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terça-feira, 15 de julho de 2008

Estar Por Fora

Às Leitoras e aos Leitores que temam não conseguir adormecer, no afã de tentar conciliar os termos da frase do Génio da Bola sobre a Mulher Ideal - o que interessa é o interior, mas por fora tem de ser bonita como a Angelina Jolie - deixo a minha hermenêutica: o rapaz estava a dar prioridade a um orçamento equilibrado e tanto ouviu os especialistas bradarem que não basta aumentar a receita, é preciso cortar na despesa...

domingo, 6 de julho de 2008

Poder do Passado

Nunca ao Domingo? Pronto, para não ser apedrejado pela Clientela Feminina do blogue ponho um actor cuja única desculpa para o estrelato seria o físico, pois que representava muito mal, coitadito: Tyron Power, aqui com Betty Grable uma artista cuja beleza sempre me irritou, apesar de ser a preferida dos soldados americanos na II Guerra Mundial, ao contrário dos oficiais, que elegiam Rita Hayworth, o que, só por si, justifica a cadeia de comando.
E para legitimar a colocação deste postal, queria referir a inovação que este astro trouxe à nossa língua. Durante os Anos Cinquenta e Sessenta era corriqueira a expressão é um tirone seco no sentido de dandy, um homem bastante aperaltado com morfologia que não destoasse. É esta a razão da etiqueta, ou já estavam a extrapolar, a partir da ameaça do gesto captado na foto?

sábado, 5 de julho de 2008

Dom das Línguas

1- Andei todo o dia cabisbaixo, pensando em que teria errado, nesta conversa de mouros. Até que se fez luz, ao ler uma informação de Heinz Kröl, que nos diz que o termo alarves, usado em gíria para significar tolos, queria originariamente dizer Árabes. Ora bem, mouros também possui esse significado. Faz-se luz, portanto - as nossas Amigas andam à cata de homens que não pensam. Venham depois falar-me de Mulher-objecto! Objecto!
Adão e Eva no Paraíso de Lorenzo Ghiberti

2- A propósito daquilo em que concordámos no post anterior, pelo menos eu e a Júlia, no facto de na língua francesa até a parolice agradar, lembrei-me da deliciosa teoria de André Kempe, em tratado especializado de 1569, que determinou ter Deus, nos Jardins do Eden, falado aos nossos primeiros Pais em sueco; mais dizia, Adão respondera-Lhe em dinamarquês e a cobra convencera Eva em... francês. Muitos comentadores gozam que nem perdidos maiores que o réprobo, acrescentando não terem dificuldades em acreditar na terceira teoria, o que diz bem da capacidade de impingir, literalmente, banha da cobra atribuída à maviosa língua gálica. Já manda o Povo desconfiar de quem vem com falinhas mansas...
3- À Ana Vidal, Que defendeu outra tese inverosímil, a de que as mouras se podem encontrar em dia de S. João, direi que basta ir ao sítio certo, como este local do Brasil...

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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Os Fios da Língua

O menos desAmado dos Ministros veio dizer ao Parlamento que o Tratado de Lisboa é essencial a uma Europa mais forte e coesa. Atentando no magno local onde o embuste ocorreu, há que relembrar a etimologia espirituosa francesa que o desmascara:
Parlement- parce que là se parle et là se ment

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Piercing

Conclui-se que uma pasta ministerial é uma masmorra! A Dr.ª Isabel Pires de Lima vem dizer do acordo ortográfico, se não o que Maomé (não) disse do toucinho, ao menos o que o bom senso manda e que de todo faltou à sua gestão da tutela da Cultura. Confirma-se assim que essa nefasta escolha ministerial foi responsável, não apenas por depurações inacreditáveis, por destruições de equipas de êxito na museulogia, no teatro lírico e por aí fora, como nos roubou a autora de alguns ensaios agradáveis e, vê-se agora, uma voz mais de alguma influência contra a mutilação da língua.
É que outra cousa não é a uniformização idiomática que se urde, do que um gigantesco piercing, semelhante aos que o partido do Governo faz questão de banir, por perigosos. É uma lamentável nostalgia Socialista pela colectivização - proíbe-se o parafusinho nas línguas individuais, mas impõe-se o atarrachar equivalente na que é património comum. Até que todos entremos em parafuso.
Encontrei esta imagem na net, sob a designação de Screwed Tongue. Imploro à condescendência dos Leitores que acreditem não ser a ingenuidade o que me leva a não traduzir...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Lógica da Língua

