quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Alepécias

Será lícito, para denegrir outros tipos de sabão, colocar a foto de um felino tristonho por baixo dos ponteiros de um relógio? Logo quando há gatos contentíssimos por dar horas, desde que não seja uma conotação do estado da barriga. Veja-se este havaiano.

Mas Alep, a terra do célebre sabão especial de olivianos óleos tem um belo castelo como ex-libris,


o que, por via desta elucidativa pintura de Pierre-Yves Vigneron, nos tranquiliza quanto à felinofilia da Castelã.

Pelas Tuas Palavras Serás Condenado

(Mateus, XII, 37)
Nunca me foi possível gostar da luta de Pat Robertson, apesar de ter pontos de vista parecidos com os dele em matérias como o aborto. O estilo de pregador protestante dos evangelistas televisivos não cola às minhas simpatias, as de um Católico que acha que para falar de Deus com autoridade é preciso um investimento superior e a renúncia a certas ligações mundanas. Daí que a minha reacção ao anúncio de que ele apoia, nas Primárias Republicanas, Giuliani, um defensor não só da liberdade abortiva, como da equiparação das uniões homossexuais aos casamentos, seja diversa da do senador McCain. Este, surpreendentemente preterido, confessou-se sem palavras, as tais que sobraram ao reverendo polítizado. O mesmo que falara demais, ao dizer que a doença que atingiu Sharon fora castigo divino por ceder um pouco da terrra judaica aos Palestinianos, quererá agora cavalgar a popularidade do "Mayor da América", a cara das vítimas do islamismo terrorista. Mas, num País desejoso de se virar de novo para si, esta declaração de apoio é bem capaz de afastar liberais desconfiados e duvido de que leve para a candidatura as gentes da Coligação Cristã...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pregar no Deserto

Ai, meu pobre Vicente, bem podes esforçar-Te. Ela não liga aos teus conselhos sobre cosméticos, pois já fez saber que não gosta de sabão, "que Lhe faz mal à pele", ou seja chama-te mentiroso em resposta às tuas duas afirmações finais...

Alquimia das Sensibilidades

Em 7 de Novembro de 1946 terminava a hibernação cinematográfica de Jean Cocteau, com a estreia de «La Belle et La Bête». A razão que me leva a gostar tanto do Autor é a utilidade que dá à sua convicção da própria genialidade, tão intensa como a de Dali, mas menos lúdica e algo irónica: ousar a tomada de temas clássicos, que outros, para se protegerem, recusariam, com medo de se chamuscarem em tratamentos melosos, como este, da silenciada injustiça na distribuição da Beleza e inerente acção sobre os Direitos do Desejo.
Cocteau consegue fazer que "trechos impossíveis", como os diálogos entre a Bela e o Monstro, por si só à beira da hilariedade que os dramalhões despertam, numa era de retracção do sentimentalismo expresso, logrem manter a carga dramática. Muito por culpa, evidentemente, da qualidade de cenarista com que envolve os mundos estanques aumentativos do peso as personagens e que fazem de nós, à vez, reedições do produtor e da sua Mulher - os desconfiados de que a obra seja para esquecer e a emoção visionante que a faz andar para a frente. O não sei quê que muitos outros davam para ter, tanto como La Bête o aspecto que lhe permitisse possuir La Belle. Um sonho acordado, definido pelo Próprio.

A Inércia Desprotegida

Ainda o Confrade Jansénico pega no protesto do Je Maintiendrai contra a promoção de uma oliveira a memorial de célebre matança de judeus, pondo em equação os conhecidos costumes vandalizadores dos alfacinhas. Do facto a guardar memória não direi mais, para além de considerá-lo uma vergonha da Democracia. Foi a ralé excitada por dois agitadores Dominicanos do Baixo Clero que, provocada, caiu na desproporção assassina; contra a direcção da Ordem, que expulsou os instigadores e o Rei, que os enforcou. Essa e outras acções populares, precedentes e menos lembradas, viriam a estar na lamentável cedência, embora admita que com propósitos de contenção, que foi a importação do Santo Ofício. Mas a oliveira é que não lembra ao Mafarrico, pois, apesar de na tradição judaica também simbolizar, desde Noé, a Paz, ganhou uma carga diversa, a partir do momento em que se deu a Cruz da Salvação como feita da madeira dela e de cedro, vindo a ser usada como emblema da repressão do Judaísmo, precisamente.
Claro que não é exclusuvo lisboeta o atentado contra as estátuas. Talvez por mais conhecida, a que é dada como recordista do sofrimento é a Pequena Sereia de Copenhague. Quem sabe se a explicação não residirá em despeitos sem conta, por serem ignorados pela que se sentou à espera do seu amor?
Sem essa desculpa temos a persistente amputação dos braços da Verdade da estátua de Eça, que obrigou à substituição por uma réplica em bronze. Quem assumirá que não gostaria de ser abraçado por ela? Ter-se-ão em tão má conta? E já António Arroyo protestava contra esse vício, escassos meses após a inauguração do monumento. A menos que os mutiladores não consigam identificar a figurada... Um velho criado da família dos Condes de Resende, donde provinha a Mulher do Escritor, levado a conhecer a imortalização pétrea, ter-se-á descoberto e exclamado: lá o Patrão, está bem. Mas nunca pensei que a Senhora D. Emília se prestasse a estas coisas... Ao Sr. Manuel, porém, nunca ocorreria estragar a escultura.

