sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Higiene das Sextas

Por falar em matrículas, encontrei neste blogue a sugestiva fotografia supra, encimada por um número suspeito de matricial, que seguia o título «Girl Friday», o que me pareceu um sinal não-negligenciável para postá-la, num País onde estes nossos Colegas de Referência, muitos deles Jornalistas, deram um novo enquadramento institucional ao título cinematográfico que, noutros tempos, Lhes parodiou o meio profissional. Quem queira ter o trabalho de activar o link no texto de origem, à maneira das caixinhas chinesas, deparará com a razão pela qual me decidi a preferir Fred Thompson nas Presidenciais Norte-Americanas...

Exercício de Tolerância

Bordel de Lee Durbin
Bordéis legais são como as modas: numa estação vêm os que querem, noutra os que a odeiam. Em nome das razões mais díspares. Nestes dias tem vindo a lume a campanha do Dr. Pereira da Silva para legalizar a prostituição. Sou a favor, em nome do controlo sanitário, mas não partilho o optimismo do proponente, quanto à capacidade de a medida acabar com as que exercem o métier na rua. Haverá sempre as que, por não quererem complicações de espécie vária, para maximizarem ganhos, evitando despesas, ou por não arranjarem a colocação que lhes agrade, desenvolverão a actividade paralelamente. Mudar porquê, então? É que aquelas que se registarem serão de facto controladas, o que minorará os focos de risco.
No que acho que o pleiteador da causa está a ver mal é a defesa que faz da tributação destes comércios. O Fisco é a melhor maneira de, num país latino, impelir as concernidas a manterem a semi-clandestinidade. Em Portugal uns bons nove décimos dos cidadãos renegariam os progenitores, se daí adviessem poupanças fiscais capazes. Como se pode pensar que uma ocupação pouco considerada, embora muito procurada, procedesse diferentemente?
Duas notas ainda: legalizar não deve acarretar exageros como o belga, em que puseram, na Catedral onde esteve presente o corpo do Rei Balduíno, uma meretriz a fazer o elogio do monarca, entre três profissões escolhidas. O Rei é de todos e também delas, tendo, em vida, manifestado uma tocante preocupação pelas condições a que eram sujeitas. Mas isso não é motivo para fantasiarmos ser a oralidade em que as ditas se especializam a oratória...
Da mesma forma, convém preparar uns cacetes para os puritanos altissonantes que venham clamar contra a proximidade das casas de passe disto ou daquilo. Lembremos-lhes que não se trata da Prostituta da Babilónia, mas de rameiras muito menos diabólicas, que costumam ser vizinhas discretas e menos importunas que muito boa gente, a começar por esses incomodativos e apocalípticos moralistas.
E para terminar, sobre a convicção do Deputado Campos Ferreira de que hoje vai sendo difícil achar uma prostituta que seja portuguesa. É conhecido o afluxo das estrangeiras, mas não exageremos tanto. Como se pode querer representar um País que se desconhece?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Unhappy End

O Último (até agora) Rei de Portugal gozou sempre, na parte feminina da minha Família, da simpatia que qualquer rapaz bonito que tenha perdido tragicamente um Pai desperta entre muitas Senhoras. Daí que, pese à tradição Miguelista, sempre tenha sido lamentado cá por casa. A sua História é simples: falhou porque não entendeu da mesma forma a cena interna como a Política Exterior. No campo da Diplomacia apostou na continuidade da Aliança Inglesa, com prejuízo próprio e servindo o País, mesmo apeado do Trono, como condição da subsistência nacional. Mas não percebeu que, internamente, arrepiar caminho e voltar os pokers partidários de antes do Franquismo era encorajamento a juntar outro crime àquele que o tinha deixado orfão. Virando-se para os partidocratas, de que José Luciano de Castro era o astucioso paradigma, parecia apadrinhar-lhe o entendimento de que carácter privado e verticalidade pública não se confundem. Alienava portanto toda a intelectualidade, alta, média ou média-baixa, cansada da vileza dos procedimentos apesar da prosperidade relativa da Nação, encaminhando-se ou para o autoritarismo, ou para as promessas douradas da novidade absoluta que fingia ser a República. Acalmar não é governar, é uma prorrogação do prazo em que se pagará a fraqueza. Ao desistir de lutar este Bibliófilo amantíssimo da Sua Pátria, de uma mansidão que o levara a deixar-se conduzir a uma esquadra de Paris por suspeito de não ter direito às insígnias da Legião de Honra que ostentava, em função da pouquíssima idade aparente, entregou-se às mãos dos sicários que encomendaram a morte de uma Linhagem, antes de tentarem a da dignidade sobrevivente de todos nós.
D. Manuel II nascera a 15 de Novembro.

