domingo, 15 de junho de 2008

Feitos

Nunca me apanharão a contestar ou aprovar a concessão de distinções, porque acho que cada hissope é livre de aspergir quem queira. Neste 10 de Junho, por exemplo, a atribuição de um altíssimo grau ao Dr. Almeida Santos servirá mais do que bem para definir os que concedem, em função do hã perfil do agraciado.
Posso, entretanto, fazer considerações de carácter geral, acerca dos peitos cravejados. Churchill dizia que uma medalha brilha, mas traz sempre consigo uma sombra. E claro que ela está na servidão voluntária dos poderes, em troca das chapinhas almejadas. Por tanto aprecio esta pintura, já que, mais do que a ironia apontada a um Ramo militar, sugere o quanto muita cabecita desfralda as velas para aproveitar o sentido do ventinho que permita ser posto a reluzir.
Percebe-se, em consequência, que a distribuição da última semana tenha sido relatada como "deposição de condecorações". Sim, sei que depor também é usado no sentido de entregar ou confiar, mas mais apropriada a casos de que se espere seguimento de acção imediata dos fiéis depositários, por exemplo, a queixa, a pretensão foram depostas junto das competentes autoridades...
Mas claro que está muito certo, depor também significa pôr no lado ou no chão algo que se trazia, o que permite sentidos muito realistamente identificáveis, ao contrário daquele de uso mais costumeiro, impor, que a apetência pelas honrarias faria desatar a rir aqueles que a ouvissem hoje aplicada.
A Marinha Dá Melhores Medalhas de Per W. Petersen
Tendo falecido o Capitão da Guarda Châteaubriand, Francisco I quis dar ao futuro Marechal de Vieilleville o cargo e as honras correspondentes. Perante o espanto geral, a começar pelo Régio, ele negou-se a aceitar. dizendo:
No dia de uma batalha em que Vossa Majestade tenha visto o meu mérito. Mas se eu tomasse essa distinção presentemente, todos os meus companheiros a transformariam em motivo de risota e diriam que me teríeis escolhido por causa do meu parentesco com o Finado. E eu preferiria morrer do que ascender a qualquer condição por um qualquer favor, em vez de pelo meu serviço.
É evidente que isto foi muito antes de as figuras públicas se aparentarem por emblemas partidários.

6 comentários:

ana v. disse...

Passo só para deixar um beijo de bom domingo, Paulo. O meu está como o tempo: chocho. Que venha a segunda feira.

O Réprobo disse...

Também para a Ana, Depos da bola vou outra vez ao «Porta...». Há pouco ainda não havia novidades.
Beijinho

Cristina Ribeiro disse...

É evidente. Agora, à dúzia é mais barato.
Beijo

O Réprobo disse...

Ehehehehehe, Querida Cristina, caso para dizer, sem mentir, que os intelectuais recompensados são uns "sabichões da dúzia".
Beijo

Júlia Moura Lopes disse...

Que dignidade, Paulo!...

Agora ficam todos em bicos de pés, mesmo que as suas consci~encias e auto-critica lhe digam que não merecem as comendas. Lavam a cara e continuam sujos, enfim...

O Réprobo disse...

Lembra o leão medroso do «Feiticeiro de Oz»?
Também estes pensarão que metalizações peitorais lhes alteram o carácter, ou, no limite, lhes trarão algum. Mas, como disse, é quem concede que mais se define.
Beijinho, Querida Júlia