Claro que sob o ponto de vista estético a estatuária desta urbe à beira-Tejo plantada deixa muito a desejar. Excepção feita à equestre de D. José, como unanimemente se reconhece. Também esta não escapou e a barbárie da plebe está na origem da retirada célebre do medalhão pombalino do pedestal dela. Sabe-se como não gosto desse tirânico ministro. mas não acho nisso razão para apedrejarem a efígie, quando não conseguiram fazê-lo ao original. E foi a razão da remoção desse pormenor iconográfico, não uma sanção acessória da Viradeira. Tantas foram as pedras e bolas de lama que as vítimas do valido atiraram diariamente e durante tanto tempo ao poderoso decaído, que o senado da Câmara mandou retirá-lo, substituindo-o pelas consensuais armas citadinas, não fosse alguma pontaria desastrada atingir, por engano, o Soberano. Mais tarde, já mortos ou em vias disso os protestatários, D. Pedro IV, para agradar ao neto Saldanha, lá mandou repor a imagem.
Ou seja, atacar os símbolos é sempre sinal de impotência.

Leite Racionado

Sabendo-se como vários produtos de beleza participam da condição láctea, embora nem sempre com resultados leitosos, os bichanos poderiam estar a exercitar-se no altruísmo, providenciando para que à Dona não faltasse a cosmética que lhe preservasse a Beleza. Altura de introduzir um vanguardista felino que já conhece o creme...

Um Grande Buraco

O Jansenista, na sequência das bolandas tauromáquicas do Salitre para o Campo de Santana, deu-nos topografia da zona entre ambos à altura em que se rasgavam os arruamentos, empreendimento que, como todos os desta cidade, despertou apaixonadas polémicas, mas que, ao contrário dos de hoje, foi também bafejado pela celebração poética. Quando Carlos da Maia regressa a Lisboa é a Avenida que Ega o faz visitar em primeiro lugar. Por o ser e não porque alcunhada da Liberdade, pois que da remissão desta para os sucessos políticos começávamos a estar conversados.
Andava eu ontem à procura da citação para ilustrar o passado aeroportuário da Capital e encontrei, no livro «Era Lisboa e Chovia...», de Dário M. de Castro Alves, esta imagem das obras de construção da avenida da Liberdade, em 1870-1880, com a casa do Marquês de Sá da Bandeira em primeiro plano. Vê-se que não é de hoje a vocação olissiponense para queijo suíço...

E não há como confrontar com o que se perdeu: o extinto Passeio Púbico, onde os elegantes desfilavam e os pacóvios os miravam. Um pouco como na televisão e revistas dedicadas de hoje...
Roga-se à T que estabeleça o link para um belo postal que nos deu, há tempos, sobre este local de diversão.

O dito cujo passeio era coroado, a Norte com uma fonte monumental, de revivalismo discutível, apesar de as dimensões não serem compatíveis com os esgares que desperta o mastodôntico Bolo de Noiva da Piazza Venezia...
Não há mal que sempre dure?
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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Para Ser Tragável...

...afianço-Lhe, T, que os Seus desejos são ordens. Não era preciso, por sede ou pelo tratamento de "Queriduxa", tanto empenho em fazer uma
Ou então banimos de vez o álcool, virando-nos para o leite, que não tem contra-indicações. Se é usado o golpe baixo de remeter para os contos infantis, tenha ou não nitidez do caminho presente, é sempre melhor levar a companhia dum velho amigo, como o cartaz indica, a nata deles...

Semente do Remorso

Deja por insistir em grafar à portuguesa quando eu o faço na língua da beberragem, por não controlar a quantidade ingerida, ou por insistir em especificar o que quero beber quando o importante é a Companhia, parece-me que há Alguém que me quer deixar com um peso na consciência...

