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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Fralda de Fora

Tirado Daquisobre isto, não tenho nada contra, desde que ambos gostem, só recomendando a vantagem de se ir dando a conhecer totalmente em fases embrionárias do processo, para não criar surpresas desagradáveis.
Mas alguém tem a caridade de me explicar como pode o uso de fraldas dar prazer sexual? A minha inocência não consegue perceber.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Cada Cor, Seu Paladar?

Uuuuf! Queridos Leitores, foi um dia que não desejo a quem quer que seja. Mas ficaria mal com a minha consciência se não viesse ainda cá comentar a estranha descoberta científica que dá Marte como terreno aceitável para o cultivo de espargos. Na minha ignorância pensava que não bastaria a qualidade do solo, que a pressão derivada das dimensões do planeta também influiria. Mas uma vez que não é assim, estou já a imaginar a exploração propagandística de quem queira comer no mais in que possa, através da promoção de Espargos de Marte, os únicos que os atentados anti-ecológicos não estragaram.Mas há mais, ganha uma nova plausibilidade a conexão dos homenzinhos verdes aos extra-terrestres sintetizados no termo Marcianos. Simplesmente, o look passará a ser mais literalmente cultivado, quem sabe se motivo para uma nova estação da Moda, colhendo na popularidade crescente do vegetarianismo. A sede de novo a exibir está bem expressa na insatisfação que, afinal, é de si, como se tira de Mestre Drummond, nesta belíssima lembrança da Marília.
O que me deixa angustiado é a significação clubística de um verde insuspeitável no que até agora se conhecia como Planeta Vermelho. Cruzo os dedos para que se não trate de uma preparação psicológica para tomadas de posição leoninas no que ao Glorioso Sport Lisboa e Benfica pareça pertencer. Além de notar o péssimo gosto de pintar das cores da bandeira republicana um astro indefeso.

terça-feira, 24 de junho de 2008

À Unha!

Esta não lembra ao Diabo! Acusar a empresa que deu o iPhone às massas de fazer uma subtil discriminação de géneros, por as unhas não activarem convenientemente os comandos e as Mulheres as usarem mais compridas, nem tem lógica, nem base fáctica. Com efeito, serão Mulheres os Mandarins chineses e epígonos sobrevivos, que as deixavam crescer como prova de não se darem a trabalhos manuais? E muito original no nosso País que dá centímetros largos à extremidade do mindinho? Além de que o aparelho não é uma necessidade, mas superfluidade que só compra quem quer. De resto, não há qualquer inevitabilidade no comprimento dessas partes em crescimento, pelo que difícil é considerar as portadoras de opções mais visíveis como disabled people...
Plínio O Antigo defendia, em mandamento unissexo, que o ideal para a fronteira da unha seria acompanhar o rebordo da pele do dedo em que assentava. Menos austeros que o sábio Romano, custa-nos prescrever uma norma neste campo. Mas não está a questão já resolvida com as imitações amovíveis que se colam e tiram, conforme a prioridade seja decorar ou labutar?
Estamos é perante um sinal dos tempos - é aceitável exigir a uma moda que não incompatibilize com outra. Submissão total!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Colo e o Zelo