Nas duas últimas semanas têm aparecido nos muitos jornais umas curiosas e mais que notórias carpideiras lamentando que os Portugueses, maxime os Jovens, estejam de costas viradas para os políticos. Deixemos a menção às idades mais tenras, explicável por não serem vistas como suficientemente calejadas para resistir aos cantos dessas sereias roucas que pouco dão, para além da própria propaganda. Que motivo há de espanto nesse afastamento? Vox populi, vox Dei, a própria etno-linguística popular nos diz que era antigamente muito usada a expressão ando político com Fulano, segundo Alexandre de Carvalho Costa, como sinonímico de estou de relações cortadas com..., ou ando zangado com...
O mesmo estudioso nos diz que isto teve origem no pluripartidarismo e respectivas discussões, as quais muitas vezes culminavam na extinção da amizade entre os intervenientes. Há, portanto que concluir que nada mais lógico do que andar político com os políticos, pois eles assim andam com o Povo. E se no começo do regime algum entusiasmo ainda existiu, eram os rendimentos que o Estado Novo deixara a falar mais alto, não lembrando as gentes o que houvera antes.
Tudo voltou ao mesmo, para avivar-nos a memória.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação Em Imagens

A Educação É Tudo de FragonardQue no lead desta notícia apareça sensação, que significa impressão, enquanto o Sr. Procurador Geral falou em sentimento, ou seja convicção íntima, não é grave, sensacional seria que, nos tempos que atravessamos, as crenças enraizadas se fundassem em coisa menos desmoronável do que a superficialidade.
O que me parece a todos os títulos pior é que o Ilustre Magistrado eleja como principal alvo da sua luta esse sentimento, ou essa sensação, e não a própria impunidade. Claro que inexistindo esta - que é o conteúdo da função para que lhe pagam - não sobreviriam sentimentos ou sensações do vazio, por geração espontânea. O mal está todo em S.Ex.ª, decerto com a melhor das intenções, embarcar na ideia de que o fulcro dos nossos problemas está em imagens, seja a que os prevaricadores fazem da imunidade à Lei que se imaginam, seja a da própria marca que pretende deixar.
*
Entretanto, quero transmitir-Vos chamada de atenção para um dos melhores textos que já li na Blogosfera. Não há manto de brilhantismo diáfano que escamoteie a profundidade desta percepção.
Bom Feriado!


terça-feira, 20 de maio de 2008

Tudo É Vaidade!

A Luísa confessa não perceber a razão pela qual queijo, em francês, dá Fromage. É natural, o Belo Sexo que é o Seu serviu para espalhar o hábito de o consumir nos salões oitocentistas de Paris, em obediência ao célebre ditame de Brillat-Savarin uma refeição sem queijo é como uma beldade a que falte um olho. Mas, curiosamente, este entendimento só se aplicava ao género masculino, na mesma altura em que os homens se atiravam ao dito, as Senhoras aplicavam-se nas bolachas e nos chocolates. Como se vê, não era preocupação com a linha.
Ou seja, a Mulher serviu para incentivar a deglutição, mas era dada como incapaz de compreendê-lo, o que julgo ser a base de muita da publicidade moderna, com modelos apetitosíssimos vidrados em homenzarrões a sério que consomem este ou aquele álcool, mas sem serem filmadas ou fotografadas em doses similares da ingestão respectiva... Um apelo a um arquétipo, por conseguinte.
Quanto à questão linguística, de que outra forma poderia La Fontaine pôr a raposa a fazer o queijo rimar com a plumage do corvo?