Classificar as Culpas

Os Burocratas da Medicina, por PerezA propósito dos trágicos disparates vindos a público, sobre as juntas médicas que deram por aptas a Professora com o cancro na língua e a Funcionária Pública quase paralisada, duas hipóteses há a considerar: ou um conceito de zelo em aplicar os critérios das baixas e aposentadorias segundo termos draconianos que maximizem a poupança do erário público, ou pura incapacidade de avaliar as possibilidades de um ser humano, para além dos parâmetros e índices do manual de instruções. Dizer que no primeiro caso se trata de dolo e no segundo de mera culpa seria cair nas areias movediças onde esta gente medra: incluir em graus de culpa padronizados o que se revelou monstruosidade.
A melhor definição de burocrata, para mim, nem é a que assenta nos procedimentos morosos e desnecessários. É a que quer à viva força meter nas previsões e regulamentos a realidade, ao ponto de ignorar o que cada ser e realização humanos têm de único.
Eu sabia que esta deliciosa história sobre a travessia da Mancha por Bleriot estava narrada em qualquer lado. Quando ele aterrou, com o heroísmo e brevidade de duração do voo que se conhece, os funcionários da alfândega lavraram o seguinte documento:
Certifico ter examinado Louis Bleroi (sic) mestre da embarcação chamada monoplano e consta das respostas verbais do meu interrogatório que ele não tem tido a bordo, durante a viagem, doença contagiosa que obrigue a deter a embarcação, podendo, por consequência, continuar a sua viagem.
Mas aí a asneira não era prejudicial...

Cabeças à Roda

A T anda a provocar: como eu disse, no comentário dois posts mais abaixo, que não gosto de Whiskey, sem dó vai de sugerir um mais que passado e bebível "Aeroporto", na combinação do copo que negociamos. Não pode ser, Querida Amiga, que a Portela de hoje não equivale à da Aerogare projectada por Keil do Amaral, a qual, à época, ainda era tranquila. Oiçamos o depoimento de José Augusto, um antigo director do Aeroporto e chefe da Torre de Controlo, citado por Dario M. de Castro Alves:
Os aviões escasseavam nas suas andanças, eram muito pouco ruidosos e a aerogare estava distante da cidade. Lisboa acabava, de facto, no Areeiro e no princípio do Campo Grande. Ainda hoje, os empregados mais antigos recordam que o sossego era tanto que se ouvia o chilrear dos pardais durante o dia e o canto dos rouxinóis de madrugada...
Acha que corresponde? Estou em crer é que quer relacionar a tranquilidade fotografada com o afastamento aeroportuário para a Ota. Desmascarei-A. heim?
E fiquei a saber, por estoutro instrutivo postal e comentarismo subsequente, que, se convidarmos a Terpsichore E. M. Psiche para a nossa mesa, corremos o agradável risco de termos ao pé algo desta Jezebel, de Rachel Szalay...

Duas Lanças em África


Tem esta engraçada imagem enviada pelo Amigo Filomeno, a Quem agradeço, a dupla virtude de evocar a cobardia da experimentação dos meios com que os homens alimentam a sua inveja de Ícaro, dos balões à cosmonáutica, nos pobres cães, feitos cobaias. E de ilustrar os transes da visita dos Reis de Espanha às Praças Norte-Africanas de Ceuta e Melilla. Isto se nos cingirmos às reacções marroquinas, que a população maioritariamente cristã de Ceuta saiu à rua, fazendo do périplo motivo de festança, a lembrar um tanto a recusa dos movimentos independentistas em aceitar um referendo sobre a continuação da África Portuguesa, ainda que supervisionado pela amigalhaça ONU, mas só no caso de lhes ser desfavorável...
Já de Rabat, responsável dum partido religioso disse serem os enclaves "historicamente" do seu País, o que, no caso da cidade conquistada pela Família de Avis, implicaria fazer passar à História os últimos sete séculos desta...
Enquanto isso o Governo tomou uma posição que, sob a capa reivindicativa que tranquilizasse acalorados, assegura que a transferência de soberania seria sempre efectuada pela diplomacia, ou seja, que episódios como o raid ao rochedo, contrariado pela Marinha Espanhola, não terão seguimento.
Teme-se é o que poderia resultar de uma ascensão dos islamitas ao mando.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fogos de Artifício

Dona T, andava à procura disto: se o problema dos beijoqueiros era contrair as úlceras causadas pelo tabagismo, melhor seria usarem este acessório que sempre lhes evitaria levar com a pastilha...
E porquê inventar um farol como cenário de uma bebida? Qualquer confraternização dessas, Consigo, fará brotar luz muito mais deslumbrante dos Seus gestos. Como quando pediu o cognac Monnet, lembra-Se?