Fiquei zonzo ao ler que um vigilante abade Boileau publicou, e 1675 um «Traité Sur Les Abuses Des Nudités de Gorge», onde defende que o seio da mulher decotada é o trono de Satanás. Com certeza que o piedoso autor veria com bons olhos qualquer tentativa de um bom Cristão para se apoderar do cadeirão em que o Maligno assenta o seu poder, desbancando-o. Será que não era um ditame puritano, mas um incentivo à vida pia?
Nestas coisas não devemos ficar pelas patentes intermédias, há que apelar para a Cabeça da Igreja, no caso o Papa Pio VI, que passeando com um cardeal, viu uma beldade com o peito muito razoavelmente exposto, onde pousava uma sumptuosa cruz de pedrarias. Tendo o acompanhante chamado a atenção para a beleza da jóia inerte, respondeu a Santidade Sábia: sim, aquela cruz é, realmente bela. Mas ainda mais é... o calvário!
A moda de hoje, embora não cesse de se reivindicar de outorgante de apelo sensual às Senhoras, tem descurado, pelas concorrentes preocupações de liberdade e conforto, este chamariz masculino sem par. Não assim a Rainha Isabel I de Inglaterra, a qual, para promover o acasalamento, momentaneamente em baixa, entre as Damas e Cavaleiros da sua corte, prescreveu às solteiras um decote... até à cintura, por assim dizer, interditando-o de todo às casadas, por querer, concomitantemente, garantir a estabilidade dos casamentos. E a si própria, digo eu, para não assustar os observadores da inovação.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Para Onde Vamos

Já a medida de pôr pulseiras electrónicas de localização nos bebés não me choca tanto, por eles não estarem em idade de se traumatizarem com esse forçado adorno e poderem vir a ser evitados males maiores na sequência de raptos que vêm sobressaindo dos noticiários.
Não deixa no entanto de ser material apetecível para analisar a decadência de uma Sociedade que chegou ao ponto de tratar de forma idêntica a total inocência e culpas mais ou menos graves. A terrível superstição de recear ver as coisas a preto e branco, pretendendo tratar com imerecido excesso de humanidade infractores criminais, levou a dá-los como não tão maus como isso e a substituir regimes de privação de liberdade com encarceramento, já de si pouco duros, pela pulseirinha que apenas restringe, muito limitadamente, a privacidade.
Com a aplicação dela a estrelas do Espectáculo, Lindsay Lohan e Michelle Rodriguez à cabeça, a parcialidade dos fãs fez apagar a própria reprobabilidade (sem ligações ao autor) das condutas, ao ponto de Karl Lagerfeld ter transformado em complemento de moda o acessoriozito penal.
Simbolicamente chegamos agora ao extremo de estender à indisputada ausência de pecado o que deveria ser insígnia dele. Cada vez gosto menos de uma colectividade que não separa as águas.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Striptease Legal!

Já em tempos evoquei a estreia pública do bikini, na Piscina Molitor de Paris, tendo apenas faltado sublinhar as ironias de a uma balarina habitualmente nua se ter pedido que colocasse (alguma) roupa; e que onde se demandava um corpo tivesse surgido o dito de espírito que deu o nome imortal à coisa- Monsieur, o seu fato de banho é mais explosivo do que o atol de Bikini, disse então a portadora dele, com a consequência que ecoa.
Não admira que uma cidadezinha do Utah haja recorrido a este valor seguro para se publicitar. Escassos dias após ter proibido as duas pecinhas nas piscinas públicas, retirou a proibição. Reportando-nos à norma, foi o regresso do strip à sua condição habitual, envergado o reduzido vestuário para entrar no palco, logo foi retirado, em plena ribalta. Outro tanto aconteceu com a proibição.
Sabe-se como neste Estado de Mormons a fogosidade foi, historicamente, canalizada para a poligamia. Que efeitos terá sobre a população masculina esta indumentária proscrita e logo consentida? Excitará, ou substituirá? De qualquer forma, adicionando ao nome da povoação, Kanab, o bis do renovado consentimento, obtemos o valor fonético de uma droga. Resta saber em qual dos sentidos actuará.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Não Ser de Modas

