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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Por Via das Dúvidas...

...eu cá não ia, a menos que tivesse o empossado como provador. Doutra forma, passa é por provocador!Veneno de Andy Wahrhol e Jean-Michel Basquiat

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Tirania ao Espelho


Tenho andado de sonos prejudicados, ao longo dos últimos três ou quatro dias, por me não conseguir lembrar de que personagem histórico a insistência deste mutante me fazia lembrar. Hoje achei: era Heliógabalo, que também se cansou de ser homem e fez a operação que, achava ele, o transformaria em Mulher, proclamando-o por decreto imperial e nessa qualidade casando com Hierocles, uma espécie de escravizado motorista da época, pois que conduzia quadrigas de competição no circo. Deixemos de parte a triste concepção que faz de um Ser tão maravilhoso como cada concretização do Eterno Feminino algo acessível ao primeiro maganão decidido a um corte radical com o Passado. Convém é nunca permitir que esta categoria de indivíduos venha a deter o mando, ou a melguice atormentadora de repartições do transformista luso-canadiano ganhará as asas de norma que a todos nos tiranize.

Mas vi mais, a presença do monstruoso senhor do Império ressuscitou noutros dois pontos - na criação de um paralelo Senado só para Mulheres, o que me parece indiscutível fonte de inspiração da Lei da Paridade que instituiu quotas nas listas para a Assembleia da República. E o episódio da sufocação com rosas dos convivas, algo que, simbólica mas alargadamente, se vai incrementando no Portugal do Sr. Sócrates.
Ilustro a pretensa e pretensiosa feminilização e o afogamento floral com desenho de Martial Raysse e pintura de Alma-Tadema, respectivamente.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

As Faltas Que o Povo Sente

Panem et Circenses de Whitney M. Hall

As duas maiores preocupa-ções nacionais das últimas semanas, os supermerca-dos vazios e o Campeonato Europeu de Futebol trouxeram-me à mente dois exemplos oitocentistas da aplicabilidade da máxima Pão e Circo, de Juvenal, à sociedade portuguesa contemporânea, a ponto de lhe fazer evaporar os brandos costumes.
Em 1855, tendo os padeiros resolvido elevar o pão de arrátel alfacinha a 30 réis, uma populaça enfurecida e capitaneada por um cabecilha de nome Hermenegildo Correia, encetou assaltos às padarias e tentou incendiar a casa do industrial José Maria Eugénio, tendo-o por monopolista de farinhas.
En 1876, porque a abertura do Passeio Público pelo concessionário não obedeceu aos requisitos legais, foi impedida pela Câmara na data marcada. A turba não quis sair, estava tudo iluninado, a banda tocava... Veio a carga policial que deitou sabradas a torto e a direito, deixando muitos feridos graves.
O primeiro episódio foi resolvido com recurso a um método mais de acordo com os hábitos governamentais do partido actualmente no Poder, com a atribuição ao cabeça dos revoltados de um belo emprego. Mas quantos camionistas haverá hoje em Portugal?