Da Necrofilia Temerária

Estou mesmo a ver uma batalha judicial em que os representantes legais da Maldição do Faraó e os das autoridades arqueológicas egípcias troquem alegações sobre a possibilidade ou não de incluir a retirada do corpo de Tutankhamon do sarcófago na letra da praga Aquele que perturbar o sono do Faraó conhecerá a dor e a morte. Os antecedentes não são tranquilizadores, com os óbitos precoces e inexplicáveis dos expedicionários que entraram no túmulo, tendo-se reservado a Carter o terror continuado da ameaça num resto de vida sem fruição. Creio que, em ultima análise, o prolongamento da vigência da vingança mágica dependerá da prova da capacidade de o Soberano conseguir ou não dormir em qualquer lado, ficando as coisas mal paradas, se for decidido que tal seria possível no sarcófago, mas não fora dele...
À cautela, não publicarei a fotografia da múmia desembrulhada no blogue.
Mas ouso protestar contra a ideia plagiatória de a encerrarem numa caixa de vidro protectora. Parece que querem seguir ponto por ponto o calvário dos raptores de Huac Caspac, de «As Sete Bolas de Cristal», o livro de Tintin que me dava pesadelos, na minha tenríssima infância.
O aviso está feito. Não há por onde se queixarem. De Luxor vêm sempre novas inquietantes: o obelisco da Praça da Concórdia, os atentados contra turistas e, agora, mais esta!

Rio Vermelho

Enoch Powell por David GriffithsEm britânicas terras, no caso do candidato a deputado Conservador obrigado a retirar-se por dar razão ao célebre discurso de Enoch Powell Rivers of Blood, que lhe custou a carreira, o interesse maior da abordagem está no acessório, quer dizer, nas reacções. A disponibilidade parlamentar não foi abreviada por ele propor qualquer medida incompatível com a plataforma eleitoral Tory, unicamente por exprimir uma convicção de que os números dos imigrantes conduziram a alterações sociais negativas. O que no partido que enveredou pela bem comportada opção do Sr. Cameron parece ser crime. O mal está nisto, em o acesso ao Poder ser controlado por comissões partidárias, uma das quais chamou o linguarudo à pedra e o fez voltar a penates. Os partidos normalizam, só é pena que não a perigosa vida dos seus compatriotas, antes o pensamento dos heterodoxos que espreitem. E não nos enganemos, apesar de ter reagido numa perspectiva de liberdade, alguém acredita que o partido anti-europeu cujo representante em Estrasburgo se insurgiu agiria de forma diferente, caso algum dos seus passasse a cantar loas a José Barroso & Associados?
Quanto ao fundo da questão, é tão demagógico atribuir indiferenciadamente ao conjunto dos imigrantes as causas da criminalidade crescente, ou outros flagelos sociais, como determinar que ter por excessivo um fluxo de trabalhadores da Estranja seja um apelo à xenofobia. O mal está num outro tenebroso díptico: deixar que sejam políticos eleitos a decidir as questões das autorizações de permanência, em que se junta a fome à vonntade de comer, isto é a inclinação para a propaganda sem escrúpulos às pulsões de comunidades escaldadas; e a impunidade dos estranhos que vieram para roubar e matar, não para trabalhar.
As quotas de imigração deviam, mas em cada Estado, ser decididas por um Conselho Técnico, assim como as taxas de juro o são, conforme seja necessário estimular a economia ou travar a inflação. Deixar aos discursos e aos votos a disciplina do tema é o suicídio.
O mal não está nos imigrantes, nem nos seus oponentes, desde que uns e outros não sejam violentos. Está nos partidos, que são sempre uma violência.

domingo, 4 de novembro de 2007

Males de Coluna

Quem diria que deste postal da T, tão apaixonado pela Sua Lisboa, se poderia tirar a ideia de que nos está a mandar bugiar. Mas é a mais pura verdade, se tomarmos em conta a origem da expressão: no tempo de Filipe II empreenderam-se trabalhos de fortificação do Terreiro do Paço, onde uma parte de leão das obras era levada a cabo por uma máquina célebre na época, por todos conhecida como bugio. Os vadios que incomodavam as pessoas eram prontamente denunciados às autoridades e para lá levados para participarem na construção. A partir daí ficou o vai bugiar! como significando a vontade de afastar os importunos...
Para provar à Nossa Amiga que não sou rapaz de rancores, aí deixo a traça originalmente prevista para o Cais das Colunas, esperando não ver reiterada a ordem no tocante à minha pobre pessoa...