Desconversa Fi(rm)ada

Tendo em conta o que o Amigo Mike deixou da Sua autobiografia, aqui, quero postar esta homenagem, com a publicação de uma das locomotivas Garratt que Ele terá observado em Criança, já que eram a menina dos olhos do Caminho de Ferro de Benguela.
Desejaria ainda dizer o quanto o Lobito foi importante na minha própria experiência, porquanto, com escassos meses, num eclipse isolado da responsabilidade, fui pelos meus Pais metido numa avioneta que chocalhava por todos os lados, saída de Luanda para a bela cidade em que nasceu o Nosso Amigo. Como a altitude entupira os ouvidos do fedelho, fazendo-o berrar, o Piloto disse para me levarem para a cabina, para ver se as luzes me distraíam. Assim começou e findou a minha vocação aérea de pilotagem...

Entretanto, uma reflexão sobre os modos como os povos "ouvem" as máquinas. Sempre me insurgi contra impingirem aos miúdos a fantasista poucaterrapoucaterra, como ruído característico. Mas já não me revolto contra o tchoungatchounga... Isto para dizer que ainda ontem, em pleno parque estorilista, uma Ucraniana, daquelas que nos fazem duvidar da noticiada escassez de cereal, mostrava o trem ao filhote, imitando o barulho com um siuskasiuska.
Eu sei que os Ingleses, por exemplo, ensinam aos filhos a voz do cão como bufbuf, onde nós pomos AuAuAu. Mas mesmo assim... siuskasiuska para comboiadas...!?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Línguas Compridas

Tenho inteira simpatia pelo movimento que, respondendo a este apelo, cada vez mais congrega Galegos no sentido de reconhecer a identidade linguústica do seu falar com o Português. É coisa desde há muito reconhecida, desde logo por Jacinto do Prado Coelho, ao assimilar as Literaturas de Além e Aquém-Minho e a Brasileira.
Que mal tem haver uma língua transfronteiriça? Não o é o Basco, falado em Espanha e França? E o Catalão não o foi, no Languedoc, até que o jacobinismo parisiense lhe extirpou as raízes? Quer-me parecer é que as autoridades normalizadoras, sob a égide de um governo insensato em Madrid, querem afrontar as peculiaridades pacificamente manifestadas, enquanto se põem de cócoras perante os nacionalismos aguerridos de Catalães e Bascos. Assim como nos não devemos permitir cair na insensatez oposta, a de nos deixarmos influenciar por esse Detritus do Astérix que dá pelo nome de Carod Rovira, atiçando o espantalho do imperialismo hispânico contra a dualidade peninsular, certamente para retirar proventos próprios.

O grande Linguísta Brasileiro Gladestone Chaves de Melo atacou a invenção de uma língua brasileira pelo Movimento Modernista dos Anos 20, recorrendo ao enraizamento popular e à erudição estruturalista de Sausurre, ambos coligados na rejeição da novidade:
Mas que língua é essa nossa, tão solidamente una?
O homem comum, que geralmente tem instinto de acerto, fundado no bom-senso, não tem dúvida sobre qual seja ela: é o português. A própria fraseologia o atesta. Qualquer pessoa diz, por exemplo: "Falando português claro, o que eu quero é aumento de salário"; ou "Em bom português isso se chama preguiça"; ou "Esse Fulano parece que não entende português!".
(...)
nossa língua é a portuguesa, porque o sistema é o mesmo de que se servem e onde se abastecem os portugueses. Mesmas palavras fundamentais (nomes de parentesco, das partes do corpo, das coisas, enfim, directamente ligadas ao homem essencial), feminino em -a, plural em -s, aumentativo em -ão, superlativo em -íssimo, primeira pessoa do plural, nos verbos em -mos, futuro em -rei, relação de posse indicada por de (...), pessoas gramaticais expressas por eu, tu, ele, nós,...