domingo, 15 de junho de 2008

Feitos

Nunca me apanharão a contestar ou aprovar a concessão de distinções, porque acho que cada hissope é livre de aspergir quem queira. Neste 10 de Junho, por exemplo, a atribuição de um altíssimo grau ao Dr. Almeida Santos servirá mais do que bem para definir os que concedem, em função do hã perfil do agraciado.
Posso, entretanto, fazer considerações de carácter geral, acerca dos peitos cravejados. Churchill dizia que uma medalha brilha, mas traz sempre consigo uma sombra. E claro que ela está na servidão voluntária dos poderes, em troca das chapinhas almejadas. Por tanto aprecio esta pintura, já que, mais do que a ironia apontada a um Ramo militar, sugere o quanto muita cabecita desfralda as velas para aproveitar o sentido do ventinho que permita ser posto a reluzir.
Percebe-se, em consequência, que a distribuição da última semana tenha sido relatada como "deposição de condecorações". Sim, sei que depor também é usado no sentido de entregar ou confiar, mas mais apropriada a casos de que se espere seguimento de acção imediata dos fiéis depositários, por exemplo, a queixa, a pretensão foram depostas junto das competentes autoridades...
Mas claro que está muito certo, depor também significa pôr no lado ou no chão algo que se trazia, o que permite sentidos muito realistamente identificáveis, ao contrário daquele de uso mais costumeiro, impor, que a apetência pelas honrarias faria desatar a rir aqueles que a ouvissem hoje aplicada.
A Marinha Dá Melhores Medalhas de Per W. Petersen
Tendo falecido o Capitão da Guarda Châteaubriand, Francisco I quis dar ao futuro Marechal de Vieilleville o cargo e as honras correspondentes. Perante o espanto geral, a começar pelo Régio, ele negou-se a aceitar. dizendo:
No dia de uma batalha em que Vossa Majestade tenha visto o meu mérito. Mas se eu tomasse essa distinção presentemente, todos os meus companheiros a transformariam em motivo de risota e diriam que me teríeis escolhido por causa do meu parentesco com o Finado. E eu preferiria morrer do que ascender a qualquer condição por um qualquer favor, em vez de pelo meu serviço.
É evidente que isto foi muito antes de as figuras públicas se aparentarem por emblemas partidários.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Camões, Modo de Usar

Camões. No dia Dele, uma biografia pouco vista mas bastante competente e nada enviesada, ao contrário das apropriações do Épico que, quanto a mim, ainda foi mais esplendoroso Lírico. Em baixo, o começo do martírio post mortem, com a imagem da colocação da primeira pedra no monumento da praça que Lhe tomou o nome, assemelhando-se o toldo, profeticamente, ao formato de um cadafalso. A partir do Ultimatum de 1890, transformar-se-ia, após os panos negros colocados lá pela estudantada, em local de romagem de todos os Republicanos subversivos, com campanhas para afastar das concentrações a própria Família Real que se associara à construção do Monumento. Como no Pós-Abril, se reduziu a pó a História pessoal, em tudo o que era teatro experimental transformado em revolucionário e oprimido, como hoje, celebrado pelos poderes que não quiseram morrer pela Pátria e se vão entretendo em celebrar uma universalidade sem sentido, porque desvinculada da presença auto-suficiente, com hossanas que soam a falso ao Grande que dissse ao menos morrer com a Pátria.
Pela própria perda de uma vista, aproxima-se da vidência do Poeta Cego, presente ao longo de várias fases do imaginário do Ocidente. O que celebrou foi a magia do Império e a Grandeza dos Reis. Mas do uso que Lhe deram será ele o único que não pode ser culpado.

sábado, 7 de junho de 2008

Véus Há Muitos!