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Como a (Im)Perturbabilidade

A propósito de uma parecença física que noutra altura da minha vida me colaram a certo actor, episódio desenterrado do esquecimento nesta caixa de comentários, segue uma nota sobre como, recentemente, fui ludibriado. Encontrando na net a imagem de cima, não tive dúvida em crer nela captada uma das belezas da tela que mais me dizem: Gene Tierney, a da foto seguinte.
Eis senão quando me achei desenganado. Tratava-se de uma célebre fotografia de Moda da autoria do ex-marido da Princesa Margarida de Inglaterra, dando a fotografada pelo nome de Jane Quick, muito apropriado para simbolizar o carácter apressado da minha atribuição.
Fiquei então meditando genericamente sobre o Mistério da Semelhança e se ele residirá intrinsecamente nos seres aproximados por outrem, ou será traço revelador do contemplador deles...
Nesta última hipótese reduzir-se-ia a condição de mistério a mero enigma. E o próprio emblema dele à confusão de paralelos físicos intercivilizacionais - o Demónio Grego crepuscular da Morte e Destruição que punha a adivinha ameaçadora apenas por Édipo resolvida, como sósia do deus Egípcio Harmachis, divindade do Sol Nascente, protector da Perspicácia e da Serenidade, o vizinho das Pirâmides de Gizé, ambos metidos no mesmo saco por compartilharem a mistura de ingredientes animais que os compunham. Se a resposta continua prejudicada, a auto-interrogação ganha terreno, até porque a própria solução libertadora do episódio helénico assentava, afinal, nessoutra forma de simile que é a analogia.
Também por isto dedico o singelo post que lesteis à Terpsichore E. M. Psiche.

Máscaras das Praças

Depois de todos os brilhantes contributos de Bic Laranja, Jansenista e Je Maintiendrai no tocante ao desbravamento da História do Campo de Santana no que à festa brava tange, fiquei pelo Exactor a saber que houve touros no Salitre. Que lá se encontrava uma Praça de espectáculos, não tinha eu dúvida. Mas, talvez motivado por esta gravura, pensava ser mais dedicada aos exibicionismos circenses, até por não haver aqui o pretexto de ser o tradicional local de matança do gado que abasteceria a cidade.

Ainda tocando o Passado da zona em que foram justiçados os cúmplices de Gomes Freire, sabe-se como lá decorria a Feira da Ladra, até que, em 1882, a transferiram para Santa Clara. Mas outros lugares tinham precedido como sede dessas vendas multifacetadas: o próprio Rossio e a Praça da Alegria de Cima, de que a segunda imagem é ilustração. Ou como baixos comércios, incluindo os de carnes, no sentido bovino mais dos que no das Torres de Nesle queirosianas, andaram de Herodes para Pilatos...

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sábado, 3 de novembro de 2007

E Agora, Uma Coisa Completamente Diferente

Os Media vêm passando o tempo a falar da OPA fracassada do BCP sobre o BPI, do risco de lhe suceder a inversa e, finalmete do projecto de fusão amigável. O réprobo não abordou tão magno tema porque nada percebe de banca e não quis bancar o sabichão em matéria onde facilmente se atolaria. Mas, aplicado à Coisa Pública, muito mais interessante que empresas particulares, por grandes que sejam, foi precismente o que se passou com as relações entre Portugal e Castela. Depois de fracassadas as ofertas públicas de aquisição hostis de um lado e de outro, convencionou-se a osmose amigável, concretizada com o casamento da Primogénita dos Reis Católicos, D. Isabel, com o de D. João II, o Príncipe D. Afonso. Foi o enlace celebrado e 3 de Novembro de 1490,
razão mais do que suficiente para dela falar hoje. O resto da História é conhecida, a queda do cavalo, o plano frustrado, as desinteligências do Príncipe Perfeito com a Sua Extraordinária Mulher por querer alçar ao Trono, contra a Lei do Reino, o seu Bastardo...
O Povo, porém, que nessa altura ainda fixava o essencial, por não ter concursos televisivos desviantes, fixou nos célebres romances que reproduzia a impressão da viuvinha tão jovem. Fê-los nos da Guarda, não há muito musicados e editados discograficamente. Mas também na Ilha da Madeira, o meu preferido, que aproveito para dedicar a Leitores que tenha na Pérola do Atlântico, naturais ou por adopção:

Já casada estava eu
Bem sete meses havia,
E passou um pombo negro
Que más novas me trazia.

- Novas, Senhora, vos trago
Más novas, de grande mal;
Que morre vosso marido,
Infante de Portugal!
Caindo com seu cavalo
Nas ribas do arenal

............................