A Ampulheta de Vladimir PavjukNo passamento de Yves Saint-Laurent, breve reflexão sobre o cunho genérico do fenómeno da Moda. É, antes do mais, a ostentação dos sinais exteriores de fraqueza de tentar eximir-se à tirania do Passado, com as desilusões maiores ou menores que toda a Experiência traz; e à condenação do Futuro, ameaçador, com o inexorável arrastamento no turbilhão que impele os corpos, conjuntamente com as águas residuais, para o ralo da finitude.
Estar à la page simula uma confortante coagulação, como traço mais emblemático de todo o ilusório Presente que é: acompanhando as tendências, enganamo-nos, como se enganam os passageiros de duas viaturas paralelas à mesma exacta velocidade, que imaginam estar parados, apesar de se irem encaminhando velozmente para os respectivos destinos.
Oscar Wilde disse certa vez que a Moda era coisa tão detestável que era necessário mudá-la de seis em seis meses. Sabendo da obsessão que colocou em envergar gravatas e sobrecasacas do último grito, bem como da confissão de que aplicara na obra o seu talento e o génio na sua vida, somos obrigados a concluir que igualmente sentiu a necessidade de se transformar em cada semestre para conseguir suportar-se.Que é afinal o escape comum à maior parte de nós, os que não conseguimos evitar a penetrabilidade à influência do Actual.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Belas e Se... Não

Vamos falar de temas que realmente interessam! A Meg desafiou-me para abordarmos o espartilho como funcionário da Atração Sexual, a par das botas. E eu não sou rapaz de deixar passar destes reptos... ou não assinasse réprobo.
Comecemos pelo fim: queixava-se há semanas um vendedor de lingerie de que as Mulheres Portuguesas, na Juventude, enfiam umas cuecas de algidão e um soutien barato, só se começando a importar com a sofisticação, chagadas a maturidade mais pronunciada. E eu explico: todas as Senhoras são excelentes psicólogas no que toca ao Amor que lhes respeite. A culpa cabe-nos a nós, homens - Elas perceberam que tínhamos deixado de aspirar às dimensões divinas da Afrodite, contentando-nos com um pedaço de carne, pelo que, sob o pretexto de trabalharem, recambiaram os espartilhos para os museus.
Exactamente as Proporções de Vénus de Octave Tessaert

Claro que no tempo em que eram poupadas, nas classes possidentes, a essa obrigação geradora de stress e depressões era diferente. E o aprisionamento em que moldavam o corpo era passível de estudos eruditos que As dessem como objecto sexual, veja-se o clássico de David Kunzle «The Corset as Erotic Alchemy». Submeter-se a torniquetes que diminuíssem a cintura e empinassem o peito era obrigação de qualquer dama de qualidade.
Novo Método de Laçar à Inglesa Para Cinturas Mais Estreitas de Basset

Não nos enganemos, a pressão nesses dois sentidos mantém-se, simplesmente os quadros mentais do Tempo, a Pressa e o Conforto, aboliram o esforço, erguendo em alternativas os produtos de emagrecimento e os implantes mamários.
Alfaiates, Fazedores de Botas, Cabeleireiros, Os Executores do Amor de Grandville

É que esta sujeição ao imperativo de agradar é o próprio Inferno de que o Belo Sexo nunca quererá sair. Fará todos os pactos demoníacos para tornar-se mais apetecível, é a sua subida ao cadafalso dos técnicos que lho prometam, como a tortura eterna da insatisfação, a punição desta querida e peculiar vaidade que o pudor de Dante não descreveu com a minúcia das faltas e suas sanções.
A Pedra de Amolar do Demónio de Le Poitevin

Chegamos finalmente ao âmago da tese da nossa Amiga. Dominar e ser dominado como desculpas para o compressor dos troncos femininos. Será isso para os mais imaginativos e libertos. Todavia, para o grosso das elites do Ocidente, desatar aquele obstáculo colocado estrategicamente seria sempre um preliminar adicional. Arte afrodisíaca, sim. E a dicotomia Amar e Penar está presente na própria maneira de nomear o acessório de toilette - espartilho, acentuando o sacrifício, corset, à francesa, se quiser sublinhar o capital de desejo.
Sofrer para Imperar, afinal o resumo da Mulher!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Bicho Careta