Que está em jogo na futebolada de hoje entre os nossos e os turcos? Para os Tugas apenas a oportunidade de nos distrairmos de uma governação incompetente e que nada tem a ver com o Povo que deveria servir. Para o País adversário, muito mais, sendo a medida das grandes decisões, de aproximação ao Ocidente ou de, na prática, afastar-se dele.A crise desencadeada pela revogação das interdições dos véus nos estabelecimentos de ensino, a par das ameaças ao Presidente e Primeiro-Ministro de Ankara de os apear, por as respectivas Mulheres comparecerem com esse estilo de vestuário em cerimónias públicas, correspondem a um ataturkismo mais ataturkista do que o de Kemal Ataturk, pois este fizera a esposa apenas prescindir do paninho que tapasse o rosto, continuando ela a exibir-se com o cabelo coberto, que é o que a Magistratura tenta agora impedir.
É uma tentativa de a grande Nação do Mediterrâneo Oriental tentar rebelar-se contra o que identifica como medida do seu declínio: Quando a República foi implantada, culpava-se os derradeiros tempos do Império Otomano pela ininterrupta decadéncia nacional a que se chegara. Hoje, a caminho de um século republicano, vê-se o retorno a uma tradição então abolida como a identitária recuperação de uma autonomia que escape à subserviência.
Nessa medida, congelada a entrada na UE, a vitória futebolística poderia funcionar como tónico psicológico para os laicistas, mostrando trunfos num terreno dominado pelos Ocidentais, cuja proximidade ou não está em cima da mesa.
E para nós? Do lado de cá sempre se usou na linguagem popular o paradigma turco como espelho da força relativa do País. Até ao Século XVII, com a imagem do poderio de Solimão O Magnífico & Sucessores bem presente, louvava-se o vigor desusado dizendo que o possuidor dele era forte como um turco. A partir da derrota contra Sobieski, com maior difusão no século XIX, os medidores de força em todas as feiras ostentavam a cabeça de um natural daquelas terras, em que se aplicava uma marretada. Daí a expressão tête de turc, como sinonímica de alguém ou algo em que todos batem.
Para bem de Ronaldo & C.ª, esperemos que seja esta que se apresente hoje como apta a ilustrar o resultado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Corrupacopacopaco!

O Papagaio Rosa de Rose Herczeg

O inenarrável Sr. Saleiro defende a extinção das Juntas de Freguesia, por serem um sorvedouro de dinheiro e as pessoas não irem lá. Com mais propósito estas seriam razões para pôr fim à Assembleia da República. Mas por muito estrambólico que seja o opinador, há que vigiar, não vá tratar-se de estar a fazer de batedor de uma nova ofensiva do jacobinismo centralista, em vez de apenas se procurar voltar a uma evidência perdida.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Círculo Vicioso

Cheri Blair, a Mulher de que ninguém, salvo o Tony, gosta, vem memorialisticamente dizer que ficou a admirar Hillary por esta, magoada pela traição, ter apoiado o Marido no Monicagate, para lhe salvar a Presidência. Como se sabe, este é um ponto que deixa paralisadas as feministas. Predispostas a gostar da actual Senadora por ser uma Mulher tida por capaz de conquistar o Poder, não lhe conseguem perdoar o que consideram subserviência perante o infiel Bill. A meu ver, a indecisão não tem grande razão de ser, a Sr.ª Clinton é mais do que suspeita de não se ter vingado, não por subsistência do afecto, mas para preservar hipóteses de candidatura presidencial sua. Como seria em si que pensava e não no seu amo e senhor, podem ficar descansadas essas almas danadas: se ela não fosse tão calculista, lá deixaria o Poder inteiramente à mercê dos nefandos machos!
Não creio que, no fim de contas, haja sido assim tão fria. Mas serve para mostrar como o fanatismo sexista é muito pior do que as antigas solteironas de Província, a meter-se na vida alheia. Como as milhares de megeras que escreveram à Mulher de John Prescott, aconselhando-lhe as piores formas de se vingar do adultério dele com a secretária...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Regresso Aos Antigos

