quarta-feira, 18 de julho de 2007

Multi-Usos

O Espião de C. Vinney
Não é preciso ter grande olho para se notar que um espião é um pouco como um canivete suíço, com grande número de utilidades. Se, ainda por descobrir, serve para informar, uma vez revelado é bom para afirmações internacionais. Assim se explica toda esta enjoativa conversa e tensão diplomática entre Reino Unido e Rússia. Fora do tempo apropriado há consenso tácito de que matar um agente disposto a trair faz parte da profissão e que dele os patrões esperariam outro tanto, se necessário. Quando porém se quer encostar às cordas um governo, para lhe reduzir o espaço de manobra diplomática, uma execução feita em território estrangeiro, com a ilegalidade inerente, é prenda caída do céu. E se um chefe de governo novato pode explorar tal filão para mostrar garra e cavalgar a opinião pública, sempre contrária a intervenções estrangeiras no território nacional, tanto melhor. A exibição de força de Gordon Brown no caso Litvinenko, com expulsão de diplomatas à mistura, serve ambas as conveniências. Por que não, da respectiva óptica, explorar as costas largas de Putin?

8 comentários:

Carlos Portugal disse...

Caríssimo Amigo:

Estou plenamente de acordo consigo. Na verdade, sempre existiu - pelo menos desde a 2ª Guerra Mundial, um acordo tácito quanto à sorte dos espiões desertores. Normalmente, os governos deixavam que fossem os próprios serviços secretos do país a que o desertor pertencesse a fazerem o «trabalho sujo» de o liquidarem, depois de ter sido ultrapassada a sua «utilidade». Porque quem trai uma vez, pode trair segunda.

Assim, todo o caso do espião russo desertor que foi «morto» (nem sequer estou convencido disso) e do «chinfrim» feito pelos britânicos em redor do caso, não passam de pura hipocrisia - ridícula, ainda por cima.

Tem o meu Caríssimo Amigo razão em escrever que Putin tem as costas largas. Posso não ter grande simpatia pelo homem, mas ao menos não pertence aos Bilderbergers, e isso diz tudo.

Um grande abraço.

Terpsichore E. M. disse...

Quem é C.Vinney? -e, caro Paulo, posso por acaso saber que magia é que estudou?
Muito obrigada.

O Réprobo disse...

Eu, Caro Carlos Portugal, até simpatizo com o Homem, tive mesmo, na casa antiga, uma discordância amiga a propósito, com o F.Santos. Ter mão naquele país é uma tarefa quase tão difícil como manter a sobriedade com aquele poder todo, não falando já na outra, a tout cour. Lembra-Se do falecdo Yeltsin?
E as vítimas que lhe apontam parecem-me amplamente merecedoras desse estatuto: um espião traidor, uma jornalista que disse coisas horrendas dos combatentes no Cáucaso, não só da hierarquia militar, como do comum soldado, um milionário mafioso, gestor de gangsters e com quem muito boa gente tinha deixado de negociar...
Abraço

O Réprobo disse...

Excelsa Terpsichore,
1- a quem cabe a autoria do quadro, não tenho muitos pormenores para Lhe dar.
2- Se se refere ao post abaixo, eu não estudei qualquer modalidade dla. Mas o vulto apontado andou a ensaiar-se na que se vira contra os aprendizes de feiticeiros... e esperemos que assim continue.
Beijo

Carlos Portugal disse...

Tem razão, Caríssimo Amigo. Apenas escrevi que não simpatizo muito com o homem por ele ter sido KGB, ou seja, um espião (poderia ter sido da CIA, do NSA, do MI5, do MI6, da Sureté, do SID ou do SIS, seria a mesma coisa). E não aprecio muito espiões. Só por isso. E que é preciso muito pulso para controlar um país daqueles, com todas as manobras desestabilizantes vindas do exterior e dos interesses instalados interiores, lá isso é.

E, como lhe disse, o facto do homem não ser dos malfadados Bilderbergers já é um forte motivo de simpatia.

Abraço.

Terpsichore E. M. disse...

Tenho que passar por cima de umas graças...devido ao tempo.
Não, referia-me antes a... tanto saber...
- e acrescentado não só mas também dessa capacidade misteriosa de desencantar sempre imagens e pinturas referentes...

O Réprobo disse...

Caríssimo Carlos Portugal,
sem dúvida, essa quase heterooxia, considerando o panorama governamental de hoje, é de prezar. Quanto à proveniência dos serviços de inteligência, por muitos pés atrás que nos deixem, é capaz de ter sido a morte do outro artista: às razões gerais somou-se a incapacidade de perdoar um colega que infringiu a ética profissional...
Abraço

O Réprobo disse...

Inebriante Terpsichore,
saber nenhum, somente alguns fogachos inspirados pelas Divindades que visitam.
De resto, nada que a net e uma bibliotecazita não facultem.
Beijo