terça-feira, 24 de junho de 2008

Síndroma do Iô-Iô

Uma Querida Amiga quis à força mergulhar na radicalidade dos desportos com o balonismo, saltando de imediato para o paraquedismo. Em bom rigor, são tradições associadas no imaginário dos povos, porquanto, muito antes de Garnerin juntar ambos os utensílios, usando um balão para ascender e uma espécie de paraquedas para descer com suavidade, em 1797, já as publicações satíricas francesas davam à estampa gravuras como esta, de Damas e Gentis-Homens a fazerem sobe e desce nos céus.
A sátira não poupa quem quer que seja. E quando o famoso Nadar recorreu a um dirigível, Le Géant, para se tornar pioneiro da fotografia aérea, logo houve fraco versejador luso que poetou:
Se já é perigo «nadar» no mar,
Que fará «nadar» no ar!
Nada! nada! «Nadar» por «nadar»
Antes «nadar« no mar...
«Nadar» que nade, se lhe apraz
«Nadar», no ar.
Sei que a Ana Se sentirá mais irmanada a Victor Hugo que lançou sobre o balonismo:
Comme une éruption de folie et de joie,
Quand, aprés six mille ans, dans la fatale voie,
Défaite brusquement par l´invisible main,
La pesanteur, liée au pied du genre humain,
Le brisa: cette châine était toutes les châines!
Tout s´envola dans l´homme, et les fureurs, les haines,
Les chiméres, la force evanouie enfin,
L´ignorance et l´erreur, la misére et la faim...


O Tempo demonstrou que não era propriamente a panaceia, mas é sonho lindo e, na Nossa Amiga, inofensivo. O princípio do balão é o da festa, o do pára-quedas, até pela semelhança dos originais com o guarda-chuva, o da segurança. E como alguém disse que este não passava de uma bengala de saias, está muito próprio reservar a uma Senhora a capacidade fantasista que esta combinação dá. Fruir o turismo das imensidões, sem brusquidão e fazendo a ida e a volta por diferentes vias! Apesar da transversalidade de géneros que os desejos de elevar-se e evitar quedas fatais gozam. O sonho comanda a vida, não é?

8 comentários:

ana v. disse...

Sim, estou mais irmanada a Victor Hugo, não tenha dúvida. Levantar voo com um chapéu de chuva não é muito o meu género...
Mas não pense que são só fantasias: eu vou mesmo pôr em prática um destes voos! Saberá notícias minhas, caro Paulo, quando eu for "fruir o turismo das imensidões", vai ver...
Entre festa e segurança, escolho... as duas, porque ambas são uma tentação! E até já estou a pensar noutros voos...
Beijinho, obrigada pela dedicatória do post.

Cristina Ribeiro disse...

Não vem muito a propósito: quando um meu sobrinho, chamado João, era muito pequenino, mal falava ainda, eu cantava-lhe "O balão do João..."; quando chegava à altura de cantar "é feliz o petiz", calava-me e ele dizia as palavras que faltavam :) Era a tal "bola colorida, nas mãos de uma criança"...
Beijo

O Réprobo disse...

Já acredito em tudo, Querida Ana, desde que uma Amiga Querida que tinha por pouquíssimo vocacionada para essas excitações Se atirou amarrada a um elástico da Torre Vasco da Gama...
Claro que todos queremos ver o resultado.
Beijinho

O Réprobo disse...

E o mérito de Quem o foi ajudando a sonhar...
Beijo, Querida Cristina, veio completamente a propósito

Luísa disse...

Meu caro Réprobo, surpreende-me que a Ana não reaja ao facto de lhe atribuir um síndroma, sendo certo que o nome, do «iô-iô», faz logo esquecer a «ofensa». :-D

ana v. disse...

É verdade, Luísa, passou-me a "ofensa"... talvez pelo nome, mais do que oportuno: de facto eu quero subir num balão e descer num paraquedas, transformando-me num perfeito iô-iô!
;)

O Réprobo disse...

Querida Luísa,
Delatora Impiedosa!
Beijinho, ehehehehe

O Réprobo disse...

Querida Ana,
eu avisei que ia sair provocação. Não estranhou a brandura?
Beijinho