sábado, 7 de junho de 2008

Os Nus e os Mortos

Fantasma Com Bicicleta de Matt HarbichtNeste relato de um ciclonudismo espanhol, como protesto contra a vulnerável condição de ciclista nas ruas, três ângulos há por onde se impõe analisar. Quanto à motivação, não pode senão estranhar-se que os promotores da iniciativa adoptem esta forma de protesto, pos se, de facto, se sentiam despidos na exposição à selvajaria do tráfego, seria tautológico um adicional strip tease, para além de nada poderem remover, salvo a própria pele. Acerca da consequência, devo referir que se o objectivo é, como parece, forçar a tomar medidas, o êxito nesta vontade manifesta pode abarcar outro sentido, qual seja o da avaliação eliminatória dos corpos em benefício dos de proporções mais canónicas, sendo que, no caso da metade feminina, se houver entre eles alguma Mulher de fazer parar o trânsito, haverá que porfiar para se verem excluídos dele, ou a consequente paralisação tornaria a emenda pior do que o soneto. Finalmente, no tocante à eficácia, não se vê que a ausência de roupas nos corpos dos ciclistas tenha um milésimo da capacidade de chamar a atenção que teriam roupas com ausência de corpos, como nesta magnífica imagem.
Ah, Portugal ganhou, quem é que leva a mal estas fantasias?

12 comentários:

fugidia disse...

Sim, GANHOU!
E nem leva a mal nada, querido Rép, muito menos estas fantasias!!!
:-)))

Cristina Ribeiro disse...

Seria mais chamativo, dada a banalização do acto...

Ah! e não é porque em Portugal estamos a viver o pior do Carnaval que não levamos a mal; é porque hoje podemos sonhar todas as fantasias: até a de chegarmos ao fim com uma " saladeira" :)
Beijo

mike disse...

Inteiramente de acordo consigo, Caro Réprobo, sobre esse milésimo a capacidade de chamar a atenção. Ainda assim, eu, muito básico, creio preferir o tal corpo de mulher de fazer para o trânsito e sem roupa. Haverá, hoje, quem leve a mal, tão primária opinião?

Nelsinho disse...

Pedalar nú?!
Hummm!...Deve doer, eu acho!

As autarquias da Península precisam de fazer um curso na Finlândia e copiar a infraestrutura destinada às bicicletas e pedestres.

Um abraço, Réprobo!

compulsão diária disse...

Tudo pode.
Belo espaço.

O Réprobo disse...

Ainda bem, Querida Fugidia, em ambos os casos. Espero é que não passe pela cabeça de alguém que leia este postal, com a concentração de temáticas que lhe calhou, fazer promessa de passear como Deus o mandou ao Mundo, caso a Selecção continue a ganhar...
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
essa da peça da baixela ficou atravessada, heim?
Pois que passamos por carnavaladas não tem dúvida, mas ao menos sem os instintos de fazer mal aos outros, salvo umas buzinadelas comemorativas bastante soft. Já tivemos um Seleccionador que norteava confessadamente a sua acção pelo sonho, no sentido de desejo. Era José Torres. Façamos como ele, com a redescberta da catarse do torcedor!
Beijo

O Réprobo disse...

Estou certo de que não, Meu Caro Mike; e eu menos que todos, pois sinto-me inteiramente alinhado Consigo nesse sentir. O óbice estaria em, por cada uma com tão notável poder de mobilização, termos de suportar uns centos de sujeitos exibindo barrigas, pelos e outrosc adereços que não nos comovem...
Abraço

O Réprobo disse...

Meu Caro Nelsinho,
ui, têm muito que andar, os nossos autarcas! Ainda nem conseguiram resolver capazmente os problemas da rede viária para automóveis! E sim, os Países Nórdicos têm outra pedalada nesse campo, também a Dinamarca, em que a bicicleta é hobby nacional...

Quanto a andar em pelo agarrado ao guiador, imagine as esfoladelas, em caso de queda!
Abraço

O Réprobo disse...

Obrigado, Estimada Compulsão Diária, espero tê-La por cá muito mais vezes. Para trocarmos pontos de vista sobre essas imensas possibilidades, tomei a liberdade de linká-La.
Beijinho

ana v. disse...

Que bela imagem para os meus posts sobre bicicletas, Paulo! Um dia destes retomo a série, e venho roubar-lha!

O Réprobo disse...

Querida Ana,
faz favor de levá-la. E deixou-me tão impaciente por essa promoção dos velocípedes que vou dar medida desse anseio em sede autónoma.
Beijinho