Sub Missão

O Correio da Manhã não consegue decidir-se: na mesma notícia oscila entre a intenção de Hugo Chávez submeter-se a uma profunda reflexão, a propósito das relações com a Espanha, ou de submeter estas à dita. No primeiro caso deve-se sublinhar que uma operação tão delicada seria, certamente, fatal. No segundo duvida-se da capacidade de pensar friamente um problema, por parte de quem faz gala em assumir as suas intervenções eruptivas...
No fim de contas, apesar do petróleo, a Economia vergará a manifestação mais vocal da sua pretensa missão na terra, aposta-se desde já.

O Grande Barrete... Frígio

Se as posições políticas de Fernando Pessoa ainda são referidas ao de leve, graças à simpatia maçónica e resultante zanga com Salazar, as de Almada Negreiros costumam ser prudentemente omitidas de toda a reportagem televisiva que aborde a obra do Artista. Eis como, no «Papagaio Real», pôs a República a falar com Bernardino Machado, perguntando-lhe pelos sentimentos do Zé Povinho quanto a ela e obtendo o relato das saudades da Monarquia de que Aquele enfermaria.
A República de Terceira de hoje será menos sanguinária, porém, em boçalidade, tal mãe, tal filha. Com a agravante de as cartolas dos eleitos actuais serem usadas à maneira dos ilusionistas, para enganar a audiência, não já para as chapeladas do Cordial B. M.
O título da caricatura encontra-se mais justificado do que nunca.

Banhas da Cobra

Com esta bela gravura de um charlatão de outrora, quero chamar a Vossa atenção para o belíssimo quarteto de posts que a Júlia ML dedicou a actualizações do tema. Não perderão o precioso tempo, pois ficarão cientes de que um novo acordo ortográfico já entrou em vigor, foi descoberta a cura para a SIDA, um rival lusófono do Al Gore fez a Deus o que o filho do Eng. Jardim Gonçalves fez ao Pai cá de baixo e de que o lúdico é indissociável de outra aposta forte, a das bruxarias, mesmo que isso possa fazer recear que a vitória eventual se não fique a dever a mera destreza. A não perder!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Vingança da Paz

Em 14 de Novembro de 1940 500 bombardeiros alemães largaram sobre Coventry outras tantas toneladas de bombas, 900 delas incendiárias, destruindo a Catedral e muito mais. Todos os que lamentamos o horror de Dantzig devemos ter presente essa anterior desgraça e perceber que o "Remember" de Carlos I tinha cabimento nesta nacabra troca.
Que a nova Catedral haja sido consagrada à reconciliação é o triunfo sobre Marte de que nos devemos alegrar.
O «Requiem de Guerra» de Britten foi escrito em razão de tudo isto. Eis em excerto, Rostropovitch no púlpito.

O X do Tesouro

Dia complicadote e absorvente, porém redimido por uma safra alfarrabística como há muito não me acontecia. Entre as aquisições, esta colectânea de depoimentos biográficos sobre Reinaldo Ferreira, o Reporter X, que me fez lembrar a T, por Ela lhe estar a visitar o legado jornalístico; e o RAA, porque um dos textos foi escrito por Ferreira de Castro. O achado é hoje uma raridade e, como o exemplar é dedicado pela Filha a um dos colaboradores, fico a interrogar-me se o Museu votado ao Autor de «A Selva» terá entre os seus haveres o correspondente.
Atirei-me logo à parte subscrita por Rocha Martins. Tinha lido no artigo que publicou à morte do Biografado, que entrara na posse de uma carta a si dirigida, cheia de confissões reveladoras:
Foi exactamente há três semanas que recebemos a sua última carta. Quando um dia a publicarmos - neste momento é impossível fazê-lo - ver-se-á um documento escrito com a queixa de um desespero sem par.
Pensei, por conseguinte, que tivesse a missiva integrado a obra colectiva que comprei. Mas o que lá vem é:
A carta dolorosa, aquele brado torturante, vou guardá-la para quando na minha vida topar alguma grande dor, mostrar aos que a sofreram outra muito maior: a de um homem de talento padecendo pelo seu sonho ante a realidade cruel do nosso tempo.
Mais um prejuízo causado pela velha superstição de que o mal dos outros consola. Saberá algum dos meus Eruditos Leitores informar sobre se esta mudança de intenção foi definitiva, ou se o famigerado objecto epistolográfico saiu em letra de forma nalgum sítio?



Nota às 21.00: por esclarecimento da T "Irmã" que saíra no texto original, de acordo com a informação recebida na compra, foi substituída por "Filha".