E conclui que o que nos diferencia é estilo e que essa diferença merece ser preservada, como, noutro estudo, se pronunciou pela reintegração do estilo galego na língua portuguesa. Pois o que se tenta é arrasar as divergências estilísticas, com acordos ociosos; e, na Galiza, normalizar, quer dizer, passar a ferro

terça-feira, 13 de maio de 2008

Conceitos Básicos

Eu ainda sou do tempo em que vaporosa e cativante eram qualificações de Mulheres merecedoras. Para o Dicionário de Calão para Crianças do Instituto da Droga e Toxicodependência será a bola da cocaína aquecida. Maldita cocaína, que me destrói os quadros linguísticos! Terão os autores sido motivados por alguma confusão resultante da expressão tráfico de brancas? O certo é que, para o mesmo léxico, eu serei betinho, cocó e careta, quer dizer, conservador, desprezível e desinteressante. Entretanto, fez-se pelo menos luz no meu espírito quanto ao significado do termo base. Trata-se, como demonstra o recorte, de uma representação universal, digna de alicerçar um novo Esperanto: Não é também o valor semântico de Al-Qaeda? Está visto que as ligações entre terroristas e pó branco não se resumem às FARC...

Contudo, sou obrigado a declarar:
eu sei menos do que um miúdo de 11 anos!

terça-feira, 6 de maio de 2008

De Cara Alegre

Cristina da Suécia, por Jacob Ferdinand VoetNa visita dos Reis da Suécia poderia lembrar a triste intervenção que a Social-Democracia daquele país teve contra a nossa luta pelo Ultramar. Mandam porém os deveres de anfitrião, a actual governação Conservadora da Nação Escandinava, como o meu feitio pouco dado a hostilizações, que, a propósito, fale de episódios históricos mais agradáveis.
Assim, deixarei para os que viveram a felicidade correspondente o cuidado de evocar a mini-revolução sexual que as jovens turistas nórdicas trouxeram à pacata Liscoa da década de 1960´s. Falarei antes dum relevantíssimo e solitário papel da Coroa Sueca, com os conselhos de Oxenstierna em ponto, a única que inquebrantavelmente defendera a nossa independência e os direitos de D. João IV, no Congresso de Munster.
Por isso, o Restaurador ordenou, em 1651, que em Lisboa se dessem salvas de Artilharia e o Senado pagasse as danças, charmelas e folias do estylo «para alegrarem a cidade», e se déssem, emfim, todas as demonstrações de regosijo, pela notícia da coroação na Suécia, do ano anterior da rainha (Cristina) «minha boa irmã, prima e confederada».
Ora, a cidade tinha vivido, dois anos antes, peste mortífera, perdera-se uma armada vinda do Brasil, fora recentemente ameaçada pela marinha do infame Cromwell, cheio de rancor pela hospitalidade dada aos Príncipes Palatinos; e mal saíra ainda de uma fome gerada pela retenção gananciosa de cereais dos atravessadores cadimos, que, em 1650, colocara a capital em artigos de Sancta Unção, segundo os documentos oficiais. Assim se gerou a expressão dar vivas por Cristina, como sinonímica de ter de festejar algo sem vontade de o fazer.
Como está tudo ligado, não resisti a lembrar esta história, em que nem falta o episódio famélico, no momento em que se prefigura um espectro de escassez alimentar. Mas para a queda da voga do anexim que é a base do postal, tenho outra explicação - por estes dias a Cristina festejada é a Ribeiro, nossa Amiga e Madrinha desta casa. E Essa toda a gente por cá festeja, cheia de ganas!

