quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fazer Ondas

Não deixa de ser curioso que gente tão predisposta a rebelar-se contra o consumo aceite fazer macacadas de rua, consumindo um produto pouquíssimo duradouro como é um programa de rádio. A busca de uma voz do dono que determine por controle remoto o que os ouvintes façam, com a adrenalina de participar numa "revolução" é ironia suprema, se pensarmos que corresponde ao infantilismo de acreditar manter o controlo sobre o aparelho, enquanto se entrega a direcção do um ser humano que o poderia desligar ou mudar de canal ao Éter. A brincadeira de ontem na Baixa podia ser simplesmente uma palhaçada, caso não fosse ilustrativa dos condicionamentos de uma época. Mais perigosos e espalhados, porque mais subtis. Mas a transigência expressa na hipotecação da vontade está todinha lá.

8 comentários:

Once disse...

valeu o abraço ainda que desconfie da intenção .. ;)

quem sabe isto não tem um objectivo escondido de controlar o futuro que se prevê .. revolto?

O Réprobo disse...

Querida Once, somos dois, não há intenções grátis,é ainda pior do que com os almoços...
Embora existam muitas atitudes gratuitas, já se sabe.

a minha convicção é que já estamos no Futuro, quanto ao controlo. No resto, é um misto de revolta(gem) caviar com gregarismo sem crivo, numa metropolitana epidemia de desespero perante a solidão.
Beijinho

Once disse...

"metropolitana epidemia .." caramba! Como tem razão ..

Luísa disse...

Nas pessoas (inocentes) deve ter havido apenas o espírito de alinhar numa brincadeira. Sem consciência, embora, do ridículo, o que é lamentável. Mas nos organizadores houve, certamente, a intenção de testar o seu poder manipulativo. Resta-nos saber quantos terão recusado participar. Espero que muitos! :-)

Cristina Ribeiro disse...

Perante isto, só posso dizer :Meu Deus, para onde é que vamos? Robots?

O Réprobo disse...

Querida Once,
há que proceder a vacinação!
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Luísa,
quanto à primeira parte, também desejei acreditar nisso, até ver as declarações televisivas de alguns dos participantes. Aí, a coisa pareceu-me mais séria, com a crença de uma libertação do Consumo que, evidentemente, não se consegue com tais demonstrações, mas por reformulações pessoais do estilo de vida.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
não tenho dúvida, como a Luísa desmascara, de que é o que pretendem os que têm na mão os comandos.
Beijo