quinta-feira, 19 de junho de 2008

How Bo(u)nd?

Está em curso uma tentativa de assassínio de carácter que não pode ser deixada passar em claro. Os Psicólogos foram fazer estudos em meios estudantis latinos e chegaram à conclusão de que o narcisismo, o egoísmo, a manipulação dos outros e não sei mais que defeitos atribuídos a James Bond eram o segredo de fazê-lo atrair o Belo Sexo.
O mal destes inquéritos é que acreditam no que lhes dizem e pouco mostram conhecer da psique dos entrevistados, ou do tema. Todas essas pretensas e distintivas falhas de personalidade são neutralizadas pelo serviço de Sua Majestade, o que, se não limpa o 007 face à correcção comportamental a incutir, ao menos deixa de permitir elencá-lo entre os bad boys.
Não, o segredo do apelo está no domínio de múltiplas situações com segurança e em não fixar-se em uma Mulher específica, coisa provada pela quase ruína da figura quando o casaram, o que logo teve de ser convenientemente apagado. É que os dois traços combinados estimulam a atenção feminina em duas vertentes não-negligenciáveis - a de experimenntar como lhes assenta o que resultou bem em tantas outras (o princípio da Moda) e a secreta esperança de ser ela a conseguir prendê-lo. Esta ânsia de experimentação do seu poderio é o que une todas as Senhoras, de qualquer classe, embora se possam expressar de forma diferente. Marcel Jouhandeau recebeu de Élise o desafio de que casasse com ela. Respondeu-lhe mas eu sou homossexual. Retorquiu a candidata a noiva, plena de confiança: Não tem importância, eu saberei mudá-lo!

13 comentários:

fugidia disse...

Bom, é verdade que nós gostamos de desafios...
(muitos risos)

Mas quanto aos atributos específicos da personagem, devo esclarecer que não me motivam.
Já no que respeita aos atributos físicos de alguns dos actores... bom... hã... pois... a coisa muda de figura...
:-)))

Luísa disse...

Meu caro Réprobo, é uma excelente análise da atitude feminina durante os verdes anos. Não resistir ao desafio de vergar uma rebelde personalidade masculina é típico das mulheres muito jovens (como a nossa querida Fugidia, ainda nos seus «teen»). ;-D
Depois, aprende-se que as rebeldes personalidades masculinas só vergam quando a idade a isso as obriga (ou seja, muito entradas nos «entas»), que nessa altura o desafio já não é desafio, e que mais vale investir desde logo em personalidades menos agitadas, mas que gostem realmente de nós. :-)

Cristina Ribeiro disse...

Parafraseando, com a devida vénia, Camões,digo-me "cesse de" mim qualquer comentário, para me inclinar perante a sabedoria da Luísa.
Beijo

ana v. disse...

O eterno dilema das mulheres, Paulo, é a dose certa de auto-confiança: entre o ridículo excesso das que acham que são capazes de inverter até uma orientação sexual com o seu infinito poder de sedução, e a total falta dela, das que desistem de exercê-la por se acharem incapazes de resultados. A dose certa é o grande segredo, e acho que só o tempo a ensina, quando ensina...
Para se seduzir alguém é preciso gostarmos de nós primeiro, e isto é válido para homens e mulheres. Já "mudar" alguém é outra história. Não é verdade que as pessoas não mudem ao longo da vida (só os idiotas nunca mudam), mas só muda quem quer mudar e não quem nós queremos que mude. O que nos toca é percebê-lo, e quando muito gerir essa mudança.
Ups... alonguei-me muito? É que eu gosto deste tema.
;)

ana v. disse...

E com este relambório esqueci-me do modelo do James Bond, um bom passatempo mas jamais um homem para consumo doméstico. Livra!

fugidia disse...

Tal como a Cristina, inclino-me reverencialmente perante a sabedoria da Luísa e da Ana.
Não é por acaso que gosto tanto delas :-)))

O Réprobo disse...

Ai, Fugidia! Tomo isso como uma ferroada, pos Fleming pensou o personagem antevendo algumas das minhas qualidades!
Sigo-A e à Cristina, com fervor, nas vénias.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Luísa, concluo pelo mesmo, embora com duas ressalvas - há sempre um ou outro gaiteiro entradote sem emenda e, por vezes, embora não sempre, essa falta de maleabilidade que refere dolado de cá dá conta do desespero de conformar o real ao ideal, seja quanto ao Complemento Redentor, seja no cumprimento retentor de si.
Beijinho

O Réprobo disse...

Não Se alongou um niquita, Querida Ana, adoro lê-La sobre este, como outros temas. Endosso muito do que diz sobre a confiança apriorística das Mulheres que se não desgostam Delas. Mas não tenho dúvidas de que o fim de algumas relações brota do fracasso desse programa auto-imposto. Já aqui falei na naturalidade como a Mulher se deixa modificar ao sabor do gosto do companheiro, vendo nisso uma prova de interesse, onde o homem tende a sentir-se ofendido, potque esperava que o sim tivesse sido direccionado ao que ele já era. E essa incompreensão mútua, ao fazer a parte máscula do par refugiar-se na posrura de rocha, deixa a sua Cara-Metade por sua vez agastada, por intuir que ele não deixar moldar-se é sinal de que não a ama como ela o faz.
Enquanto os homens ainda forem homens e as Mulheres, Mulheres...
Beijinho
PS: claro que a habilidade suaviza o problema.

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
a ninguém, salvo à Nefelibata, podeia ocorrer compará-La a uma qualquer "Musa Antiga". Graças a Deus e à blogosfera está bem vigente.
Beijo

O Réprobo disse...

Aninha,
penso que o plano em que coloca o Comandante Bond se ajusta às mil maravilhas ao projecto de vida dele...
Bj.

ana v. disse...

Talvez eu tenha alguma hipótese com ele, então...
;)

O Réprobo disse...

Ehehehehe,
só que, então, ele ficaria de tal forma deslumbrado que se domesticaria...
Beijinho