segunda-feira, 7 de julho de 2008

Amores Forçados

O Rapto das Sabinas de Luca GiordanoEste inquérito pode ter sido feito com muita competência científica no tratamento de dados, mas, pelos factos de natureza muito diferente que inclui é uma salsada enganadora. Com efeito, colocar na mesma investigação ofensas corporais graves e simples elementos do jogo do namoro é ser tão mais papista que os papas - que são o duo de cada relação -, que me faz pensar se quem o realizou ainda se lembra dos amores juvenis.
Outra coisa, e a que merece comentário, é a aproximação de casamento e namoro. Numa dupla focagem:
- acreditar que não pode haver violação entre namorados corresponde não só a uma imperativa mudança da concepção do relacionamento, que implica... hã... prestações que, dantes, em muitos casos, eram deixadas para mais tarde, como resulta da indiferenciação progressiva entre o matrimónio e a informalidade. No sentido em que o debitum conjugalis, que inviabiliza que aquele que possui o outro contra vontade seja um violador, se estende agora a relações sem papel passado.
- o que generaliza algum dramatismo próprio dos divórcios a associações que nele não se incluem. Cada vez menos a noção de que os namoros se fazem e desfazem está mais fora de moda, nos casos em que já se foi bastante fundo. Com toda a consequente disposição ao sacrifício que outrora era muito mais vulgar no himeneu.

2 comentários:

Rudolfo Moreira disse...

Mas há namoros frequentemente em estratos culturais mais rudes em que acabar é mais difícil que num casamento com perseguição e ameaças do que não decidiu o fim.

O Réprobo disse...

Não sendo o caso dos inquiridos, Caro Rudolfo, que, pelo contrário, desdramatizaram perante os inquiridores.
Ab.