A Albarda de Pierre SubleyrasPara O Polaco, tatuador consagrado, quem não marque indelevelmente a pele é careta. Pois bem, cá venho confessar-me como tal. Em bom rigor, não tenho uma animosidade de princípio contra a decoração do corpo. Mas ficou-me, desde muito cedo, gravado no espírito o embaraço de um sábio de romance de Júlio Verne, creio que de «Os Filhos do Capitão Grant», o qual fora tatuado da cabeça aos pés pelos indígenas Sul-Americanos com quem passara uma temporada.
Sério, sério, não é a antiga ligação à criminalidade, como a soldados e marinheiros à deriva que me degosta. É o logro de procurar a liberdade numa transformação que, porque dificilmente apagável, vem tornar-se a negação dela, mesmo que inexista arrependimento, por coarctar a reversibilidade. No fim de contas é uma tentativa de vidas vazias se gravarem uma identidade, como a marinhagem e soldadesca saudosas da terra, da moça e da mãe, ou ciosas da camaradagem da unidade ou embarcação.
Enfeitar (em todos os sentidos) o corpo sempre beneficiou da aura transgressora, como na pintura reproduzida, em que o tema do Cornudo é glosado, ao exibir-se um pintor desenhando um asno junto do sexo da amante, com a dupla significação da pujança sexual e da animalidade de vistas curtas alusiva ao marido enganado. Mas estas quasi folclóricas exteriorizações tinham a característica de duplamente se dissolverem - na pele e no tempo.
Ai, costumes!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Estatura de Estadista

Volta a imprensa gratuita de hoje à carga com o tamanho exagerado dos saltos que Sarkozy usa para emparceirar bem com a Carla, referidos também nesta peça jornalística. Deixemos as desconfianças de despeito, é evidente apequenamento de um político reduzir os terrenos que pisa aos centímetros dos respectivos tacões. Mas tentemos arranjar qualquer confrontação útil para trazer a este candente tema. E, bem procurado, vê-se, pelo famoso retrato de Luís XIV por Rigaud que não se trata de coisa a que os Franceses não estejam habituados na chefia do seu Estado, mesmo em melhores dias. Como olhando para os artefactos que Bogart usou em «Casablanca», para ter uma medida ideal ao contracenar com Bergman, esta característica não é de molde a prejudicar a imagem pública...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Géneros da Distracção

Mala-Cérebro, segundo Jim Takushi

A Once In A While deitou a semente da discussão sobre a distracção feminina. Claro que não é exclusivo Delas, acontece é que é vocacionada para pensar os objectos guardados em locais muito mais inacessíveis do que aqueles onde pousaram. A dos homens é mais canalizada para si próprios, o que é divertido, ou para desligar de quem com eles convive, coisa que cada vez mais se revela trágica. Depois desta bela teorização, tem o papalvo que escreve estas linhas de confessar que, certa vez, depois de fazer uma bolinha com um papeleco que tinha na mão, descobriu, a meio da viagem, que fora o bilhete de comboio que encaminhara para o lixo...
Mas como se acabou a debater as malas das Senhoras, deixo esta imagem subordinada ao tema onde terei deixado hoje os meus miolos? A infelicidade que nos cabe está em, apesar da horrenda moda das pochettes hoje ultrapassada, nós nem a escada de incêndio da carteira de mão possuirmos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Modas & Bordados

A Moda segundo GillrayQuerida Ana, eu avisei: vou ser brutal! Discordo rotundamente de que a culpa principal de alcandorar uns paus de virar tripas a ideal das passerelles seja culpa dos criadores. Eles mais não fazem do que atender aos traumas e auto-sugestões do mercado. Ora, muitas Senhoras vivem apavoradas por sentirem uns quilitos a mais e estão sempre predispostas a pensar que os manequins não são tão magros como isso, os trapos é que as fazem assim. Daí à compra desadequada é o riscar de um fósforo...
Se os modelos fossem mais nutridos, acha que teriam o mesmo efeito?