Estudo para Licurgo Apresentando a Esparta o Seu Rei, de David

Ainda bem que existem estas «Combustões». Se afastadas no Espaço, avizinham-nos no tempo, reequacionando o que nos fez. Ontem virou-Se o Miguel contra Esparta. E eu cá estou a dizer da minha discordândia. Entendamo-nos, não gostaria de viver no protototalitarismo da dureza lacedemónica. Mas pelos meus defeitos, não por alguma qualidade que me não haja desertado. O Caro Amigo ataca os intelectuais, como celebradores da violência e de um Estado que, justamente, não deixou margem aos produtos que eles disseminam. E não é estranho, isso? Qual a razão? Nunca a adulação do Poder dominante, pois alguns, Aristóteles à cabeça, escrevem depois de decaído o predomínio espartano. A resposta é outra - prezam e agradecem o que sabem verdadeiramente importante e sem o qual as suas criações não teriam habitat possível, quer dizer, a própria subsistência Helénica, garantida pelo estado guerreiro nas Termópilas.
Mas não segue que a cultura não fosse querida nessa polis. Licurgo obrigou à veneração dos poemas homéricos, com aproveitamento forçado na aprendizagem, pelas crianças do país, onde os outros se punham a discutir (quando não a atacar) esse património que queremos comum. E não deixa de ser irónico ver o Monarquiquíssimo Miguel atacar este paradigma da manutenção da Coroa, da rejeição constitucional dos oradores que agitassem multidões e... da força do dinheiro que, em simultâneo, reprova.
Licurgo foi genial e salvou o seu País do que aconteceu em Atenas, onde a cobiça levava à triste alternância dos demagogos da Democracia com os tiranos das reacções populares contra eles. E enraizou a confiança de Povo e Realeza, até nas refeições em comum que obrigou a serem tomadas. Este Príncipe que poderia ter cingido a Coroa, caso tivesse aceite a proposta de abortar da cunhada, grávida do filho do irmão primogénito e desejosa de ser dele, obteve em Delfos um resultado oracular em que a Pítia se mostrava menos sibilina do que era uso:
As tuas leis agradam aos Deuses e a Cidade que as observe constantemente será feliz.
Mostrava, mas só na aparência, pois a diminuição do Poder Real, distribuído aos Éforos, viria a ditar o seu declínio, embora menos pronunciado do que noutros lados. Foi este o mesmo Homem que se afastou, exilando-se em Creta, para que a sua pessoa não interferisse na continuidade do Sistema.
O que hoje nos aflige em Esparta é a inclemência para com os fracos. Mas estou tentado a arrumá-la numa prateleira, com o argumento de Oliveira Martins acerca da escravatura - todas as nações passam por essa fase, umas mais tarde , outras mais cedo. E ainda não se vivera uma Força com outros valores, a da Mensagem Cristã.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Espírito Demissão

O Dr. Menezes viu na saída à inglesa a maior chance de êxito. Não se pode culpar a confusão, dado que as palavras até são parecidas. Mas parece pouco caridoso culpá-lo de achar má a sabotagem interna que teve por boa, quando por si a outros assestada, porque a audibilidade das contestações à sua pessoa foi, de facto, incomensuravelmente maior.
Numa óptica tristemente integrada no sistema a conclusão é de que quem chegue com fama de caceteiro faz fraca figura ao tentar suavizar-se. Tristemente rendidos a uma pacóvia fatalidade partidocrática, os Portugueses estão, no entanto, cansados de ver as caras das intrigas de bastidores oferecerem-se para a disputa do poder. Só assim se compreende a força emergente do Dr. Aguiar Branco, que até tenho por relativamente estimável. Ser um desconhecido para grande parte do País dá-lhe alguma aura de esperança, mais que não seja a da curiosidade e a vaga fé de que não seja igual aos outros. E se o P-M continua pelos maus caminhos que leva, pode juntar-lhe a da tentação de mudar de um anyone but Sócrates.
Quanto àquele que atirou com a toalha, viu-se-lhe aplicado o Princípio de Peter. Autarca largamente considerado em Gaia, encontrou o seu nível de incompetência na chefia da Oposição. O próprio não terá ensaiado esta andança com a maior das convicções. À cautela, não renunciou ao território e cargo em que o compreendem, podendo para lá voltar e consolar-se.
O mal, meus Amigos, não está só nos homens, mas num regime que alicerça o acesso ao poder nas ambições pessoais e na carreirice ou nos despiques. Só a mais radical das alterações, que obviasse à inacreditável arrogância que se encontra numa candidatura poderá regenerar a nossa vida pública. E essa passa por cada um fazer o melhor que pode e sabe na sua esfera profissional, familiar ou opinativa, só exercendo o poder quando chamado por uma instância superior, Rei, Forças Armadas, o que seja.
Até lá permanece a estrutura da adulação dos eleitores, da subserviência perante outras massas, as que financiam; e o triste espectáculo das peixeiradas e dos jogos de bastidores regurgitantes das traiçõezinhas que corroem.
Até quando?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Jogos Sem Fronteiras

