terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Protecção dos Animais

São Vicente por Escher

No dia do Patrono de Lisboa não posso ver uma melhor homenagem do que postar o modo como Escher viu esse Episódio Hagiográfico, com a defesa expressa no título a ser dispensada não em prol das outras criaturas de Deus, mas por uma delas, o corvo que o Artista destacou, protegendo o Cadáver do Mártir de ser devorado pelas feras, conforme ordenado por Daciano. O próprio branco e preto, sublinhando a cor da ave agigantada e vencedora de poderes maiores é sugestivo.
Santo Agostinho celebrou na Palma do desafiante Santo oito vitórias: em palavras, em penas, em confissão, em tribulações, queimado, afogado, vivo e morto, tudo por desprezo deste Mundo, em exclusiva Confiança no outro.
Essa era a Esperança que Péguy dava como a mais difícil das Virtudes Teologais. Não as pequeninas deste mundo. Para o terreno, Alexander Pope acrescentara às Oito Beatitudes:
"Abençoado o homem que nada espera, pois ele não será desapontado" foi a nona Beatitude que um homem de espírito (o qual como homem de espírito passou largo tempo na cadeia) acrescentou às oito.
Donde, teremos de considerar a pertinência do título deste postal numa outra leitura: a do esforço de fugir ao perigo de muito bípede que não imagina a besta que é.

6 comentários:

cristina ribeiro disse...

É bem como diz, meu caro; a bestialidade encontra-se tão disseminada entre a nossa espécie, pelo que, demasiadas vezes, o ser humano fica muito mal, na hora de avaliar da superioridade que seria desejável...
S.Francisco sabia disso, e tratava-os como o que são: " as outras criaturas de Deus".

Rudolfo Moreira disse...

O preto e branco dificulta um bocadinho. Tive de ampliar a imagem para perceber o corvo.

Anónimo disse...

Interessantissimo PCunhaPorto o seu texto.
Ja vi o post que está na VozPortalegrense?

Cumprimentos

AnaMaria

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
é, o animal dominador da Terra, em vez de encarar como maior responsabilidade a posse do Livre Arbítrio, encarou-a como ima licença para a maldade sobre as outras espécies, não vislumbrando que assim transformava o que julga uma superioridade numa agravante.
Beijo

O Réprobo disse...

Achei o enquadramento lateral melhor, Caro Rudolfo. Nada que um clic não resolva, como muito bem disse.
Abraço

O Réprobo disse...

Muito obrigado, Ana Maria. O tema é que encerra grandes virtualidades, claro está.

Ainda não. Vou já ver.
Muitos e mais veementes