terça-feira, 3 de junho de 2008

O Piercing

Conclui-se que uma pasta ministerial é uma masmorra! A Dr.ª Isabel Pires de Lima vem dizer do acordo ortográfico, se não o que Maomé (não) disse do toucinho, ao menos o que o bom senso manda e que de todo faltou à sua gestão da tutela da Cultura. Confirma-se assim que essa nefasta escolha ministerial foi responsável, não apenas por depurações inacreditáveis, por destruições de equipas de êxito na museulogia, no teatro lírico e por aí fora, como nos roubou a autora de alguns ensaios agradáveis e, vê-se agora, uma voz mais de alguma influência contra a mutilação da língua.
É que outra cousa não é a uniformização idiomática que se urde, do que um gigantesco piercing, semelhante aos que o partido do Governo faz questão de banir, por perigosos. É uma lamentável nostalgia Socialista pela colectivização - proíbe-se o parafusinho nas línguas individuais, mas impõe-se o atarrachar equivalente na que é património comum. Até que todos entremos em parafuso.
Encontrei esta imagem na net, sob a designação de Screwed Tongue. Imploro à condescendência dos Leitores que acreditem não ser a ingenuidade o que me leva a não traduzir...

6 comentários:

cristina ribeiro disse...

Aleluia! Tem toda a razão: aqui é que o piercieng deveria pôr tento na língua dos que a usam para defender o aberrante Acordo, que afinal não merece o acordo de tantos falantes: pimenta na língua!
Beijo

Rudolfo Moreira disse...

Ainda bem que é de andar em círculos com a chave de fendas. Fica mais fácil dar meia volta ao texto.

ana v. disse...

Gostei da "nostalgia Socialista pela colectivização"... Se é isso, é muito elitista porque exclui o Olimpo Socialista, tão cioso da sua superioridade cultural!

Mas para o parafuso estar bem atarrachado falta-lhe a respectiva porca, felizmente. O que, aplicado à língua e ao maldito acordo, justifica plenamente a "Screwed Tongue" não traduzida...

O Réprobo disse...

Querida ristina,
além da incongruência com a preocupação de saúde pública manifestada a outro propósito, há uma despromoção aviltante do parafuso, que se justifica por segurar alguma coisa, o que não é o caso do seu emprego por estes linguarudos que querem esburacar a fala de todos nós.
Beijo

O Réprobo disse...

Meu Caro Rudolfo,
claro, em se tratando de um REBITE, ainda algum adepto do pacto demoníaco que quer vender a língua ao chifrudo se lembraria de chamar à crítica ex-Ministra REBITEZA.
Abraço

O Réprobo disse...

Querida Ana,
ora aí é que a... porca torce o rabo! Cá para mim, de tanto ouvirem o extracto do Pessoa segundo o qual a Pátria era a língua portuguesa, acharam por bem combater esse "fascismo potencial" fazendo ao idioma o que já haviam feito ao País - integrá-lo numa supra-nasionalidade pactada.
Beijinho