sábado, 26 de abril de 2008

Cavar a Língua

Ao ler esta parte do DN de hoje, vejo uma velha pecha linguística, a confusão das preposições sob e sobre, revestir-se da periculosidade acrescida que conferem as mutações dos virus. Normalmente o sob era obliterado, substituído por um sobre impante. Assim, sob suspeita, sob detenção, davam as "sobredades" que levaram Alberto Pimenta a uma crónica genial; cliquem para aumentar, qua a leitura vale a pena.Na peça em apreço verifica-se a inversa. A Autora fala em missões do alemão arrependido sob o território britânico. Após o contacto inicial, pensei que se tratasse de um sapador. Mas não, era homem da aviação. Até que se fez luz: para a Signatária do artigo, "missão" não era sinónimo de voo, mas de bomba tout court. E aí há que dar-lhe razão, pois as crateras deixadas pelos engenhos explosivos do ar lançados vão ainda mais fundo do que os buracos abertos no idioma.
Cratera de Bomba Com Flores de Otto Dix

terça-feira, 15 de abril de 2008

Origens Racistas da Democracia

Cincinato Recebendo os Enviados do Senado de Alexandre CabanelSe sou contra qualquer consideração grupal que julgue por factores independentes da vontade dos indivíduos, irrita-me solenemente o politicocorrectez que policia a linguagem mais inocente, ao ponto de inventar racismos em expressões enraizadas, sem qualquer hostilidade. Para que os culpados da coisa percebam, vou dar-lhes do mesmo remédio: a Democracia, entendida como votação em candidatos a um cargo é, intoleravelmente, afrontadora das pessoas de etnias não-europeias. Com efeito, candidato teve o seu sentido político originado na Roma Antiga, aplicado aos pretendentes ao desempenho de funções públicas. E vinha do verbo candeo, que significava ser branco. Isto porque os que se propunham a esses altos voos se apresentavam alvamente vestidos, como identificação e manifestação de lisura programática.
Como pode continuar a ser tolerado pelos inspectores insaciáveis da fala e da escrita um regime que na sua terminologia oferece o exclusivo do Poder a quem é branco?

sábado, 12 de abril de 2008

Mas?

Findo o jantar, não me saía da cabeça a mais enigmática adversativa que conheço: William Morris, depois de tentar dar as feições da Mulher, Jane Burden, à Rainha Genebra, do ciclo da Távola Redonda, terá dolorosamente desistido, escrevendo na parte posterior da tela: Não consigo pintar-te, mas amo-te!
É este mas que eu contesto. Perceber-se-ia, se aplicado a uma impotência que recusasse a cosumação em acto da intensidade do sentimento nutrido. Agora, por não o satisfazer o resultado do retrato dela? Dir-me-ão que para um artista sensível, não conseguir dar seguimento ao sonho de contar a Amada entre as Musas é não pequeno sofrimento. E eu respondo que me parece todas as dificuldades entre eles terem nascido das profissões de ambos.

Não no sentido em que hoje é comum, com o cansaço a estimular a irritabilidade dentro do conúbio, ou com as exigências do trabalho a concorrerem com as prestações de cada casal. Antes porque penso que no respeitante à consorte, o métier morrisiano não era o de pintor ou designer, nem sequer escritor, que eram os que declarava na vida civil, sendo-o, ao invés, o de escultor. Com efeito, antes de casar com ela, moldou-a, qual nova Galateia, com o adestramento nas várias matérias da ascensão social, da Etiqueta à Literatura, dos idiomas estrangeiros ao piano. E com êxito.
No que a ela toca, revelou-se profética a pintura na pele dessa Guinevere escapando do Himeneu com um íntimo do Marido, Dante Gabriel Rossetti, tal como a medieval caíra nos braços do melhor amigo do marido, Lancelote do Lago. E porquê? E para quê? Modelo que fora, para ser pintada e amada por ele, como efectivamente foi, parece que abundantemente.
Morris, se foi bem sucedido em criar uma nova mulher, revelou-se incapaz de satisfazer as vontades que nela semeara. São célebres as distracções de poeta que frustraram muitos pequenos projectos da vida em comum, como aquela em que procurou satisfazer-lhe o desejo de uma temporada termal em Baden-Baden, tomando caprichadamente todas as medidas necessárias, com a pequena excepção de fazer as reservas do hotel...
Mas ela não compreendeu - ou não quis compreender - aquilo em que coincidiram na percepção as Mulheres que li e As Que conheci: que um homem distrair-se em face Delas é sinal seguro de que o perturbam.
Estavam reunidos os condimentos para um Pigmaleão que não acabasse bem. Burden, apelido de solteira, significa tanto fardo como ónus. Qualquer dos sentidos era mau presságio.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Na Vã Guarda da Língua