Publicidade Comparada

Devo dizer que não tenho dados para apreciar os méritos profissionais destes dois expoentes de clínica geral, pelo que me ficarei pela qualidade anunciante de ambos. E aqui, tenho de dizê-lo, a minha simpatia vai toda para o Prof. Karamba. Razões?
1- Na elencação dos problemas a resolver, reconhece que a Família pode apresentar preocupação, o que nem é considerado pelo seu rival, apesar de dar mais exemplos.
2- Usa umas expressivas reticências, não recorrendo ao "etc.", o repelente bordão de todos os ignorantes, começando pelo signatário deste postal.
3- Não usa o termo para mim altamente inquietante, em função do hermetismo opaco de que se reveste, que é "amarração".
4- Não coloca Crescentes inculcadores de sobressaltos, porque símbolos dos radicalismos que querem semear o terror entre nós.
5- Não emprega o irritantíssimo "portanto", num caso em que não se infere do que antecede suficiente matéria para uma conclusão.
6- Tem um site na net, nada a esconder, enfim.
7- Usou como pano de fundo a cor próxima da de um Grande Clube.
Acima de tudo: vi primeiro os anúncios dele, pelo que os 45 anos de experiência do Professor Fofana, contrapostos aos seus 42, me deixaram a impressão de serem golpe baixo para ultrapassar o concorrente.
O Marketing (aqui) é tudo!

Servidos em Bandeja

Oponho as maiores reservas à inovação testada no último Derby madeirense entre Marítimo e Nacional, de levar a lei da paridade para o mundo dos apanha-bolas, na Liga Profissional de Futebol, contratando miúdas para o efeito. Só pode explicar-se por ser etilização decorrente de consumo excessivo da cerveja que patrocinou a novidade. Sabe-se como já foram recrutadas modelos profissionais para igual função, no Ténis, mas pensar que é o mesmo será ignorar que os comportamentos se desvirtuam facilmente, quando passamos dos indivíduos para os grupos. No Futebol, partindo do optimista presuposto de que a heterossexualidade ainda é maioritária, para além de se introduzir um perigosíssimo acréscimo de distracção para os guarda-redes, dada a tenra idade dos elementos, é propiciar tentações pedófilas, sempre latentes, como comprova esta saga suíça. Às tantas, a confusão entre o esférico e outras anatomias pode bem fazer das suas...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Chazada

Estou mesmo a ver o refinamento do muito esmerado cerimonial de T, Júlia e Amigas. Seria um privilégio saboreá-lo e à simpatia associada.

Mas devo dizer que o refinado patife que sou está habituado, nos dias vulgares, ao serviço completo da Gueixa do Chá de Darci Simmons...
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Zip Zip

Ai, T, quem receita um fecho eclair não tem, certamente, na memória o primeiro, inventado por Whitcomb Judson, em 1893. Não parece um instrumento de tortura?
Assim traumatizado, claro que não me sairia da cabeça, logo é melhor oferecê-lo a outro.
E desde quando o pêssego dá uma genuína bebida lusa? Ainda se fosse a ginginha... Ou passámos a grandes produtores de Vodka, beberragem de que A sei apreciadora?Pelo que retribuo, oferecendo este sofisticado cosmético à base do mesmo fruto. Leite e pêssego, que texturas para A tornarem mais macia!
Por fim, a Fénix é quase tão reaccionária como eu e insistiu para que juntasse este relógio. Porquê? Para que o Chá não volte a afastar-se das cinco...

Cinismo e Paixão

Quando se prova à saciedade que Sócrates não está com nada, é o grande Cínico Diógenes que emerge. Como ele, também esta mocinha anda de lanterna na mão à procura de um Homem. E como o Antigo, se virar o foco para si, poucos a acreditarão. Mas por motivos diferentes...
Como vê, estimada Amiga, acompanho-A como uma sombra na crença na mensagem de ressurreição da Fénix: permita-me que Lhe apresente a modelar Sul-Africana Tanit Phoenix.

Três Insultos

Ele sempre há coisas! Quando uma Pessoa que muito estimo vem, encapotadamente, dizer que a minha urbanidade não é segura, só tenho como defesa retorquir que torná-la mais evidente poderia traduzir-se em hipotecá-la a um serviço secreto estrangeiro de má fama...
E mandar comprar uma bengala não é achar que estou jarreta de todo? Se assim é, prefiro fazer a coisa por inteiro e, em resposta de luva branca, brindar com uma taça à integralidade jarreteira!
Por fim, sugere - como quem não quer coisa - uma roupa de marujo. Chama-me pato, está visto. Por isso não leva bicada, assim provo o oposto.

