quinta-feira, 26 de julho de 2007

Na Feira dos Mitos

Passagem dos olhos por esta aquisição na Feira do Livro de Cascais, que Domingo entregaria a alma ao Criador, caso estivesse no número os que a possuem. O critério é lato e abrange realidade maior da que o título propõe. Como os diversos capítulos têm de abordar em curto espaço realidades vastas, vale sobretudo por fazer as vezes de índice temático remissivo para quem queira aprofundar estudos sobre algum dos objectos referidos sumariamente. Quanto a Portugal, tem a particularidade de referir conglomerações Nacionalistas mais ou menos revolucionárias, universitárias e reunidas em torno de periódicos, que não se encontram suficientemente estudadas no próprio País. Movimento Jovem Portugal, Frente de Estudantes Nacionalistas, Frente Nacional Revolucionária e as publicações Agora e Resistência são mais do que sinteticamente referidas, em tom que não excede o de aperitivo. Mais detença - alguns parágrafos - merece a Tempo Presente, embora seja dada como "neo-fascista", mais resolutamente do que conviria, em função de uma declaração de influência sofrida. Percebe-se o ponto de vista dos Autores, ancorado na acentuação dos traços dinâmicos não-oficialistas do grupo, mas parece ligeira a designação. O próprio Pacheco Pereira, quando a citou no conhecido blogue que mantém, referiu-se-lhe com um cauteloso e salvador "quase-fascista". Assim como parece ser ignorada neste confronto a vertente modernista da política cultural do Estado Novo. Fez-me lamentar que não haja memórias pormenorizadas dos Colaboradores da revista, acerca da sua génese e desenvolvimento. De resto, informação básica pontuada por gralhas, fatais porque repetidas, tais como a referência a "Alpoim Galvão". Muito introdutório, conclua-se.

4 comentários:

Cristina Ribeiro disse...

Só agora reparei que o Aviso do cantinho vai rodando.

Pois...

O Réprobo disse...

Às Quintas-Feiras, Observadora Cristina.
Beijo

José Carlos disse...

Meu caro:
Prepare-se que vai sair em breve um notável estudo de um jovem investigador italiano (tese de mestrado) sobre os movimentos de que fala e outros menos conhecidos desde 1945 a 1974.
Já li grande número de capítulos e pude ajudar naquilo que é do meu conhecimento directo (e só directo). Do resto apesar de ter informações em 2ª mão diferentes nem sequer ousei corrigir fosse o que fosse.
Já há uma editora portuguesa disposta a publicar a tradução logo que a tese seja editada em Itália.
E olhem que vai valer a pena. Depois e quando sair eu conto mais umas coisas do que lá vem escrito.
O acervo documental (obtido pelo italiano) é notável e baseia-se não só em entrevistas, documentos dos "velhinhos", mas também nos arquivos Salazar, PIDE, João Ameal, Pimenta, Amândio César etc...

O Réprobo disse...

Meu Caro José Carlos,
que bela notícia me dá! E fico ansioso, à espera do respectivo complemento, pela Sua pena ilustre. Sempre me fez espécie que tanta gente se tivesse dedicado a estudar o Nacional-Sindicalismo chefiado por Rolão Preto e fossem deixados os gregarismos intelectuais mais tardios sem abordagem que se visse.
Mas mais vale tarde do que nunca! Grande abraço