quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Uma Abertura

31 de Outubro foi também o dia em que conheceu o Mundo o génio russo/ucraniano do Xadrez Alekhine. Vários pontos de interesse me despertam a atenção a dedicar-lhe: a morte misteriosa ocorrida quase à porta de minha casa, numa fase da vida em que deambulações várias e a simpatia por Hitler fizeram desconfiar de trabalhinho sujo dos serviços secretos britânicos, em especulações ora investigatórias, ora ficcionadas. Também o facto de conhecer dois Netos de Xadrezistas que com ele terçaram armas, um dos quais Este Senhor, pelo que malevolamente ouso esperar que o presente postaleco o faça regressar às lides. E o génio, evidentemente.


O Mestre nosso compatriota que lhe ganhou descreveu, num romântico relato do feito, a noite que precedeu os lances decisivos, em que as peças transfiguradas pareciam, nas suas palavras, ter ganho vida própria e lhe escapavam ao controlo, obrigando a luta extenuante para os domar e à consequente perda do sono. Francisco Lupi - que Dele se trata - acrescenta como no final um dos seus peões ganhara asas e, escapando ao engenho do manobrador, travava luta directa com o Campeão do Mundo, levando-o à desistência. E como, saindo juntos, pairava no ar a incomodidade, até que, tendo entrado num café com música ao vivo, o Maestro, reconhecendo-o, fez tocar a música da canção eslava «Olhos Negros», coisa que teria libertado o Estrangeiro, o qual, depois de beber de um trago o conteúdo da chávena, proferira: Amargou-me tanto este café!
Talvez seja impossível a um grande jogador de Xadrez não se levar demasiado a sério.

8 comentários:

Anónimo disse...

Desculpe-me, Paulo, mas não resisto a
"vingar-me" daquela provocaçãozinha do outro dia: desta vez foram os sadinos que nos tiraram a passarada poluente do caminho :)
Fumemos o cachimbo da paz :)
Beijo

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
não há dúvida de que foi uma verdadeira noite de Bruxas o Halloween do bonfim
Beijinho

Terpsichore Diotima (lusitana combatente) disse...

Oh?

O Réprobo disse...

A exclamação da Musa visa...?
Beijinho

Capitão-Mor disse...

Um belo recuerdo das histórias de espionagem na Costa do Sol...
Abraço (secreto)!

O Réprobo disse...

Lrsboa-Estoril foi um paraíso das secretas, durante a 2ª guerra Mundial, Meu Caro Capitão-Mor. O cinema foi atrás, não inventou nada.
Abraço

Terpsichore Diotima (lusitana combatente) disse...

Era a Musa que não estava a perceber nadinha, caro Paulo... e queria perceber não fosse algo de absolutamente crucial escapar-lhe... :)

A metidiça perguntou.se...quais sadinos, qual passarada poluente? Qual noite de Bruxas do bonfim? Tudo coisas assolapantes ainda por cima terminasdas com um cachimbo da Paz. Ora ela não fumo mas cachimbos da Paz... muito se presta a Musa a tal roda!... ;)))

PS - Pensa-se que não, mas é um engano: a vida terrena é difícil e confusa do caraças :) para as Musas... :))

O Réprobo disse...

Querida Terp,
Divindades Inspiradoras e o baixo mundo da bola não coexistem no mesmo espaço, evidentemente. Está descansada quanto a pretensas essencialidades. A brincadeira em que a Cristina e eu nos entretivemos era da esfera de acessório.
Beijinho