Que a Organização do Tratado do Atlântico Norte perdeu o dito, é mais do que óbvio, ou não teria sido no seu âmbito que se justificaria a intervenão no Afeganistão, território fora do perímetro estratégico daquele Oceano, ou da sua interpretação Extensiva que é o Mediterrâneo. Sou absolutamente contra a hostilização da Rússia que é a aceitação de países que operaram secessões de uma entidade que também a abrangia. Em rigor, poderia aceitar uma política de alargamento que igualmente a integrasse, tranquilizando os novos estados, temerosos de recrudescências expansionistas, mas expelindo o conceito de inimigo potencial para fora das fronteiras euro-americanas, deixando de eleger Moscovo como o alvo da desconfiança.

A própria líder dos seus na herarquia de Estado vir dizer que Hillary deve desistir é sinal de preocupação pela passadeira vermelha que a refrega interna possa estender a McCain, o que falta é contar que também este sentimento foi insuflado pelo que move a maior parte dos políticos em sistemas de eleitoralite, os inquéritos de opinião. Parece que a gota de água foi uma sondagem que dá mais de 20% dos apoiantes de qualquer dos Democratas, dizendo preferir votar no Republicano a fazê-lo no adversário das Primárias. Eu acho que isto é conversa da boca para fora, para pintar o outro pior do que é. Na hora da verdade realinharão. Mas há um perigo real, o de afastarem os Independentes, enjoados do triste espectáculo. Dos números da afluência destes dependerá a eleição de Novembro.
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$Tá tudo a cair em cima do Estado por participar nas manigâncias dos offshores. Claro que vai dar em nada. E a freitomasização do Poder Público pode ser o pretexto para que as administrações bancárias privadas acusadas de outro tanto não venham a ser incomodadas. Já se sabia que iria haver um, não é?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pétalas e Espinhos

Agora que a Argentina fica com uma Presidente bem jeitosa a suceder ao Marido, percebo tanto empenho na troca de cadeiras que permita a ambos ocupar o mesmo palácio: como a residência oficial do Chefe de Estado do Grande País é a Casa Rosada, foi um imaginativo meio de fazerem do seu matrimónio um sonho cor-de rosa...
Para o Povo é que a coisa parece negra.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Linhas & Agulhas

Então não querem lá ver que o réprobo, além de o ser por milhentas outras razões, passa também por maldito descarrilador de comboios? É o que tenho de concluir da minha aventura de ontem: como lera este alerta do nosso Gazeteiro, acerca de estar vedado o acesso ao Blogue Dele numa estação de Metro, lembrei-me de experimentar chegar ao meu, no terminal da estação ferroviária de Cascais. Eis que obtenho a mesma resposta, que o acesso estava impedido por razões de segurança da empresa.
Fosse eu da laia daquela gente, faria agora um choradinho, porque vítima da censura da longuíssima noite Democrata. Como não sou, divirto-me com o caso. Nunca pensei que uma pobre página, desprovida de apoios, militância organizativa, ou influência, sem mais aceitação do que a dispensada pela indulgência de um punhado de Amigos, pudesse incomodar tanto.
Ao contrário do nosso Caríssimo Confrade, não reclamarei. Deus Nosso Senhor, na Sua Infinita Generosidade, permitirá que acabe os meus dias sem pedir o que quer que seja a pessoas que não respeito. E a esses lápis azuis informáticos, carecidos até da dignidade da patente de Coronel, direi que, não fazendo parte das minhas Afinidades, nem das Efectivas nem das suplentes, acho coerentíssimo que não passem por aqui. Os Utentes das composições é que terão mais lenha para a fogueira de lamentar a quebra de qualidade do serviço.
E, tudo pesado e sem rancores, para ser consequente com o que aqui escrevi, nem me importava de pagar uma bica ao responsável pela proscrição, de entrevistá-lo, inquirindo-o acerca de qual dos meus escritos sentira como ameaçador. A curiosidade sobre o Homem, mesmo na parcela cujos instintos menos aprovo, é indissociável de mim.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Fundamento Científico