Elevação das Expectativas

Enquanto não chega o contributo pela Meg prometido, está na hora de apresentar as minhas conclusões provisórias sobre os usos e abusos do calçado feminino: a primeira reside em todas as razões e mais algumas aventadas, as estéticas, as de auxiliares da libido, as de satisfação emanada da mudança anatómica que se consegue, ficarem grandemente prejudicadas quando o objectivo, continuando muito embora numa esfera de concorrência, passe a ser o de bater records... Ora vejam os certificados "saltos mais altos do Mundo". Quem conseguirá andar com eles? Haverá alguém a sentir-se estimulado nestas e por estas andas? Conseguirá a portadora satisfazer-se com a própria imagem em tão instável (des)equlíbrio?

Sob o ponto de vista puramente estético também infunde muitas dúvidas o aproveitamento da Pintura para a decoração do revestimento dos pés, Assim, André Perugia inspirado em Braque dá-nos este peixe caminhante, que não apetecerá ao consumo. Mas pode ser aproveitado para uma ilação moral - quando uma Mulher compra um par de sapatos tem sempre um motivo a que lançar a rede.

Por fim Magritte, com o nada inocente Modelo Vermelho, dá-nos a compatibilização das vantagens do calçado velho, o de ser sentido como parte do pé, e a volúpia daquele que, de preço, foi recentemente adquirido. Para além de juntar mesma instância os apelos erotómanos de pé e suas capas.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Kitsch Kitsch, Bang Bang

Não era um dos mais notórios avatares do Kitsch a utilização decorativa de objectos com pretensões copiadas da arte admirada, em funções que não eram a pensada originalmente? Pois é por aí que vou, na resposta ao inquérito da Ana Vidal, acerca de as Mulheres prezarem esse elemento da toilette, sobre todos o outros: em vez de ser a utilitária protecção que evitasse o contacto com o solo agressor e conspurcante, o investimento na armadura dos pés enviesa-se, por vezes, para os modelos menos confortáveis, os quais exercem uma fascinação cuja causa profunda tentarei sugerir.
Não farei como especialistas quais os da escola de Jean-Paul Roux, que remetem para os arquétipos enraizados remontando à adoração dos Deuses, como a ingestão da água com que se lavava o pé ou a pegada de Shiva. Nem para a conotação óbvia em todas as épocas, mas codificada na Medieval, em que descalçar um dos pés era alusão condescentente ao acto amoroso, a qual por tão estatuída, dispensava as argúcias psicanalíticas de hoje. Tampouco recordarei com detença exagerada, o sinal de penhor em resgates ou empréstimos que consistia em desnudar solenemente um pé. Isso eram atitudes que não eram exclusivas do Belo Sexo. A meu ver, a razão prende-se unicamente com o facto de, em aplicação do gosto, se ter erguido qual critério da aferição do interesse masculino e como factor de aceitação ou despromoção na rivalidade de Cada Uma com as Outras.
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Isto porque é impossível ignorar uma certa excitação paradoxalmente aquietante, não primordialmente sexual, antes reportando-se à globalidade da relação, que assenta na percepção de que o ser amado atenta em pormenores que, pensam inocentemente Elas, estão longe de serem o imediato pólo que prende as atenções masculinas. De igual modo, no mundo exclusivamente feminino, a produção demasiada nos trapos e nas carteiras, desmentida pela falta de requinte nas chancas, é prova segura de inferioridade e suficiente para condenação.
A recusa do óbvio está intimamente associada ao riscar da pedra que provoca a faísca incendiária. A necessidade íntima e inescapável de uma certa dissimulação que faça deter o domínio da coisa, mas aparente ceder a iniciativa a eles é uma constante das relações adultas, embora possa ser infirmada pelo desespero das diferenças de maturidade enquanto teenagers. Alphonse Karr dizia que o Amor é a única caçada em que o Caçador se entretém a fingir que é a caça. E quase todas sofrem de um pequeno adorável vício, o de, desejando ser amadas pela sua globalidade, tentarem apurar qual o pormenor que faz cair a presa no admirável e desejado laço. O conselho que dou aos meus congéneres é que, delicadamente, nunca satisfaçam por inteiro essa curiosidade. Em subsistindo a dúvida, as desconfianças confiadas encaminham-se para os sapatos, pois então...
Ufa, como dizia, mais coisa, menos coisa o Presidente Aznar, desta já me livrei.
A primeira imagem é Ultra-Móvel de Kurt Seligmann

