sábado, 12 de julho de 2008

Palavras Para Quê?

Silêncio de Chassériau Théodore

Acordo doente e passo os olhos por livro que tinha como mais adiável. Colho, porém, um texto que me deixa em incómodo maior - o que me diz da existência, em Paris, na viragem do Século XIX para o XX, de um clube, fundado e presidido por um voluntário da guerra contra índios americanos a quem estes tinham cortado a língua, o qual só aceitava como outros associados surdos-mudos e proibia os criados de articularem palavra, sendo a comunicação com eles feita por um aparelho electrónico e entre os membros assegurada por gestos.
Que terrível revolta não evidencia, cercando-se de aflitos de desgraça maior e impondo-se como único vigilante possível das infracções à regra dos empregados! Não será uma ilusão, ter perdido um dom não será mais terrível do que não tê-lo conhecido? Ao estabelecer uma ordem e linguagem substitutivas esterilizou também o absurdo concebível como a mais radical das recusas. Porque, como Camus ensinou, a única atitude coerente fundada na não-significação é o silêncio, se esse silêncio, por seu turno, não significa. E este fá-lo. E fala.

4 comentários:

fugidia disse...

Hum... doente... e ainda se põe a ler destas coisas?!
Ai Rép, Rép, tenho que dizer ao Mike para o levar ao mar fazer bodyboard de vez em quando... apanhar vento, sol e gastar energias, muitas!!!
(risos abafados)
:-)
:-)
:-)
Beijinhos de melhoras.

Júlia Moura Lopes disse...

beijinho, Paulo!

espero qque não seja nada de grave e que adormeça sentindo-se melhor...

O Réprobo disse...

Querida Fugidia,
eu não sou como muitos compatriotas, sempre dispostos a gastar o que não têm. E ontem não podia com uma gata pelo rabo.
Deve ter sido da Satta da véspera.
Mas obrigado pelo cuidado.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Júlia,
foi uma constipação agravada, com uma febrita e um sinal desagradável no fígado.
Mas hoje tudo vai melhor.
Beijinho grato