sexta-feira, 20 de junho de 2008

A Bíblia e as Gralhas

Com a Reforma de Lutero a Bíblia veio a ser feita em língua vulgar e viu crescer a cifra dos volumes postos a circular de forma a não se poder evitar certos erros no texto impresso, uns por vontade, outros não. Parece ter sido inadvertidamente que saiu a omissão do not no sétimo mandamento, durante o reinado de Carlos I, fazendo correr a consequente incitação o adultério. O caso resolveu-se com uma multa pesadíssima e apreensão de todos os exemplares que se conseguiu apanhar da que veio a ser conhecida como Wicked Bible, mas seria interessante saber mais da vida particular do impressor e se não se trataria de um acto falhado que exprimisse a respectiva preocupação com culpas no cartório...
Já parece não haver dúvida de que foi um protesto consciente que levou a Mulher de um dos primeiros mestres da Imprensa alemã dos primórdios, insatisfeita com a ordem de Deus a Eva contida em Genesis 31, 16, fazendo-a aproveitar uma distracção marital para alterar a palavra Herr para Narr, transformando a submissão contida em Ele será o teu senhor num muito realista Ele será o teu joguete, acepção que a História confirmou ao longo de séculos. No entanto, as feministas são hostis a este episódio inconformista, porque nunca aceitaram a supremacia que as demais Senhoras souberam exercer, apenas reconhecem "libertações" no progressivo aumento da semelhança com o homem. O que transforma essa parte do Belo Sexo num espantalho, semelhante ao de A Mulher e o Fantoche, de Maud Fily, que se dá em ilustração.

10 comentários:

cristina ribeiro disse...

Também aqui podemos dizer que umas são mais gralhas do que outras :)
Beijo

Francisco Castelo Branco disse...

Ola! Vi o seu blogue e gostei bastante. Tem muito conteudo e bastante interesse......
Tenho um blogue . É www.olhardireito.blogspot.com ..... Gostava que o visitasse e desse uma opinião....

Obrigado pela atençao

Cumprimentos

O Réprobo disse...

Ehehehehe,
Querida Cristina, é conforme as asas que têm para voar...
Beijo

O Réprobo disse...

Meu Caro Francisco Castelo Branco,
muito obrigado pela visita e palavras amáveis. Volte sempre!. Mais logo não deixarei de Lhe"bater à porta", com todo o gosto.
Abraço

Rudolfo Moreira disse...

S. Acabam por ser as duas favoráveis ao adultério.

Luís Bonifácio disse...

A tradução da biblia deve ter tido "gralhas" e "omissões", mas também teve "invenções".

Porque estando eu a passear por Israel, constatei com alguma surpresa que....

Não crescem maçâs na terra santa.

O Réprobo disse...

Meu Caro Rudolfo Moreira,
na medida em que joguete seja tido como brinquedo abusado, sem dúvida que não estará isento dessa interpretação. Mas creio que a amplitude do significado da truncagem é mais lato.
Abraço

O Réprobo disse...

Meu Caro Luís Bonifácio,
embora de invenções estejam mais as interpretações cheias. Como sabe, em lugar algum do Genesis se refere a maçã, é sempre "fruto proibido" aquele de que se fala. Os eruditos ociosos nunca concordaram universalmente em qual seria. Muito se defendeu a uva, a espiga, o figo, algum citrino e a romã. E um estudioso sacro português, como já dei notícia, garantiu que só se podia tratar da... banana. A maçã ganhou a corrida por ser um símbolo hebraico tradicional da sexualidade, desde que a Rainha de Sabá levou umas quantas que mandou colher nas margens do Eufrates para dar a Salomão, com quem terá feito umas acrobacias saborosas. E isso caiu que nem ginjas na simbólica da sexualidade que a partir da Queda fora instituída. O resto veio com a Renascença, assumindo-se que a Terra era redonda, o formato ajudava. Eu ainda desconfio de outra ajuda - a de fazer coincidir com o pormenor anatómico a que se dera o nome de maçã de Adão.

Tudo isto é especulação atraente mas supérflua. Para além de a Geografia Sacra localizar o Eden para os lados da Mesopotâmia e não na Palestina ou imediações, como terá presente.
Abraço

Luís Bonifácio disse...

Ou mais provavelmente porque quem traduziu a bíblia, de frutos, apenas conhecia a maçã.

O Réprobo disse...

Meu Caro Luís Bonifácio,
talvez mais quem comentou, já que as traduções autorizadas não nomearam o fruto.
Como os exegetas eram eruditos com grande arcaboiço nas línguas e História Clássicas, é possível que tenham visto vantagem em associar elementos negativos - o pomo da discórdia que, pelo juízo de Páris, veio a dar a Guerra de Tróia e a Expulsão do Paraíso.
Abraço