Roda Livre

O que é triste na aquisição das carripanas de luxo para o Ministério da Justiça é que a inenarrável falta de jeito do titular da tutela tenha encontrado como único terreno objectável a irregularidade eventual de procedimentos, apressando-se a contestá-la. Nem uma palavra para a (in)sensatez de decidir tal compra, quando numerosas repartições da Administração do Estado se queixam da insuficiência de verba para assegurar clips. Ou talvez tenham interpretado estes lamentos como dirigidos à vontade de consumir produções Pop/Rock, o que justificaria as aparelhagens de som, com a concomitante modéstia de prescindir da imagem.... No resto é uma tentativa de, dando música, sossegar o Povo qanto à governação andar sobre rodas...
Os mais íntimos do Passado suspeitarão de que se trata de celebrar a emancipação das disposições do Highways and Locmotives Act, de 13 de Novembro de 1896, as quais, na prática, aboliam o automóvel, ao consignarem a obrigatoriedade de todo o veículo ter três maquinistas de prevenção e mais um, à frente, com uma bandeira vermelha, hoje desbotada para o rosa. Tudo para evitar acidentes como o do desbravador do ramo, a viatura auto-propulsionada, a vapor, de Cugnot, que terminara no primeiro acidente de viação sem animais de tiro envolvidos.
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Resposta Ao Filomeno

Uma aspiração e não mais, porque, apesar de sinistramente concretizada, a dimensão de Castro é indiscutivelmente superior. Respondi à Tua pergunta?

Ex-Votos

A Ex de Paul McCartney, Heather Mills, diz ter um vídeo que prova como o Beattle tomava Viagra para ter relações. A Ex de outra barata, Chávez, Marisabel Rodriguez, veio dizer que a reforma constitucional cavalgada pelo presidente venezuelano é uma forma de esconder a sua ineficácia, quer dizer, leio eu, uma espécie de viagra político. Já todos vimos o filme. Mas as declarações deste brincalhão, após a reprimenda Real, não fizeram senão agravar o caso. Veio dizer que o Soberano Espanhol teve sorte em ele não o ter ouvido mandar calar. Ora, não é a "surdez" repentina que é relevante, mas sim a quebra da mudez do Rei, que não se costuma meter em polémicas dos papagaios políticos. E quando o megalómano que se julga Bolívar, a mania napoleónica lá da terra, acrescenta que eram 500 anos de arrogância imperial explodindo à fala de um índio enterra-se ainda mais: confessa a arrivista falta de carácter do seu poder e invoca uma condição étnica para se proteger, o mesmo que fazem todos os fracos que não se aguentam individualmente.

É esta, Júlia!

A Laura, a Mrs. Muir apaixonada pelo fantasma, a protagonista de «O Fio da Navalha», tanta outra maravilha. Quem dera que houvesse por aí mais Genes da Tierney...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Como Se Faz Uma Estrela

Em dia que deveria ser de aniversário, passo a passo, o retrato da mais bela loura do Cinema, Grace Kelly, por Martin Missfeldt, embora Deus decerto não enjeitasse ter a Sua Mão associada, ao contrário do golo do Maradona, que foi uma fraude. Mas tenho de protestar: o resultado final esconde o verde absolutamente esmeralda dos olhos...

Cinzas do Passado


Lamento Dona T, mas não posso aprovar uma seguradora sem garantia. E foi preciso esperar pelo século seguinte para a ver chegar. Além de que é muito suspeita uma companhia que se autodenomina "Fenix": em vez de dizer que, com ela, os bens segurados seriam como uma dessas míticas aves... Transmite a ideia de um sempre em pé, sem grande escrúpulo, mesmo que arda tudo cuja perda eventual se comprometeu a amenizar...
Será que uma Moça tão progressista como a Minha Amiga se atemorizou com o serviço da Nação escarrapachado?

Indo à mitologia sabemos que esse animal incrível, no Deserto Arábico residente, pressentindo o momento da morte, construiria com ramos e ervas mágicos o ninho que os raios solares transformariam em pira assasssina, dando ligar às transformações da medula dos seus ossos em verme e deste num pássaro mais belo ainda. Mito de grande sabedoria se interpretado no sentido de conformação com os ciclos vitais, transmissão hereditária e placidez na cedência do lugar a quem o ocupe melhor. Mas perigosíssimo por poder instilar nos mais ingénuos a falsa noção de que basta uma morte aparatosa para o asssegurar. O modo como Rodrigues Coelho viu este ser fantástico diz-me muito.