sábado, 12 de abril de 2008

Mote Para Botim

Então, minhas Senhoras, para quando essa discussão sobre o grande tema do nosso tempo, o calçado feminino, para que Vos revelásteis tão disponíveis? Tenho de ser eu a romper as hostilidades? Pois seja, com uma citação de Shaw: Se uma Mulher se rebelar contra os sapatos de salto alto, deve ter cuidado de o fazer sob um chapéu notável.
Ou optamos por um registo mais sério? Na Antiga China mandava o decoro que as Senhoras não apontassem aos médicos no próprio corpo o local preciso das suas queixas, fazendo-o antes numa boneca de marfim como a que se dá à estampa. Duas escolas de pensamento há sobre o facto de este belo exemplar se encontrar calçado, uma diz que por requinte, a outra opina que assim mandava o pudor, pois por aquelas paragens o pé é um símbolo sexual. Por cá também; mas alguém me faz a esmola de explicar em que é que um nu calçado morigeraria a situação?
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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Indícios Velados

Uma adolescente muçulmana processou um salão de cabeleireiro londrino, por não lhe darem emprego em razão de usar o véu islâmico cobrindo o cabelo, o que a terá feito sentir-se devastada. Ora parece-me uma natural medida de gestão de pessoal e marketing, não uma perseguição religiosa. Sendo o objecto da prestação a beleza das trunfas das clientes, impressiona pessimamente ver a da... operadora coberta. É como se uma vendedora de roupa se exibisse andrajosa, ou um cozinheiro revelasse uma subnutrição evidente. Quem confiaria aos profissionais incapazes de cuidar de si no respectivo sector as respectivas pessoas? A cabeleira oculta poderia bem fazer suspeitar resultados devastadores, por imperícia ou métodos ruinosos originados...

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terça-feira, 25 de março de 2008

Pobres Caravelas...


Satisfação por ver arredada da representação nacional de Futebol a combinação de uma bandeira verde-rubra de memória histórica lamentável e opção heráldica arrevesada. Além de que a nova opção de vermelho parece mais quente e, estendendo-se à totalidade do equipamento, poderá levar os rapazes a darem o litro, para aquecer o coração dos adeptos.
O que de todo me pareceu indescritível foi o embaraço com que o reporter da TVI se referiu ao Emblema: pode ser vista a Cruz... aah... de Portugal. (Pausa). A Cruz de Cristo. Como se o Nome mordesse. Nem creio que estivessem por detrás sentimentos anti-religiosos próprios, senão o empenho em não desagradar à fúria laicista que inunda o País. Lá lhe devem ter feito sinal de que não faria grande mossa nomear o Símbolo, o que aliviou o rapaz.
Até porque o triângulo e o compasso só alastram pelos orgãos dirigentes, não consta que hajam contagiado o escudo federativo...

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Fundamento Científico

Eis o estudo técnico que aconselha a não introduzir a proibição que a Paula Botto, a brincar - e eu com Ela, mas muito a sério -, tanto teme. Haja saúde! Mas juízo, também!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Nó e o Laço

Mesmo que seja o Górdio, não há crise, dá-se um jeito...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A(s)Sapar é que está a dar

Dona T, como a Sua concepção de levar a vida num brinquinho implica deixar um homem de mãos atadas e conduzir o Outro pela trela, tenho de dizer que o presente que Lhe posso oferecer é como um sapo vivo, para engolir. Ou, melhor fazendo, já que só a esta linha dá ouvidos, um qualquer batráquio para pendurar...
Ora tome!