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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Aquela Máquina!

A Justiça do Dinheiro de Bruno Budrovic

Confesso que não era bem isto que tinha em mente quando encorajava todos a lutarem contra a influência do Dinheiro na aplicação da Justiça. O acontecimento, entretanto, merece um comentário, para lá do necessário lamento de desprotecção dos tribunais. Instalar máquinas multibanco no forum de que a Justiça se propõe irradiar tem um efeito psicológoco contraproducente, pois retira toda a atmosfera sacral e de temor que faz gerar o respeito nos muitos espíritos de formação menos rigorosa. Ter ali à mão, para simplificar, a caixita onde se levantam as notas é colocar uma ideclinável função do Estado ao nível de qualquer supermercado. Há pagamentos de custas e outros conexos a realizar lá? Pois com certeza, mas deve obrigar-se o vulgo a ter diante dos olhos a comparência perante o Julgador como algo suficientemente importante para ser obrigado a empreender previamente as preparações necessárias para o efeito. Como o formalismo no trajo deveria ser garantido. Já não digo as vestes negras em sinal de respeito que ainda eram de uso o tempo dos meus Avós. Mas a gravatinha para os homens, os ombros cobertos para as Senhoras e uniforme prisional para essa categoria híbrida que são os encarcerados deveriam ser norma. Contra as facilidades que vulnerabilizam os incómodos são a melhor das taxas moderadoras.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Amores Forçados

O Rapto das Sabinas de Luca GiordanoEste inquérito pode ter sido feito com muita competência científica no tratamento de dados, mas, pelos factos de natureza muito diferente que inclui é uma salsada enganadora. Com efeito, colocar na mesma investigação ofensas corporais graves e simples elementos do jogo do namoro é ser tão mais papista que os papas - que são o duo de cada relação -, que me faz pensar se quem o realizou ainda se lembra dos amores juvenis.
Outra coisa, e a que merece comentário, é a aproximação de casamento e namoro. Numa dupla focagem:
- acreditar que não pode haver violação entre namorados corresponde não só a uma imperativa mudança da concepção do relacionamento, que implica... hã... prestações que, dantes, em muitos casos, eram deixadas para mais tarde, como resulta da indiferenciação progressiva entre o matrimónio e a informalidade. No sentido em que o debitum conjugalis, que inviabiliza que aquele que possui o outro contra vontade seja um violador, se estende agora a relações sem papel passado.
- o que generaliza algum dramatismo próprio dos divórcios a associações que nele não se incluem. Cada vez menos a noção de que os namoros se fazem e desfazem está mais fora de moda, nos casos em que já se foi bastante fundo. Com toda a consequente disposição ao sacrifício que outrora era muito mais vulgar no himeneu.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mentes!

Estado Mental de Alexander LyamkinDepois de dois Juízes, um médico agredido! Começa a ser sintoma inquietante de confiança nos punhos esta mobilização de contestações coloridas contra o enquadramento a preto e branco, no caso até simbolizado pelas becas dos magistrados e a bata do clínico
A alegação adiantada pela Cônjuge e cúmplice do sovador, dizendo que o Marido está mentalmente afectado desde a participação na Guerra de África e por causa dela, depois de se ter desculpado com um pretenso início da agressão pelo Profissional de Saúde, é que se assemelha de forma suspeita à história com barbas à do indivíduo que recusava a devolução de um livro porque 1- não lhe tinha sido emprestado nenhum, 2- ainda não o lera, 3- tinha algumas páginas rasgadas.
E depois... embora todas as maleitas contraídas por Combatentes mereçam o meu respeito, sabe-se como o abuso da invocação delas pode chegar a pontos caricatos. Foi contudo novidade para mim saber que essas afecções são contagiosas, ao ponto de determinarem comportamentos agressivos coadjuvantes nas pessoas com quem casaram e que nunca viveram o stress da guerra. Ao ponto muito psicologicamente curioso, de terem despido aquele que usualmente manda despir...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mãe?

