sábado, 21 de junho de 2008

Uma Vez Só Não Basta?

Sempre fui hostil à ideia de Reencarnação. Não tanto por temer a justiça ao modo de cá se fazem, cá se pagam, mas porque nunca gostei de trabalhos de grupo, a começar pela escola. E o mesmo ser vital espalhado por várias concretizações, se abstrairmos das compartimentações temporais, é isso mesmo. Além de que, se consigo carregar culpas extra-pessoais, quando decorrentes da Condição da Espécie, o que é formulado imageticamente pelo conceito de Pecado Original, já me pareceria uma injustiça cósmica sobrecarregar um indivíduo com o peso do que historicamente foi atribuído a outro. Além de que detesto segundas oportunidades.
Tendo noção das referidas desconfianças, uma Querida Amiga enviou-me esta ligação a página que, além de nos dizer coisas mais conhecidas sobre o nascimento, nos apresenta a quem teríamos sido na outra vida. Faculto o meu resultado, por baixo da pintura.

Reincarnação de Anya RubinDiagnóstico de su vida pasada:
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No sé si le parecerá bien o no, pero usted era hombre en su última encarnación terrena. usted nació en algún lugar del territorio que hoy es Norte de Latinoamérica en torno al año 950. Su profesión era artista, músico, poeta o danzante litúrgico.
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Un breve perfil psicológico de su vida pasada: :
Siempre le gustó viajar e investigar. Podría haber sido un detective o un espía.
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La lección que su vida pasada le ha dado para la encarnación actual :
Debe desarrollar su talento para el amor, la felicidad y el entusiasmo, y debe distribuir esos sentimientos a todos los demás.
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¿Recuerda ahora?
Homem? A Oeste nada de novo! Artista? Se plástico, estou bem castigado por esses laivos de superioridade, veja-se as minhas notas liceais a Desenho. Músico? Ai, a segunda via não me permite distinguir duas notas e só me atrevo a cantar no duche! Dançante litúrgico? Nunca fui bom a dar baile, salvo em sentido figurado. Mas espera, a liturgia pode envolver um factor sacrificial: está encontrado o sentido para os tormentos infligidos a pés de parceiras, nos slows da Mocidade.
Detective ou espião? Claro, que é a net senão reabilitar a bisbilhotice?
Da lição não falo. Em que raio me distingue ela? Mas é bom saber que ainda há quem me não considere peculiar ao ponto de desumano.

19 comentários:

Luísa disse...

Meu caro Réprobo, vejo que não comenta as hipóteses do tempo (ano de 950) e do espaço (Norte da América Latina), nem a condição de poeta. Identifica-se com elas? Talvez não o visse na América Latina, mas quem vejo eu nessa zona, naquela época?
A reencarnação? Talvez, no sentido muito amplo, compreendido na ideia de que nada se perde e tudo se transforma. Mas o meu veemente protesto vai para a sua aversão a segundas oportunidades. Porquê? :-)

O Réprobo disse...

Pois, Querida Luísa,
achei que o local se encontrava justificado pela característica atribuída de "gostar de viajar". E o lapso temporal dilatado pela minha lentidão inata em se tratando de re-agir. Poeta? Como de médico e louco, todos nós...

O busílis está nas segundas oportunidades. E aí não peço compreensão, mas toda a Grandeza do Homem vejo-a no risco sem amortecedores que uma só chance comporta. O verso eliotiano de Prufrock, que fala na pena que teria valido comprimir o mundo numa bola e...
Mas para isso, como para não nos aburguesarmos em demasia, convém que não nos tentemos revestir da fatiota protectora das novas tentativas. Só assim jogarmo-nos pode ter algum significado que supere o bocejo ou um pequeno almoço quotidiano.
Beijinho

ana v. disse...

Eu, que ia fazer coro com a Luísa no protesto às segundas oportunidades, sucumbi de repente a tão brilhante argumentação! Não estou inteiramente convencida da justiça dessa tese, mas lá que é mais poética e nada burguesa, lá isso...

E parece que não foi completamente descabido eu tê-lo apelidado de Diácono Remédios, caríssimo dançante litúrgico mexicano! O que eu já me ri a imaginá-lo ataviado naqueles trajes pré-colombianos, a fazer danças místicas para pedir chuva... LOL

Beijinho, Pablo de los Remedios!

Rudolfo Moreira disse...