O Juízo DUNS Loucos

Em 12 de Novembro de 1381 terá sido criada a Ordem dos Loucos, em torno do Conde de Cleves, cujo símbolo era o Bobo. Tratava-se de coisa séria, como acesso restrito a Cavaleiros da mais pura Nobreza de Sangue e de Espírito, com o objectivo de lutar pela Caridade e Justiça no Mundo. Durou três séculos essa Santa Loucura. E mesmo que o Autor da obra abaixo dada tenha razão, sobre a identidade do Destino, infelicidades e Morte com um gracejo cósmico, a tentativa de remar contra a maré, de não rir dessa palhaçada, com a correlata comoção perante o pranto e o trágico, é coisa mais do que grave: a que não se pode dissociar da Integridade.O Bobo Cósmico de Boo Ehrsam

Antes Os Anéis

Querida T, ladrões e bem ladrões. Escaldadíssimo anda este Seu pobre amigo, pois nos tempos de tropa, quando havia acidentes de viação, sendo o Exército a sua própria seguradora, tive de entabular muita discussão com os representantes das dos acidentados civis. E valerá a pena deixar ir os dedos por tão pouco? Note que se tratava já de um aviso quanto à miragem dos prémios europeus pela docilidade diante das amputações a que nos obrigassem. O nome da companhia não engana.

A Realeza e os outros

Ontem é que as coisas futebolísticas se revelaram nas dimensões devidas: o gigantismo da Águia, expresso não apenas no resultado com o seu opositor directo, como nos desfechos dos demais candidatos ao título. E foi também dia de viradeiras. Em confraternização com Amigos Benfiquistas, todos chegámos a descrer da vitória, quando o Boavista empatou; e nenhum acreditou no desastre portista, a partir dos dois a zero. Só o Sporting se portou como esperado.
No tocante à equipa de Jesualdo Ferreira é caso para dizer que, se teve o melhor começo da década e ganhou avanço ainda maior do que o do ano transacto, também começou a baquear muito mais cedo. E as equipas treinadas pelo actual técnico portista, a partir do momento em que se engasgam, costumam ter dificuldades em parar, nunca fazendo finais de campeonato comparáveis com os inícios. Neste ano o fantasma das equipas do Sul já começou a assombrar. Salvo o Sporting.

domingo, 11 de novembro de 2007

Exergar-me

Querida T, também por cá era o Menino Jesus o Patrono Natalício, sendo o Pai Natal denunciado, na minha extrema mocidade, como folclore pagão. A questão é que nunca presumiria de mim poder ser como o Salvador, enquanto que ainda não perdi a esperança de ser como este barbaças da Quadra...Este era o meu presente virtual para as Amigas do Queridos Gatos.

Restos de Vergonha

Foi 11 de Novembro, a data do Armistício que pôs termo à mais nefasta de todas as guerras, a Grande, de 1914-1918, que os Franceses escolheram para inaugurar a permanência cultual ao seu Soldado Desconhecido, aderindo à tradição das Ilhas Britânicas. Devo dizer que conhecendo os locais de homenagem correspondentes de Itália, Reino Unido e Portugal, se abstrairmos de serem ou não nossos os Caídos, julgo a mais tocante a da Abadia de Westminster, sem o triunfalismo francês, o cenário prejudicial italiano, ou a história triste da intervenção e importação da nossa Sala do Capítulo, na Batalha. Com efeito, a nossa participação europeia no conflito não se justificava e foi decidida por caciques jacobinos para prestigiarem um regime que bem precisava, não se importando com o sangue que derramariam, ou com a renitência dos Aliados em aceitar o irresponsável oferecimento em que insistiram.
Na altura da criação da homenagem ao Combatente, por cá, optou-se então pela originalidade de duas sepulturas, uma para um Desaparecido na frente europeia, outra para um da africana. Como que procurando contaminar de dignidade decisória de um sacrifício necessário à defesa de território a exigência irresponsável que levou a derramamento de sangue inútil para a Pátria.
Prestar culto á Sinédoque de um Homem que é, por sua vez, a de todos os Mortos no Conflito traduz-se nos restos de vergonha que fazem inclinar-se perante os Restos da Honra.

Sentidos da Economia

Bem me queria parecer que no meio de tanta papelada tinha a resposta a este conselho da T. Não me parece boa ideia propagandear cofres visando apenas a pequena poupança familiar. Há que ver mais longe, proteger o País contra os larápios e os incendiários, o que só se consegue quando Portugal voltar a ser uma indústria, coisa bem patente neste anúncio. Enquanto estivermos reduzidos ao Sector Terceário, damos corpo a um papel para queimar...