E daí pus-me a chamar
Tendo ouvido o meu recado.
- Ide lá físico mestre,
Ide já aparelhado
Com vossa lanceta de ouro
Sua liga de brocado;
Dai-lhe a sangria pequena
Não se sinta o coitado.

E lá me fui de carreira;
As damas me acompanharam;
Mas, por muito que corressem,
As damas não me avançaram.
Os meus ais, quando cheguei,
O meu infante acordaram.

- A que vindes cá infanta!
Estou aqui, ´stou a acabar;
Ficareis menina moça,
Cedo vireis a casar.

.............................

O meu infante morreu,
Infante de Portugal,

Ali perto das águas frias,
Nas ribas do arenal.

À atenção dos analistas, há que contar com os acidentes que impedem projectos.

Quadros Numa Exposição

A Transcendência do Salto de Christine MalaurieSempre bom conselheiro que é, o Confrade Jansenista instiga-me a não levar tão a peito a passagem de mais um ano, tal como a pretérita capitulação perante os atributos da Raposa Inglesa. Isso é que não pode ser, por acarretar um ilogismo. Quando usa tal expressão está a mandar-me, em simultâneo, abordar esses acidentes da vida in petto, quer dizer, sem os expressar. Com tanto choque peitoral acho tal dívida extinta, por confusão.
Ora, não cesso de lutar para que seja reconhecida ao bloguista a eminente obrigação de expor-se, a propósito de todas as cenas que lhe despertem interesse. Assim prosseguirei:
Quem examine a mesma caixa de comentários verá alusões da T a uma tal "atracção pelo abismo"; e da Mesma, do Je Maintiendrai e Outros Mais a afectuosa negação da evidência dos estragos da idade. A Uma e a Todos dedico estes dois quadros, veículos vocacionados para a expressão da naturalidade que detecto em ambas as circunstâncias...
A Mecânica do Tempo de Ted Grace

O Último Hurrah

Perguntava o Filomeno pela correlação entre o macabro humorístico anglicizante e o tom do festejo do dia. Igualmente, afastava o Je Maintiendrai o mau presságio que a ilustração tumular acarretasse. Para contento do Salmantino Crítico da Inglaterra e do Amigo da Turquia e Visitador das Rússias, acho-me apto a estabelecer uma conexão.
O termo Hurrah, que é uma versão menos elaborada do Espírito com que os Amigos desta casa têm concorrido para me reconfortar da marcha inelutável do Tempo, por muito british que passe por ser, teve origem no Império Otomano. Era o Imperativo do verbo Urranak, que significa "matar". Nas revistas do Padischah aos Janízaros, estes, numa espécie de continência bárbara, gritavam Hurrah! Hurrah! - Mata-o! Mata-o!, expresssando assim a confiança no seu comando, para aniquilar o inimigo. Os Russos adoptaram o grito, desprovido de hostilidade, como acolhimento de vários a um só. E daí passou às Ilhas Britânicas como urbana forma de saudar em momentos especiais.
Pelo que não me parece deslocado trazer a este dia mandatoriamente feliz a capacidade de matar as más recordações que tenhamos. E correspondendo aos generosos desejos Daqueles que pretendam dever este estado de alma durar para além da jornada, dar, no vídeo, a receita das velas que não se apagam:
Ter-Vos-Ei sempre no coração.

A Data Fatal


Aos seis anos: A CONFIANÇA


Aos trinta anos: AS DORES


Hoje: UM MERO EPITÁFIO, SEM AO MENOS A DIGNIDADE DA SEPULTURA
AQUI QUASE JAZ UM HOMEM QUE NÃO TEVE A CORAGEM DE SER IRACUNDO A TEMPO INTEIRO NUMA ÉPOCA QUE O EXIGIA. UMA SOMBRA DO QUE DEVERIA SER.
GÁS À SUA ALMA
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Uma Tarde "Bem Passada"

Com estes antecedentes fui para lá a tremer e permaneço em estado de errar mais teclas do que o habitual. Quem é o Confrade que Se oferece para me acompanhar da próxima vez e fazer de Bucha?