S. Espião é impossível porque precisa de jeito para passar despercebido. O verso de Eliot dizia respeito à hesitação perante o risco o que é um pouco diferente.

Carlos Portugal disse...

Caríssimo Amigo:

Embora não partilhe da sua aversão à reencarnação (devida, possivelmente a uma vida anterior pesada, que se reflecte ainda agora, perdoe-me a franqueza, mas comigo passa-se o mesmo), o site referido pela sua Amiga é, digamos, risível (que ela me perdoe). Para fazer astrologia cármica, seria preciso não só a data de nascimento, como a hora, com precisão ao minuto (mais de dez minutos e o erro é muito grande) e as coordenadas do local de nascimento. Também é necessário efectuar várias correcções devidas a diferenças de calendários.

Agora, um site que apenas pede a data de nascimento, indo depois, por um motor de busca aleatória, pescar a uma base de dados uma inanidade qualquer, dá vontade de rir. É bom apenas para aquelas hediondas revistas tipo Hola, que se encontram em profusão nos consultórios médicos e - ao que me dizem - nos cabeleireiros.

De qualquer modo, há já cá em Portugal vários psicólogos clínicos com autorização da Ordem dos Médicos para efectuarem «regressões a outras vivências», para não utilizarem o termo reencarnação.

Esta também vem citada no Novo Testamento, principalmente no Evangelho de S. João.

Não é assunto que me incomode, nem o acho descabido, uma vez que já assisti a algumas sessões de terapia - por esses psicólogos - a amigas e amigos meus em que os resultados (não a curiosidade) foram bastante espantosos. Muito superiores aos de uma psicoterapia convencional.

De qualquer modo, a ideia de ver o meu Caríssimo Amigo como Xamã pre-colombiano é curiosíssima (embora de todo inverosímil)! Só que a Cara Ana nunca o deveria apelidar numa língua que só aportou àquelas paragens pelos finais do Século XVI...

Grande abraço deste seu amigo que ainda está a colher carma de alguma patifaria feita no passado... Sabe-se lá!

mike disse...

Pois meu caro R�probo, diz-se que noutra vida eu fui assim:

No s� si le parecer� bien o no, pero usted era males en su �ltima encarnaci�n terrena. usted naci� en alg�n lugar del territorio que hoy es Ocean�a en torno al a�o 875. Su profesi�n era maestro, matem�tico o ge�logo.

Un breve perfil psicol�gico de su vida pasada: Una de esas personas que est�n siempre con cosas nuevas. Siempre le gustaron los cambios, sobre todo en arte, m�sica y cocina.

La lecci�n que su vida pasada le ha dado para la encarnaci�n actual :
Su lecci�n es aprender la discreci�n y la moderaci�n para entonces ense�ar a los dem�s a hacer lo mismo. Su vida ser� m�s feliz si ayuda a quienes carecen de raz�n.

Um abra�o.

O Réprobo disse...

Vá lá, vá, Querida Ana!
Imagine se me via a dar um pezinho de dança para criar atmosfera para sacrifícios humanos! Mas pode retirar a conclusão que fiquei cansado de ser manda-chuva. Hoje, nem pago a peso de oiro!
Beijinho

O Réprobo disse...

Meu Caro Rudolfo Moreira,
Pois, ser répropo deve incompatibilizar-me com a ocultação de mim.
O ponto prufrockiano parece prejudicado por ser logicamente necessário identificar um risco antes de temê-lo, de forma concreta.
Abraço

O Réprobo disse...

Meu Caro Carlos Portugal,
claro que aos olhos de Quem crê em metempsicoses e aproximados não se render a essas hipóteses só pode ser fruto de uma condenação apriorística. Pois é também por aí que a esse mundo me oponho, presumo demasiado da dignidade ou indignidade de cada homem para o pré-determinar pela responsabilidade de outro.
Mas, jogando o jogo, fico contentíssimo por não ser muito precisa a metodologia de pesquisa adoptada - assim, mesmo que as dimensões espácio-temporais não tivessem errado por muito, poder-se-ia sempre dizer que a abdicação a hora lugar e minuto de nascimento não permitiram uma visão muito clara da vida passada. E o que foi tomado por dança seria, por exemplo, uma exteriorização de dor, depois de haver deixado cair um altar sacrificial em cima do pé...
Muito aliviado por não estar amarrado a um passado em que tivesse bancado o... bacante, embora em equivalente aborígene americano.
Duas notas - a Minha Amiga também não acredita, manou-me como provocação.
E que passagem de Evangelho de S. João tem o Amigo em mente?
Abraço

O Réprobo disse...