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A Festa e a Festança

A Cultura Popular sabe bem corrigir o que a sua experiência, numa primeira abordagem, fez ficar nas máximas para a posteridade ultrapassar com acerto as dificuldades da vida. É assim que a celebração de um período de fartura, tendo dado o conselho egoísta de gozar os frutos da Terra apenas com os do próprio lar, segundo a estrofe

No dia de São Martinho
Mata o porquinho
Abre o pipinho
Rebusca o soitinho
E põe-te de mal com o teu vizinho.

deu lugar às festas da Província, em Portugal, com as Beiras à cabeça, em que, muito pelo contrário, se juntam grandes grupos para a Festividade e, não contentes com tanto, ainda correm a fazer cascalheiras arregimentadoras pelas povoações fora. Passe a algazarra jocosa, é espírito muito mais coincidente com a mensagem de partilha que o Santo Bispo de Tours, honrado na data, nos legou, ao cortar parte da sua capa para com ela cobrir o Mendigo.
Gosto deste Santo ainda pela rejeição da recompensa material que lhe fora ofertada pelo valor militar. E pela opção por uma vida de eremita, não refugiada no solipsismo sistemático, mas em comunidade com outros eleitos que voluntariamente se sujeitaram à mesma regra. Afinal um pouco a antecipação do que uma roda da Blogosfera é.

sábado, 10 de novembro de 2007

Suspeito do Costume

10 de Novembro não pode passar sem que refira Claude Rains, nascido neste dia e mês. Ninguém pode reivindicar mais estar bem com Deus e com o Diabo, senão ele, que encarnou Ambos. Quem eram, com efeito, o Patrão do Anjo de «Here Comes Mr. Jordan» e o tentador de Muni em «Angel In My Shoulder»? Mas não pára por aqui a ambiguidade e o inesperado. Foi professor de Olivier e de Gielgud, sem que se tenha distinguido na tela em interpretações shakespeareanas, apesar de um César, contudo muito cinematográfico e nada devedor ao Bardo Inglês. Actor de palco com mérito, quem o recorda nessa vertente? Inglês até adquirir o passaporte americano, passará à História da Representação como insubstituível na pele do Comandante da Polícia de «Casablanca», no estereótipo de um Francês visto por olhos anglo-saxónicos.
E o Capitão Renault é o segredo da durabilidade de atracção do filme. Sem ele como contrapeso cairíamos na categoria do melodrama que, se deu obras sublimes, despertou também alergias consideráveis. Com o seu contributo, sentimos que o heroísmo está ao alcance dos menos talhados para heróis. Quem não se importar com os fins que determinam actos humanitários até nem poderá levar a mal a tentativa de obter favores de uma refugiada em desespero numa troca pela autorização de saída. A presença de espírito da resposta à ordem dos alemães de encerrar o bar do Rick, sob pretexto de se jogar, logo seguida da recepção dos seus ganhos conexos, estava meio perdoada pela assunção de ser um funcionário corrupto pobre. E ao dizer que Bogart é um romântico, sob a capa do cinismo, dá voz ao que todos queremos adivinhar, culminando na competência de matar o vilão para não turvar a limpidez do protagonista.
As interpretações da atracção, eventualmente do foro da sexualidade, por Rick, são esmiuçadas prospecções de críticos, não o que nós vemos. Nem o que queremos, que é compartilhar um pouco da escolha exemplar do que sacrifica o amor de Bergman. Somos afinal nós que ele faz prender.

Comunhão de Hábitos

Devo dizer que não gosto nem um bocadinho do costume de vestir as criancinhas com roupas conventuais para a cerimónia iniciática na Eucaristia. Tenho muito respeito pelos votos do Clero Regular para ver com bons olhos a apropriação das respectivas insígnias, numa espécie de carnaval, pouco compatível com a Dignidade da Ocasião. Acresce que se os uniformes de Frades e Freiras foram decalcados do trajar dos mendigos e das viúvas, com as renúncias à abundância e àquele amor correspondentes, esta usurpação de roupagens é execrável instigação a fingir-se superior ao que se é.
Na Família deste pirralho o entendimento dominante era contra. Mas houve uma lamentável cedência à choradeira da direcção do colégio onde andava, que achava muita graça à encenação. Razão abundante para não revelar a identidade do fedelho, assim irmanado a Teresa e Júlia...

Folhas Caídas

Aniversário de dois grandes inimigos da Pedra sobre a qual Jesus edificou a Sua Igreja. Maomé (570) e Lutero (1483). Curioso como a imagem de ambos tem vindo a ser promovida pela relação com o Livro, quando a acção de cada um deles contribuiu não pouco para a degradação de certos aspectos dele. Ao fundador do Islamismo não assacarei as responsabilidades que devem ser imputadas ao seu sucessor, Omar, do incêndio maior da maior das biliotecas antigas, a de Alexandria, por os volumes lá existentes serem contrários ao Alcorão, logo heréticos, ou conformes com ele, portanto supérfluos. Mas tenho de lembrar a confessada relutância em fazer leitura, que só a insistência angelical, depois de várias vezes contrariada, conseguiu vencer.

