domingo, 29 de junho de 2008

Os Irresponsáveis

29 de Junho de 1919. Foi tornado público o texto assinado pelos Quatro Grandes vencedores da Grande Guerra, que, ao contrário dos Mosqueteiros, eram três, já que a Itália foi chamada apenas para o borrão. Tudo neste documento precipitaria desgraças piores. Cegos pela Revanche, em vista à qual Rémy de Gourmont era o único dos do seu País que dizia não levantar o dedo mindinho, que lhe era necessário para abater a cinza do cigarro, os Franceses impuseram tudo o que não conviria - desmilitarização do Reich, deixando-o à mercê das revoluções e da demagogia armamentista do primeiro que aparecesse. Fractura da continuidade territorial alemã, com um inimaginável enclave nesse Dantzig que iria despoletar o conflito seguinte. Responsabilização unilateral e tentativa de criminalização de Guilherme II, a que só a intransigência do asilo holandês e algum bom senso Britânico puseram cobro. Intimação de aceitações vergonhosas a negociadores Judeus da República de Weimar, abrindo caminho ao desenfreado anti-semitismo de um País que, como estudou Hannah Arendt, não possuía longa tradição dele. Combinados com Wilson, a selectividade na auto-determinação, fazendo referendos no Schleswig, mas não na Alsácia-Lorena, para decidir os países a que pertenceriam, uma espécie de Democracia da UE que bem conhecemos. Além do draconianismo do faseamento das idemnizações de guerra, que estrangulavam a economia germânica e de uma voracidade mal disfarçada sobre o Sarre, com precursores episódios de resistência análogos aos que se verificariam no seu próprio território, após 1940.
A sede de vingança deu na total ausência de sentido de Estado. Ao invés de ficar com zonas fronteiriças e reparações aceitáveis, à Bismarck, quiseram minar completamente a ossatura de além Reno, como o Governo do Kaiser também impensadamente fizera, com a exportação de Lenine para a Rússia, deixando os seus agora ameaçaqdos pelos sequazes dos mesmos princípios. O desequilíbrio dos homens leva facilmente ao das Pátrias e diminuir o peso destas é, a prazo, votar todo o Continente a amargos de boca maiores. Mas há quem não aprenda.

2 comentários:

Rudolfo Moreira disse...

Em vez de borrão foi uma borrada.

O Réprobo disse...

No mínimo dos mínimos, uma bUrrada.
Abraço