Pronto, Caríssimo Mike, estão explicadas as atracções pela Austrália e Nova Zelândia! E até a decisão final de para já, não voltar lá!
Abraço

ana v. disse...

Volto aqui de olhos baixos e corda ao pescoço, Paulo... os seus deuses astecas castigaram-me por me ter metido consigo (e também pela imprecisão da língua, como nota, e muito bem, o amigo Carlos Portugal): nem imagina a vida passada que esse oráculo - fiabilíssimo, claro está! - me atribui. Vou postar o resultado, como sinal de humildade e arrependimento... verá!
(nem vai acreditar...)
Beijinho, caro Diác... Paulo, quero dizer.

Cristina Ribeiro disse...

Bem, eu faço como o Mike, e tomo este "repto" como uma nova corrente blogosférica:
"...nació em algun lugar que hoje es Rumania" (por isso me sinto europeia, desde sempre)
"...persona timida, reprimida, tranquila" (invejo a tranquilidade da minha primeira encarnação)
"A veces su entorno le considera a una persona estraña" ( há dias, quando disse que o silêncio me era importante, disse isso mesmo :) )

Lição para a vida actual "confiar en la intuicion como su mejor guia" (vou matutar no assunto :) )

E vou pensar, também, a quem hei-de passar a "corrente" :)
Beijo, Paulo

O Réprobo disse...

Querida Ana,
oh minha Amiga, então, não é caso para tanto. Então, com a suavização do rigor que o Carlos Portugal apontou, tanto pode a página descobrir a careca de um passado para além da nossa identidade, com nís, até por vendetta, podemos retroagir a implantação linguística no Novo Mundo.
Mas ardo em curiosidade. Já lá vou ver.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Cristina, com que então uma Latina do Oriente, heim? Isso é que é uma transmigração cigana. Ooooops, esta não é para ler, foi lapsus teclandi.
Raios, "estranha"? Quer dizer que esses malandrins me excluíam de Vuestro entorno?
Intua, pois, que está bem entregue. Aliás o Mike falou disso, há dias.
Beijo, Revolta (pela tranquilidade pretérita invejada) Amiga.

Carlos Portugal disse...

Caríssimo Amigo:

Perdoarme-à o atraso na resposta à pergunta que me colocou acerca do Evangelho de S. João.

Trata-se de uma parte controversa do Capítulo 3, que deverá se interpretada à luz da origem helenística do texto original (cerca de 120 A.D.):

João 3

1. Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.
3. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.
8. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
9. Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso?
10. Disse Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!...
11. Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho.
12. Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?

Ora o «renascer da água» é, desde a cultura micénica, o passar pelo Lethes, o rio do esquecimento, para depois o espírito renascer, que para os gregos significava voltar do submundo, do Hades, para o mundo dos vivos, como o meu Caríssimo Amigo muito bem sabe - bem melhor do que eu.

O Catolicismo (que eu professo), interpreta como renascer pelo baptismo. Curiosamente, já ouvi um padre católico, ao celebrar um baptismo, explicar que a água do Baptismo era como a água do Lethes, apagando todo o sofrimento ou memórias passadas daquela alminha (era um bébé), para que ela pudesse recomeçar de novo. Um pouco como «a clean sheet of paper».

Além disso, na citada passagem do Evangelho, Jesus afirma que tal (renascer) é «uma coisa terrena», portanto natural, e fica espantado por Nicodemos não o saber.

Há alguns anos, assisti a uma palestra de um teólogo da Universidade Católica em que ele abordava esta questão e as diversas versões, dando ênfase aos primeiros textos conhecidos, e à sua tradução do grego. Foram horas muito bem passadas, e ainda mais deliciosa foi a sessão de perguntas e respostas que se seguiram. Mas isso daria um pequeno volume.

É claro que cada um terá a sua interpretação, desde as mais fantasiosas às mais rebuscadamente... farisaicas.