A História está recheada de exemplos de triunfos da faceta de Mulher sobre a de Mãe, em rivalidades amorosas com as filhas. Mas a manchete deste jornal de grande difusão, dando conta de uma atracção onde apenas se esperaria repulsa, para além do sério, que é a insensibilidade à violação dos próprios frutos, seria suspeita de uma fragilidade compreensível - com a multiplicação de falhanços masculinos no campo da sexualidade, a infeliz protagonista teria querido jogar pelo seguro e consumir produto testado por quem lhe fosse próximo.
A hilariedade da conjectura, porém, é esmagada pela desconformidade da conduta com estatuto. Para drama de quem não pode levantar a voz.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Para Onde Vamos

Já a medida de pôr pulseiras electrónicas de localização nos bebés não me choca tanto, por eles não estarem em idade de se traumatizarem com esse forçado adorno e poderem vir a ser evitados males maiores na sequência de raptos que vêm sobressaindo dos noticiários.
Não deixa no entanto de ser material apetecível para analisar a decadência de uma Sociedade que chegou ao ponto de tratar de forma idêntica a total inocência e culpas mais ou menos graves. A terrível superstição de recear ver as coisas a preto e branco, pretendendo tratar com imerecido excesso de humanidade infractores criminais, levou a dá-los como não tão maus como isso e a substituir regimes de privação de liberdade com encarceramento, já de si pouco duros, pela pulseirinha que apenas restringe, muito limitadamente, a privacidade.
Com a aplicação dela a estrelas do Espectáculo, Lindsay Lohan e Michelle Rodriguez à cabeça, a parcialidade dos fãs fez apagar a própria reprobabilidade (sem ligações ao autor) das condutas, ao ponto de Karl Lagerfeld ter transformado em complemento de moda o acessoriozito penal.
Simbolicamente chegamos agora ao extremo de estender à indisputada ausência de pecado o que deveria ser insígnia dele. Cada vez gosto menos de uma colectividade que não separa as águas.

Marcas Infamantes

A invocação da Igualdade nunca é feita para coisa boa, mas bate records quando tem a consequência de fornecer criancinhas à adopção de tarados com provas dadas em atormentá-las. Sei que estas luminárias que nos governam não ficaram contentes enquanto não criaram o ambiente propício a fornecer droga aos dependentes dela, mas há uma diferença entre essa asneira e o atentado que seria conceder prioridade para cargos de directores financeiros a cadastrados por desfalques, subsidiar o transporte para zonas verdes e oferecer gasolina a incendiários e anestesiar vítimas potenciais, ao mesmo tempo que se ofereceria facas a previsíveis assassinos delas.
Como se compreende então que não se veja que a Igualdade - não esqueçamos, tratar o desigual desigualmente - servirá para cobrir o favorecimento desta actividade lúdica?
Além de que, se é para igualizar, prefiro que criminoso de nenhuma espécie seja elegível para adopções e que deixe de haver apagamentos de qualquer tipo nos registos criminais. Um indivíduo deve ser acompanhado para todo o sempre pelo peso do que fez na vida. Era essa a filosofia magnífica da marcação com ferro em brasa, a qual, se poderia chocar pela barbaridade que (co)move sensibilidades mais mansas, não encontra equiparável oposição nos ferretes de papel da burocracia.
Nunca confiem em gente que faz gala em ter fraca memória.

sábado, 17 de maio de 2008

Estendido ao Comprido

Nem é a natureza atentatória da conduta o que mais me chama a atenção, nesta insanidade toda. Poderá não ter havido sequer homicídio por negligência, dado ser difícil conceber a consequência que se acabou por verificar; mas deverá existir um qualquer precedent que permita a punição equiparável à da usurpação de identidade e de abuso de confiança. O que me deixa zonzo é a total incapacidade e falta de intimidade reveladas por uma mãe, incapaz de proteger a filha sem recorrer a vilanias informáticas, como a obsessão que a faz montar uma armadilha sentimental fedendo a vingança.
Mas o pior é a credulidade que em seres fragilizados se revela, de poder aceder à Paixão pela Internet, como quem compra um qualquer outro bem. Passando por cima da situação concreta, a que não se ajustam brincadeiras, deixaria, como alvitre para tentações futuras, a ideia de que há maneiras mais fáceis de se dar com o Amor on line:

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Destravados!

Como é que, com os freios neste estado, os deixaram passar na inspecção? Urge uma Operação Stop que emende a mão!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Humilhados e Ofendidos

Ida Para Casa dos Que a Não Têm de Benny AndrewsNão tenho nada contra a pessoa do Dr. Marinho Pinto, apenas não costumo deter-me muito sobre as respectivas declarações porque as apercebo como fundadas geralmente em pouco mais do que uma olhadela às gordas dos diários.
Diferentemente, neste caso, em que me fica a sensação de estar a falar de algo que conhece bem. Mas, apesar disso, não posso concordar com a conclusão a que chega. Pelo que o próprio enuncia, serem as vítimas mais necessitadas de defesa as crianças, os velhos e, acrescento, os animais, é que a violência doméstica deve ser crime público, pois estas categorias raramente exercerão o direito de queixa e não se prestam ao jogo das surras e reconciliações que fazem certas relações andar. Fundo-me na qualidade indefesa e não na quantidade de ocorrências, sobretudo no concernente aos que não têm horizontes de permanência futura com um lar digno, salvo o que a Outra Vida propicie. E por isso mesmo, não me parece, qualquer que haja sido a intenção originária, que o resultado legislativo seja tão feminista como isso.

