Os Dias da Rádio
Costumo assumir com candura a condição de repelido das televisões, pela degradação que se vem observando, em crescendo, no apelo superficial a que as imagens recorrem. Também assim em matéria de debate, cada vez mais orientado para a impressão colhida pelo olhar, desde o primeiro televisionado em marga escala, o de Kennedy contra Nixon, em que os meros auditores deram vitória substantiva ao então Vice-Presidente, o contrário do que aconteceu com os telespectadores, que preferiram o jovem Senador.
Também no comentarismo, pouco a pouco, tenho canalizado a minha atenção para a Rádio, de onde julgo poder extrair-se mais sumo. Desde os tempos heróicos do «Flashback», apesar de a presença de actores políticos activos poder prejudicar a qualidade da troca de pontos de vista, pelos pontitos que quisessem marcar. Sem tais contras, gosto de ouvir o «Com Sal e Pimenta», nos Sábados da Renascença. Sem voos de águia, mas com senso e alguma sensibilidade, Francisco Sarsfield Cabral, Manuel de Lucena e João César das Neves costumam passar em revista os factos importantes da semana, tocando com seriedade as feridas mais importantes.
Mas isto, até ontem. Aí, foi o descalabro, quando se puseram a falar do que poderia, para além da vice-presidência, ser dado para satisfazer as ambições de Mrs. Clinton e fazê-la apoiar Obama. Concordaram todos, num unanimismo desconsolador, que a Presidência do Senado estaria em cima da mesa. Quanto mais fundo iam,... mais se enterravam, deixando clara a confusão entre as duas câmaras e a ignorância de que é a Alta, a dos Senadores, a que pertence Clinton, a que automaticamente é presidida pelo... Vice-Presidente. Foi confrangedor como manifestação da falta de estudo do tema que se propunham tratar. A minha ligação à telefonia sem fios, que me dava a ilusão de liberdade, face ao pequeno écrã, já conheceu melhores dias. Doravante, continuarei a ligá-la, mas como ruído de fundo dos meus almoços de Sábado, simplesmente.
Também no comentarismo, pouco a pouco, tenho canalizado a minha atenção para a Rádio, de onde julgo poder extrair-se mais sumo. Desde os tempos heróicos do «Flashback», apesar de a presença de actores políticos activos poder prejudicar a qualidade da troca de pontos de vista, pelos pontitos que quisessem marcar. Sem tais contras, gosto de ouvir o «Com Sal e Pimenta», nos Sábados da Renascença. Sem voos de águia, mas com senso e alguma sensibilidade, Francisco Sarsfield Cabral, Manuel de Lucena e João César das Neves costumam passar em revista os factos importantes da semana, tocando com seriedade as feridas mais importantes.Mas isto, até ontem. Aí, foi o descalabro, quando se puseram a falar do que poderia, para além da vice-presidência, ser dado para satisfazer as ambições de Mrs. Clinton e fazê-la apoiar Obama. Concordaram todos, num unanimismo desconsolador, que a Presidência do Senado estaria em cima da mesa. Quanto mais fundo iam,... mais se enterravam, deixando clara a confusão entre as duas câmaras e a ignorância de que é a Alta, a dos Senadores, a que pertence Clinton, a que automaticamente é presidida pelo... Vice-Presidente. Foi confrangedor como manifestação da falta de estudo do tema que se propunham tratar. A minha ligação à telefonia sem fios, que me dava a ilusão de liberdade, face ao pequeno écrã, já conheceu melhores dias. Doravante, continuarei a ligá-la, mas como ruído de fundo dos meus almoços de Sábado, simplesmente.




