quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mãe?

A História está recheada de exemplos de triunfos da faceta de Mulher sobre a de Mãe, em rivalidades amorosas com as filhas. Mas a manchete deste jornal de grande difusão, dando conta de uma atracção onde apenas se esperaria repulsa, para além do sério, que é a insensibilidade à violação dos próprios frutos, seria suspeita de uma fragilidade compreensível - com a multiplicação de falhanços masculinos no campo da sexualidade, a infeliz protagonista teria querido jogar pelo seguro e consumir produto testado por quem lhe fosse próximo.
A hilariedade da conjectura, porém, é esmagada pela desconformidade da conduta com estatuto. Para drama de quem não pode levantar a voz.

15 comentários:

Cristina Ribeiro disse...

Tão escabroso!Arrepia-me, e fico sempre com a sensação que este "jornalismo" é um parasita deste tipo de pobreza...
Beijo

ana v. disse...

Tudo isto é aberrante e nem me merece comentário. A começar pelo pasquim que publica estas coisas, que vive de esgravatar misérias para vender.

Júlia Moura Lopes disse...

são os vampiros da desgraça alheia...

O Réprobo disse...

Já se sabe, Cristina, que o tratamento é miserável. Mas os abismos a que pode descer a evaporação dos naturais diques interiores à indignidade merecem detença.
Beijo

O Réprobo disse...

Querida Ana,
como tantos outros comprazimentos noticiosos com a desgraça, provindos de orgãos com mais responsabilidades. Simplesmente, a exemplaridade negativa da história, narrada num tribunal como se fosse um azar como qq outro, tem a sua relevância para definir campos.

O Réprobo disse...

Querida Júlia,
também são. Mas não podemos tergiversar na análise de culpas - pois que disso aqui se trata e não de um raio que haja fulminado um tranquilo passante -, fingindo ignorar, por não nos dizer respeito, ou o nojo se sobrepor. Que segurança teria e terá aquela filha, entregue à... criatura que a pôs no Mundo?
Beijinho

Xantipa disse...

Essas histórias não são história. Normalmente, essas situações acontecem em ambientes de grande miséria, onde aquilo a que chamamos «paixão» (como no título) talvez não corresponda ao sentido pelos protagonistas.
Curiosamente (ou não), a mitologia grega tem vários exemplos daquilo a que o amigo Réprobo muito bem chama de evaporação dos diques interiores à indignidade. Entre outros, lembro-me de Tiestes, a quem os deuses concederam vingança pelo crime de Atreu através de um filho que viesse a ter da própria filha. Assim nasce Egisto, fruto de uma violação, que veio a ser, com Clitemnestra, o castigador de Agamémnon.
Curiosamente (mais uma vez), estas histórias davam temas de tragédias porque se passavam entre gente elevada e nobre...
(Desculpe o longo comentário) Beijinho

Cristina Ribeiro disse...

É claro que, por muito repulsivos que sejam esses abismos, merecem que neles nos detenhamos.
E concordo com a Xantipa - aliás o Paulo já tinha aflorado o tema do miserável tratamento "jornalístico"-: "paixão" não terá sido o que os envolvidos sentiram...

O Réprobo disse...

Ah, sim, Querida Xantipa, o tema do incesto, eventualmente forçado, é um clássico. Vejamos neste caso o que é menos habitual - a vontade livre da mãe da vítima canalizando afecto (!!!) para quem lhe violentara a prole. E nem a desculpa esfarrapada da miséria pode ser dada, pois, no depoimento, a protagonista põe a ultrapassagem de frustrações pessoais/da esfera sentimental ainda à frente dos económicos!
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
sabe-se, até pela catarse artística, que muito boa gente vive voragens magnetizantes impossíveis de defender racionalmente. Mas a ausência de sofisticação estetizante na depoente, como a naturalidade que tenta imprimir ao comportamento, quanto a mim, não só impedem o distanciamento, como deveriam agravar a reprovação.
Beijo

ana v. disse...

Não quero provocar nova discussão, caro Paulo, mas será que leio nas suas entrelinhas uma maior predisposição à complacência perante uma situação destas, se ela fosse mais... sofisticada? Mais estética? Eu, ao contrário de si, acho que só mesmo a miséria (moral e social também, nestes casos) podem servir de atenuantes...
E lá estou eu a provocar a discussão...

O Réprobo disse...

Essa leitura não está autorizada, Menina Ana. Apenas disse que, por muito incompreensível que pareça, ela pôs o relacionamento como meio de ultrapassagem de frustrações afectivas ainda antes do problema pecuniário.
Beijinho

Júlia Moura Lopes disse...

bem dito, Paulo..coitada da filha..com uma m�e dessas.

O Réprobo disse...

Um horror, Júlia!
Já viu o que pode esperar a miúda, na próxima tentativa da progenitora de superar os desgostos?
Beijinho

Júlia Moura Lopes disse...

(sem a violação)
por acaso conheço ´duas histórias sujas identicas a essa aqui no Porto, em que mãe e filha partlharam o mesmo homem. Há mulheres que não merecem ser mães...nem mulheres são, são monstrinhos