domingo, 11 de maio de 2008

Vândalos Sem Arrojo

Lendo sobre a restauração no respectivo pedestal da estátua do Infante D. Henrique, em Cabo Verde, não posso deixar de meditar na mediocridade impotente de todos os que tentam destruir as representações plásticas do que não gostam. Toda a iconoclastia é desprezível, mas a da estatuária só apequena quem faz e engrandece quem a sofre. Sem precisar de ter em mente esta prevenção, nunca me passaria pela cabeça apear ou decepar a homenagem republicana da Rotunda a Pombal, apesar de a simples menção deste nome me causar uma platónica urticária...
É bom ver arrependimento pelo mal feito à monumentalidade contra a qual se atentou; e na benevolência para com a iniciativa reparadora se faz igualmente repousar uma exortação a igual receptividade para com queimas de efígies outrora empreendidas por influência religiosa, as quais não tinham a agravante de atentar contra a Arte.No caso do Infante houve a sorte de ter sido perpetuado em medalha de boa factura o seu contributo ao engrandecimento do País e ao conhecimento do Mundo. E sou obrigado a reparar no facto de o tamanho do instrumento celebrativo ter resistido melhor, quando a sua subtracção pareceria mais fácil. A dimensão da tiragem não explica tudo, há que levar em conta que os frustrados que atentam postumamente contra os Fautores da História tentam sugar alguma vida da espectacularidade de um acto que uma sonegação no campo da medalhística não faculta.
Foi O Navegador filho de D. João I muito bem servido na escultura portátil e circulante. A concepção coube a João da Silva, o maior talento da disciplina em Portugal e, nas anedotas da sua vida, uma encarnação lusa e tranquila da figura do Génio Distraído. Tendo falecido antes de ultimá-la, foi o acabamento confiado a Vasco da Conceição, uma digna escolha para o efeito.


Como tudo está ligado, as velas do meu pensamento dirigem-se a velocidade de cruzeiro para Outro Vulto que, como o Criador da Escola de Sagres, sacrificou a constituição de uma família, com as inerentes compensações, para assegurar o Império à Lusitaneidade. Também Ele viu a pequenez recalcada estragar as imortalizações que O honravam, como se o acto não atestasse que, se a cópia ficou sem cabeça, os autores da façanha confessaram serem dela desprovidos os seus originais.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

As Três Faces do Sofisma

Talvez por terem ouvido dizer que os macacos em questão eram sábios: um erro de Mira evitou que um imitador deles vislumbrasse o que Bob Geldof e toda a gente desinteressada vêem na nomenklatura angolana. Outro fez-se surdo, mostrando ter três letras a mais no apelido. Não esperem declarações do terceiro, lembrem-se de que é o que fez voto de não falar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Laços de Sangue

Loth e as Suas Filhas de Giovanni BarbieriEmbora o incesto consentido entre irmãos passe por ser uma glória literária e alguns extremistas libertários apostrofem o mesmo comportamento, mas em geral, como o último tabu a derrubar, é no sexo entre Pais e Filhos que reside a reserva de repugnância das mentes menos subversoras, alheias a vanguardismos assim justamente amaldiçoados. Porque, apesar de ainda na década de 1950 haver uma tribo oceânica que não ligava a sexualidade à concepção, a generalidade das grandes culturas tem o sexo como origem da relação com os filhos, tornando-o impróprio para a continuidade dela. A proximidade paternal quer-se uma espécie de porta-aviões no lançamento para os perigos e alvos da vida, não uma proliferação concorrente e aprisionante deles. Por tudo isso é tão facilmente evitado o acto, mesmo nos muitos casos em que jovens Senhoras constroem a imagem do Homem Ideal com base no carácter do Pai que conheceram e estimaram. É muito mais frequente do que o que ocorre com os géneros trocados, sendo essa patente enformação a causa do sucesso muito maior da teorização do Complexo de Édipo, já que não remetia para atracções tão assumidas.
Neste episódio, porém, não há que teorizar. Quando o horror é potenciado pela coacção, o devido só pode ser castrar e matar. Má nada!

Caso a Caso...

