sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fuga Sem Arte

20 de Junho é o primeiro do fatal acontecimento de Varennes. Não devemos lembrar tanto o folclore imaginado ou não de ter Luís XVI levantado uma cortina da janela da carruagem e ter sido reconhecido pela efigie nas moedas que corriam. São factos de que os relatos mais autorizados prescindem e, apesar do valor simbólico de a curiosidade ser fatal, para Reis como para o gato do provérbio, bem como de o dinheiro aparecer, recorrentemente como o maior inimigo da Tradição, o que devemos reter, para além da notória incompetência na camuflagem da viatura - que chamava todas as atenções e mais algumas - é que, depois de muito ceder já não rsetava capacidade mobilizadora de outros centros urbanos contra os revolucionários que dominavam totalitariamente Paris. A haver fuga, sempre pior que uma resistência heróica, que tivesse sido no princípio, como nesse Outubro de 1789 em que fora pensada. E não agora, quase dois anos depois, apesar de a mitologia revolucionária da traição cair pela base quando sabemos que a Família Real se encontrava prisioneira de facto, impedida de se deslocar até a cerimónias religiosas como a de Saint-Cloud.
A partir daqui, tudo estava perdido, porue o medo e o fracaso se prestam a todas as caricaturas, como a de a detenção se ter devido a uma permanência excessiva à mesa da hospedaria, já que a gula tinha caução expressa de Nostradamus quando escreveu deste Rei, Roy desrobé, trop de foy en cuisine, num passo próximo da expressa menção de Varennes, o que vai um pouco mais longe que o jogo interpretativo feito de literalidades e simbologias dos ditos proféticos, de modo a fazê-los encaixar.
Não era preciso ser profeta para perceber que a cedência em quem tem responsabilidades é a perda da cabeça. Literal ou metaforicamente.

2 comentários:

Rudolfo Moreira disse...

Um rei só o é enquanto não tenta fazer coisas às ocultas mas a principal responsabilidade foi do sueco Frenzen que de princípio a fim deu maus conselhos.

O Réprobo disse...

Até por aí, Amigo Rudolfo. Os franceses achavam piada a que os Seus Reis tivessem favoritos/as, mas menos que eles fossem estrangeiros. E se podiam fechar os olhos à influência de amantes régias, já a dos queridinhos das consortes irritavam-nos bastante, quando no sentido da sua rejelção eram espicaçados por subversivos. Chauvinismos? Pois!
Abraço