Re-United Colours

A reflexão da T sobre a colagem dos nossos receios a pessoas com peles de tom mais escuro lembrou-me uma queixa de um Engenheiro Africano, Bibliófilo Estimabilíssimo que sobre Si costuma ironizar com a definição de ser o único Preto que percorre as Livrarias de Lisboa, sobre as associações negativas à cor negra: A coisa está preta; Fulano tem a alma negra; o Futuro Negro... Na altura, porque nem sempre temos a presença de espírito necessária, só me ocorreu contrapor-Lhe outra negatividade, de polaridade inversa: Homem, Você está branco como a cal. Depois de pensado o assunto, diria que o melhor antídoto é o dado pela colaboração de ambas as cores, como na frase pôr preto no branco.
Um ponto há com que não posso concordar, no postal da nossa Amiga. Os terroristas não contagiaram a cor com o que de facto todos eles fizeram, ao contrário dos Ciganos, muitos honestíssimos que ficaram com a fama dos pecadores. Qualquer pessoa que haja vivido em África o pode asseverar, julgo. Branquear (esta também era boa) a acção do terror é que pode baralhar as coisas e conduzir a reacções tardias nesse sentido.
Mas tudo isto é capaz de vir do afastamento dos negrumes relativos do nosso quotidiano. Heranças talvez de uma sociedade influenciada pelo arabismo de casas com paredes brancas, desprezadoras das populações negróides, mesmo quando crentes?
O fogo combate-se com o fogo e para tanto deixo o que já foi uma figura típica de Lisboa: o Preto Caiador, no Rossio à espera de clientes. Por vezes da escuridão, se a luz não nasce, brota a claridade que a reflecte.

Aos Nossos Mortos

Bem quizeramos nós que Deos nos abriffe o Ceo, onde habita; a nós, que já mais confideramos nelle, que contradizemos continuamente a fua Lei, que amamos mais a fertilidade da terra, que todos os tefouros da fua graça, que talvez blasfemamos o feu fanto Nome, que infultamos os feus Miniftros, e que, em huma palavra, mais quizeramos viver fempre cá no Mundo, do que ir gozar das fuas reconpenfas eternas. Então he que Deos feria injufto, fe nos recebeffe no feu peito. Elle condemnando-nos, trata-nos como nós queremos fer tratados, porque tememos entrar em fociedade com Elle, e voluntariamente acceitariamos o partido de nunca mais o ver, fe fempre pudeffemos viver com as creaturas, a quem idolatramos.Cada visita ao Cemitério, mormente em dias sinificativos, desencadeia o irremovível embate entre a Esperança de que Aqueles a Que queremos tenham alcançado a Felicidade e o egoísmo do desejo - em saudade encapotado - de Os termos entre nós. Como permitir a coexistência pacífica da urgência da proximidade terrena com a tranquilidade ancorada na Fé? Uma absoluta unilateralidade repousando na certeza de que Os que nos deixaram foram para Melhor Sítio também não seria estimável, pois demasiada candidez gera insensibilidade. Paradoxalmente a solução está no que já os melhores de nós alcançam: articular a dor sentida como peça rumo ao Ideal Revelado, sem que sofrer permita resvalar para o desespero. Eu ainda tenho muito que andar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ídolos Com Pés de Barro

A Júlia ML confessou, com muita graça, uma admiração de outrora, hoje renegada, por Salvatore Adamo. Pergunta quem as não tem, parafraseando as cartas de amor segundo Pessoa, e fá-lo muitíssimo bem. Para A pôr à vontade, revelo que este bloguista desesperado, quando cumpria o serviço militar então obrigatório, sentia um fremitozito pela Samantha Fox; lembram-se dela? Hoje quase pinto a cara de preto com tal recordação. A coisa foi ao ponto de pendurar um retrato da cantora na parede da Secção de Justiça do Quartel-General da Região Militar do Sul, que tive a honra de liderar. O Coronel comandante era uma Jóia e nunca pôs obstáculos, nas revistas. Já o substituto, depois de eu ter voltado à vida civil, consta que logo mandou retirar essa presença da nossa Velha Aliança em território reservado. Eis os elementos que integravam o grupo, com a protagonista espreitando por cima do ombro da chefia.
Claro que isto foi antes da proibição da caça à raposa...