Não foi assim há tanto tempo que se anunciou, com estrépito e triunfalismo, a construção de uma super-esquadra que viria a melhorar a segurança das gentes, substituindo a inoperacionalidade alegada dos postos dispersos, pois não?
Seria este o efeito pretendido, de deixar que em Moscavide estivesse uma concentração policial menos celebrada entregue a um agente solitário, de tarefas burocráticas encarregado? Quem pode ficar tranquilizado com a desculpa oficial de se tratar de um caso isolado? Isolado por já serem raras as delegações da polícia? Não se percebe que quando um grupo invade uma sede da PSP para surrar um queixoso não só se atesta a absoluta falta de temor e respeito pela Instituição, da parte dos agressores, como se infunde acsoluta falta de confiança no resto da População? Não é um exemplo, o negativo como o positivo, sempre um caso isolado?
Mas, por fim, julgo ter compreendido a reacção das autoridades. Decerto o membro da corporação indefeso teria o apelido Caso. E quiseram dizer que ele se encontrava sozinho.
Obrigadão, já tínhamos percebido!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Futuro no Ensino

Eis a única forma de compatibilizar o projecto da actual Ministra para a classe docente com a erradicação da violência nas escolas. Por enquanto, episódios como este serão tidos pelo Ministério como integrando a experiência-piloto da avaliação dos Professores pelos Pais...

quinta-feira, 20 de março de 2008

O Voto

Pilatos Mostrando Cristo e Barrabás à Multidão, de Il Morazzone

Hoje é o dia do beijo que ameaçou dar mau nome a todos os demais. O do Iscariotes, pois. Mas, para pecado dos nossos males, o significado de amanhã não foi o de outro dia. Pilatos agiu como mandam os bem-pensantes de hoje - não interferindo nos assuntos internos de outro povo, sob ocupação sua, muito embora. Fez o que os individualistas preceituam quanto a responsabilidade, não querendo sujar as mãos próprias com sangue inocente, mas marimbando-se para a vergonha de pactuar com o acto pelo qual outros o vertessem. Portou-se como bom marido, tentando um truque para salvar um Acusado que via sem culpas, atendendo aos rogos angustiados da Mulher, impressionada pelo sonho que tivera. Foi mesmo a única pessoa que fez uma pergunta a Que o Filho do Homem não deu resposta, a célebre O que é a Verdade?
Por que será então que faz tão má figura na História? É evidente que por ter sido instrumento da Democracia contra a Justiça, ao dar-lhes o Barrabás que pediam. Que ele viesse a chefiar gerrilhas contra as forças do seu País era só o condimento necessário a abrir os olhos para o desastre da abdicação de autoridade proconsular a quem não partilhava da Fé. E fazer-lhe ver que perguntar onde está A verdade é a própria essência da Mentira.
Mas então, ainda não descobertas as trafulhices financeiras que o fizeram morrer exilado, era um homem respeitável.
Dir-me-ão logo os moderadinhos de todas as épocas que a maldade só se aplica às assembleias populares informais, que um parlamento de que a escumalha esteja afastada é muito outra coisa. E eu contraponho-lhes o exemplo da própria Nação do magistrado justiçado pela memória histórica: o orgulhoso Senado Romano foi o mesmo que votou a amnistia para os assassinos de César, assim abrindo caminho para os epígonos que recusam votos de pesar pelos morticínios de Reis e Príncipes. E foi o mesmíssimo que anulou o decreto com a nomeação do sucessor por Tibério, substituindo o nome pelo de Calígula, inspirando todos os tiranetes com menos pompa, os quais se limitam a matar "indirectamente" os que não têm poder, desde aqueles que dependem para tudo de quem os gerou, como os que não formam grandes aglomerados eleitorais e, para castigo, vão sendo desprovidos de maternidades, escolas e hospitais.
Mas uns e outros, exemplos e fiéis seguidores deles, são homens respeitáveis.
Recuso tanto o triunfo do número nas conglomerações da canalha ululante, como nos areópagos das mordomias e do penacho.
Não sou dos que votam, mas enquanto não calarem este meio, não farei como o egoísta que pensou tranquilizar-se, lavando as mãos.
Mas claro que aqueles que nos governam são homens respeitáveis.
A todos uma Santa Páscoa!