Da mesma forma, a principal oposição ao protestante não parece tanto dever incidir sobre a falta de escrúpulo na queima de obras contrárias, a tal que deu mau nome a todos os carvalhos; nem na monopolização da imprensa pela Bíblia e sermões de consequências menores, ao individualizar a relação com o Texto Sagrado, prescindindo das mediações interpretativas. É de realçar, isso sim, um paralelo com o que aconteceu com a privatização das estações televisivas do nosso tempo: ao despromover a teologia circulante das controvérsias eruditas arbitradas para o panfletarismo afrontante, procurou-se na popularidade o critério, com a inerente quebra de qualidade. Que demorou três séculos a ser ultrapassada.

Ai a Tola Paulo

É uma fotografia antiga de propaganda do Estoril? É um epígono do leão da MGM a anunciar o começo da grande fita que é a postagem diária? É uma nova versão do Barbas, o conhecido adepto do Benfica? É um Pai Natal antecipado, a rimar com as iluminações, que diz "presente" em vez de o dar?
Respostas de escolha múltipla:
a) Não, é o autor deste blogue, numa praia do Paredão, tempos atrás.

b) Tudo isso & algo mais.

Para fazer a vontade a uma Voz que vale por mil e o pediu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A História Numa Vida

Um Amigo meu, nascido alemão mas por cá radicado, casado e tendo criado descendência, lembrava o que a data do respectivo nascimento, ocorrida em dia sobre o qual passa mais um ano, tinha de transformadora na História do País de origem: Abdicação do Kaiser, com o fim do Império, golpe de Munique falhado que afastou Hitler de Ludendorf e o levou a teorizar o Nacional-Socialismo como o Mundo o conheceu, Noite de Cristal, com a escalada anti-semita, queda do Muro de Berlim.
Só tenho idade para recordar o último, aliás o único susceptível de ter sido assistido quase em directo pela televisão. E como recordo a alteração mais radical do mapa europeu em que crescera, começada no centro emblemático da Guerra Fria - e não nas periferias como a maior parte dos estrategas de trazer por casa da minha geração universitária se comprazia em papaguear, depois de todos termos lido «A Terceira Guerra Mundial», do General Hackett.
Esta capacidade de surpreender foi a diferença fundamental face aos outros acontecimentos. Com o armistício e a agitação interna todos viam que o Kaiser não se aguentaria. A radicalização partidária fornecia apostas seguras do extremar da ideologia, que não se coibiu de põr em livro o que foi simbolicamente começado em 1938, só surpreendendo os mais confiantes, infelizmente muitos, demasiados. A queda das pedras da Vergonha, essa, foi a razão dela para todos os analistas que se querem semi-profetas.
Ernst Jünger, quando avisado, disse que nunca esperara viver o suficiente para ver aquele dia. E ele fora dos que, como adulto testemunharam os quatro eventos.
Que haverá de transcendente na própria cacofonia que na nossa língua dá NOVE de NOVEmbro?

Estava na Cara

A Realidade é muito mais do que o estrito racionalismo permite apreender. Aqueles que pensariam impossível o caso do barbeiro argelino detido no Porto por suspeita de ligações a grupos terroristas, devido ao corte das barbas ser proscrito por essas filantrópicas associações fundamentalistas islâmicas, não tomou em consideração que tal só funciona nos respectivos países. Por cá a evidência a atentar era outra - a de que nos querem fazer a barba.

Elementar, Meu Caro Watson

Num requerimento que seria ingénuo, se não fosse a via forçosa para obrigar o Governo a dar respostas forçadas, Manuel Alegre pergunta o porquê da alteração que permitirá uma maior facilidade do provimento de cargos consulares pelos queridinhos do partido no Poder. É evidente: com uma maioria absoluta, o número de boys à procura de jobs cresceu de tal forma que é preciso um chamariz para os manter em obediência dócil. Nem se trata de lhos dar, apenas de agitar hopes ou expectations para a boy(z)ada, que os prestigiosos cargos, cada vez mais escassos, são poucos para tanta gentinha...


Aliás, num plano representativo ainda superior, a I República usou e abusou dos postos diplomáticos como recompensa política. Ao ponto de João Chagas, sendo-lhe prometida a Embaixada em Paris, confessar as suas ambições a Junqueiro: eu não vim para a República pela miséria de uma legação. Ao que o vate retorquira: perdão, Senhor Presidente. Mas não chegando Belém, pela Cidade-Luz se foi mantendo...

