quinta-feira, 10 de julho de 2008

Aquela Máquina!

A Justiça do Dinheiro de Bruno Budrovic

Confesso que não era bem isto que tinha em mente quando encorajava todos a lutarem contra a influência do Dinheiro na aplicação da Justiça. O acontecimento, entretanto, merece um comentário, para lá do necessário lamento de desprotecção dos tribunais. Instalar máquinas multibanco no forum de que a Justiça se propõe irradiar tem um efeito psicológoco contraproducente, pois retira toda a atmosfera sacral e de temor que faz gerar o respeito nos muitos espíritos de formação menos rigorosa. Ter ali à mão, para simplificar, a caixita onde se levantam as notas é colocar uma ideclinável função do Estado ao nível de qualquer supermercado. Há pagamentos de custas e outros conexos a realizar lá? Pois com certeza, mas deve obrigar-se o vulgo a ter diante dos olhos a comparência perante o Julgador como algo suficientemente importante para ser obrigado a empreender previamente as preparações necessárias para o efeito. Como o formalismo no trajo deveria ser garantido. Já não digo as vestes negras em sinal de respeito que ainda eram de uso o tempo dos meus Avós. Mas a gravatinha para os homens, os ombros cobertos para as Senhoras e uniforme prisional para essa categoria híbrida que são os encarcerados deveriam ser norma. Contra as facilidades que vulnerabilizam os incómodos são a melhor das taxas moderadoras.

4 comentários:

Luísa disse...

Tem toda a razão, meu caro Réprobo. Essas máquinas poderiam até ser instaladas ao virar da esquina. Mas dentro do tribunal, retiram, sem dúvida, muita dignidade ao espaço e à função. Como seria se as metessem dentro das Igrejas? Quanto a vestuário, o respeito vê-se pelo formalismo e pela cerimónia, tal como o formalismo e a cerimónia incutem respeito. Não posso estar mais de acordo consigo. :-)

Júlia Moura Lopes disse...

também concordo, fiquei estupfacta...

O Réprobo disse...

Querida Luísa,
penso que estas coisas entranham de tal forma no inconsciente das pessoas que podem, nos terrenos desonestos, semear a falta de reverência que, no limite, pode conduzir ao roubo. Além de que se ela não estivesse lá, seria impossível assaltá-la num tribunal, perdoe-me a palissade.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Júlia,
espancamentos após perseguições em esquadra, com um solitário polícia a ver, roubos nos tribunais... como é diferente a Autoridade em Portugal!
Ass. Paulo, Cardeal
Beijinho