Orelhas na Terra

Alegoria ao Terramoto de 1755 de João A. Glamma Stroberle, Artista com vinte anos de aperfeiçoamento em Roma, ainda hoje mais querido no mundo Anglo-Saxónico do que no seu e nosso País, talvez pelas temporadas de residência em Londres e... no Porto.Ao arrepio do ensino oficial do Catolicismo, insistentes prédicas religiosas voltam a martelar serem os tremores de terra castigos divinos, com se o Outro Mundo tivesse vindo fazer umas férias neste. Hoje são os clérigos islâmicos do Paquistão e de Caxemira, mas no nosso continente os Metodistas dos Irmãos Wesley reclamaram-no abundantemente, tendo John elaborado uma verdadeira Teoria Geral do Terramoto como punição.
Na sequência do de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa, que abalou meio mundo pensante e outro tanto incapaz de o fazer, generalizou-se mesmo aos Países da Religião Romana, à revelia das determinações hierárquicas, a ideia de sanção. Num processo de abstractização das culpas, até o inefável Rousseau veio a embarcar na onda, apesar de as encarar como castigo não tanto do pecado, mais da imprudência e da traição à naturalidade da vida, estigmatizando os nossos Avós por terem escolhido esta localização para Lisboa, e pela construção de casas, largando o tecto celeste, numa não-especificada alusão à literalidade bíblica que mandava não colocar nada entre o Homem e o seu Deus, preceito também invocado pelos missionários puritanos para proibirem as posições sexuais com a Mulher por cima, dando assim nome à que se permitia.
Invertendo o caminho na generalização da causa pecadora, um inflamado visionário um tanto ridículo, esse Gabriel Malagrida que se dizia um São João mais claro, veio pregar, contra as causas exclusivamente naturais patrocinadas pela propaganda Pombalina, a tese da pena terrestre, mas com atribuição concreta da responsabilidade aos vícios do poder absolutista e centralista, arrasador das elites e esmagador das massas, que o Valido de D. José projectava. Afastado da proximidade da Framília Real, a sua extracção Jesuítica, como a influência nos Távoras e nos populares da Outra Banda, marcou desde logo Os que, com um Duque de Aveiro não-alinhado nestas fantasias, viriam a ser as vítimas emblemáticas do tirano iluminado. O candidato a profeta, esse, para não dar o braço a torcer, deu o pescoço, alcançando o sacrifício que ambicionava na sua entrega e que fez o seu nome perdurar.

Onde o conteúdo útil da relação entre pecado e abalo sísmico se encontrou foi na exposição de muito crápula que andava encapotado: com as casas destruídas e os géneros a rarear, a pilhagem e a especulação subiram a níveis tais que foi preciso importar tropas da Província, como dessa Peniche cujo abarracamento foi perpetuado na toponímia lisboeta, seguindo-se um imparável cortejo de prisões, degredos e execuções. Mas a Divindade não meteu o nariz nesta imposição da ordem, da esfera do humano, por muito que queiramos dar ao vocábulo a conotação de clemência.

Rabos no Céu

Havendo o Caríssimo Je Maintiendrai tido a amabilidade de me conceder corte de rabo e orelhas em tauromáquica linguagem recompensante, lancei-me na busca desses troféus. A cauda já achei: matutando nos antecedentes históricos do dia de hoje, lembrei-me de que em 1 de Novembro de 1577 foi visível em Lisboa um grande cometa, o mesmo que Tycho Brahé celebrizou 10/11 dias depois, em Praga. E logo o douto Hermes de Rovere avisou o nosso D. Sebastião de que não saísse do Reino para dar combate à Moirama, pois que o aerólito era prenúncio certo da catástrofe. Não lhe ligaram e a ligação à hecatombe amarrou o País.Talvez escaldado por tão grande erro, o Padre António Vieira passou a alertar para a circunstância de Deus, depois de os profetas se terem calado, haver passado a falar pelos cometas, o que vinha ao encontro do empirismo multissecular dos povos, normalmente creditando-os com maus agouros, salvo os Reis Normandos de Inglaterra, os quais na Coroa mandaram encastoar uma imagem desse sinal do seu triunfo. Mas há que dar a palavra aos especialistas e um pioneiro deles, Lubinetski, no «Theatrum Cometicum», esclareceu sobejamente que os luminosos bólides tanto podiam antecipar algo bom, como mau. Há, por conseguinte, no momento em que o denominado Holmes dá sinal de si, que nos investirmos das capacidades dedutivas do investigador homónimo, para apurar o que nos espera:Nostradamus é que não esteve com meias medidas e previu um, fatal para a Europa Mediterrânica. Será este, oh, será este? Não sei. Do que estou ciente é de que há ameaças com registo indesmentível. Ora vejam como os Turcos figuraram a passagem do corpo celeste quinhentista. E disso percebem eles, ou não fosse o Crescente o seu símbolo. Se não é, cuspida e escarrada, uma alusão à entrada na União Europeia, com a bandeira em fundo, então não sei o que seja.
Tenho dito.

Leituras Felinas

Pois bem, seja, amigos de papel ou de carne, ou de pelo, são a condição para ser feliz. Mas sugiro uma via um pouco alterada. Não querendo ver alguém tão perplexo, antes "o Gato com a sua razão
e a Mulher a andar pelos livros" Há que tirar todo o partido do que se tem, a beleza parada é como o C. Ronaldo, não rende. O que merece ser imortal é a acção que extasie.