Eis o estudo técnico que aconselha a não introduzir a proibição que a Paula Botto, a brincar - e eu com Ela, mas muito a sério -, tanto teme. Haja saúde! Mas juízo, também!

domingo, 16 de março de 2008

Potência E Impotência da Estética

D´Annunzio por Gaetano Martinez

Em 16 de Março de 1924 Mussolini ordenou a ocupação militar de Fiúme, no que fícou como vitória final da Política sobre a Estética. Até aí o jogo estava indeciso. É costume alguma vista curta crítica tentar fazer de Hitler & C.ª o predomínio do Estético sobre o Poder, coisa que veementemente contesto. Os dirigentes do Nacional-Socialismo não possuíam credenciais para encarnar essa aspiração e a própria concepção racial era uma abdicação de aferição do Belo, na medida em que passava um cheque em branco a todo o bicho careta e atitude que fosse "ariano", prescindindo da coincidência do Ideal no concreto, o que a Estética não consente. Tais dislates analíticos permanecem hipnotizados pelos desfiles neo-pagãos à luz dos archotes.
No caso do irredentismo italiano de Fiúme o caso era diverso: D´Annunzio tinha background estilístico e posições assumidas na (e com) Arte para poder sonhar a submissão, sempre perigosa, acrescento, de uma acção militar a um credo de esteta. Pegando num exército privado de seguidores foi o que fez e impôs um cânone, mais tarde, importado pelo Fascismo, que o idolatrou mas a que recusou sancionamento total. Foi uma ocupação e regência sem mais sofisticação institucional do que a vontade do Comandante, sujeita aos seus versos empolgantes da «Canzione del Carnaro», evocativa de um raid naval sabotador da Grande Guerra conduzido por Constanzio Ciano. Dessa experiência internacional de uma ocupação por uma guarda particular, ficaria o conflito com o próprio governo italiano que forçaria à rendição.
Do feito épico restariam o termo Duce, lá reinventado e os olalás dos versos desse informal mas omnipresente hino. O maior fracasso da vivência única nem foi a derrota das armas, que, por atraente no sacrifício, poderia enquadrar-se bem nos seus pressupostos motivadores. Foi-o, isso sim, a necessidade de recorrer à Nacionalidade como legitimação, conceito essencialmente político, em vez de se assumir como o que, de facto, tinha sido - a vontade de o indivíduo fazer triunfar o seu inconformismo perante a recusa do prémio devido ao sacrfício dos seus, no final desse conflito em que os vencedores tinham obsessivamente tratado a Itália como menoríssimo parceiro.
Quando os Fascistas emendaram a mão era já um mundo estranho que prevalecia, o das burocracias militares, partidárias e diplomáticas que o entusiasmo daquele punhado de revivalistas do Romantismo tinha alimentado a ilusão de vencer.

sábado, 15 de março de 2008

Tradução do Gestual

Extinta a obra das caravelas, é natural que se queira apagar a memória portuária que as possibilitou. Mas entregar interesses patobravísticos a edilidades da cor do governo que anunciou atribuições importantes no contexto a comissários por si nomeados será o caminho mais direito?