Conversa Em Família

Entretanto, a Prima Jessica resolveu mostrar como a Nancy é uma anjinha e dar razão a Inconscientes de Austeridade Jansenista que andam para aó a falar em "réprobos fetichistas"...

Para Não Dar Bota

Com Dorée se responde a diasquevoam.blogspot.com/2007/11/gato-e-castelo-sugerem-me-o-marqus-de.html
O Gato Calçado de Botas, de Stéphane Deleurande

Pois é, a T resolveu tocar numa das figuras que sempre me inspiraram, o Perraulteano Gato das Botas. Não só por ele estar trajado à maneira do Século XVII de que tanto gosto, fazendo lembrar os Mosqueteiros, mas por reduzir pela persuasão os inimigos à escala devida. Hoje, continuo a adorar gatos e a prezar certos efeitos das botas. Para sujeitos como eu é que Nancy Sinatra se fartou de repetir que aquelas eram para andar. Bah! Para isso prefiro as pernas, como julgo ter...

Espero que este Lhe desça pela chaminé.


quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Fogo no Gelo

Sem lá nunca haver posto os pés, sempre tive um fraco pela Finlândia, cuja composição homónima de Sibelius aqui se ouve. A bravura que fez suar o Exército Vermelho, a paixão pelo Atletismo, etc. e tal. Daí que mereça especial cuidado a abordagem dos tiros que emsombraram a tranquilidade de uma escola deste hoje pacato País. A informação sobre o autor é tão abundante como contraditória. O perpetrador da façanha é dado ora como um garoto normal, ora como um perigoso indivíduo associal, fanatizado pelo manejo de armas, ou ainda como uma vítima de assédios e outras malfeitoras de condiscípulos seus. A confusão habitual que revela a incapacidade coeva de explicar a violência adolescente em meios pouco propícios à vitimização da Juventude, a qual desenvolve uma insana obsessão de negar a tendência inata da adolescência para o Mal.
Interrogam-se agora as boas almas sobre o que pode ter falhado no sistema escolar que permitiu tal aberração. A ser verdade a admiração simultânea por Hitler e Estaline que o protagonista do caso nutriria, talvez a resposta devesse assentar nas cadeiras de História e de Introdução à Política, que não foram capazes de o instruir sobre a impossibilidade lógica de servir dois amos, nem de lhe revelar Calígula, Heliogábalo, Tamerlão ou a repressão da Vendeia, certamente exemplos do Passado muito mais adequados a inspirá-lo.
O facto de ter tirado uma licença e entrado num clube de armas também não abona grande coisa em favor da tese da associabilidade, muito melhor servida por em eventual adquirente ilegal de armamento, como de um auto-marginalizado em extremo a quem repugnasse pertencer a associações integradas.
O mal-estar vem todo, a meu ver, de o facto não ter ocorrido na sociedade Norte-Americana, tida por violenta e com episódios paralelos, de recorrência no mínimo sazonal. E, bem assim, da herança rousseauneana, que continua a comover-se com os estragos que considera a vida numa sociedade organizada provocar na inocência, se não do Homem, ao menos na juvenil. Sem abrir os olhos para o facto de que essa fase da vida é a mais perigosa por, justamente, ser aquela em que é mais fácil excepcionar-se da moralidade resultante da oposição entre o Bem e o seu contrário. E também a que desenvolve a sede de notoriedade a qualquer preço, o que a gabarolice postada no YouTube ajuda a confirmar. Mas a Comunidade, cega, encara sempre como "brincadeiras" qualquer aviso prévio destas tragédias.
Só espero não ter de ler, como no sucedido há dois anos num estabelecimento de ensino norte-americano, internautas solidários, dizendo que ninguém deve julgar o assassino e que ele tinha feito muito bem em cumprir o seu destino. Já chegou uma vez.

Nem Carne Nem Peixe

Já passou para os Media sem preço do nosso País, com um corte que altera, a norma da cidade de Liverpool, não se sabe se lei se lenda, que proibiria as práticas de topless, salvo em lojas que vendessem peixes tropicais. Dirão uns que será para permitir maior verismo na publicidade ao produto, mas quero crer que a razão se prenderá antes com a necessidade de que a falta de frescura de mercadorias deste género não possa ser disfarçada com paninhos que a escondam...

Títulos Que Enganam

Tivesse eu ficado pelas gordas e concluiria que um rebate de consciência do Inquilino de Belém o teria levado a estender a pedagogia institucional a preocupações museológicas. Afinal, é só o Autarca consciente do que um Grande da terra ainda pode fazer por ela. Contra os que lhe preferem eternizar a guerra. Há que ler sempre as letras miudinhas!