Mas creia-me, Caríssimo, eu era perfeitamente céptico a tais ideias de transmigração do Espírito - a minha formação de base é científica - mas por assistir a algumas das mencionadas sessões de terapia de pessoas amigas (em estado alterado de consciência, e não hipnose), e de haver alguns pontos que foi possível confirmar em absoluto, tive de começar a aperceber-me de que a Criação daquele que Foi, que É e que Será é bem mais rica e vasta do que a nossa vã filosofia pode conceber.

Obviamente que não engulo as teorias delirantes de uma «New Age» psicadélica e transtornada, nem as «regras» que esses gurus impõem para a dita reencarnação. Mas desde os trabalhos de Jung e até de Freud, passando pelo estudo - cortado cerce pela OMS - do Dr. Bloxham, na Inglaterra dos finais de 60, verifica-se realmente a existência de memórias que não podem ter sido induzidas, ou transmitidas geneticamente.

A psicologia experimental actual estuda, como lhe referi, essas memórias, preferindo o termo «outras vivências» a «outras vidas», provavelmente com toda a razão, dado não se saber ao certo a sua origem. As pessoas que fazem essas regressões com psicólogos dizem-me que as lembranças se misturam com as «da vida actual», não como oníricas, mas como se fizessem parte de um passado recente, e às vezes doloroso.

Podia-lhe até relatar um caso muito curioso a que assisti, mas o comentário ficaria ainda mais longo.

*****

Por fim, quanto aos softwares de astrologia, o meu «conhecimento» provém de eu ter trabalhado em alguns desses softwares, auxiliando um astrólogo amigo. Apenas lhe posso dizer que tais programas são de uma complexidade extrema, e que as tabelas de efemérides planetárias (por exemplo) utilizadas são as fornecidas pela NASA.

É extremamente difícil (mesmo impossível) determinar por software «quem fomos», ou «em que época vivemos», permitindo tão-somente vislumbrar a nossa personalidade ao longo de várias «vivências», e os principais acontecimentos dessas «vivências».

Assim, o tal link é apenas um divertimento que nos permitirá rir um pouco, e nada mais (o que, nesta época sombria, já é muito).

Um grande abraço, Caríssimo Ce Acatl Topiltzin (O Príncipe)!

He he he... não leve a mal...

Júlia Moura Lopes disse...

Paulo, já fiz várias vezes, não calhou sempre coisass diferentes!!
Consegui finalmente gravar,
Aí vai a última:

Diagnóstico de su vida pasada:
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No sé si le parecerá bien o no, pero usted era males en su última encarnación terrena. usted nació en algún lugar del territorio que hoy es Siberia en torno al año 1425. Su profesión era granjero, tejedor o sastre.
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Un breve perfil psicológico de su vida pasada: :
Siempre le ha gustado viajar e investigar. Podría haber sido un detective o un espía
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La lección que su vida pasada le ha dado para la encarnación actual :
Habrá aprendido su lección ayudando a los ancianos y a los niños. Ha venido a esta vida a aprender a cuidar a los débiles y desamparados.
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¿Recuerda ahora?

Teria sido a Mata Hari???


brrrrrrrrrr

um beijo

O Réprobo disse...

Meu Caro Carlos Portugal,
ah, antes assim. Estava indeciso nas minhas suposições se Se referiria a este passo - de onde retirei o título das págimas linkadas ao lado - ou ao mais espinhoso, referente a hipótese de outro S. João, o Baptista, ter dado corpo a uma reencarnação de Profeta precedemte.
Neste caso, não me parece haver dúvida de maior, pois o renascimento operado espiritualmente expressa um princípio de libertação possível do Pessoal, face à condição pecaminosa que era a nossa desde a Expulsão do casal adâmico. Em certa medida o inverso da escravização de uma pessoa à anterioridade global de outra, presente nas reencarnações conceptualizadas mais vulgarmente.

Não levo nada a mal, ora essa, Príncipe é apelido que ostento muito civilmente no BI, por ser o de Minha Mãe. E Ce Acalt Topilzin até dava um excelente nick, nestas lides.
Abraço

O Réprobo disse...

Querida Júlia,
credibilidade muito prejudicada - ninguém acredita que haja sido homem alguma vez, por muito anterior que a existência fosse. Nem Fria, logo zero para a Sibéria, cujo gelo teria derretido, caso a Júlia passasse por lá.
De Fazendeira nada digo, aquelas fotos brasileiras...
Beijinho

Júlia Moura Lopes disse...

para dizer a verdade, também não acredito, Paulo ;-)