sexta-feira, 14 de março de 2008

Os Nós e os Laços

Outra sem-razão ostensiva é a da avalanche de criticismo contra a divulgação da imagem da Mulher do Dr. António Costa na manifestação anti-governamental dos professores. Nada o justifica. Não foram facultados quaisquer dados privados, apenas a mais pública das condutas, que é uma manifestação. E o estado civil, que não me consta que seja subsumível à reserva de intimidade. Acusações de machismo e de unanimismo pretendido não pegam - a situação seria igualzinha se estivéssemos perante o desfile contestatário do marido de uma política. E, para quem ainda vote, o que não é o meu caso, pode a publicitação do facto ser um critério relevante, o de que um eleito não tenha conseguido convencer da bondade das soluções do seu partido até a pessoa a que conseguiria devotar mais tempo e pormenor de explicações, como também a que poderia, em função do afecto, mostrar-se mais receptiva à argumentação.
Na eleição presidencial de Bush um argumento pouco contestado, dizia que as pessoas que melhor conheciam Gore, os eleitores do Tennessee que representara, se aprestavam a votar, maioritariamente, no adversário. Haverá quem conheça melhor um agente político do que a sua cara-metade?
Ninguém diz que o Dr. Costa e Senhora não têm direito a amar-se muito, divergindo. O que se diz é que toda a gente tem o direito de sabê-lo, desde o momento em que eles não o tentem esconder.

quarta-feira, 12 de março de 2008

O Fim da Inocência

A expressão deixar de acreditar no Pai Natal costuma defini-lo. Nada mais indicado para ilustrar um aspecto lateral do Governador novaiorquino caído em desgraça por culpa própria. Só agora terá deixado de crer no Barbaças da Lapónia que seria a Imprensa, pois confiava que ela lhe continuasse a dar brindes, em memória das informações vilipendiantes que levou a vida a passar.
Por cá há do mesmo. Vários jornalistas que conheço me falam de políticos viciados em fornecimento de dados que funcionam como armas desleais, tentando ser apaparicados, como compensação. O desengano é certo, se um dia algum deles chegar a uma liderança. Não se trata de o Diabo desprezar os seus instrumentos, a Comunicação Social, à partida, não é coisa tão satânica. Simplesmente, jornalismo e Polícia usam os informadores, não os respeitam, muito menos gostam deles.

terça-feira, 11 de março de 2008

O Que Deu À Costa

Dilucidação gráfica de uma prova gritante...

Posted by Picasa

sábado, 8 de março de 2008

O Poder Assustado

Considero pura crendice inocente entender, sem mais exame, que um orgão do Estado tomado pelo pavor seja necessariamente uma situação indesejável. Quando os titulares dele se distinguiram pela iniquidade constante é bom que sobre eles venha a imperar o pânico que os faça arrepiar caminho.
Em 1803, nos primeiros tempos de Bonaparte, um "tribunal" que do Terror havia conservado a condenação fácil preparava-se para cortar radicalmente a barba e anexos a um prisioneiro Monárquico mais. Então, o Defensor saiu-se com esta tirada:
Desafortunado, não há necessidade de te defender: leio antecipadamente a tua sentença de morte no olhar dos teus juízes. Amanhã tu deverás morrer, amanhã te acompanharei ao local do suplício. Apanharei a tua cabeça escorrendo sangue e irei apresentá-la ao Primeiro-Cônsul, dizendo-lhe: Aqui está a cabeça do filho do Exér... do filho único de um velho guerreiro que te salvou a vida numa batalha!
Era completamente falso, mas o medinho do novo senhor absoluto era tanto que, contra hábitos arraigados, aquele colectivo absolveu o condenado.
Os tempos são outros e com menos sangue político entre adultos, que os adversários já foram suficientemente enfraquecidos por sangrias pretéritas. Mas, menos sanguinolenta, a injustiça continua. Bom será que nos que a aplicam o temor também se instale. O actual desgoverno quer introduzir alterações que em nada melhorarão os resultados educativos e aparecem como acintosas no sentido de afrontar gratuitamente uma classe docente que quer domesticar ainda mais. Gostaria que se confirmasse a adesão à manifestação de hoje, pois daí pode brotar o receio maior nas cabecinhas dos políticos partidocráticos - o da perda eleitoral.
Todos à Manif.!