de inteligência norte-americana, diplomacia ao serviço do expansionismo soviético, Democracia totalitariamente retractante no seu País... Se tivesse vivido sob a Monarquia Habsbúrguica teria podido pôr as aptidões que exibisse ao serviço da Tradição e tolerância. Assim, foi fraca maneira de passar à História. Mas não vale a pena bater mais. Paz à sua alma.

sábado, 28 de abril de 2007

Um Sorridente Futuro

Ninguém duvidará do acerto da escolha de uma Figura dialogante como o Dr. Sampaio para o alto cargo institucional tendente a aliar Civilizações. Ao pendor de contenção que o tornou conhecido, passados os anos juvenis do MES, responde o Islão - que não tem apenas Bin Ladens - através de personalidades plenas de moderação, com quem se pode conversar, tal o Xeque Mahmud, que Vos convido a conhecer, cliando aqui. Reparem que não nos ficamos por entendimento, impõe-se a aliança, o que vem a calhar com o conteúdo da prelecção.
Dedico esta perspectiva de esperança a Todas as minhas Leitoras.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Ódio Velho Não Alcança?

Ainda está por explicar a razão profunda da reviravolta de Bismarck quanto à participação da Alemanha no clube das potências coloniais. Passou grande parte do seu consulado a dizer que a maior parte das possibilidades nesse domínio representava uma amante demasiado cara para as posses germânicas, acedendo, mais tarde, a fazer mergulhar o Reich na aventura ultramarina para que nada o parecia vocacionar. Já o Príncipe Bernhard von Bülow, que ocupou a mesma cadeira, a seguir a Hohenloe, sempre defendeu, a par da concorrência teutónica a França e Inglaterra noutros continentes, a criação do colonialismo do seu País à custa das possessões Portuguesas. Não era só Angola e Moçambique, confinantes com territórios em breve dependentes de Berlim que ambicionava. Nem a Guiné, nem Timor escapariam às divisões que propunha.
Foi nesse contexto que o Tratado de Windsor, reactivando a Aliança Britânica, uma das maravilhas da Arte de Soveral, se revelou salvador. Um espumante Bülow, metamorfoseado em memorialista, garante que houve acordo posterior com Londres para se lamberem ambos à custa das dependências lusas, mas é duvidoso que assim se tenha passado. Grey nega-o e a História transformaria num enigma a estagnação de um tal entendimento. Mas, a ser verdade, só corroboraria a fama de diplomata de fracos resultados que mais tarde se lhe haveria de colar, por não conseguir fazer a Itália entrar na Grande Guerra ao lado do seu País, nem persuadir a Áustria a ceder territorialmente, em ordem a esse desiderato.
Quais as razões desta monomania odienta contra a nossa Pátria? Rocha Martins sugere que o político tivesse presente a expulsão, noutro século, de um seu familiar, um tal Cavaleiro do nome. Não sei se algum Confrade ou Leitor me poderá elucidar sobre tal personagem, mas não encontro rasto dele, nos meus pequenos esforços. Seja como for, a ser verdadeira a imputação, jorraria abundante material para a reflexão de licitude de vergar a política de uma Nação a rancores pessoais e familiares, o que parece mesquinho, ou de mostrar fidelidade aos sentimentos que envolvem a herança dos antepassados, aspecto mais louvável duma realidade que poderá ser a mesma.
Apetece concluir, até porque hoje é Sexta-Feira e urge homenagear um hábito instituído pelos Colegas do Corta-Fitas, que, apesar do competente General com idêntico apelido e, no momento da morte de Rostropovich, do Mestre de Viana da Mota, von Bülow a valer é a Brigitte, nem que seja preciso ir buscá-la à Austrália...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Si Non e Vero...