Matar é Fácil

Quem não recorda o romance policial de Agatha Christie, com um título homónimo? A culpada dos assassínios era uma velhota, de que, pela sua condição, ninguém suspeitava.
Este caso passado na California é paradigma de uma ganância muito encontrável em certas solidões de idade avançada, as quais, sem normalmente se virarem para o homicídio, desenvolvem esquemas inimagináveis por outros para beneficiarem de uns mui heterodoxos complementos de idoso...
Talvez não seja tudo, porém. O episódio fez-me lembrar o da envenenadora australiana Caroline Grills, conhecida como a kindly old lady to whom people looked in time of trouble, ou Aunt Thally: despachou uns quantos para o outro mundo e por pouco não acrescentava à lista. A acusação, a par de interesse material, detectou um claro desejo de exercer o poder de vida ou de morte sobre as suas vítimas.
O que me leva a pensar se esta tentação criminal na Terceira Idade não será um distúrbio psíquico gerado pela impotência de conter a contagem final da existência própria, compensando assim pela manipulação da normalidade do número dos dias daquele que está ao lado.

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Tiro no Pé... de Borracha

A vingança tem destas coisas...
Sabe-se que os Correios de Portugal têm muitas limitações. O meu Pai dizia que, dos países em que vivera, eram os que funcionavam pior, acumulando uma carestia paradoxal. Mas tirar desforço furando os pneus das viaturas de entregas dos CTT é que parece contraproducente: claro que não é com essa inoperacionalidade acrescida, embora temporária, que o serviço melhorará, ao contrário.
Como o primeiro serviço postal moderno, na nossa Pátria, foi alvo de concessão a Britânicos, deixo a imagem de uma antiga viatura de distribuição inglesa, que não padeceria da vulnerabilidade das que foram sabotadas...

Em tempo: Pé de borracha é, ao menos em gíria de Radioamador, sinónimo de carro.

terça-feira, 18 de março de 2008

Crime, Dizemos Todos

Até que enfim, uma medida desta legislatura que me parece sensata, apenas pecando por tardia. Criminalizar a defesa do terrorismo surge-me como um imperativo. Houvesse tal sido legislado há mais tempo e teria sido possível ilegalizar o PCP (o partido) e encarcerar os responsáveis pela Festa do Avante que lá colocaram solidariamente um stand das FARC colombianas; mandar para o calabouço a maioria parlamentar que recusou um voto de pesar pelo assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe; e pôr a ver o Sol nascer aos quadradinhos os fedelhos provocadores que foram defender o mesmo acto ao Terreiro do Paço.
Ou então, no entender governamental, estes actos não são terrorismo. E, em tal caso, não toquem nem com uma flor no primeiro maduro que se lembre de defender ser o maior merecimento destes legisladores e Conselho de Ministros uns quantos balázios na tola.

segunda-feira, 17 de março de 2008

A Bandeirada Infernal

Os taxistas são núcleo profissional muito denegrido, por culpa de muitos biscateiros que dão mau nome à classe. Devo dizer que, havendo recentemente recorrerido, em circunstâncias pouco felizes, aos serviços de vários carros de praça, só recebi atenções e testemunhei competência.
Mas há de tudo. E quero crer que a má fama colada ao grupo desempenhou seu papel no macabro caso do quádruplo atropelamento infantil do Porto, efectuado por um verdadeiro homem do meio. Tenho como certo que a descida ao abjecto nível da delação, por parte de um colega terá nascido da vergonha e do receio de ver atribuídos à imagem de marca do grupo um abandono irresponsável do local do acidente e o subsidiário excesso alcoólico no sangue. Uma espécie de defesa da profissão, portanto, resultante da ultra-sensibilidade emergente de a ver vilipendiada.
É minha firme convicção de que a carta de condução - e não apenas a possibilidade de aceder ao ofício em questão - deveria ser retirada de vez a todo aquele que não possuísse um registo criminal limpo de certo tipo de infracções. O roubo é, sem dúvida, uma delas. Indicia que não é boa rês o seu autor e, pela mesma razão que se lhe veda o porte de (outras) armas, deveria ser-lhe interdito o de uma nada despicienda, como é um automóvel. A reinserção social regeneradora deve ser sempre procurada pelo recurso a um labor que não coloque imediata e previsivelmente em perigo a vida de inocentes.
Resta esperar que a matrícula do veículo da imagem não venha a ter aplicação próxima à Menina que se encontra em coma.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Colherada Oportuna

Ao contrário de muito boa gente, não creio que esta iniciativa de Reese Witherspoon seja uma mera expressão de boas intenções para promover carreira, ao jeito dos concursos de beleza femininos, com cada protomiss a dizer que o seu maior desejo é "paz para o Mundo". Julgo antes que estamos perante a constatação da evidência de que, para fazer frente à violência sexual, é preciso pulso...