De Magritte

No documentariozito sobre a Maçonaria ontem emitido pela RTP1, nem foi o olvido das actas da organização sobre o Regicídio a efectuar o que mais me surpreendeu. Aquilino Ribeiro jura a pés juntos que as viu, mas certamente era um ventríloquo da Reacção e do Clericalismo. E o Dr. António Reis falava na qualidade de Grão-Mestre, não na de historiador, o que, como se sabe, muda completamente os factos.
Não, o que mais espécie me fez foi a salomónica, melhor dizendo, balsemónica designação os maçons e as maçonas. Maçonas? Huuum, os meus dicionários não andam na crista da onda, mas haverá algum que consagre o vocábulo? A meu ver é difícil, maçon não é dos galicismos integrados, só pode ser escrito com itálico ou aspas em jeito de disclaimer, a palavra em Português deu mação. E aí fez-se a luz: é claro que não se podia derivar o feminino deste último, já que a óbvia construção daria maçã. Ora, o «Genesis» arquetípico ainda deixaria no subconsciente das gentes a sugestão de que os iluminados visionários do Supremo Arquitecto são maus como as cobras...
Não, maçona justifica-se. Antevejo os sopapos que recolheria se dissesse a alguma amiga, mesmo refractária à identificação do semantismo induzido: sempre me saíste uma maçona... é que a fonética evoca a de maçada. E até por aí, até por aí...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Reputação Fabiana

Cameron Diaz diz que pode ser intimidante para muitos homens. Quero deixar bem claro que, se ma pusessem à frente, seria mais esta expressão que me caracterizaria. Será terror?

quinta-feira, 27 de março de 2008

A Importância do Género

Lição de Português: Quando o que segue um substantivo próprio não respeita a concordância, perde-se a exactidão qualificativa; ex: Fabiana Semprebom

domingo, 23 de março de 2008

Língua Exangue

Há coisas que merecem pimenta na língua, mas fico-me pela língua na pimenta fotografada.
Ouvisto num programa de T.V. transbordante de pretensões intelectuais: o moderador do «Eixo do Mal», falando da postura humanizada do Presidente Cavaco numa peça emitida, diz que ele adoptou um novo estilo, cingindo-se a adjectivos, tipo "gostei".
Sem mais comentários meus, para além do bold na frase citada.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Linguagem Burrocrática

Não será novidade para quem quer que seja que as várias burocracias, estatal, técnico-administrativa e mediática, se estabelecem sobre um jargão ridículo que, na ânsia de esotericamente definir uma opção, acaba por não delimitar conceptualmente coisa alguma.O Marechal Lyautey, detestava os formulários e o vocabulário adjacente. Certa vez recusou assinar uma decisão que ele próprio redigira, colocando como nota à margem do texto:
Chega! Chega! Eu sei muito bem que existe uma forma sacro-santa para estas ordens - e é, aliás, por isso que elas são quase todas ininteligíveis. - Mas não sei por que contextura, quem sabe se de origem divina, ditada pelo Eterno sobre o Monte Sinai. Os fracos homens a inventaram, os homens a podem mudar.

Vem isto muito a propósito de no ora aprovado e peudo-inovador lisboeta Plano de Revitalização da Baixa Pombalina se ler ligação pedonal assistida à zona da Costa do Castelo, querendo significar elevador ou escadas rolantes. Por que diabo não inscreveram limpidamente os conceitos? É que, bem vistas as coisas, este auxiliar da conquista de Lisboa aos Mouros também quadra no conceito...


O desenho do labirinto de papel é de Renato Alarcão