Leitura de um estudo de A. S. Silva Costa Lobo, PORTUGAL E MIGUEL ANGELO BUONARROTI, de 1906, em que se força a nota à escala do Mundo para tentar provar que o pormenor do Juízo Final da Capela Sistina em que se vê uma figura estendendo o que é dado como um Rosário a dois ostensivos naturais de outros continentes corresponde a uma glorificação de Portugal, paga pelo Enviado Balthasar de Faria. A tese é a de que se trataria da obra evangelizadora levada a cabo fora da Europa, com as características físicas dos gentios a indicarem as paragens por onde se moviam os missionários lusos. Alicerçando-se numa carta do diplomata português em que ele narrava ter Buonaroti insinuado a urgência do pagamento de uma "Nossa Senhora da Misericórdia", o nosso Autor lá consegue descobrir na enorme pintura uma figura apta a corresponder a Essa Faceta de Maria, contaminando, por assim dizer, o fresco inteiro com o protagonismo que convém ao defendido. Por outro lado, vê claramente nas roupagens de um dos convertidos um hábito dominicano, que igualmente é promovido a prova, bem como a animosidade do Florentino contra a Espanha e a dureza da colonização desta.
Nada tenho contra a latitude extrema na interpretação das obras plásticas, duvido é que esta exaltação da História Pátria pelo génio italiano convença muitos, tão ostensivo é o amor patriótico na formulação da teoria. Porém, meditando na grandiosidade da Obra de cristianização que os nossos Maiores empreenderam em Áfricas e Ásias, tenho de reconhecer que mereceria não menos que o ilustrador da Basílica de S. Pedro para a celebrar. E que será pecado bem pequeno guindar uma suposição agradável ao que se ama a explicação de uma obra. Também aqui a liberdade deve ser total e não se vê que a criatividade, exaltada na coisa dada a ver, possa ser censurada na visão da coisa. Desde que se não atribua ao Autor sentimentos contrários aos que tenha exprimido durante a vida. E não consta que o extraordinário artista tenha alguma vez exteriorizado hostilidade a Portugal...

sábado, 31 de março de 2007

Filhos e Enteados


É este um momento de desclassificação. Não tanto do documento que se dá aos olhos do Mundo, apesar de ele se encartar no estatuto de "CONFIDENCIAL", mas decerto do Portugal que não soube, oficialmente, honrar como devia os seus filhos mais ilustres. Trata-se de uma carta escrita, na perspectiva da viagem do Presidente Craveiro Lopes a Inglaterra, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Cunha, por um um dos colaboradores directos e breve biógrafo do Marquês de Soveral, o diplomata Amadeu Ferreira de Almeida, pugnando por um gesto de reconhecimento da Nação para com um dos que mais lustro lhe deram aos olhos dessa Europa que a prosápia abrilina julga ter descoberto e feito descobrir-nos, ao menos na contemporaneidade.
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Permito-me destacar um excerto:
Como a sua memória ainda se nâo apagou em Londres onde ficou vivendo depois da República mantendo sempre a sua situaçâo, é possível que alguém fale dele a Vossa Excelencia durante a proxima viagem presidencial, por ter sido o mais solido elo que jamais uniu a Inglaterra e Portugal.
E' pois meu dever informar V. Excelencia -- por isto poder ser remediado por iniciativa de V. Excelencia -- do mau efeito que causou em Londres, e sobre tudo na côrte (que chegou ao ponto de o mandar trazer a Lisboa no Yacht Real), o abandono a que o votou, ha 30 anos, a Nação que tâo brilhantemente serviu, nâo repatriando (como hoje faria a qualquer ministro morto no estrangeiro) e deixando que ficasse sepultado, por favor duma familia estrangeira, numa cripta rasa do cemiterio de Père La Chaise em Paris, onde apenas uma placa solta de dois palmos, diz: Marquis de Soveral - e mais nada! e por isto destinada a desaparecer.
Em vista do que o Governo fez pelo Sr. Teixeira Gomes que lhe sucedeu (com quem servi dois ans como 1º Sec.) e que nunca logrou ter na côrte situaçâo alguma, porque ali via sempre soveral no 1º lugar, do que sâo testemunhas os Embaixadores Conde de Tovar e Dr. Joâo de Bianchi (Valparaiso) parece justo que o Marquês de Soveral fôsse tambem transladado para Lisboa, e mesmo para os Jeronimos, abrindo assim um honroso precedente e um incentivo para os Diplomatas Portugueses que o merecessem.
(...)
Pensarà V. Excelencia que a Inglaterra homenageou o Sr. T. Gomes na ultima semana da sua estada em Londres. Nada foi porem feito ao Sr. Gomes mas ao presidente eleito da República amiga, e sò por isso foi condecorado, trazido a Lisboa num destroyer e mesmo feito Dr. Honoris Causa de Cambridge, sem possuir curso algum superior! caso único na história universitária, mas que (em) Inglaterra nem por sombras poderiam supor!
Texto aqui deixado como libelo a uma forma de estado que insiste em promover os homens de partido - desde que seja o seu, está bom de ver -, e mandar para a "roda dos expostos" dos falecidos os que serviram o País com brilho, fora dele. É a diferença entre os Expoentes da Pátria e os filhos da (re)pública.