terça-feira, 17 de julho de 2007

Economia Processual

Imagem veiculadora de ódio racial, segundo os censores britânicos.
Temendo que as populações de origem africana se ofendessem com a venda do «Tintim no Congo», revelaram-se as autoridades anglo-saxónicas supervisoras destas coisas como empedernidas racistas: acreditar que os pretensamente protegidos se ofendessem com tão pouco é mostrar a fraca conta em que têm os respectivos cérebros. Além do mais, uma confissão de falhanço das virtudes do Liberalismo - se a coisa fosse tão ofensiva, decerto todos os negros e os brancos sensíveis deixariam de comprar os volumes, sem ser precisa intervenção alguma. Finalmente, remeter um dos primeiros títulos da série, com argumento rudimentar e traço infantil para a prateleira dos adultos é elucidativo quanto à acuidade do espírito crítico daquela gente.
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A Ministra da Economia da argentina Miceli demitiu-se, na sequência do achado pelos investigadores de uma soma considerável de dinheiro com cintas do Banco Nacional na casa de banho do seu escritório. A velha tese de que as Mulheres são menos corruptíveis do que os Homens não é para aqui chamada, porque se está a falar de um outro género, o dos políticos em regimes de eleições. A comunidade de interesses esbate-lhes as características de base e deve trazer-nos percentagem de corruptos aproximando-se, em ambos os casos. O que interessa concluir é que o toilette está para estas damas como a garagem para os cavalheiros equiparados. Que o "irmão" da visada faz lembrar o sobrinho do Dr. Isaltino. E que a demissionária se poderia ter justificado, dizendo querer tomar contacto com a realidade palpável que tutelava, ou acompanhar de perto a pasta, para o que se haveria proposto seguir o exemplo desse irrecusável perito que é o Tio Patinhas...
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A pobrezinha da Kate Winslet vai ser despedida por a sua empregadora, a L´Oreal, ter sido considerada culpada de só contratar modelos brancos! Que grande crime! Sabendo-se que a maio parte das pinturas capilare são no sentido de aclarar, algo me diz que é uma tentativa de os rivais da marca frustrarem a publicidade da concorrente, obrigando-a a associar-se a cabelos que seduzam menos público. Liberdade de mercado? Esqueçam. Prevejo um futuro negro aos produtos de beleza capilar.
Disclaimer: não utilizo produtos da marca posta no pelourinho e a única pessoa que emprego, nas tarefas domésticas, é Guineense.

4 comentários:

T disse...

Li no Le Monde que as loiras naturais estavam em extinção.Mas afinal o artificial não transforma o real? Acho bonita a Winslet e sou isenta na questão desse achar.
Quanto à corrupção, não conhece credo nem sexo,isso sabemos nós, beijinho:)

a voz disse...

Cada vez mais estamos perto do '1984' de Orwell.

Abraço.
M

O Réprobo disse...

Querida T,
talvez seja essa raridade progressiva que leva à maior procura, segundo as leis do mercado. O que ainda torna mais disparatada a injunção de emprego-multi-racial. Por falar nisso, ao escrever o post esqueci-me do Jardineiro, que é português e me deixa assim numa invejável condição paritária.
Quanto à corruptibilidade, o Prof. Marcelo já teve ocasião de se fazer eco, por cá, da teoria de que as Senhoras lhe são mais imunes, à corruptibilidade, precise-se. Volto a dizer, um polítco em sistemas eleiçoeiros não tem diferenças cromossomáticas. E quando se esquece disso salta para as páginas dos jornais, metido nalgum escândalo.
Beijinho

O Réprobo disse...

Mas sublinhado por um inegável carácter acéfalo, Caro Mário.
Abraço