sábado, 8 de dezembro de 2007

O Seu A Seu Dono

Venho desafiar todos os Amigos de Lisboa que condescendem em frequentar este blogue de reputação duvidosa para uma restauração. Não, sosseguem, não se trata ainda da Tal. Queria simplesmente devolver aos felinos o nome de um pedaço da Capital que lhes tiraram. De facto, onde é hoje a Praça Luís de Camões, situavam-se os célebres Casebres do Loreto, representados na gravura: restos do palácio Cantanhede-Marialva, junto aos quais existia a Travessa dos Gatos, desaparecida com a demolição. Urge repor a Legitimidade. Nem me importo que o nome vá contemplar a Calçada do Combro...Veja-se a importância do tema, nas palavras de Gustavo de Matos Sequeira e Luís Pastor de Macedo:
O gato em Lisboa é tanto da rua como o polícia do giro, o secante cauteleiro, o mendigo profissional ou a mulher da hortaliça. Faz parte do cenário ou da via pública. Ali toma as suas refeições quási sempre atiradas de um terceiro andar depois de cuidadosamente embrulhadas num Diário de Notícias ou num Século, ali faz regaladamente a sua soneca, ali se rebola na sornice das horas de calor, ali se cata ao sol, ali faz as suas declarações de amor às gatas de laçarote e guiso que nas casas abastadas do sítio vivem à lei da nobreza... Uma rua de Lisboa sem tarecos é com certeza uma rua que não é de Lisboa.

8 comentários:

Cristina Ribeiro disse...

Não sendo de Lisboa, "tenho nostalgia" da cidade que se adivinha nesse saboroso naco de prosa e na gravura que lhe è associada. Os lisboetas, e todos aqueles que aí vão, com maior ou menor frequência, merecem essa restauração(e se ela se estendesse ao resto do País, era ouro sobre azul)
Beijo

T disse...

Foi dos aspectos que apreciei em Itália: a quantidade de gatos e o seu ar bem tratado.
Em Lisboa é o contrário. Falta de uma política municipal em relação aos animais e total desprezo pelos seus direitos.
Houve tempo e penso que ainda é assim, que a par da carrinha de recolha de animais seguia a Policia Municipal, para evitar que a população maltratasse os funcionários encarregues dessa tarefa.
Reestruturar esta área, em parceria com as associações de voluntários desta área, seria um importante desafio para a CML. Tratar e esterilizar os animais, activar os equipamentos existentes, tanta tarefa para fazer..sem implicar milhões de euros.
Pronto, já escrevi a mais, bj

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
o texto dos Autores prossegue, referindo um aspecto que o Carlos Portugal escalpelizou, a propósito de Roma, o da utilidade no combate à rataria.
Minhota Ilustre que é, Sei-A tendo vivido uma temporada em Lisboa, pelo que a amizade que dedica à cidade tem uma legitimidade acrescida, não minorada. Urge homenagear as coisas que tornam melhores as nossas vidas, o que, ao menos desde a canção de Julie Andrews na «Música no Coração», sabemos também ser o caso dos bigodes dos bichanos.
Beijo

O Réprobo disse...

Querida T, nunca escreve demais. Podemos começar pela toponímia, não? Um nome entrado diariamente no ouvido do passante, desde que não seja de político, pode bem aumentar a vocação para o afecto ou a consciência da importância do nomeado.
Bjinho

T disse...

Escrevo demais sim. Olhe a caixa dos bês.
Bj

O Réprobo disse...

Eufórica!
Bj.

T disse...

Eufórica eu?
Agora rosnei.
Bj.

O Réprobo disse...

Era a caixa. Ronrone, S. f. f.
Bj.